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A Elphaba...

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Sinopse:
Começou como uma caça às bruxas, mas o plano do Inquisidor-Mor para eliminar todos os vestígios de poder feminino que há no mundo prevêem agora a aniquilação dos barões de Sylvalan que se lhe opõem… e a destruição do berço de toda a magia: a Serra da Mãe. Humanos e feiticeiras formam uma aliança difícil com os Fae para fazerem frente a esse inimigo terrível. No entanto, mesmo unidos, não têm força suficiente para resistirem aos exércitos mobilizados pela Inquisição. Procuram por isso o apoio do último aliado ao qual podem recorrer: a Casa de Gaian. As feiticeiras que vivem isoladas na Serra da Mãe têm poder suficiente para criarem um mundo… ou para o destruírem.
O antigo lema das bruxas: «Não fareis o mal», arrisca-se a ser esquecido por força de uma necessidade mais premente: a necessidade de sobreviverem.

Tenho quase a certeza que me vou repetir nesta opinião, relativamente às antecedentes desta mesma autora, sobre o prazer que é para mim folheá-la mas, a verdade, é que quando leio Anne Bishop é sempre um prazer único, algo que não se comprara a outros autores. Ela é a minha favorita. A sua escrita, a sua imaginação e a sua forma de falar sobre qualquer questão através de uma fantasia é inigualável e, neste terceiro livro da trilogia Pilares do Mundos, reafirmou uma vez mais o porque de eu a adorar consecutivamente.

Desde já alerto que esta opinião não só será extensa (é impossível que não o seja), como também terá, provavelmente, incongruências para quem não leu os títulos que antecedem A Casa de Gaian, no entanto para falar desta história tenho mesmo referir pontos da trilogia que nos levaram ao ponto em que iniciamos este livro.

Chegou o momento. Os inquisidores não podem continuar a ferir todos os locais que atravessam, não podem perpetuar o mal contra as mulheres e, mais importante ainda, não podem destruir a magia que alimenta a terra, que sustenta a vida e que de todos cuida.
Finalmente, despertos do seu pequeno mundo, os Fea dividem-se, enquanto uns se unem a esta causa maior ao reconhecerem os caprichos do seu passado, outros terão pagar um elevado preço pela sua arrogância. O que não pode acontecer, de forma alguma, é manterem-se indiferentes face a uma causa que está a destruir os seus clãs, que pode destruir o mundo como o conhecem.
Num recanto do mapa, a Serra Mãe faz a sua parte, desperta, revela-se. As suas Filhas mais poderosas vão lutar e como arma terão toda a energia e magia que consigam alcançar, independentemente do seu lema de bondade, porque para a luz prevalecer a maldade terá de desaparecer, morrer.
A última e grande batalha vai começar… muitas vidas serão perdidas, muitas almas serão estropiadas mas no fim, suprimindo as lágrimas, aquelas a quem a Mãe abençoou, seja qualquer for a sua raça, terão de vencer. Não existe segunda opção.

Grande parte do leque de personagens deste terceiro livro já são familiares ao leitor, que terá obrigatoriamente de ler os seus antecedentes, Os Pilares do Mundo e Luz e Sombras. Assim sendo, O Caçador, Senhor do Viço, Ashk é tudo aquilo que prometeu anteriormente e um pouco mais. A sua força, a sua garra causam arrepios e fascínio em simultâneo ao desempenhar nestas páginas um dos papéis principais da dura luta que se aproxima. Uma das minhas personagens favoritas, A Ceifeira, Morag, revela-se tão humana quanto possível, algo que já vinha a permitir antever, infelizmente o seu papel é muito ingrato nesta narrativa e, como sempre, enterneceu o meu coração.
Para além das duas protagonistas que acabei de citar, as várias Bruxas que já conhecemos, ou que só agora se entram em cena, são o que são, são as verdadeiras Filhas da Mãe que não conseguimos deixar de idolatrar. A sua benevolência, a sua força e a sua perseverança são incentivo mais que suficiente para maravilhar, uma e outra vez, ao sofrerem e renascerem consecutivamente por aquilo em que acreditam. Breanne é uma destas Bruxas que ficará na memória do leitor.
Uma das personagens que só agora vem enriquecer o enredo é Selena. Não podendo deixar de a citar, também não vos posso falar muito sobre ela sem fazer muitos spoilers, no entanto digo-vos que sem ela este livro não seria o mesmo e que a sua actuação ao longo da história extraordinária.
Antes de terminar, relativamente aos intervenientes deste texto, tenho obrigatoriamente de citar Adolfo, o Inquisidor-Mor, também conhecido por Flagelo das Bruxas. Este é o vilão dos vilões, que já cometeu as atrocidades mas vis e retorcidas que se possa imaginar mas que consegue ainda surpreender neste terceiro livro. A sua perversidade não tem fim, ele é realmente muito bom. 

Em relação ao cenário, este é ligeiramente mais abrangente que os anteriores visto que existem várias frentes de batalha com ambientes diferentes o que, não só põe à prova as criatividade de Bishop, um desafio que foi totalmente superado, como também nos permite observar a magia de muitas perspectivas diferentes, o que é magnífico. O poder é palpável ao longo das páginas, o leitor esta completamente envolvido por toda a acção e sente enraizar-se a força que brota da própria Terra para aqueles que a conduzem.
Este é igualmente um livro em que tudo está a um nível superior e mais intenso, onde cada passo dado pelos intervenientes é crucial e, consequentemente, são várias as histórias que decorrem em paralelo mas que visam o mesmo fim.

Uma das passagens mais fortes é, na minha opinião, quando conhecemos a origem dos Fea, Wiccafea, Povo Menor e das Feiticeiras e, embora este esteja apresentado uma glosa – pequena história dentro de outra –, é tão bela que me chegou ao coração. Bishop tem destas coisas, conquista e comprova o seu mérito com simplicidade e, quando o leitor se apercebe, ela já cimentou um lugar muito especial nas minhas estantes. 

Em relação à mensagem que é passada para o leitor, esta não difere muito do habitual, sendo todo o texto é uma ovação à glória feminina em todo o seu esplendor. No que respeita às descrições, os actos de horror são excelentes, como sempre, e tão equivalentes quanto contraditórios às soberbas reproduções do maravilhoso. Quem conhece esta autora sabe que ela tão depressa nos embala como nos deixa suspensos em momentos de medo e tensão, em relação a personagens por quem temos estima, e aqui não foi excepção, alguns perder-se-ão.

Acho que já vos disse tudo sobre Anne Bishop, por isso reafirmo apenas que é uma contadora de histórias incomparável e uma criadora de mundos magistral, que se faz acompanhar por uma escrita bonita e cuidada, que oferece o verdadeiro prazer da leitura.
Neste seu livro destaco as sensações e contrariedades, onde o leitor sente com naturalidade o cheiro da Mãe Natureza e do derramamento de sangue, onde a cor incorpórea de um espírito cresce e expande com a dor de todas as almas do mundo e onde a esperança é maior arma face à derrota de quem quer ir mais além.  


Quanto a mim, senti-me inundada de poder e maravilhei-me com as Bruxas em particular. No geral, considerei todo o livro  extraordinário e a um nível muito superior das minhas leituras habituais.
Citando a própria autora: «Feliz por este encontro, com felicidades me despeço e feliz seja o reencontro.» Eu acredito que será e já estou cheia de saudades de voltar a folhear Anne Bishop.

Uma aposta maravilhosa da Saída de Emergência, que continua a trabalhar para trazer para terras lusas o que de melhor se produz deste género lá fora. Recomendo sem qualquer restrição a todos os leitores de fantástico.

Volumes 1 e 2
Trilogia Os Pilares do Mundos


Os Pilares do Mundos (Opinião)
Luz e Sombras (Opinião)



Título: A Casa de Gaian
Autora: Anne Bishop
Género: Fantasia


quinta-feira, 19 de julho de 2012


Com o apoio magnífico apoio da  Saída de Emergência terminou mais um passatempo no blogue.

Para sorteio encontrava-se um Pack com os dois livros publicados da série Os Pilares do Mundo de uma das minhas autoras favoritas, Anne Bishop. Histórias maravilhosas que transportam os leitores para lugares muito além da sua imaginação.

Gostaria de agradecer a todos pelas vossas participações. E, se não foi o vencedor/a, não desanime haverá mais oportunidades em breve.

Sem mais demoras, quem receberá este exemplar é:

*2Denise (…) OliveiraPaio Pires

Os meus sinceros parabéns ao vencedor/a, espero que disfrute de uma excelente leitura.
Boas leituras a todos.

sábado, 30 de junho de 2012

Com o magnífico apoio da Saída de Emergência lançamos hoje o sexto passatempo comemorativo do aniversário do blogue.

Para sorteio temos disponível um Pack com os dois exemplares da nova trilogia Pilares do Mundo de uma das minhas autoras favoritas, Anne Bishop!  
A minha opinião sobre estas histórias: Pilares do Mundo e Luz e Sombras.

Para se habilitar este livro basta responder acertadamente às questões abaixo colocadas e ter em atenção às regras de participação.

As suas respostas encontram-se no respectivo link de cada pergunta.

Boas leituras!

Regras de participação:
1. Passatempo válido até 23h59 do dia 10 de Julho de 2012 (Terça-feira).
2. Só é possível uma participação por pessoa e e-mail.
3. Só serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
4. O vencedor será sorteado aleatoriamente, será posteriormente contacto por e-mail e o resultado será anunciado aqui, no blogue.
5. Todas as participações com questões erradas e/ou que não obedeçam às regras serão automaticamente anuladas.
6. A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio no correio de exemplares enviados pela própria e/ou pela editora.
7. Boa Sorte!

domingo, 24 de junho de 2012

Sinopse:
Desde o massacre das bruxas, os Fae, que deviam proteger as suas primas há muito esquecidas, ignoraram as necessidades do resto do mundo. Agora as sombras voltam a alastrar-se sobre as aldeias do oriente. Sombras negras e poderosas que ameaçam todas as feiticeiras, todas as mulheres e os próprios Fae. Apenas três pessoas podem fazer frente à loucura coletiva que se está a disseminar e impedir que mais sangue seja derramado: o Bardo, a Musa, e a Ceifeira. Aiden, o Bardo, sabe que o mundo está dependente da proteção dos Fae, mas estes recusam-se a escutar os seus avisos sobre o mal que se esconde nas florestas. Vê-se obrigado a partir com o amor da sua vida, Lyrra, a Musa, numa aventura arriscada em busca do único Fae capaz de fazer o seu povo despertar da indiferença. Se os Fae não agirem depressa, ninguém sobreviverá…

Luz e Sombras começa logo após o término da história anterior, quando podridão alastrava dizimando as Filhas da Deusa e os Fea, a pouco e pouco, tomavam consciência da perda do que lhes era mais sagrado, do que sempre consideraram como certo, o seu paraíso edílico. Era apenas o início do flagelo…
Embora uma pequena batalha tenha sido vencida, a guerra contra aquelas que vivem em sintonia com a Mãe parece não ter fim. O mal reúne-se. Os homens cegam. As mulheres morrem.
A magia brota como uma maldição e actos cada vez mais insanos, obscuros, são levados a cabo por aquele que, embora mutilado, insurge soldados pérfidos a prosseguir a sua demanda enraizando os seus tentáculos em corações outrora bondosos. Nunca os Fea, nunca as Bruxas, tiveram de chegar tão longe pela sua salvação, pela propagação de tudo aquilo em que acreditam e que a natureza acolhe transformando o bem e os sonhos em realidade. No entanto, ao longe, para lá da Serra da Mãe, enquanto persistirem as jóias da verdade, reside a esperança.

Luz e sombras são conceitos permanentes que vão sendo repetidos ao longo do livro, em diferentes contextos, vinculando a certeza que a perfeição não subiste sem trevas, de que a beleza também tem um lado negro, sendo essa a chave para os afectos mais puros. Assim sucede com a Ceifeira, uma personagem imensa que mais uma vez se encontra em destaque sendo o elo de ligação entre novos intervenientes e antigos, o elo de ligação das almas ao seu repouso final. Tal como a Morte, A Senhora da Floresta surpreende a cada passagem e ao longo de toda a história é soberba a sua evolução e contraste entre outros Fea. Ela personifica a grandiosidade das personagens que só Bishop consegue criar, repletas de honra, poder e temerosas por tudo aquilo em que acreditam. Uma das grandes revelações deste livro. 
Com uma vertente mais romântica Musa e Bardo estão cada vez mais próximos dos humanos, desempenhando um papel crucial neste segundo volume, eles são ricos em emoções, em acções repletas de poder que, de pequenos gestos, constroem o futuro para salvação do mundo em que ainda acreditam. Juntos aproximam-nos dos restantes seres da sua raça, aproximam-nos da transformação que todos eles deveriam sofrer e não deixam que fiquem esquecidos aqueles que no livro anterior desiludiram mas que, de certeza, têm ainda um papel fundamental a desempenhar.

No geral, se de princípio nos foi dado a conhecer o problema, agora agrupam-se as armas por tudo aquilo que é precioso para as muitas vidas descritas. O leitor volta a ficar próximo das Bruxas, Breenna em particular, reconhece e aprende mais profundamente sobre diversos Senhores Fea e compreende a dimensão de tudo aquilo que está em jogo nesta batalha entre a Luz e as Sombras. E, se de início, o leitor pode considerar a narrativa um pouco mais leve que a sua antecedente, não se iluda, é imenso o que está para vir e o medo, assim como a mulher, continuam a reiterar página após página.  

Anne Bishop tem uma criatividade magnífica e, embora eu possa ser suspeita por ser uma grande fã sua, penso que é inegável o valor das suas concepções de maravilhoso, bem como das suas personagens.
A autora tem uma escrita bela, fluida e envolvente que facilmente absorve o leitor para o universo fantasioso onde tudo é uma possibilidade, onde é impossível, de uma forma ou de outra, ficar indiferente.
As ligações criadas são enraizadas com o decorrer da leituras que nos permeia com descrições de tirar o folgo e caracterizações extremas que levam a que facilmente se crie laços com a ficção, sendo a vivência, de todo o enredo, muito bem conseguida.
Mestra na sua arte, esta é sem sombra para duvidas uma autora a ter sempre por perto, a seguir com proximidade, capaz de nos levar viajar por histórias que estão tão perto dos nossos sonhos como dos nossos pesadelos, na minha singela opinião, é fascinante.

Pessoalmente, eu sou o tipo de leitora que ficaria horas numa fila, ao calor e ao frio, para dizer a Anne Bishop que adoro o seu trabalho, um dia vai acontecer (eu sei!) mas, até lá, cada livro seu continua a fascinar-me e este não foi excepção.
Neste segundo livro da trilogia Pilares do Mundo foi excelente reencontrar personagens do livro anterior, não só porque isso me permitiu saber o que lhes reservou o futuro, como também confirmar a sua evolução que continuou a surpreender-me. O Povo Menor, embora pouco interventivo, começa agora a cativar-me e, apesar das contrariedades das suas atitudes, acabam por ser na minha perspectiva o lado mais selvagem, menos real, desta história muito ligada à natureza, o que me atrai.
Quanto ao resto gostei de tudo, das perversidades dos inquisidores, da simplicidade das bruxas, das novas povoações, dos novos Fea e dos momentos de humor que a autora conseguiu proporcionar. Gostei do equilíbrio entre bem e o mal, sempre presente, do lado mais triste de toda a narrativa, assim como do lado mais feliz que encoraja os seres ficcionais a seguir em frente. Uma obra magnífica.

Livro Anterior
Esta obra é mais uma aposta do Grupo Saída de Emergência pertencente à colecção Bang, que continua a trazer para terras lusas grandes nomes fantástico e ficção, prova disso é esta trilogia com dois volumes já publicados que conquistarão, sem qualquer dúvida, os adeptos deste género literário. Adorei.


Os Pilares do Mundo - Opinião

Título: Luz e Sombras
Autora: Anne Bishop
Género: Fantasia
Editora: Saída de Emergência
domingo, 27 de maio de 2012

Título: Luz e Sombras
Autora: Anne Bishop
Saga/Série: Trilogia dos Pilares do Mundo
N.º Páginas: 368
PVP: 19,95 €
ISBN: 9789896374273

Sinopse:
Desde o massacre das bruxas, os Fae, que deviam poteger as suas primas há muito esquecidas, ignoraram as necessidades do resto do mundo. Agora as sombras voltam a alastrar-se sobre as aldeias do oriente. Sombras negras e poderosas que ameaçam todas as feiticeiras, todas as mulheres e os próprios Fae. Apenas três pessoas podem fazer frente à loucura coletiva que se está a disseminar e impedir que mais sangue seja derramado: o Bardo, a Musa, e a Ceifeira. Aiden, o Bardo, sabe que o mundo está dependente da proteção dos Fae, mas estes recusam-se a escutar os seus avisos sobre o mal que se esconde nas florestas. Vê-se obrigado a partir com o amor da sua vida, Lyrra, a Musa, numa aventura arriscada em busca do único Fae capaz de fazer o seu povo despertar da indiferença. Se os Fae não agirem depressa, ninguém sobreviverá…

«Não há nada que se assemelhe. Tornou-se uma autora incontornável.» - Chicago Tribune

«Tremendamente sensual... Ricamente detalhado, o cenário de Bishop é baseado num mundo onde se revertem todos os clichés do género fantástico. Simplesmente genial.» - Library Journal


Primeiras Páginas: Aqui!

Saiba mais em: http://www.saidadeemergencia.com/produto/-o-202345/-o-202346/luz-e-sombras/
quinta-feira, 8 de março de 2012
Sinopse:
Ari, a última descendente de uma longa linhagem de bruxas, pressente que o mundo está a mudar... e está a mudar para pior. Há várias gerações que ela e outras como ela zelam pelos Lugares Antigos, assegurando-se de que o território se mantém seguro e os solos férteis. No entanto, com a chegada da primeira Lua Cheia do Verão, as relações com os seus vizinhos azedam-se. Ari já não está segura. Há muito que o povo Fae ignora o que se passa no mundo dos mortais. Só o visitam, através das suas estradas misteriosas, quando desejam recrear-se. Agora esses caminhos desaparecem a pouco e pouco, deixando os clãs Fae isolados e desamparados. Onde sempre reinara a harmonia entre o universo espiritual e a natureza, soam agora avisos dissonantes nos ouvidos dos Fae e dos mortais. Quando se espalham nas povoações boatos sobre o começo de uma caça às bruxas, há quem se interrogue se os diversos presságios não serão notas diferentes de uma mesma cantiga. A única informação que têm para os nortear é uma alusão passageira aos chamados Pilares do Mundo...


Por cada vez que sopra uma brisa, o medo escoa entre as abençoadas. Por cada vez que finda um dia, cadenciadamente, escorre o tempo para que o mal roube mais uma vida. Nunca a mulher teve um preço tão elevado, nem a premonição e o dom foram tão amaldiçoados.

Os Pilares do Mundo abre-nos as portas para um novo mundo em que a magia reina através de bruxas, feéricos e a Mãe Natureza. Evidenciando a maldade extrema e a bondade canalizada em actos simples e pueris, esta narrativa aborda temas muito diversificados em que a mulher se encontra como núcleo principal abrindo as portas para uma fantasia retratada de forma magistral.
Anne Bishop é das minhas autoras favoritas e o primeiro livro da sua nova trilogia publicada em terras lusas não desiludiu. Com uma escrita encantatória, que nos conduz com ansiedade voraz até ao final, a autora soube, uma vez mais, transmitir emoção de variadíssimas formas encaminhando-nos com sabedoria numa viagem inesquecível.

Com um leque muito diverso de personagens a autora proporciona-nos a possibilidade de conhecer pontos distintos de acção sendo os Fea, as Bruxas e os Inquisidores aqueles dominam a nossa atenção transmitindo emoções díspares, e igualmente fortes, que se revelam uma verdadeira surpresa a cada folhear de página. Desta feita, a minha opinião acaba por se evidenciar em cada um dos seres que intervêm na trama pelo que a minha estrutura do texto está, excepcionalmente, diferente do habitual.

Desde o início dos tempos que as bruxas, geração após geração, cuidam dos seus lares com particular atenção. Da sua casa retiram sustento através de trabalho árduo e é com amor fazem prosperar a natureza que as abona em igual medida mas algo está a mudar e uma tristeza inunda a terra outrora fértil. Ari, a bruxa que acompanhamos com maior proximidade, é uma força da natureza. Esforçada, como só uma filha da Mãe poderia ser, não é de todo digna de pena, pelo contrário, e ainda que a vida lhe seja dura a sua força e coragem é um estímulo que impregna de energia benigna a nossa leitura.

Num lugar insuficientemente distante um homem, inquisidor, de convicções extremistas leva acabo a missão para qual acredita ter nascido, erradicar de toda a terra aquelas que possuem o poder e que de alguma forma podem ameaçar o homem, aquele que deve ser suserano acima de todos os outros. Ele enraíza o mal ao longo da narrativa transbordando o que de pior floresce no âmago corrompido, transparente através em falso poder e devassidão.

Do outro lado do véu os Fea persentem e ouvem sussurrar, a prece, a natureza. O mundo está a mudar. Até agora foi sem esforço que todos os seus dilemas se resolveram mas desta vez, ao caminhar por entre os homens, sabem que terão de encontrar mais respostas do que prazer ainda que acreditem que, com a sua magia e força, a eternidade lhes continua garantida. A Ceifeira é, entre os diversos seres feéricos, aquela que maior atracção teve sobre mim. Ao contrário dos restantes, ela caminha entre os homens e eu nunca pensei gostar da morte. O seu papel, comparativamente a todos os outros, foi aquele que mais me susceptibilizou.

Ainda que esta narrativa não tenha a perversidade de Jóias Negras a maldade está exposta, impetuosamente, da mesma forma e a sensualidade foi substituída por afecto e emoção.
A mulher é sem dúvida a grande homenageada neste livro da mesma forma que é castigada de maneira insana através da perversão, levanto o leitor a repudiar ardentemente personagens, algo que só Bishop consegue transmitir.

Pessoalmente, eu sou aquela que anseia por finais quase felizes, que se consola quando não existe reviravolta mas que, ainda assim, acredita sempre na continuidade e mantenho-me repleta de espectativas sobre personagens que me desiludiram mas que, tenho a certeza, irão surpreender ao longo desta trilogia.

Anne Bishop tem um dom para a palavra escrita que poucos autores conseguem igualar. Ela recria universos complexos, abundantes em ambiguidades impressionáveis. Para o bem e para o mal ela toca o leitor que, uma vez enredado na sua escrita, já mais a esquecerá
Sem sombra de dúvida a minha autora favorita neste género e uma grandiosa aposta da Saída de Emergência que aconselho a todos os leitores de todos os géneros literários que, tenho a certeza, reconhecerão o mérito que lhe atribuo.

Depois desta maravilhosa leitura é com imensa ansiedade qua aguardo o próximo livro pois as saudades de Os Pilares do Mundo já apertam, como diria, e muito bem, Anne Bishop:
«Feliz por este encontro, com felicidades me despeço e feliz seja o reencontro.»

Título: Os Pilares do Mundo
Autora: Anne Bishop
Género: Dark Fantasy
Editora: Saída de Emergência
quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Mais uma fabulosa e misteriosa nova trilogia da autora.

Títulos: Os Pilares do Mundo
Autor: Anne Bishop
N.º Páginas: 384
Preço: 19.95 €
ISBN: 9789896373856

Sinopse:
Ari, a última descendente de uma longa linhagem de bruxas, pressente que o mundo está a mudar... e está a mudar para pior. Há várias gerações que ela e outras como ela zelam pelos Lugares Antigos, assegurando-se de que o território se mantém seguro e os solos férteis. No entanto, com a chegada da primeira Lua Cheia do Verão, as relações com os seus vizinhos azedam-se. Ari já não está segura. Há muito que o povo Fae ignora o que se passa no mundo dos mortais. Só o visitam, através das suas estradas misteriosas, quando desejam recrear-se. Agora esses caminhos desaparecem a pouco e pouco, deixando os clãs Fae isolados e desamparados. Onde sempre reinara a harmonia entre o universo espiritual e a natureza, soam agora avisos dissonantes nos ouvidos dos Fae e dos mortais. Quando se espalham nas povoações boatos sobre o começo de uma caça às bruxas, há quem se interrogue se os diversos presságios não serão notas diferentes de uma mesma cantiga. A única informação que têm para os nortear é uma alusão passageira aos chamados Pilares do Mundo..

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