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A Elphaba...
Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
Fascinada por outros mundos e uma eterna sonhadora, assim eu sou.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Sinopse:
Com apenas 9 anos, numa emboscada planeada pelo inimigo para erradicar a descendência real, o príncipe Jorg Ancrath é atirado para dentro de um espinheiro, onde fica preso, com espinhos cravados na sua carne, a ver, impotente, a mãe e o irmão mais novo a serem brutalmente assassinados.
De alma destruída, sedento de sangue e de vingança, Jorg foge da sua vida luxuosa e junta-se a um bando de criminosos e mercenários, a quem passa a chamar de irmãos. Na sua mente há apenas um pensamento, matar o Conde de Renar, o responsável pelas mortes da mãe e do irmão, pelas suas cicatrizes e pela sua alma vazia.
Ao longo de quatro anos, Jorg cresce no seio de batalhas sangrentas, amadurece em guerras impiedosas, torna-se um guerreiro cruel e vai ganhando o respeito dos seus irmãos até que se torna o seu líder. Agora, um reencontro vai levá-lo de volta ao castelo onde cresceu e ao pai que abandonou. O que vai encontrar não é o mesmo sítio idílico de que se lembra, mas o príncipe que agora retorna também não é mais a inocente criança de outrora, é o Príncipe dos Espinhos.
Eu já sabia que adorava dark fantasy, afinal uma das minhas autoras favoritas é considerada a rainha do género, o que eu não adivinhava era as saudades que eu tinha de encontrar um anti-herói como protagonista, uma figura fria e cruel que, apesar de todos os seus pecados, me recuso a considerar um vilão.
Mark Lawrence traz-nos uma história de vingança e ambição cuja escrita, muito cuidada, dá a ver um horror sem filtros como reflexo da natureza humana, algo que se mescla com o sobrenatural enquanto nos encaminha numa jornada arrojada onde as emoções mais cruas deixam um rasto de destruição.
Num império distante movido pela guerra, um príncipe moribundo vê a sua mãe e o seu irmão serem brutalmente assassinados. Mais tarde, depois de salvo, recuperado e com qualquer réstia de inocência perdida, começa a construir uma perspectiva do seu reino, bem como do restante território imperial e daqueles que nele habitam, desprovida de qualquer sentimento. Fugindo para se transformar no homem que julga necessário para a missão que deu a si próprio, Jorg junta-se ao pior dos bandos de mercenários e, em pouco anos, torna-se o cruel líder dos mesmos. Jorg tinha 9 anos e qualquer parecença com uma criança esconde o mais temível guerreiro, esconde aquele que a maioria dos homens identificaria como alguém a temer.
Que personagem meus queridos, que grande narrador! É na primeira pessoa que vamos descobrindo camada por camada deste protagonista, um sociopata primitivo e desligado de qualquer afectividade para com os que lhe são próximos. A forma como se vai desenvolvendo com o decorrer do texto, as suas acções quase sempre deploráveis e a sua pretensão desmedida juntamente com o desejo de punir a todos sem excepção é insanamente agradável. É louco, é odioso mas é perfeito no seu papel e desconfio que nunca deixará de me surpreender com o seu sangue frio, com a sua capacidade de descer sempre um pouco mais baixo nas suas conquistas regadas a sangue inimigo.
A violência é uma constante ao longo do enredo, da primeira à última página. Rike e Makin, membros do bando, são disso exemplo, sendo o primeiro uma besta que se destaca entre os criminosos, assassinos e infames, de que Jorg cedo passa a fazer parte e o segundo o mais perto que a personagem principal tem de um amigo, embora a sua definição desta afinidade seja bastante peculiar. Na verdade, os intervenientes são muitos, todos sem excepção maléficos, reafirmando o quão mau é o universo retratado.
O sobrenatural, por sua vez, aparece pela via da magia mais negra e nacromantes, capazes de pôr em perspectiva os mais atrozes actos de vilania. Além destes, mortos e magos, criaturas como Gorgoth e Gog são um complemento delicioso e no seu todo são o conjunto perfeito para os amantes deste género extraordinário.
Não vou fazer spoilers, não creio que sejam os pormenores a convencer-vos a ler esta história mas sim o desejo de, como eu, encontrar um enredo sem lirismos ou romantismos, um enredo para adultos que vos confronte com brutalidade física e psicológica enquanto procura desafiar medos profundos e pesadelos obscuros através do protagonista.
Uma grande aposta Topseller que, certamente, vai despertar novas atenções para o seu catálogo.
Próximo título:
Rei dos Espinhos – Lançamento a 3 de Outubro
Título: Príncipe dos Espinhos
Autor: Mark Lawrence
Género: Dark Fantasy
Editora: Topseller
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Sinopse:
This
stunning debut captures the grotesque madness of a mystical under-land, as well
as a girl’s pangs of first love and independence.
Alyssa
Gardner hears the whispers of bugs and flowers—precisely the affliction that
landed her mother in a mental hospital years before. This family curse
stretches back to her ancestor Alice Liddell, the real-life inspiration for
Lewis Carroll’s Alice’s Adventures in Wonderland. Alyssa might be crazy, but
she manages to keep it together. For now.
When her
mother’s mental health takes a turn for the worse, Alyssa learns that what she
thought was fiction is based in terrifying reality. The real Wonderland is a
place far darker and more twisted than Lewis Carroll ever let on. There, Alyssa
must pass a series of tests, including draining an ocean of Alice’s tears,
waking the slumbering tea party, and subduing a vicious bandersnatch, to fix
Alice’s mistakes and save her family. She must also decide whom to trust: Jeb,
her gorgeous best friend and secret crush, or the sexy but suspicious Morpheus,
her guide through Wonderland, who may have dark motives of his own.
*Aviso: esta opinião está um pouco confusa, com alguns
desabafos pessoais e à primeira vista foge à rotina da análise que costumo
fazer no blog. Mas gostei muito deste livro, gostei mesmo.*
Eu namorei o Splintered meses a fio e depois de ter
cedido à tentação de o trazer para as minhas estantes, quando finalmente
chegou, deixei-o por lá durante um ano – sou terrível, certo? A verdade é que,
apesar da falta de disponibilidade para a sua leitura, este livro foi amor à
primeira vista pela sua capa lindíssima e sinopse cativante, algo que aumentou
consideravelmente depois de o ter nas mãos e ver o bonito trabalho de edição em
torno deste hardcover. É, sem dúvida alguma, um livro para coleccionar e
admirar.
Ainda antes de começar a minha opinião, aproveito
para vos confessar que nunca fui uma grande fã de Alice no País das Maravilhas,
história que tive oportunidade de analisar sob algumas perspectivas na minha
vida académica, mas que por outro lado sou uma grande, grande admiradora de retellings
– vejam o caso de A Bruxa de Oz, que deu o nome a este blog, que adoro
contrariamente a O Feiticeiro de Oz. Adiante.
Com palavras tão belas quanto desafiantes, A. G.
Howard soube ser criativa, arrojada e primorosa por excelência para ressuscitar
uma história que, por si só, no original, é dotada se uma complexidade incomum
para leitores de todas as idades, tornando-a ainda mais intensa. Assim, e
apesar de algumas dificuldades durante a minha leitura, não tenho problemas em
afirmar que a autora cumpriu as expectativas prometidas e superou-se nas suas
singularidades, que complementaram o que de muito peculiar já se conhecia de Wonderland.
Em poucas palavras, Alyssa Gardner é descendente de Alice
Liddell, que muitos anos antes contou a Lewis Carroll sobre a sua aventura em Wonderland
– que deverá ser do conhecimento de quem optar por esta leitura. Entre os
muitos problemas que o seu passado familiar lhe trouxe, aquele que mais
perturba Alyssa é o mesmo que levou a sua mãe à loucura, o facto de ouvir e
poder falar com insectos e plantas. Após um raro momento de lucidez da sua mãe,
na visita semanal ao asilo em que esta se encontra, e de saber que esta irá
iniciar tratamentos mais agressivos, a protagonista acaba por, de uma vez por
todas, enfrentar a maldição que persegue as mulheres da sua família, para
salvar a sua mãe e o seu próprio futuro da alienação. Ou seja, tenta arranjar maneira
de voltar ao lugar onde tudo começou para resolver os erros da sua
antepassada.
Eu já vos disse que não era fã da Alice no País das
Maravilhas, correcto? Bem a verdade é que eu gosto tanto da jovem Alice como da
Doroty… pois! No entanto, a protagonista do Carroll é tocada por um falta de
coerência e lucidez que me agradavam de alguma forma (apesar de ser tão…
tontinha) e digo-vos tudo isto para concluir que os melhores atributos de Alice
no original são conseguidos por Alyssa, o que faz com que eu tenha gostado
imenso desta jovem mulher que com a puberdade se começou a sentir inadaptada ao
comum.
Irreverente, dúbia e corajosa, esta protagonista que
vive em conflito consigo mesma e tantas vezes toma decisões erradas tem rasgos
emocionais, e de acção, que me conquistaram e que, até ao final, me deixaram
desejosa de saber o que lhe reserva o futuro. Ela é, efectivamente, um pouco
louca mas não tanto como a própria concebe dado o destino surreal que acaba por a
envolver e eu, confesso-vos, fiquei alucinada pela forma como escolhe lidar com as suas
perturbações, o que é apenas mais um pouco a seu favor. Em ralação aos
“rapazes” que influenciam a sua jornada – Jeb e Morpheus, o melhor
amigo/sexy/antiga paixão e o guia de Alyssa em Wonderland que se vem a revelar
sombrio e sedutor de forma assustadora, respectivamente – ambos me agradaram por motivos
diferentes, porque representam as duas faces da personagem principal, eles são o rosto
e o reflexo da história, uma das muitas singularidades que caracterizam a
narrativa.
O leque de personagens é imenso, não vos minto.
Apesar de a narrativa seguir os passos dos três intervenientes que citei
anteriormente, juntem os pais de Alyssa e todas as personagens da realidade
paralela e o núcleo é gigante, todo ele muitas vezes
pertinente e coincidente com a trama de base, mas com requintes maravilhosos,
obscuros e arrepiantes que me fizeram, literalmente, salivar – o White Rabbit,
por exemplo, é tão creepy!
Toda a magia, fascinante e bonitinha, que o leitor
eventualmente associa a esta fantasia é desfeita e reinventada em caos,
destruição e demência nociva, com cenários tóxicos que condizem na perfeição
com vários momentos assustadores da aventura da protagonista para tentar
reverter a maldição a que está sujeita.
O texto é, por isso, repleto de lugares comuns, rescrevendo literalmente a aventura com base nas consequências do passado,
sendo que esta volta a acontecer em parte de forma reversiva – Alice aparentemente
cometeu erros que Alyssa tem de emendar – mas com uma identidade muito
própria.
Gostava de vos descrever mais sobre a história mas
esta é tão próxima do original em tantos momentos, excedendo-se nos contornos e
pormenores, que tudo o que eu possa contar acaba por se tornar um spoiler.
Ainda assim, confiem, a loucura, as dúvidas existências, a própria humanidade
ou falta desta nos intervenientes, são tudo questões levantadas através de
problemáticas que, numa perspectiva real, não fazem muito sentido, mas que
através dos trocadilhos e no contexto visual da narrativa são deliciosos. (Como
efectivamente acontece com no história de Carroll; todos são loucos inclusive
Alice que, entre muitas perguntas levantadas, nos faz questionar se ela mesma é uma
pessoa.)
Quase a terminar, não vou avaliar a escrita de A. G.
Howard e digo-vos que, como leitura lúdica, foi o livro em inglês que mais
dificuldade tive em ler até hoje. Quer pelo vocabulário utilizado nas
descrições, quer pela complexidade do ambiente retratado, foi uma obra que me
deu muita luta e que adorava ver traduzida de forma fidedigna embora, tal como
aconteceu com Carroll, duvido que fosse possível encontrar uma boa tradução. Há
muitas expressões idiomáticas, demasiado humor e causa/efeito subentendido que
não está explicito e isso, para alguém que não é nativo (e muitas vezes até para um
nativo), é algo complicado de ultrapassar e permitir a fluidez desejada para o
entretenimento. Mas atenção, visualmente a história é fantástica e mesmo com as
minhas lacunas adorei.
Sucintamente, este é um livro darkfantasy e young
adult que não recomendado a quem não gosta de algum terror, o que não invalida a
existência de romance. E sim, há e não há um triângulo amoroso, embora eu
encare a sedução e atracção como emoções alienadas de sentimentos puros – o que
invalida a existência desse mesmo triângulo. Estou a ser confusa? Desculpem,
mas mesmo eu me senti confusa durante a leitura, contagiada pela protagonista e
pelo turbilhão a que está sujeita até ao final, que brilha com um twist
excelente, com uma reviravolta surpreendente e original, que eleva a
história para outro patamar.
E é isto, resta-me dizer-vos que vou pegar nos
próximos dois livros da trilogia já publicados muito em breve, Unhinged e Ensnared,
e já em Março na novella The Moth in the
Mirror, que deve ser lida entre o primeiro e segundo livros. Portanto, sou
masoquista e hei-de trazer-vos novidades sobre esta história que recomendo,
mesmo, se este for o vosso género de leitura – género fantasia complicada e creepy.
Título:
Splintered
Autora: A.
G. Howard
Género:
Dark Fantasy; Young Adult
Editora: Amulet Books
sábado, 19 de abril de 2014
Sinopse:
O meu nome é Meredith Gentry. Entre os humanos sou
detetive privada. Mas no mundo feérico sou a princesa Merry, herdeira do trono.
Há pessoas ao meu redor que afirmam que me tornei em algo superior. Mesmo
apesar de me protegerem, essas pessoas temem-me. E alguém as pode censurar? Eu
despertei a magia deslumbrante que estava adormecida dentro delas há milhares
de anos. E o problema é que não consigo perceber porquê.
A minha tia, a rainha do Ar e da Escuridão, já não se
distrai com os seus passatempos sádicos do costume. A sua atenção obsessiva
concentrou-se firmemente em mim e em eliminar-me da corrida ao trono.
Tudo começou com o cálice. Sonhei com ele e, quando
acordei, encontrei-o, frio e duro, ao meu lado. Os meus protetores conhecem bem
a relíquia antiga: o seu desaparecimento há alguns séculos retirou-lhes os
poderes vitais. Mas agora está aqui, connosco. E ao mesmo tempo que me estimam
por lhes ter concedido esta prenda tão inesperada, também há quem me deteste
por isso. Eu, uma mestiça, sou parcialmente mortal. E alguns não aceitam que eu
ocupe esse lugar. O meu número de inimigos aumenta a cada dia mas eles não
sabem do que eu sou capaz. E, já agora, nem eu…
Saudades, eu tinha verdadeiramente saudades desta
história.
É de conhecimento geral que eu sou uma grande fã de
reinos extraordinários, de representações do maravilhoso que replicam muito
mais do que eu consigo imaginar, no entanto há livros que se destacam devido à
sua intensidade, complexidade e capacidade de representar o impossível e Sedução
ao Luar é um destes casos. Mesclando de fantasia urbana com intrigas
palacianas, Laurell K. Hamilton é audaz na luxuria enquanto remete os seus
intervenientes para uma irresistível obscuridade, uma obscuridade que entrelaça
sangue e pesadelos com a capacidade de fazer os imortais desejar a morte.
Numa luta contra o tempo para engravidar, factor que pode determinar a
sua morte ou a sua primazia na linha de sucessão ao trono da arrepiante corte Unseelie, a protagonista desta narrativa, meio-humana e meio-Shide, tem poucos meses até que o seu primo Cel, que tentou
sucessivamente assassiná-la, seja libertado e piore, ainda mais, o louco
cenário em que está inserida e que sempre tentou evitar. Entretanto, para lá de
dormir todas as noites com pelo menos um dos guardas pessoais cedidos pela sua
tia, Rainha, existem disputas para contornar, laços retorcidos para estabelecer e
esta terá de aprender a lidar com uma nova magia que está a despertar através
de si. Uma coisa é certa, apesar do seu inesperado poder crescente, o número de
inimigos de Merry continua a aumentar e ela fará absolutamente tudo para se salvar e aos
que estima, ultrapassando neste livro todos os limites imagináveis.
Embora este seja um livro repleto de momentos altos,
de tensão crescente e muitas surpresas, é igualmente de interlúdio, com a
diplomacia a ter um papel fundamental no futuro deste enredo extraordinário.
Desta feita, é-nos permitido assistir de perto a um lado bastante inteligente
de Meredith, que revela o muito que aprendeu com o seu pai, Shide, e uma
dispare sensibilidade da sua parte tendo em conta a crueldade que a rodeia.
Temos, portanto, uma personagem principal corajosa, evoluída e capaz de levar
avante emoções desconhecidas entre os seus pares, mostrando na perfeição a
dualidade que a caracteriza.
Esta história continua a ser muito rica para quem se
sente atraído pelo universo feérico, principalmente na forma como estas
criaturas se encontram caracterizadas. Neste sentido, os intervenientes
secundários são abundantes e têm a mais-valia de se metamorfosearem durante a
leitura. Os protectores da protagonista, anteriormente guardas da Rainha obrigatoriamente
celibatários, são quem mais se destaca e da minha parte eu continuo a
acarinhá-los dentro do possível. Doyle, o Negrume, Rhys, Nicca e Sage, um
semifeérico irritante, são os meus eleitos por motivos variados, mas a verdade
é que, na sua maioria, estes seres seculares ou milenares encontram-se descritos de forma fascinante e são irrevogavelmente atractivos,
principalmente agora que se encontram ligeiramente influenciados pelo mundo
exterior à corte. Chega a ser divertido assistir aos seus actos na actualidade
e são, certamente, muito excitantes enquanto amantes tão desiguais e de beleza
hipnotizante.
Existem ainda outras personagens que merecem destaque
e pelas quais me deixei encantar, muitas vezes por motivos contraditórios, que
vão da repugnância ao medo. A Rainha Andais, Rainha do Ar e da Escuridão, já
era das minhas favoritas e assim continua, agora mais perto da loucura e
distante da perversidade sexual que a caracteriza, e também os anões em todas
as suas acepções, cada delas uma mais extravagante e repulsiva que a anterior –
pobre Merry.
As cenas sexuais tanto são maravilhosas como aversivas para o leitor, que se verá com sentimentos muito diversificados em relação ao texto. Gostei particularmente da que leva à transformação de Sage e Nicca, um momento erótico repleto de possibilidades e consequências como tudo o resto nesta história, em que cada pormenor ou diálogo pode fazer a diferença.
As cenas sexuais tanto são maravilhosas como aversivas para o leitor, que se verá com sentimentos muito diversificados em relação ao texto. Gostei particularmente da que leva à transformação de Sage e Nicca, um momento erótico repleto de possibilidades e consequências como tudo o resto nesta história, em que cada pormenor ou diálogo pode fazer a diferença.
Outro destaque vai para os artefactos que passam a
influenciar a vida da protagonista, entre eles o Anel anteriormente oferecido
pela sua tia que permite identificar os feéricos férteis para acasalamento –
esta espécie é extremamente infértil e daí todas as questões em torno da
importância da gravidez de Merry – e o Cálice da Deusa Danu, que permite
ampliar poderes e despertar magia há muito perdida por estas criaturas,
proporcionando momentos lindíssimos para quem gosta de literatura fantástica.
Por fim, ainda relativamente a singularidades, as
intrigas de corte estão no seu auge, com riscos e perigos constantes e uma
delicadeza por parte protagonista para ultrapassar obstáculos louvável que, de
qualquer forma, não a salvaguardará situações extremas e violentas a que esta se
encontrará exposta, neste livro que é muito pouco romântico mesmo quando
assistimos a algo idêntico a nossa definição de amor.
Em suma, Sedução ao Luar é um livro sobre
sobrevivência, sobre a capacidade de uma existência, em parte humana, sobreviver face a
um mundo extraordinário, sombrio, cru e irresistível, complexo na sua
primitividade de carne e sangue, que representa na perfeição o género dark
fantasy. Sedução ao Luar é um livro cativante e rico em perigos e sensualidade,
que com uma história forte e bem idealizada tem tudo para conquistar uma legião
de fãs deste género literário.
Laurell K. Hamilton tem uma escrita assertiva e simples, que permite
abraçar o impossível sem que quem lê se perca, sendo permitida uma visualização
geral, espacial e emocional, das muitas situações surreais que
vão surgindo.
Os diálogos são muito interessantes, apresentando-se ora leves e
descontraídos ora plenos de pressão e arriscados. Uma nota muito positiva para
as lutas com magia, em que a tutora da Mão da Carne e da Mão do Sangue oferece uma imagem arrepiante e contrastante da mulher a que o leitor se habituou no primeiro livro.
Pessoalmente, embora tivesse estado mais de dois anos
afastada da série Merry Gentry, não senti qualquer dificuldade em voltar a este
mundo extasiante e que adoro. Eu não posso falar de outras séries desta a autora,
mas neste caso em particular ela está entre as minhas eleitas e fiquei ansiosa
por continuar a ler, por saber o próximo passo da protagonista, por defrontar o
próximo inimigo ao seu lado e por me deixar envolver nas sombras e no brilho
interior que a caracterizam e fazem de si única.
Esta é uma aposta do Grupo Saída de Emergência que
assenta que nem uma luva na Colecção BANG!, histórias para leitores ousados que
pretendam algo diferente e igualmente gratificante.
![]() |
| Série Merry Gentry
O Beijo das Sombras (Opinião)
Carícias da Noite (Opinião)
|
Título: Sedução ao Luar
Autora: Laurell K. Hamilton
Género: Dark Fantasy
Editora: Saída de Emergência
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Sinopse:
Quando
os magos ameaçam Belladonna e o seu trabalho para manter Efémera em equilíbrio,
o seu irmão Lee sacrifica-se para a salvar - e acaba por ser internado num
Asilo na cidade de Visão, longe de tudo o que conhece.
Ao
mesmo tempo, umas estranhas trevas parecem estar a espalhar-se - uma escuridão
que esconde a natureza dos Xamãs que cuidam da cidade e da sua população.
Danyal, um dos Xamãs, é o responsável pelo Asilo. Mas talvez por estar a tentar
descobrir os seus próprios sonhos, Danyal sente-se intrigado pelos aparentes
delírios de Lee.
Com
a ajuda de Zhahar, uma mulher com os seus próprios segredos tenebrosos, a mente
e o corpo de Lee melhoram, e as suas palavras começam a fazer sentido. Em
breve, Danyal e Zhahar começam a vislumbrar o mundo como nunca haviam
imaginado.
Quando
Danyal, Lee e Zhahar se unem para descobrir o que ameaça a cidade, serão
obrigados a olhar para além de si mesmos - e para dentro de si mesmos - para
descobrir quem são… e até que ponto podem ser demasiado perigosos.
Quem
ainda não teve o prazer de descobrir as várias obras publicadas pela Saída de
Emergência de Anne Bishop não compreenderá a minha devoção por esta autora,
sombria e sedutora, que espelha com as mais belas palavras pesadelos, luxuria e
verdades incontornáveis em mundos inimagináveis.
Mundo
de Efémera era, até ler Ponte de Sonhos, a sua série/trilogia que menos me
tinha tocado enquanto leitora, embora, irrevogavelmente, o seu trabalho seja de
excelência, como sempre, com bons cenários, magníficas personagens e emoções
fortes. Agora, após reflexão, creio que tal se devia ao facto de esta ser uma
das suas narrativas mais cruas, mais exigente, porque no surreal encontrei
menos ficção e em cada semente fantástica um anseio puro do coração.
É
impossível resumir este enredo em poucas palavras, ele é um todo com origem no
passado que finalmente se compõe, mas vou tentar…
Imaginem
que existe em vida quem crie o espaço, a terra, o mundo, de acordo com as
necessidades de cada um, até do ser mais vil, é um alguém que controlando esse
pedaço de terra lhe dá forma à imagem dos que nela habitam. Imaginem que existe
em vida quem construa pontes, pontes que ligam as terras, pontes que definem o
ali e o agora como algo ilimitado e alcançável. Imaginem, todos vós, que o
vosso destino, e quem sabe o vosso lar, é o vestígio mais profundo e
desconhecidos que reside no vosso coração num determinado momento, num momento
que pode definir a existência ou a morte. Por fim, imaginem, imaginem e cuidem
os vossos anseios porque em Efémera, do inferno ao paraíso, tudo se encontra a
um bater de asas de uma borboleta capaz de equilibrar este mundo maravilhoso.
Os
seres, nesta realidade ficcional, são muito diversificados; há construtores de
pontes, paisagistas, músicos do coração e demónios, tantos, todos tão horríveis
quanto sublimes, como os magos, assustadores, como os humanos, a eterna raça
crucial mas por vezes ignorante quanto ao que a rodeia. Todos, sem excepção,
têm as suas batalhas repletas de perigos para enfrentar, de conquistas, mas a
maior guerra é silenciosa, aterrorizadora, ela tem que ver com escolhas, com
sentimentos que todos têm, quem sabe ambíguos, dentro de si.
Este
é, diria Michael, um livro feito de muitos que se diferenciam e se completam,
numa melodia perfeita e única como a singularidade que os define. Já Glorianna
Belladona diria que este é um livro feito das mais duras opções, que nos
dividem e caracterizam e, se por ventura, estivéssemos no Antro, sob a guarda
de Sebastian, este dir-nos-ia que este livro se compõe de medo, êxtase e paixão,
riscos de sempre que nos dão sentido.
Mas
este livro em particular é de Lee, de Zhahar e de Danyal, três que ainda não se
encontraram, que ainda não travaram as suas lutas pessoais dependentes dos que
já passaram. Esta é a sua história composta de dissonâncias que procuram a
harmonia, forçosamente indecifrável no presente Asilo na cidade de Visão e,
certamente, esperançosa, porque enquanto houver esperança existirá futuro e
Efémera nunca esquece os que lhe pertencem.
Sei
que não vos disse muito sobre o que realmente trata este livro, até agora, mas
a complexidade que o caracteriza, que caracteriza Efémera, não me permite dizer mais
sem vos revelar o todo que seria, para mim, impossível de expor por palavras.
Digo-vos, ainda assim, que nesta narrativa encontrarão o amor por todas as
coisas, entre casais, família, na simplicidade ou no inexplicável. Encontrarão
felicidade e lágrimas, porque os caminhos nem sempre serão justos para aqueles
que o leitor aprende a estimar, mas não deixa de ser o caminho necessário para
que as personagens se reconstruam e se aceitem nas suas atitudes e opções. E
encontrarão, também, lugares comuns nas palavras de Bishop, porque essa é uma
das suas mestrias, expor através do surreal verdades palpáveis, por vezes com
brutalidade mas muitas vezes com a resignação de que não se pode mudar o inato.
Em
relação ao fantástico, este é indescritível. E em relação às suas arrepiantes
criaturas merecem destaque os demónios, os que se confundem nas sombras e os que são uma
individualidade e ao mesmo tempo três, como as Tríades, mas atenção que o mal
aqui não é obrigatoriamente demoníaco - é apenas o que é -, é uma escolha. E
provavelmente, por isto, nesta história o que realmente poderá assustar quem lê
não tem contornos sobrenaturais, mas sim verdadeiros, em atrocidades que
conhecemos independentemente de quem as comete.
Os
cenários são de sonho, ou de pesadelo, por vezes. São dotados de uma beleza
como só esta senhora consegue criar e com pormenores, requintes, feitos para
maravilhar em lê. No entanto, sendo esta uma autora de equilíbrio, não é de
espantar que muitas vezes me tenha deparado com o oposto, com a ausência total
de fascínio por locais tristes, mas as coisas são como são.
Sem
saber o que mais vos posso dizer, resta-me aconselhar este livro a todos os que
tenha lido os livros anteriores do Mundo de Efémera, pois este é o mais sublime
e proporciona um final perfeito. E para quem ainda não leu, recomendo a trilogia a todos
os amantes de fantasia, mas de fantasia à séria, para mentes abertas e prontas
para se deixar arrebatar por algo que é incomparável.
Digo
sempre que Anne Bishop é a melhor, para mim é. Desde a sua trilogia Jóias Negras
que não a via escrever tão bem e atribuir tanta intensidade a um enredo.
As
suas descrições são uma das suas mais-valias, porque não é fácil dar a ver algo
incomparável e, ainda assim, possível de conectar com a realidade. E os
seus toques de perversidade estão presentes, como sempre, mas desta vez acho que
lhe detectei algo de romântico, talvez porque este livro e o próprio mundo que
criou está intrinsecamente ligado com os sentimentos dos intervenientes, pelo
que está de parabéns.
Pessoalmente,
idolatrei tudo nesta narrativa. Gostei particularmente de Efémera, enquanto
personagem, moldável a quem a comanda mas com personalidade própria, quando
assim deveria ser - divertiu-me.
Embora
intenso, violento até, gostei igualmente das muitas pontuações de humor que a
autora conseguiu atribuir ao texto e, é importante referir ainda, que
considerei que a sua criatividade esteve em pleno, pelo que foi para mim um
prazer imenso voltar a mergulhar numa história sua.
Esta
é uma magnífica aposta Saída de Emergência que caracteriza bem esta editora,
que se destaca como nenhuma outra no universo fantástico proporcionando aos
leitores portugueses o melhor do género que se publica além-fronteiras.
Sebastian
(Opinião)
Belladona
(Opinião)
A Voz (Opinião)
Título:
Ponte de Sonhos
Autora:
Anne Bishop
Género:
Dark Fantasy
Editora:
Saída de Emergência
domingo, 28 de julho de 2013
Sinopse:
Numa aldeia vizinha da cidade de Visão ninguém
conhece o sabor da mágoa e da angústia, mas essa comunidade, aparentemente
idílica, esconde um segredo tenebroso. Quando era pequena, Nalah não percebia
porque a mandavam levar um bolo à menina muda a quem chamavam «A Voz» sempre
que se sentia mal. Sabia apenas que isso a ajudava a melhorar. Já crescida,
desvenda esse mistério e anseia por fugir da aldeia opressiva onde sempre
viveu. Só depois de visitar a cidade de Visão e de conhecer o Templo das
Mágoas, compreende o que tem de fazer para se libertar…
Até
nos mais pequenos textos Anne Bishop
expressa a intensidade que a caracteriza. E se sou uma leitora suspeita por ser
sua adoradora, não o sou certamente no traço perverso que a comunidade
apresentada em A Voz espelha, não o sou na bondade de algumas das suas
personagens com violentos anseios do coração e, menos ainda, no ritmo que se
impôs, quase encantatório, que me prendeu até à última frase da sua escrita.
Inocência. É com a leveza pueril dos pensamentos de Nalah, enquanto criança, que começa a nossa narrativa
e é, igualmente, com ingenuidade dos 10 anos de idade que esta personagem se
apercebe que algo estava mal na sua terra sem lágrimas. Mais tarde, no entanto,
quando os receios da infância são apenas uma recordação e a realidade se
adivinha bem mais crua do que antes, Nalah soube que ou ela ou o seu mundo teriam de mudar e uma viagem mudou tudo,
uma viagem que a fez compreender que para sobreviver tinha de tentar resgatar quem
poderia salvar.
Sendo esta uma short story pertencente à trilogia o Mundo de Efémera é essencial para quem, como eu, vai ou está
mergulhar no título Ponte de Sonhos, o último da sobre esta terra de luz e
escuridão, conceito que se repudia, complementa e equilibra, que está bem
presente neste pequeno texto.
Forte, astuta e pouco convencional, Nalah revela ao longo do seu crescimento uma percepção do lugar em que vive
diferente dos restantes habitantes, isto porque a sua curiosidade e, mais
importante ainda, a sua sensibilidade face ao mal não lhe permitem fechar os
olhos a uma mulher muda e órfã que que se alimenta das dores e do sangue que a
comunidade não expressa. Mais tarde, quando são demasiadas as verdades que
percepciona, e após conhecer um templo para consolar a mágoa que se recusou a
partilhar, é pela coragem que o leitor recorda Nalah que, certamente, nunca
mais será encarada como apenas mais um interveniente de Bishop.
A Voz, como personagem muda, é um sufoco desde o primeiro momento que nos
prende atenção, e ao qual ninguém ficará indiferente. Ela é aquela em torno da
qual giram todas palavras por dizer, sentenças e emoções
de dor e de angústia, silêncios e mais silêncios que tudo permitem antever,
para quem tem a infelicidade de todo mundo para esconder. É uma prisioneira da
escuridão ansiosa pela luz, é isso que ela é.
Mas esta pequena história não é um negrume absoluto, esta é uma história
escrita pela mestra das sombras e, portanto, para lá de todos os horrores
ocultados - às mãos dos que detém o poder, às mãos dos que se reflectem nas
almas mais fracas circundantes -, está presente o amor e a amizade, ligeiros
cheiros doces que nos ajudam a combater tudo o resto, cheiros que se propagaram
com o conhecimento da existência de Visão, um lugar onde se encontra apenas o que se consegue ver e, felizmente, Nalah não consegue olhar mais para o lugar onde
sempre viveu.
Embora este pequeno livro não reflicta todo o potencial de Anne Bishop, não será uma desilusão para os seus fãs, que
rapidamente se sentiram acolhidos pelas sua sublime narrativa, através de
descrições cuidadas e de um jogo de palavras excepcional como só a rainha do dark fantasy tem para oferecer.
Eu confesso que já estou a mais de meio do livro Ponte de Sonhos e estou a amar cada momento com aquela que é uma das minhas autoras
favoritas, aquela que me proporciona sempre o melhor que se pode pedir numa
viagem entre páginas.
Esta é uma aposta Saída de Emergência que eu recomendo a todos os leitores de fantasia mas, obviamente,
em particular para os fãs de Anne Bishop curiosos pelo Mundo de Efémera e, obrigatoriamente, para quem lê ou leu esta trilogia.
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| Mundo de Efémera |
Sebastian (Opinião) - Livro 1
Belladonna (Opinião) - Livro 2
domingo, 24 de junho de 2012
Sinopse:
Desde
o massacre das bruxas, os Fae, que deviam proteger as suas primas há muito
esquecidas, ignoraram as necessidades do resto do mundo. Agora as sombras
voltam a alastrar-se sobre as aldeias do oriente. Sombras negras e poderosas
que ameaçam todas as feiticeiras, todas as mulheres e os próprios Fae. Apenas
três pessoas podem fazer frente à loucura coletiva que se está a disseminar e
impedir que mais sangue seja derramado: o Bardo, a Musa, e a Ceifeira. Aiden, o
Bardo, sabe que o mundo está dependente da proteção dos Fae, mas estes
recusam-se a escutar os seus avisos sobre o mal que se esconde nas florestas.
Vê-se obrigado a partir com o amor da sua vida, Lyrra, a Musa, numa aventura
arriscada em busca do único Fae capaz de fazer o seu povo despertar da
indiferença. Se os Fae não agirem depressa, ninguém sobreviverá…
Luz
e Sombras começa logo após o término da história anterior, quando podridão alastrava
dizimando as Filhas da Deusa e os Fea, a pouco e pouco, tomavam consciência da perda
do que lhes era mais sagrado, do que sempre consideraram como certo, o seu paraíso
edílico. Era apenas o início do flagelo…
Embora
uma pequena batalha tenha sido vencida, a guerra contra aquelas que vivem em
sintonia com a Mãe parece não ter fim. O mal reúne-se. Os homens cegam. As mulheres
morrem.
A magia
brota como uma maldição e actos cada vez mais insanos, obscuros, são levados a
cabo por aquele que, embora mutilado, insurge soldados pérfidos a prosseguir a
sua demanda enraizando os seus tentáculos em corações outrora bondosos. Nunca os
Fea, nunca as Bruxas, tiveram de chegar tão longe pela sua salvação, pela
propagação de tudo aquilo em que acreditam e que a natureza acolhe transformando
o bem e os sonhos em realidade. No entanto, ao longe, para lá da Serra da Mãe, enquanto
persistirem as jóias da verdade, reside a esperança.
Luz
e sombras são conceitos permanentes que vão sendo repetidos ao longo do livro,
em diferentes contextos, vinculando a certeza que a
perfeição não subiste sem trevas, de que a beleza também tem um lado negro,
sendo essa a chave para os afectos mais puros. Assim sucede com a Ceifeira, uma
personagem imensa que mais uma vez se encontra em destaque sendo o elo de
ligação entre novos intervenientes e antigos, o elo de ligação das almas ao seu
repouso final. Tal como a Morte, A Senhora da Floresta surpreende a cada
passagem e ao longo de toda a história é soberba a sua evolução e contraste
entre outros Fea. Ela personifica a grandiosidade das personagens que só Bishop consegue
criar, repletas de honra, poder e temerosas por tudo aquilo em que acreditam.
Uma das grandes revelações deste livro.
Com
uma vertente mais romântica Musa e Bardo estão cada vez mais próximos dos
humanos, desempenhando um papel crucial neste segundo volume, eles são ricos em
emoções, em acções repletas de poder que, de pequenos gestos, constroem o
futuro para salvação do mundo em que ainda acreditam. Juntos aproximam-nos dos restantes
seres da sua raça, aproximam-nos da transformação que todos eles deveriam
sofrer e não deixam que fiquem esquecidos aqueles que no livro anterior
desiludiram mas que, de certeza, têm ainda um papel fundamental a desempenhar.
No
geral, se de princípio nos foi dado a conhecer o problema, agora agrupam-se as
armas por tudo aquilo que é precioso para as muitas vidas descritas. O leitor
volta a ficar próximo das Bruxas, Breenna em particular, reconhece e aprende
mais profundamente sobre diversos Senhores Fea e compreende a dimensão de tudo
aquilo que está em jogo nesta batalha entre a Luz e as Sombras. E, se de
início, o leitor pode considerar a narrativa um pouco mais leve que a sua
antecedente, não se iluda, é imenso o que está para vir e o medo, assim como a
mulher, continuam a reiterar página após página.
Anne
Bishop tem uma criatividade magnífica e, embora eu possa ser suspeita por ser uma
grande fã sua, penso que é inegável o valor das suas concepções de maravilhoso,
bem como das suas personagens.
A autora
tem uma escrita bela, fluida e envolvente que facilmente absorve o leitor para
o universo fantasioso onde tudo é uma possibilidade, onde é impossível, de
uma forma ou de outra, ficar indiferente.
As
ligações criadas são enraizadas com o decorrer da leituras que nos permeia com
descrições de tirar o folgo e caracterizações extremas que levam a que
facilmente se crie laços com a ficção, sendo a vivência, de todo o enredo,
muito bem conseguida.
Mestra
na sua arte, esta é sem sombra para duvidas uma autora a ter sempre por perto,
a seguir com proximidade, capaz de nos levar viajar por histórias que estão tão
perto dos nossos sonhos como dos nossos pesadelos, na minha singela opinião, é
fascinante.
Pessoalmente,
eu sou o tipo de leitora que ficaria horas numa fila, ao calor e ao frio, para
dizer a Anne Bishop que adoro o seu trabalho, um dia vai acontecer (eu sei!) mas, até lá, cada livro seu continua a fascinar-me e este não foi excepção.
Neste
segundo livro da trilogia Pilares do Mundo foi excelente reencontrar
personagens do livro anterior, não só porque isso me permitiu saber o que lhes
reservou o futuro, como também confirmar a sua evolução que continuou a
surpreender-me. O Povo Menor, embora pouco interventivo, começa agora a
cativar-me e, apesar das contrariedades das suas atitudes, acabam por ser na
minha perspectiva o lado mais selvagem, menos real, desta história muito ligada
à natureza, o que me atrai.
Quanto
ao resto gostei de tudo, das perversidades dos inquisidores, da simplicidade
das bruxas, das novas povoações, dos novos Fea e dos momentos de humor que a
autora conseguiu proporcionar. Gostei do equilíbrio entre bem e o mal, sempre
presente, do lado mais triste de toda a narrativa, assim como do lado mais
feliz que encoraja os seres ficcionais a seguir em frente. Uma obra magnífica.
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Esta
obra é mais uma aposta do Grupo Saída de Emergência pertencente à colecção Bang,
que continua a trazer para terras lusas grandes nomes fantástico e ficção, prova
disso é esta trilogia com dois volumes já publicados que conquistarão, sem
qualquer dúvida, os adeptos deste género literário. Adorei.
Os Pilares do Mundo - Opinião
Título:
Luz e Sombras
Autora:
Anne Bishop
Género:
Fantasia
Editora:
Saída de Emergência
Subscrever:
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(
Atom
)
Autores das Histórias:
- Alexandra Adornetto
- Alison Bechdel
- Alison Lucy
- Alyson Noel
- Amanda Hocking
- Amy Bratley
- Amy Hatvany
- Ana María Matute
- Andrea Cremer
- Andrea Hirata
- Andrew Kaufman
- Andy Mulligan
- Andy Weir
- Anita Shreve
- Ann Brashares
- Anna McPartlin
- Anna Randol
- Anne Bishop
- Anne Fortier
- Aprilynne Pike
- Arthur de Pins
- Barbara Bretton
- Barbara Mutch
- Becca Fitzpatrick
- Bella Andre
- Beth Harbinson
- Bridget Asher
- Bryan Lee O'Malley
- Carlos Ruiz Zafón
- Carolina Aguirre
- Carolyn Turgeon
- Carrie Jones
- Carrie Ryan
- Cassandra Clare
- Cathy Kelly
- Charlaine Harris
- Charles Dubow
- Chris Cleave
- Chris Priestley
- Christian MØrk
- Christina Lauren
- Christine Feehan
- Claire Corbett
- Claudia Gray
- Colleen Hoover
- Colleen Houck
- Cynthia Hand
- Daisy Whitney
- Daniel Glattauer
- Daniel Oliveira
- David Basdacci
- David Soares
- David Whitley
- Dean Koontz
- Deborah Smith
- Diana Peterfreund
- Domenica De Rosa
- E L James
- E. Lockhart
- Eliabeth Adler
- Elisabetta Gnone
- Elizabeth Edmondson
- Elizabeth Hoyt
- Ellen Degeneres
- Eloisa James
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- J. A. Redmerski
- J. R. Ward
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- James Dashner
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- Jennifer Haymore
- Jennifer L. Armentrout
- Jenny Han
- Jill Mansell
- John Green
- Josephine Angelini
- João Ricardo Pedro
- Jude Deveraux
- Julia Quinn
- Julianna Baggott
- Juliet Marillier
- Juliette Benzoni
- Justin Cornin
- Kami Garcia & Margaret Stohl
- Karen Kingbury
- Karen Moning
- Karen Thompson Walker
- Kasie West
- Kasie West
- Kate Morton
- Kathryn Smith
- Kerstin Gier
- Kiera Cass
- Kiersten White
- Kishwar Desai
- Kresley Cole
- Kristen Painter
- Kristen Painter
- L. J.Smith
- L. Marie Adeline
- Lara Adrian
- Laura Lee Guhrke
- Laurell K. Hamilton
- Lauren DeStefano
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- Lauren Oliver
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- Lissa Price
- Luanne Rice
- Machado de Assis
- Madeleine L' Engle
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- Marjane Satrapi
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- Melissa Marr
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- Michelle Jackson
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- Natasha Solomons
- Nicolas Barreau
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- P. C. Cast e Kristin Cast
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- Sophie Kinsella
- Sophie McKenzie
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- Susanna Kearsley
- Susanne Winnacker
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- Sylvia Day
- T. A. Barron
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- Tiago Rebelo
- Tom Perrotta
- Tracey Garvis Graves
- Tracy Bloom
- Trisha Ashley
- Vasco Ricardo
- Veronica Henry
- Veronica Rossi
- Veronica Roth
- Will Hill
- Wolfgang Herrndorf

































