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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Sinopse: 
Com apenas 9 anos, numa emboscada planeada pelo inimigo para erradicar a descendência real, o príncipe Jorg Ancrath é atirado para dentro de um espinheiro, onde fica preso, com espinhos cravados na sua carne, a ver, impotente, a mãe e o irmão mais novo a serem brutalmente assassinados.
De alma destruída, sedento de sangue e de vingança, Jorg foge da sua vida luxuosa e junta-se a um bando de criminosos e mercenários, a quem passa a chamar de irmãos. Na sua mente há apenas um pensamento, matar o Conde de Renar, o responsável pelas mortes da mãe e do irmão, pelas suas cicatrizes e pela sua alma vazia.
Ao longo de quatro anos, Jorg cresce no seio de batalhas sangrentas, amadurece em guerras impiedosas, torna-se um guerreiro cruel e vai ganhando o respeito dos seus irmãos até que se torna o seu líder. Agora, um reencontro vai levá-lo de volta ao castelo onde cresceu e ao pai que abandonou. O que vai encontrar não é o mesmo sítio idílico de que se lembra, mas o príncipe que agora retorna também não é mais a inocente criança de outrora, é o Príncipe dos Espinhos.

Eu já sabia que adorava dark fantasy, afinal uma das minhas autoras favoritas é considerada a rainha do género, o que eu não adivinhava era as saudades que eu tinha de encontrar um anti-herói como protagonista, uma figura fria e cruel que, apesar de todos os seus pecados, me recuso a considerar um vilão.

Mark Lawrence traz-nos uma história de vingança e ambição cuja escrita, muito cuidada, dá a ver um horror sem filtros como reflexo da natureza humana, algo que se mescla com o sobrenatural enquanto nos encaminha numa jornada arrojada onde as emoções mais cruas deixam um rasto de destruição. 

Num império distante movido pela guerra, um príncipe moribundo vê a sua mãe e o seu irmão serem brutalmente assassinados. Mais tarde, depois de salvo, recuperado e com qualquer réstia de inocência perdida, começa a construir uma perspectiva do seu reino, bem como do restante território imperial e daqueles que nele habitam, desprovida de qualquer sentimento. Fugindo para se transformar no homem que julga necessário para a missão que deu a si próprio, Jorg junta-se ao pior dos bandos de mercenários e, em pouco anos, torna-se o cruel líder dos mesmos. Jorg tinha 9 anos e qualquer parecença com uma criança esconde o mais temível guerreiro, esconde aquele que a maioria dos homens identificaria como alguém a temer. 

Que personagem meus queridos, que grande narrador! É na primeira pessoa que vamos descobrindo camada por camada deste protagonista, um sociopata primitivo e desligado de qualquer afectividade para com os que lhe são próximos. A forma como se vai desenvolvendo com o decorrer do texto, as suas acções quase sempre deploráveis e a sua pretensão desmedida juntamente com o desejo de punir a todos sem excepção é insanamente agradável. É louco, é odioso mas é perfeito no seu papel e desconfio que nunca deixará de me surpreender com o seu sangue frio, com a sua capacidade de descer sempre um pouco mais baixo nas suas conquistas regadas a sangue inimigo. 

A violência é uma constante ao longo do enredo, da primeira à última página. Rike e Makin, membros do bando, são disso exemplo, sendo o primeiro uma besta que se destaca entre os criminosos, assassinos e infames, de que Jorg cedo passa a fazer parte e o segundo o mais perto que a personagem principal tem de um amigo, embora a sua definição desta afinidade seja bastante peculiar. Na verdade, os intervenientes são muitos, todos sem excepção maléficos, reafirmando o quão mau é o universo retratado.

O sobrenatural, por sua vez, aparece pela via da magia mais negra e nacromantes, capazes de pôr em perspectiva os mais atrozes actos de vilania. Além destes, mortos e magos, criaturas como Gorgoth e Gog são um complemento delicioso e no seu todo são o conjunto perfeito para os amantes deste género extraordinário. 

Não vou fazer spoilers, não creio que sejam os pormenores a convencer-vos a ler esta história mas sim o desejo de, como eu, encontrar um enredo sem lirismos ou romantismos, um enredo para adultos que vos confronte com brutalidade física e psicológica enquanto procura desafiar medos profundos e pesadelos obscuros através do protagonista. 

Uma grande aposta Topseller que, certamente, vai despertar novas atenções para o seu catálogo. 

Próximo título: 
Rei dos Espinhos Lançamento a 3 de Outubro


Título: Príncipe dos Espinhos
Autor: Mark Lawrence
Género: Dark Fantasy
Editora: Topseller



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sinopse:
This stunning debut captures the grotesque madness of a mystical under-land, as well as a girl’s pangs of first love and independence.
Alyssa Gardner hears the whispers of bugs and flowers—precisely the affliction that landed her mother in a mental hospital years before. This family curse stretches back to her ancestor Alice Liddell, the real-life inspiration for Lewis Carroll’s Alice’s Adventures in Wonderland. Alyssa might be crazy, but she manages to keep it together. For now.
When her mother’s mental health takes a turn for the worse, Alyssa learns that what she thought was fiction is based in terrifying reality. The real Wonderland is a place far darker and more twisted than Lewis Carroll ever let on. There, Alyssa must pass a series of tests, including draining an ocean of Alice’s tears, waking the slumbering tea party, and subduing a vicious bandersnatch, to fix Alice’s mistakes and save her family. She must also decide whom to trust: Jeb, her gorgeous best friend and secret crush, or the sexy but suspicious Morpheus, her guide through Wonderland, who may have dark motives of his own.

*Aviso: esta opinião está um pouco confusa, com alguns desabafos pessoais e à primeira vista foge à rotina da análise que costumo fazer no blog. Mas gostei muito deste livro, gostei mesmo.*

Eu namorei o Splintered meses a fio e depois de ter cedido à tentação de o trazer para as minhas estantes, quando finalmente chegou, deixei-o por lá durante um ano – sou terrível, certo? A verdade é que, apesar da falta de disponibilidade para a sua leitura, este livro foi amor à primeira vista pela sua capa lindíssima e sinopse cativante, algo que aumentou consideravelmente depois de o ter nas mãos e ver o bonito trabalho de edição em torno deste hardcover. É, sem dúvida alguma, um livro para coleccionar e admirar.
Ainda antes de começar a minha opinião, aproveito para vos confessar que nunca fui uma grande fã de Alice no País das Maravilhas, história que tive oportunidade de analisar sob algumas perspectivas na minha vida académica, mas que por outro lado sou uma grande, grande admiradora de retellings – vejam o caso de A Bruxa de Oz, que deu o nome a este blog, que adoro contrariamente a O Feiticeiro de Oz. Adiante.

Com palavras tão belas quanto desafiantes, A. G. Howard soube ser criativa, arrojada e primorosa por excelência para ressuscitar uma história que, por si só, no original, é dotada se uma complexidade incomum para leitores de todas as idades, tornando-a ainda mais intensa. Assim, e apesar de algumas dificuldades durante a minha leitura, não tenho problemas em afirmar que a autora cumpriu as expectativas prometidas e superou-se nas suas singularidades, que complementaram o que de muito peculiar já se conhecia de Wonderland.

Em poucas palavras, Alyssa Gardner é descendente de Alice Liddell, que muitos anos antes contou a Lewis Carroll sobre a sua aventura em Wonderland – que deverá ser do conhecimento de quem optar por esta leitura. Entre os muitos problemas que o seu passado familiar lhe trouxe, aquele que mais perturba Alyssa é o mesmo que levou a sua mãe à loucura, o facto de ouvir e poder falar com insectos e plantas. Após um raro momento de lucidez da sua mãe, na visita semanal ao asilo em que esta se encontra, e de saber que esta irá iniciar tratamentos mais agressivos, a protagonista acaba por, de uma vez por todas, enfrentar a maldição que persegue as mulheres da sua família, para salvar a sua mãe e o seu próprio futuro da alienação. Ou seja, tenta arranjar maneira de voltar ao lugar onde tudo começou para resolver os erros da sua antepassada.

Eu já vos disse que não era fã da Alice no País das Maravilhas, correcto? Bem a verdade é que eu gosto tanto da jovem Alice como da Doroty… pois! No entanto, a protagonista do Carroll é tocada por um falta de coerência e lucidez que me agradavam de alguma forma (apesar de ser tão… tontinha) e digo-vos tudo isto para concluir que os melhores atributos de Alice no original são conseguidos por Alyssa, o que faz com que eu tenha gostado imenso desta jovem mulher que com a puberdade se começou a sentir inadaptada ao comum.
Irreverente, dúbia e corajosa, esta protagonista que vive em conflito consigo mesma e tantas vezes toma decisões erradas tem rasgos emocionais, e de acção, que me conquistaram e que, até ao final, me deixaram desejosa de saber o que lhe reserva o futuro. Ela é, efectivamente, um pouco louca mas não tanto como a própria concebe dado o destino surreal que acaba por a envolver e eu, confesso-vos, fiquei alucinada pela forma como escolhe lidar com as suas perturbações, o que é apenas mais um pouco a seu favor. Em ralação aos “rapazes” que influenciam a sua jornada – Jeb e Morpheus, o melhor amigo/sexy/antiga paixão e o guia de Alyssa em Wonderland que se vem a revelar sombrio e sedutor de forma assustadora, respectivamente – ambos me agradaram por motivos diferentes, porque representam as duas faces da personagem principal, eles são o rosto e o reflexo da história, uma das muitas singularidades que caracterizam a narrativa.

O leque de personagens é imenso, não vos minto. Apesar de a narrativa seguir os passos dos três intervenientes que citei anteriormente, juntem os pais de Alyssa e todas as personagens da realidade paralela e o núcleo é gigante, todo ele muitas vezes pertinente e coincidente com a trama de base, mas com requintes maravilhosos, obscuros e arrepiantes que me fizeram, literalmente, salivar – o White Rabbit, por exemplo, é tão creepy!

Toda a magia, fascinante e bonitinha, que o leitor eventualmente associa a esta fantasia é desfeita e reinventada em caos, destruição e demência nociva, com cenários tóxicos que condizem na perfeição com vários momentos assustadores da aventura da protagonista para tentar reverter a maldição a que está sujeita. 
O texto é, por isso, repleto de lugares comuns, rescrevendo literalmente a aventura com base nas consequências do passado, sendo que esta volta a acontecer em parte de forma reversiva – Alice aparentemente cometeu erros que Alyssa tem de emendar – mas com uma identidade muito própria.

Gostava de vos descrever mais sobre a história mas esta é tão próxima do original em tantos momentos, excedendo-se nos contornos e pormenores, que tudo o que eu possa contar acaba por se tornar um spoiler. Ainda assim, confiem, a loucura, as dúvidas existências, a própria humanidade ou falta desta nos intervenientes, são tudo questões levantadas através de problemáticas que, numa perspectiva real, não fazem muito sentido, mas que através dos trocadilhos e no contexto visual da narrativa são deliciosos. (Como efectivamente acontece com no história de Carroll; todos são loucos inclusive Alice que, entre muitas perguntas levantadas, nos faz questionar se ela mesma é uma pessoa.)

Quase a terminar, não vou avaliar a escrita de A. G. Howard e digo-vos que, como leitura lúdica, foi o livro em inglês que mais dificuldade tive em ler até hoje. Quer pelo vocabulário utilizado nas descrições, quer pela complexidade do ambiente retratado, foi uma obra que me deu muita luta e que adorava ver traduzida de forma fidedigna embora, tal como aconteceu com Carroll, duvido que fosse possível encontrar uma boa tradução. Há muitas expressões idiomáticas, demasiado humor e causa/efeito subentendido que não está explicito e isso, para alguém que não é nativo (e muitas vezes até para um nativo), é algo complicado de ultrapassar e permitir a fluidez desejada para o entretenimento. Mas atenção, visualmente a história é fantástica e mesmo com as minhas lacunas adorei.

Sucintamente, este é um livro darkfantasy e young adult que não recomendado a quem não gosta de algum terror, o que não invalida a existência de romance. E sim, há e não há um triângulo amoroso, embora eu encare a sedução e atracção como emoções alienadas de sentimentos puros – o que invalida a existência desse mesmo triângulo. Estou a ser confusa? Desculpem, mas mesmo eu me senti confusa durante a leitura, contagiada pela protagonista e pelo turbilhão a que está sujeita até ao final, que brilha com um twist excelente, com uma reviravolta surpreendente e original, que eleva a história para outro patamar.

E é isto, resta-me dizer-vos que vou pegar nos próximos dois livros da trilogia já publicados muito em breve, Unhinged e Ensnared, e já em Março na novella  The Moth in the Mirror, que deve ser lida entre o primeiro e segundo livros. Portanto, sou masoquista e hei-de trazer-vos novidades sobre esta história que recomendo, mesmo, se este for o vosso género de leitura – género fantasia complicada e creepy.

Título: Splintered
Autora: A. G. Howard
Género: Dark Fantasy; Young Adult
Editora: Amulet Books


sábado, 19 de abril de 2014

Sinopse:
O meu nome é Meredith Gentry. Entre os humanos sou detetive privada. Mas no mundo feérico sou a princesa Merry, herdeira do trono. Há pessoas ao meu redor que afirmam que me tornei em algo superior. Mesmo apesar de me protegerem, essas pessoas temem-me. E alguém as pode censurar? Eu despertei a magia deslumbrante que estava adormecida dentro delas há milhares de anos. E o problema é que não consigo perceber porquê.
A minha tia, a rainha do Ar e da Escuridão, já não se distrai com os seus passatempos sádicos do costume. A sua atenção obsessiva concentrou-se firmemente em mim e em eliminar-me da corrida ao trono.
Tudo começou com o cálice. Sonhei com ele e, quando acordei, encontrei-o, frio e duro, ao meu lado. Os meus protetores conhecem bem a relíquia antiga: o seu desaparecimento há alguns séculos retirou-lhes os poderes vitais. Mas agora está aqui, connosco. E ao mesmo tempo que me estimam por lhes ter concedido esta prenda tão inesperada, também há quem me deteste por isso. Eu, uma mestiça, sou parcialmente mortal. E alguns não aceitam que eu ocupe esse lugar. O meu número de inimigos aumenta a cada dia mas eles não sabem do que eu sou capaz. E, já agora, nem eu…

Saudades, eu tinha verdadeiramente saudades desta história.
É de conhecimento geral que eu sou uma grande fã de reinos extraordinários, de representações do maravilhoso que replicam muito mais do que eu consigo imaginar, no entanto há livros que se destacam devido à sua intensidade, complexidade e capacidade de representar o impossível e Sedução ao Luar é um destes casos. Mesclando de fantasia urbana com intrigas palacianas, Laurell K. Hamilton é audaz na luxuria enquanto remete os seus intervenientes para uma irresistível obscuridade, uma obscuridade que entrelaça sangue e pesadelos com a capacidade de fazer os imortais desejar a morte.

Numa luta contra o tempo para engravidar, factor que pode determinar a sua morte ou a sua primazia na linha de sucessão ao trono da arrepiante corte Unseelie, a protagonista desta narrativa, meio-humana e meio-Shide, tem poucos meses até que o seu primo Cel, que tentou sucessivamente assassiná-la, seja libertado e piore, ainda mais, o louco cenário em que está inserida e que sempre tentou evitar. Entretanto, para lá de dormir todas as noites com pelo menos um dos guardas pessoais cedidos pela sua tia, Rainha, existem disputas para contornar, laços retorcidos para estabelecer e esta terá de aprender a lidar com uma nova magia que está a despertar através de si. Uma coisa é certa, apesar do seu inesperado poder crescente, o número de inimigos de Merry continua a aumentar e ela fará absolutamente tudo para se salvar e aos que estima, ultrapassando neste livro todos os limites imagináveis.

Embora este seja um livro repleto de momentos altos, de tensão crescente e muitas surpresas, é igualmente de interlúdio, com a diplomacia a ter um papel fundamental no futuro deste enredo extraordinário. Desta feita, é-nos permitido assistir de perto a um lado bastante inteligente de Meredith, que revela o muito que aprendeu com o seu pai, Shide, e uma dispare sensibilidade da sua parte tendo em conta a crueldade que a rodeia. Temos, portanto, uma personagem principal corajosa, evoluída e capaz de levar avante emoções desconhecidas entre os seus pares, mostrando na perfeição a dualidade que a caracteriza.

Esta história continua a ser muito rica para quem se sente atraído pelo universo feérico, principalmente na forma como estas criaturas se encontram caracterizadas. Neste sentido, os intervenientes secundários são abundantes e têm a mais-valia de se metamorfosearem durante a leitura. Os protectores da protagonista, anteriormente guardas da Rainha obrigatoriamente celibatários, são quem mais se destaca e da minha parte eu continuo a acarinhá-los dentro do possível. Doyle, o Negrume, Rhys, Nicca e Sage, um semifeérico irritante, são os meus eleitos por motivos variados, mas a verdade é que, na sua maioria, estes seres seculares ou milenares encontram-se descritos de forma fascinante e são irrevogavelmente atractivos, principalmente agora que se encontram ligeiramente influenciados pelo mundo exterior à corte. Chega a ser divertido assistir aos seus actos na actualidade e são, certamente, muito excitantes enquanto amantes tão desiguais e de beleza hipnotizante.

Existem ainda outras personagens que merecem destaque e pelas quais me deixei encantar, muitas vezes por motivos contraditórios, que vão da repugnância ao medo. A Rainha Andais, Rainha do Ar e da Escuridão, já era das minhas favoritas e assim continua, agora mais perto da loucura e distante da perversidade sexual que a caracteriza, e também os anões em todas as suas acepções, cada delas uma mais extravagante e repulsiva que a anterior – pobre Merry.

As cenas sexuais tanto são maravilhosas como aversivas para o leitor, que se verá com sentimentos muito diversificados em relação ao texto. Gostei particularmente da que leva à transformação de Sage e Nicca, um momento erótico repleto de possibilidades e consequências como tudo o resto nesta história, em que cada pormenor ou diálogo pode fazer a diferença.

Outro destaque vai para os artefactos que passam a influenciar a vida da protagonista, entre eles o Anel anteriormente oferecido pela sua tia que permite identificar os feéricos férteis para acasalamento – esta espécie é extremamente infértil e daí todas as questões em torno da importância da gravidez de Merry – e o Cálice da Deusa Danu, que permite ampliar poderes e despertar magia há muito perdida por estas criaturas, proporcionando momentos lindíssimos para quem gosta de literatura fantástica.
Por fim, ainda relativamente a singularidades, as intrigas de corte estão no seu auge, com riscos e perigos constantes e uma delicadeza por parte protagonista para ultrapassar obstáculos louvável que, de qualquer forma, não a salvaguardará situações extremas e violentas a que esta se encontrará exposta, neste livro que é muito pouco romântico mesmo quando assistimos a algo idêntico a nossa definição de amor.


Em suma, Sedução ao Luar é um livro sobre sobrevivência, sobre a capacidade de uma existência, em parte humana, sobreviver face a um mundo extraordinário, sombrio, cru e irresistível, complexo na sua primitividade de carne e sangue, que representa na perfeição o género dark fantasy. Sedução ao Luar é um livro cativante e rico em perigos e sensualidade, que com uma história forte e bem idealizada tem tudo para conquistar uma legião de fãs deste género literário.

Laurell K. Hamilton tem uma escrita assertiva e simples, que permite abraçar o impossível sem que quem lê se perca, sendo permitida uma visualização geral, espacial e emocional, das muitas situações surreais que vão surgindo.
Os diálogos são muito interessantes, apresentando-se ora leves e descontraídos ora plenos de pressão e arriscados. Uma nota muito positiva para as lutas com magia, em que a tutora da Mão da Carne e da Mão do Sangue oferece uma imagem arrepiante e contrastante da mulher a que o leitor se habituou no primeiro livro.  

Pessoalmente, embora tivesse estado mais de dois anos afastada da série Merry Gentry, não senti qualquer dificuldade em voltar a este mundo extasiante e que adoro. Eu não posso falar de outras séries desta a autora, mas neste caso em particular ela está entre as minhas eleitas e fiquei ansiosa por continuar a ler, por saber o próximo passo da protagonista, por defrontar o próximo inimigo ao seu lado e por me deixar envolver nas sombras e no brilho interior que a caracterizam e fazem de si única.

Esta é uma aposta do Grupo Saída de Emergência que assenta que nem uma luva na Colecção BANG!, histórias para leitores ousados que pretendam algo diferente e igualmente gratificante.

Série Merry Gentry
O Beijo das Sombras (Opinião)
Carícias da Noite (Opinião)



Título: Sedução ao Luar
Autora: Laurell K. Hamilton
Género: Dark Fantasy


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sinopse:
Quando os magos ameaçam Belladonna e o seu trabalho para manter Efémera em equilíbrio, o seu irmão Lee sacrifica-se para a salvar - e acaba por ser internado num Asilo na cidade de Visão, longe de tudo o que conhece.
Ao mesmo tempo, umas estranhas trevas parecem estar a espalhar-se - uma escuridão que esconde a natureza dos Xamãs que cuidam da cidade e da sua população. Danyal, um dos Xamãs, é o responsável pelo Asilo. Mas talvez por estar a tentar descobrir os seus próprios sonhos, Danyal sente-se intrigado pelos aparentes delírios de Lee.
Com a ajuda de Zhahar, uma mulher com os seus próprios segredos tenebrosos, a mente e o corpo de Lee melhoram, e as suas palavras começam a fazer sentido. Em breve, Danyal e Zhahar começam a vislumbrar o mundo como nunca haviam imaginado.
Quando Danyal, Lee e Zhahar se unem para descobrir o que ameaça a cidade, serão obrigados a olhar para além de si mesmos - e para dentro de si mesmos - para descobrir quem são… e até que ponto podem ser demasiado perigosos.

Quem ainda não teve o prazer de descobrir as várias obras publicadas pela Saída de Emergência de Anne Bishop não compreenderá a minha devoção por esta autora, sombria e sedutora, que espelha com as mais belas palavras pesadelos, luxuria e verdades incontornáveis em mundos inimagináveis.
Mundo de Efémera era, até ler Ponte de Sonhos, a sua série/trilogia que menos me tinha tocado enquanto leitora, embora, irrevogavelmente, o seu trabalho seja de excelência, como sempre, com bons cenários, magníficas personagens e emoções fortes. Agora, após reflexão, creio que tal se devia ao facto de esta ser uma das suas narrativas mais cruas, mais exigente, porque no surreal encontrei menos ficção e em cada semente fantástica um anseio puro do coração.

É impossível resumir este enredo em poucas palavras, ele é um todo com origem no passado que finalmente se compõe, mas vou tentar…
Imaginem que existe em vida quem crie o espaço, a terra, o mundo, de acordo com as necessidades de cada um, até do ser mais vil, é um alguém que controlando esse pedaço de terra lhe dá forma à imagem dos que nela habitam. Imaginem que existe em vida quem construa pontes, pontes que ligam as terras, pontes que definem o ali e o agora como algo ilimitado e alcançável. Imaginem, todos vós, que o vosso destino, e quem sabe o vosso lar, é o vestígio mais profundo e desconhecidos que reside no vosso coração num determinado momento, num momento que pode definir a existência ou a morte. Por fim, imaginem, imaginem e cuidem os vossos anseios porque em Efémera, do inferno ao paraíso, tudo se encontra a um bater de asas de uma borboleta capaz de equilibrar este mundo maravilhoso.

Os seres, nesta realidade ficcional, são muito diversificados; há construtores de pontes, paisagistas, músicos do coração e demónios, tantos, todos tão horríveis quanto sublimes, como os magos, assustadores, como os humanos, a eterna raça crucial mas por vezes ignorante quanto ao que a rodeia. Todos, sem excepção, têm as suas batalhas repletas de perigos para enfrentar, de conquistas, mas a maior guerra é silenciosa, aterrorizadora, ela tem que ver com escolhas, com sentimentos que todos têm, quem sabe ambíguos, dentro de si.
Este é, diria Michael, um livro feito de muitos que se diferenciam e se completam, numa melodia perfeita e única como a singularidade que os define. Já Glorianna Belladona diria que este é um livro feito das mais duras opções, que nos dividem e caracterizam e, se por ventura, estivéssemos no Antro, sob a guarda de Sebastian, este dir-nos-ia que este livro se compõe de medo, êxtase e paixão, riscos de sempre que nos dão sentido.
Mas este livro em particular é de Lee, de Zhahar e de Danyal, três que ainda não se encontraram, que ainda não travaram as suas lutas pessoais dependentes dos que já passaram. Esta é a sua história composta de dissonâncias que procuram a harmonia, forçosamente indecifrável no presente Asilo na cidade de Visão e, certamente, esperançosa, porque enquanto houver esperança existirá futuro e Efémera nunca esquece os que lhe pertencem.

Sei que não vos disse muito sobre o que realmente trata este livro, até agora, mas a complexidade que o caracteriza, que caracteriza Efémera, não me permite dizer mais sem vos revelar o todo que seria, para mim, impossível de expor por palavras. Digo-vos, ainda assim, que nesta narrativa encontrarão o amor por todas as coisas, entre casais, família, na simplicidade ou no inexplicável. Encontrarão felicidade e lágrimas, porque os caminhos nem sempre serão justos para aqueles que o leitor aprende a estimar, mas não deixa de ser o caminho necessário para que as personagens se reconstruam e se aceitem nas suas atitudes e opções. E encontrarão, também, lugares comuns nas palavras de Bishop, porque essa é uma das suas mestrias, expor através do surreal verdades palpáveis, por vezes com brutalidade mas muitas vezes com a resignação de que não se pode mudar o inato.

Em relação ao fantástico, este é indescritível. E em relação às suas arrepiantes criaturas merecem destaque os demónios, os que se confundem nas sombras e os que são uma individualidade e ao mesmo tempo três, como as Tríades, mas atenção que o mal aqui não é obrigatoriamente demoníaco - é apenas o que é -, é uma escolha. E provavelmente, por isto, nesta história o que realmente poderá assustar quem lê não tem contornos sobrenaturais, mas sim verdadeiros, em atrocidades que conhecemos independentemente de quem as comete.

Os cenários são de sonho, ou de pesadelo, por vezes. São dotados de uma beleza como só esta senhora consegue criar e com pormenores, requintes, feitos para maravilhar em lê. No entanto, sendo esta uma autora de equilíbrio, não é de espantar que muitas vezes me tenha deparado com o oposto, com a ausência total de fascínio por locais tristes, mas as coisas são como são.


Sem saber o que mais vos posso dizer, resta-me aconselhar este livro a todos os que tenha lido os livros anteriores do Mundo de Efémera, pois este é o mais sublime e proporciona um final perfeito. E para quem ainda não leu, recomendo a trilogia a todos os amantes de fantasia, mas de fantasia à séria, para mentes abertas e prontas para se deixar arrebatar por algo que é incomparável.

Digo sempre que Anne Bishop é a melhor, para mim é. Desde a sua trilogia Jóias Negras que não a via escrever tão bem e atribuir tanta intensidade a um enredo.
As suas descrições são uma das suas mais-valias, porque não é fácil dar a ver algo incomparável e, ainda assim, possível de conectar com a realidade. E os seus toques de perversidade estão presentes, como sempre, mas desta vez acho que lhe detectei algo de romântico, talvez porque este livro e o próprio mundo que criou está intrinsecamente ligado com os sentimentos dos intervenientes, pelo que está de parabéns. 

Pessoalmente, idolatrei tudo nesta narrativa. Gostei particularmente de Efémera, enquanto personagem, moldável a quem a comanda mas com personalidade própria, quando assim deveria ser - divertiu-me.
Embora intenso, violento até, gostei igualmente das muitas pontuações de humor que a autora conseguiu atribuir ao texto e, é importante referir ainda, que considerei que a sua criatividade esteve em pleno, pelo que foi para mim um prazer imenso voltar a mergulhar numa história sua.

Esta é uma magnífica aposta Saída de Emergência que caracteriza bem esta editora, que se destaca como nenhuma outra no universo fantástico proporcionando aos leitores portugueses o melhor do género que se publica além-fronteiras.
 
Livros 1 e 2 da Trilogia Mundo de Efémera
Short story A Voz
Sebastian (Opinião)
Belladona (Opinião)
A Voz (Opinião)


Título: Ponte de Sonhos
Autora: Anne Bishop
Género: Dark Fantasy


domingo, 28 de julho de 2013
Sinopse:
Numa aldeia vizinha da cidade de Visão ninguém conhece o sabor da mágoa e da angústia, mas essa comunidade, aparentemente idílica, esconde um segredo tenebroso. Quando era pequena, Nalah não percebia porque a mandavam levar um bolo à menina muda a quem chamavam «A Voz» sempre que se sentia mal. Sabia apenas que isso a ajudava a melhorar. Já crescida, desvenda esse mistério e anseia por fugir da aldeia opressiva onde sempre viveu. Só depois de visitar a cidade de Visão e de conhecer o Templo das Mágoas, compreende o que tem de fazer para se libertar…

Até nos mais pequenos textos Anne Bishop expressa a intensidade que a caracteriza. E se sou uma leitora suspeita por ser sua adoradora, não o sou certamente no traço perverso que a comunidade apresentada em A Voz espelha, não o sou na bondade de algumas das suas personagens com violentos anseios do coração e, menos ainda, no ritmo que se impôs, quase encantatório, que me prendeu até à última frase da sua escrita.

Inocência. É com a leveza pueril dos pensamentos de Nalah, enquanto criança, que começa a nossa narrativa e é, igualmente, com ingenuidade dos 10 anos de idade que esta personagem se apercebe que algo estava mal na sua terra sem lágrimas. Mais tarde, no entanto, quando os receios da infância são apenas uma recordação e a realidade se adivinha bem mais crua do que antes, Nalah soube que ou ela ou o seu mundo teriam de mudar e uma viagem mudou tudo, uma viagem que a fez compreender que para sobreviver tinha de tentar resgatar quem poderia salvar.

Sendo esta uma short story pertencente à trilogia o Mundo de Efémera é essencial para quem, como eu, vai ou está mergulhar no título Ponte de Sonhos, o último da sobre esta terra de luz e escuridão, conceito que se repudia, complementa e equilibra, que está bem presente neste pequeno texto.
Não vos posso contar muito, mesmo sobre as personagens, que conhecerão melhor no terceiro livro, mas posso, ainda assim, falar-vos um pouco da jovem Nalah, da Voz e do muito que a cidade de Visão poderá ter oferecer, em contradição ao inferno mascarado de paraíso de onde provém a protagonista.

Forte, astuta e pouco convencional, Nalah revela ao longo do seu crescimento uma percepção do lugar em que vive diferente dos restantes habitantes, isto porque a sua curiosidade e, mais importante ainda, a sua sensibilidade face ao mal não lhe permitem fechar os olhos a uma mulher muda e órfã que que se alimenta das dores e do sangue que a comunidade não expressa. Mais tarde, quando são demasiadas as verdades que percepciona, e após conhecer um templo para consolar a mágoa que se recusou a partilhar, é pela coragem que o leitor recorda Nalah que, certamente, nunca mais será encarada como apenas mais um interveniente de Bishop.

A Voz, como personagem muda, é um sufoco desde o primeiro momento que nos prende atenção, e ao qual ninguém ficará indiferente. Ela é aquela em torno da qual giram todas palavras por dizer, sentenças e emoções de dor e de angústia, silêncios e mais silêncios que tudo permitem antever, para quem tem a infelicidade de todo mundo para esconder. É uma prisioneira da escuridão ansiosa pela luz, é isso que ela é.


Mas esta pequena história não é um negrume absoluto, esta é uma história escrita pela mestra das sombras e, portanto, para lá de todos os horrores ocultados - às mãos dos que detém o poder, às mãos dos que se reflectem nas almas mais fracas circundantes -, está presente o amor e a amizade, ligeiros cheiros doces que nos ajudam a combater tudo o resto, cheiros que se propagaram com o conhecimento da existência de Visão, um lugar onde se encontra apenas o que se consegue ver e, felizmente, Nalah não consegue olhar mais para o lugar onde sempre viveu.

Embora este pequeno livro não reflicta todo o potencial de Anne Bishop, não será uma desilusão para os seus fãs, que rapidamente se sentiram acolhidos pelas sua sublime narrativa, através de descrições cuidadas e de um jogo de palavras excepcional como só a rainha do dark fantasy tem para oferecer.

Eu confesso que já estou a mais de meio do livro Ponte de Sonhos e estou a amar cada momento com aquela que é uma das minhas autoras favoritas, aquela que me proporciona sempre o melhor que se pode pedir numa viagem entre páginas.

Esta é uma aposta Saída de Emergência que eu recomendo a todos os leitores de fantasia mas, obviamente, em particular para os fãs de Anne Bishop curiosos pelo Mundo de Efémera e, obrigatoriamente, para quem lê ou leu esta trilogia.

Mundo de Efémera


Sebastian (Opinião) - Livro 1
Belladonna (Opinião) Livro 2

Título: A Voz
Autora: Anne Bishop
Género: Fantasia, Horror
Editora: Saída de Emergência


domingo, 24 de junho de 2012

Sinopse:
Desde o massacre das bruxas, os Fae, que deviam proteger as suas primas há muito esquecidas, ignoraram as necessidades do resto do mundo. Agora as sombras voltam a alastrar-se sobre as aldeias do oriente. Sombras negras e poderosas que ameaçam todas as feiticeiras, todas as mulheres e os próprios Fae. Apenas três pessoas podem fazer frente à loucura coletiva que se está a disseminar e impedir que mais sangue seja derramado: o Bardo, a Musa, e a Ceifeira. Aiden, o Bardo, sabe que o mundo está dependente da proteção dos Fae, mas estes recusam-se a escutar os seus avisos sobre o mal que se esconde nas florestas. Vê-se obrigado a partir com o amor da sua vida, Lyrra, a Musa, numa aventura arriscada em busca do único Fae capaz de fazer o seu povo despertar da indiferença. Se os Fae não agirem depressa, ninguém sobreviverá…

Luz e Sombras começa logo após o término da história anterior, quando podridão alastrava dizimando as Filhas da Deusa e os Fea, a pouco e pouco, tomavam consciência da perda do que lhes era mais sagrado, do que sempre consideraram como certo, o seu paraíso edílico. Era apenas o início do flagelo…
Embora uma pequena batalha tenha sido vencida, a guerra contra aquelas que vivem em sintonia com a Mãe parece não ter fim. O mal reúne-se. Os homens cegam. As mulheres morrem.
A magia brota como uma maldição e actos cada vez mais insanos, obscuros, são levados a cabo por aquele que, embora mutilado, insurge soldados pérfidos a prosseguir a sua demanda enraizando os seus tentáculos em corações outrora bondosos. Nunca os Fea, nunca as Bruxas, tiveram de chegar tão longe pela sua salvação, pela propagação de tudo aquilo em que acreditam e que a natureza acolhe transformando o bem e os sonhos em realidade. No entanto, ao longe, para lá da Serra da Mãe, enquanto persistirem as jóias da verdade, reside a esperança.

Luz e sombras são conceitos permanentes que vão sendo repetidos ao longo do livro, em diferentes contextos, vinculando a certeza que a perfeição não subiste sem trevas, de que a beleza também tem um lado negro, sendo essa a chave para os afectos mais puros. Assim sucede com a Ceifeira, uma personagem imensa que mais uma vez se encontra em destaque sendo o elo de ligação entre novos intervenientes e antigos, o elo de ligação das almas ao seu repouso final. Tal como a Morte, A Senhora da Floresta surpreende a cada passagem e ao longo de toda a história é soberba a sua evolução e contraste entre outros Fea. Ela personifica a grandiosidade das personagens que só Bishop consegue criar, repletas de honra, poder e temerosas por tudo aquilo em que acreditam. Uma das grandes revelações deste livro. 
Com uma vertente mais romântica Musa e Bardo estão cada vez mais próximos dos humanos, desempenhando um papel crucial neste segundo volume, eles são ricos em emoções, em acções repletas de poder que, de pequenos gestos, constroem o futuro para salvação do mundo em que ainda acreditam. Juntos aproximam-nos dos restantes seres da sua raça, aproximam-nos da transformação que todos eles deveriam sofrer e não deixam que fiquem esquecidos aqueles que no livro anterior desiludiram mas que, de certeza, têm ainda um papel fundamental a desempenhar.

No geral, se de princípio nos foi dado a conhecer o problema, agora agrupam-se as armas por tudo aquilo que é precioso para as muitas vidas descritas. O leitor volta a ficar próximo das Bruxas, Breenna em particular, reconhece e aprende mais profundamente sobre diversos Senhores Fea e compreende a dimensão de tudo aquilo que está em jogo nesta batalha entre a Luz e as Sombras. E, se de início, o leitor pode considerar a narrativa um pouco mais leve que a sua antecedente, não se iluda, é imenso o que está para vir e o medo, assim como a mulher, continuam a reiterar página após página.  

Anne Bishop tem uma criatividade magnífica e, embora eu possa ser suspeita por ser uma grande fã sua, penso que é inegável o valor das suas concepções de maravilhoso, bem como das suas personagens.
A autora tem uma escrita bela, fluida e envolvente que facilmente absorve o leitor para o universo fantasioso onde tudo é uma possibilidade, onde é impossível, de uma forma ou de outra, ficar indiferente.
As ligações criadas são enraizadas com o decorrer da leituras que nos permeia com descrições de tirar o folgo e caracterizações extremas que levam a que facilmente se crie laços com a ficção, sendo a vivência, de todo o enredo, muito bem conseguida.
Mestra na sua arte, esta é sem sombra para duvidas uma autora a ter sempre por perto, a seguir com proximidade, capaz de nos levar viajar por histórias que estão tão perto dos nossos sonhos como dos nossos pesadelos, na minha singela opinião, é fascinante.

Pessoalmente, eu sou o tipo de leitora que ficaria horas numa fila, ao calor e ao frio, para dizer a Anne Bishop que adoro o seu trabalho, um dia vai acontecer (eu sei!) mas, até lá, cada livro seu continua a fascinar-me e este não foi excepção.
Neste segundo livro da trilogia Pilares do Mundo foi excelente reencontrar personagens do livro anterior, não só porque isso me permitiu saber o que lhes reservou o futuro, como também confirmar a sua evolução que continuou a surpreender-me. O Povo Menor, embora pouco interventivo, começa agora a cativar-me e, apesar das contrariedades das suas atitudes, acabam por ser na minha perspectiva o lado mais selvagem, menos real, desta história muito ligada à natureza, o que me atrai.
Quanto ao resto gostei de tudo, das perversidades dos inquisidores, da simplicidade das bruxas, das novas povoações, dos novos Fea e dos momentos de humor que a autora conseguiu proporcionar. Gostei do equilíbrio entre bem e o mal, sempre presente, do lado mais triste de toda a narrativa, assim como do lado mais feliz que encoraja os seres ficcionais a seguir em frente. Uma obra magnífica.

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Esta obra é mais uma aposta do Grupo Saída de Emergência pertencente à colecção Bang, que continua a trazer para terras lusas grandes nomes fantástico e ficção, prova disso é esta trilogia com dois volumes já publicados que conquistarão, sem qualquer dúvida, os adeptos deste género literário. Adorei.


Os Pilares do Mundo - Opinião

Título: Luz e Sombras
Autora: Anne Bishop
Género: Fantasia
Editora: Saída de Emergência

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