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A Elphaba...
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Viciada em literatura fantástica e romântica.
Fascinada por outros mundos e uma eterna sonhadora, assim eu sou.
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quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Sinopse:
Londres, anos sessenta do século vinte: uma imigrante proveniente das Caraíbas trabalha numa galeria de arte onde surge um quadro perdido durante a Guerra Civil espanhola e envolto em segredos inexplicáveis. Quem terá pintado este quadro admirável que surgiu de parte nenhuma? A verdade acerca desta pintura remonta a 1936 e a uma grande casa rural em Espanha, onde Olive Schloss, filha de um abastado negociante de arte, acalenta ambições que os pais desconhecem. Por este frágil paraíso, na Andaluzia, passam o artista revolucionário Isaac Robles e a sua meia-irmã, Teresa. Ambos se insinuam no seio da família Schloss, com consequências inimagináveis e desastrosas...
Depois de ler O Miniaturista, eu sabia que qualquer livro de Jessie Burton era obrigatório na minha estante. Compreendam, independentemente do enredo – que pode e deve cativar –, eu sou o tipo de leitora que se vende ao dom da palavra, ao encantamento pela lírica e esta autora, no meu entender, sabe escrever maravilhosamente.
Muito diferente do seu antecedente, A Musa recua apenas algumas décadas para adquirir a sua faceta histórica e oferecer-nos duas narrativas, uma passada nos anos trinta e outra nos anos sessenta, que acabam por se interligar na perfeição. Com uma capa adorável, este é mais um livro em que o romance e a intriga se aliam a personagens dissonantes e desafiantes que farão as delícias dos adoradores de histórias mais exigentes.
Não me vou alargar no que respeita ao enredo, pois a sinopse da Editorial Presença já o faz; permitam-me então que vos fale das figuras ficcionais que habitam este texto e do muito que elas vos podem oferecer.
A arte, em várias acepções, é o centro da narrativa, quer seja através da escrita que apaixona Odelle em 1667, ou através da família Schloss que, em 1936, se encontra directamente ligada ao seu comércio. Sou sensível ao tema e, talvez por isso, bebo todas as palavras em que descreve a vida que brota através das cores ou as emoções que se revoltam em poesia, laivos das entidades que vamos conhecendo com o decorrer da história.
Começamos devagarinho, ganhando consciência do quão difícil foi a migração, essencialmente pela cor da pele, dos que saíram das Ilhas Virgens Britânicas para Londres, numa época em que o preconceito era ainda um conceito estranho, como estranhas eram aquelas pessoas numa sociedade branca, ainda que com a mesma cultura e formação. A ambição, o desejo de encontrar o seu lugar e, igualmente importante, a vontade de ver o seu trabalho valorizado caracterizam Odelle, a protagonista da década de sessenta que nos vai entrelaçar a todas as outras, no seu presente e num passado que desconhece.
Ainda sem nos focarmos no mistério, que vai ganhando densidade, uma impressão de fatalidade rumo seu desenlace, conhecemos um quadro que nos transporta para os anos trinta, para os primeiros rumores da Guerra Civil espanhola e uma família, refugiada sem o saber, em Andaluzia. Somos levados a conhecer uma rapariga que mescla a sua paixão pela pintura com um revolucionário, que faz de uma jovem meio cigana – o preconceito, outra vez – a sua melhor amiga, enquanto tenta compreender a sua família e crescer para lá das convenções estabelecidas na altura. Olive é verdadeiramente interessante e não parou de me surpreender.
A Musa é, em definitivo, um puzzle intrincado recheado de singularidades de tempos passados – há um trabalho de pesquisa por detrás da obra venerável – cujas personagens, no seu todo, são muito mais do que o expectável (para o bem e para o mal), é um romance extremamente bem escrito onde a simplicidade está reflectida apenas na fraqueza humana e é, pela História e pelas pessoas tão realisticamente retratadas, um livro com momentos crus, difíceis de digerir, o que na minha opinião só o torna mais especial. Sem spoiler não vos posso dizer mais – adorei!
Mais uma grande aquisição do catálogo Editorial Presença, que este ano está melhor do que nunca, recomendada para os fãs de romance e ficção histórica.
Da mesma autora, no blogue:
O Miniaturista – Opinião
Título: A Musa
Autora: Jessie Burton
Género: Ficção Histórica
Para comprar o livro A Musa, clique aqui.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Sinopse:
Quando Varvara, uma jovem órfã polaca, chega à
ofuscante e perigosa corte da imperatriz Isabel em Sampetersburgo, é iniciada
em tarefas que vão desde o espreitar pela fechadura até à arte de seduzir,
aprendendo, acima de tudo, a ser silenciosa – e a escutar.
Chega, então, da Prússia Sofia, uma frágil princesa
herdeira, a potencial noiva do herdeiro da imperatriz. Incumbida de a vigiar,
Varvara em breve se torna sua amiga e confidente e ajuda-a a mover-se por entre
as ligações ilícitas e as volúveis e traiçoeiras alianças que dominam a corte.
Mas o destino de Sofia é tornar-se a ilustre
Catarina, a Grande. Serão as suas ambições mais elevadas e de longo alcance?
Será que nada a deterá para conquistar o poder absoluto?
Li este livro ainda em 2014 e foi provavelmente um
dos melhores do ano; foi efectivamente umas das melhores ficções históricas que
tive o prazer de ler na minha vida.
Numa época em que o equilíbrio de poder era tão
instável quanto os humores do seu governante, Eva Stachniak construiu uma
narrativa transparente na representação da beleza e da crueldade que tomou o
punho de uma Rússia alicerceada na traição, uma narrativa sobre a imponência e
o poder contidos na capacidade de se sobreviver através do silêncio e dos
sussurros sob o mais perigoso dos olhares.
O Palácio de Inverno fala-nos de várias existências em
paralelo pela perspectiva de uma jovem espia, uma protagonista com o futuro
predestinado que arriscou e venceu, na mesma medida em que acreditou e se
arrependeu. O Palácio de Inverno é um livro intenso, é um livro denso e complexo
que na sua intriga transcende a ficção, cativando, prendendo o leitor à sua
teia inesquecível.
As excentricidades da Imperatriz Isabel, as suas
loucuras, medos e devaneios, as suas paixões e glórias arrebatadoras e a sua
crueldade camuflada de misericórdia são apenas a ponta de um dos muitos véus
que conhecemos e vemos ser levantados, página após página, até à ascensão de
Catarina, a Grande, anunciada na capa. Os caminhos destas duas mulheres são
imensos e logo que se cruzam nasce um falso afecto e muitas incertezas, um
reflexo palpável dos muitos perigos que farão parte constante da vida de
Varvara. É o princípio do fim e um novo ciclo que se inicia. É, toda a obra, o
espelho manchado da nobreza e da corte russa do século XVIII.
Entre os muitos atributos de excelência deste texto,
a concepção das personagens, a passagem do tempo e a sua evolução são algo
fascinante que me marcou profundamente. Como se de um teatro vivo se tratasse,
quem lê é absorvido para as personalidades descritas, para uma roda-viva de
emoção que torna cada um especial. Amor e ódio, ausência de perfeição e pecado,
são parte do que abraça cada uma das protagonistas, envolvidas e contagiadas
por aqueles que as rodeiam, que as transformam da decadência à opulência e visse
versa. Mudam-se os segredos, as facções, o lado de quem está a razão e a razão
deixa de ser importante pelo preço de estar vivo, pela ambição ou simplesmente pelo
mais frágil lado do humano, o seu coração. Não há inocentes, há vencedores,
vencidos e sobreviventes numa guerra fria entre cortinas, por detrás de paredes
e em alcofas escondidas, com Varvara, Catarina e Isabel a centralizar toda a
atenção do leitor.
A obra é um mesclar perfeito da ficção e da história,
embora a segunda me seja desconhecida mas nem por isso menos interessante. Acredito,
piamente, na possibilidade dos enganos, das traições e das guerras, no temor do
corrupto e do corrompido, na importância dada ao efémero para suportar o peso
se uma nação sensível, marcada por mulheres tão dependentes de homens quanto
temidas por estes. É um cenário extraordinariamente frio, belo e assustador, um
cenário que também fica marcado pela amizade e pelo amor, pelas cicatrizes que estes
sentimentos deixaram mesmo que não tenham perdurado.
Enfim, é uma história de qualidade imensa pelas
palavras de uma autora de talento incontestável e que eu, sinceramente,
gostaria de reler para vos voltar a falar sobre ela, pois o que tenho agora
para vos oferecer são apenas as sensações que perduram meses depois –
emocionalmente longos meses depois. Uma coisa é certa, este é um título para
todos os amantes de literatura e ao qual nenhum ficará indiferente.
Uma aposta maravilhosa da Casa das Letras que
recomendo fervorosamente e sem qualquer restrição, não se irão arrepender.
Título: O Palácio de Inverno
Autora: Eva Stachniak
Género: Romance Histórico
Editora: Casa das Letras
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Sinopse:
Inês,
com apenas dez anos contempla o cenário onde terá início o primeiro acto de uma
tragédia que ficará para a história como uma das mais belas histórias de amor
de sempre. A sua ama, pronuncia as palavras que o destino se encarregará de
cumprir - «um príncipe amar-te-á pelo teu colo de garça e pelos teus cabelos
loiros e as tuas fontes virão a ser cingidas por uma coroa real».
No
castelo de Peñafiel, Inês e Constança tornar-se-ão irmãs de alma, unidas pelo
mesmo amor - D. Pedro. E se um dia mais tarde o príncipe português casar-se-á
com Constança respeitando-a pela sua serenidade é a Inês que amará perdidamente
– «Inês era a força da cascata, o rumor do mar enraivecido, o roçar do vento
quando o cavalo se lança a galope». A morte de D. Constança afasta
momentaneamente os dois amantes, mas será então que Pedro e Inês irão viver, na
idílica Quinta das Lágrimas, as horas mais felizes do seu infortunado amor. Mas
o destino lança nos corações de alguma nobreza as facas da ambição que irão
atraiçoar e manchar de sangue o esbelto pescoço de Inês.
A
beleza lendária de Inês de Castro foi captada na perfeição por esta autora,
numa obra que ficará certamente na memória do leitor.
Quando
me foi dada a oportunidade de escolher uma narrativa para apresentar sobre um
mito nacional, para uma cadeira da faculdade, não primei certamente pela
originalidade mas, definitivamente, por um lado meu que vocês já conhecem, um
lado que não resiste a uma bonita história comandada pelo coração.
A
tragédia de Inês de Castro foi o mito escolhido e, acreditem, difícil foi
escolher qual o livro, o tipo de abordagem que desejava fazer ao tema, pois
existem dezenas, talvez centenas de opções, nas mais variadas línguas e com
múltiplas nuances interessantes – mais ou menos distantes da pseudo-realidade.
A
escolha da obra de María Pilar Hierro teve como principal factor o
aconselhamento de uma amiga, mas também o reduzido número de páginas, o facto
de tender mais para a ficção do que para os factos históricos e ainda a
biografia da autora – licenciada em História Moderna e Contemporânea.
O
enredo é conhecido de todos e tem uma intemporalidade afectiva que marca pela diferença na época em que desenvolve a acção, uma
época em que pouco se ousava ou pensava em sentimentos, pois tudo era decidido em prol do que fosse mais benéfico para o reino.
Ao contrário do que esperava, esta história surpreendeu-me por não se
fixar apenas no romance entre D. Inês de Castro e D. Pedro I, o que na minha opinião é uma
característica louvável e que distingue este livro de alguns dos seus homónimos – assim
como a sua divisão capitular, em sete partes distintas, que prodigiosamente
permitem a idealização cadenciada de todo universo trágico.
A
primeira parte da narrativa e o início da segunda situam-se no ano de 1622 e
têm como personagens principais um cavaleiro errante e desconhecido, que se
oferece para contar pormenorizadamente a história de D. Inês a dois dramaturgos espanhóis do Siglo de Oro espanhol, D. Luis Vélez
de Guerava e D. Félix Lope de Vega y Carpio – que mais tarde serão
conhecidos e aclamados, em parte, pelas suas peças dedicadas ao drama nacional,
Reinar Después de Morir e Inés de Castro, respectivamente.
A
essência de todo o livro assenta, portanto, na forma como envolve factos
verídicos com mitológicos, e por consequência ficcionais, com séculos de distância e que têm a capacidade de
perdurar na memória, na mente de quem escuta o mito, até aos dias hoje,
permitindo que o leitor se enleie e conjecture sobre o que realmente poderá ter
acontecido aos amantes e aos dramaturgos.
Para os mais interessados no romance principesco, é mais ou menos a meio
do segundo capítulo que o misterioso cavaleiro, pedindo para não ser
interrompido por Vélez e Lope, nos transporta no tempo para o ano 1320 quando se dá o nascimento da protagonista, passando para 1330 onde narra o começo de uma amizade profunda com o florescer da
juventude e por aí em diante, sempre marcando com fidelidade e
especial atenção os pontos-chave que predestinaram o destino fatídico de A Castro.
Quanto à intriga, muito
sucintamente, D. Constança Manuel é prometida ao príncipe D. Pedro I, filho do Rei de Portugal D. Afonso IV, sendo assim encaminhada para Lisboa e levando
consigo a sua fiel amiga, como que irmã, D. Inês de Castro. A chegada de ambas
ao Castelo de São Jorge, morada dos monarcas em Lisboa, é marcada pelos olhares cruzados entre as donzelas e o príncipe, que fazem com que D. Inês caia de amores pelo futuro marido da sua
amiga bem como este por si.
Dá-se o casamento entre os prometidos e durante os anos de matrimónio há dois ou três
encontros fatais entre D. Inês e D. Pedro I – aos quais se junta uma grande sucessão de
acontecimentos e premonições que vão adensando a trama –, sendo que no fim da sua vida D. Constança já está consciente da "traiçao" e consente o
amor proibido entre os que estima ao contrário do Rei, que não é da mesma opinião. D. Inês é então enviada para o Convento de Santa Clara, e assim afastada da corte, que mais tarde pelos actos fatídicos aí cometidos ficará conhecido por Quinta das Lágrimas – estamos em finais de 1345.
![]() |
| Túmulo de D. Pedro I |
No
que respeita a personagens, todas elas estão trabalhadas por forma produzir
entretenimento durante a leitura, e é aqui que se verifica o quão ficcional é
esta obra e as suas lacunas históricas. Ainda assim, no que respeita ao século
XVII, adorei ter descoberto os dramaturgos espanhóis sobre os quais tive
oportunidade de pesquisar um pouco, bem como a oportunidade de conhecer –
embora fantasiosamente – as infâncias de D. Inês e D. Constança, o que me
permitiu igualmente fazer uma nova interpretação do mito.
Estas duas jovens são, de facto, as personagens principais juntamente
com D. Pedro I e para mim foi impossível não me compadecer de todos os intervenientes
deste triângulo amoroso que, em tempo algum, deixam de pensar nas repercussões
dos seus actos preocupando-se, seriamente, com aqueles que estariam a magoar.
Os laços trabalhados são, portanto, uma construção magnífica ao longo do texto
e a minha eleita é sem dúvida D. Constança, talvez a mais inocente e a mais justa, revelando uma sensatez que eu não alcançaria.
![]() |
| Túmulo de Inês de Castro |
Muitas citações de obras referentes ao
romance publicadas ao longo dos tempos, de Camões a Henry de Montherlant, são também parte integrante do livro
pontuando-o magnificamente, principalmente no que respeita às descrições de D. Inês, conhecida pela sua beleza inebriante, pelo seu «colo de graça». (Colo
é pescoço, contemporaneamente esta expressão é dúbia, eu sei.)
Por
tudo o que já disse, fica claro que a escrita de María Pilar Hierro é bastante
atractiva e esta poderia ter sido uma leituras de poucas horas se não me tivesse sido
exigida uma análise pormenorizada da mesma, ainda assim é inegável o prazer que
retirei das descrições de época, das caracterizações e da carga emotiva
presente em todos os momentos.
Como
nota final, quero citar ainda a capa do livro, extraordinária, que representa o
emblemático túmulo mandado construir por D. Pedro I para D. Inês, existe um
para o próprio de frente para o da sua amada onde foi sepultado após a sua
morte, e que marca a coroação de Inês já depois de morta, com homenagem por parte da
corte – os túmulos podem ser visitados no Mosteiro de Alcobaça, local que fiquei
ansiosa por conhecer em breve, e estão representados pelas imagens acima legendadas.
«– Eu te coroo, Inês, Rainha de Portugal. Para que assim sejas reconhecida pela História.», página 135.
Onde começa e acaba o mito é algo que será sempre discutível, inegável é que esta é, sem dúvida, uma das mais belas histórias de amor que o nosso país conheceu.
«– Eu te coroo, Inês, Rainha de Portugal. Para que assim sejas reconhecida pela História.», página 135.
Onde começa e acaba o mito é algo que será sempre discutível, inegável é que esta é, sem dúvida, uma das mais belas histórias de amor que o nosso país conheceu.
Este
livro é uma aposta de qualidade Editorial Presença que eu recomendo, sem
restrições, aos curiosos que deverão ter sempre em atenção de que esta obra tem tanto de
verdade como de ficção. As mais românticas também poderão gostar.
Título:
Inês de Castro
Autora: María Pilar Queralt del
Hierro
Género: Ficção Histórica
Editora: Editorial Presença
Para
mais informações sobre o livro Inês de Castro, clique aqui.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Sinopse:
1787.
Bristol é uma cidade em franco crescimento, uma cidade onde o poder atrai os
que estão dispostos a correr riscos. Josiah Cole, um homem de negócios que se
dedica ao comércio de escravos, decide arriscar tudo para fazer parte da
comunidade que detém o poder na cidade. No entanto, para isso, Cole vai
precisar de capital e de uma esposa bem relacionada que lhe abra as portas
necessárias.
Casar
com Frances Scott é uma solução conveniente para ambas as partes. Ao trocar as
suas relações sociais pela proteção de Cole, Frances descobre que a sua vida e
riqueza dependem do comércio respeitável do açúcar, rum e escravos.
Entretanto,
Mehuru, um conselheiro do rei de Ioruba, em África, é capturado, vendido e
enviado para Bristol, onde será educado nos padrões ocidentais por Frances, por
quem, inexoravelmente, se irá apaixonar.
Em
Um Comércio Respeitável, Philippa Gregory oferece-nos um retrato vívido e
impressionante de uma época complexa onde impera a ganância e a crueldade que
devastaram todo um continente.
Um
Comércio Respeitável foi o primeiro livro que tive o prazer de ler de Philippa
Gregory enquanto escritora de ficção para adultos e, confesso-vos, ainda nem
sei ao certo como expressar-me sobre a realidade transposta pelas suas
palavras, palavras que me tocaram profundamente.
Os
factos narrados são tão credíveis em relação à época retratada e, muitas
vezes, a autora nos faz acreditar piamente em tudo a que assistimos,
emocionando-nos e envolvendo-nos com as suas personagens sonantes, com os
momentos marcantes por estas vividos e, principalmente, com a crueldade
consecutiva e embelezada, uma crueldade nomeada de respeitável.
A
primeira grande diferença deste livro, em relação a todos os que já li passados
no século XVIII,
tem que ver com o ambiente social em que os intervenientes estão inseridos. Eu,
leitora habituada a romances de época leves, fui confrontada com um livro
histórico com laivos de romance, aqui secundário, em que a classe média se
destaca para alcançar os que sempre desejei conhecer entre o ton, na ficção.
Esqueçam o requinte, as propriedades pitorescas e os vestidos invejáveis,
esta é a história que vos dará a conhecer as vias que tornaram Condes e
Viscondes cobiçados pela sua glória, através de um caminho cru e repudiante,
repleto de sensações desagradáveis e que permite conhecer o holocausto a que África foi submetida pelas sedentas mãos da
Europa, um caminho que nos mostra a quase destruição de um continente,
espelhando a naturalidade com que tal foi feito, e que se foca principalmente no
“venerável” comércio de vidas, em tráfico humano, em tráfico de escravos.
Através
de três perspectivas diferentes, a autora proporciona ao leitor a possibilidade
de conhecer de forma abrangente a cultura, as relações e os sentimentos
nutridos nestes tempos “auspiciosos”, tempos de ascensão para Inglaterra, enquanto seus intervenientes aprendem o preço das suas almas.
Desta feita, o protagonista Josiah Cole reflecte na perfeição a ambição dos que
vieram do nada e descobriram no comércio marítimo a oportunidade de se erguerem socialmente, transportando rum, açúcar e escravos de África - viagens caras, arriscadas e que quando
efectuadas dentro da legalidade eram pouco rentáveis. Este foi, como todos os
outros, um negócio manipulado e controlado pelos mais ricos, pelos pertencentes
à Merchant Venturers of Bristol, que Josiah veio a descobrir adulterarem bem mais que o comércio.
Frances
Scott, de passado infortúnio, encontra um mundo diferente após o seu casamento
com Josiah. Esta personagem descobre que por detrás da protecção do nome da sua
família a realidade é mais dura do que aparenta, pelo que ver-se-á obrigada
abdicar dos seus valores e a aceitar o inimaginável para ascender na escala
social e alcançar o que sempre desejou. Cometerá muitos erros e na sua
humanidade só muito, muito tarde é que descobrirá que há emoções que não têm
preço, enquanto o leitor assiste ao seu brotar para o mundo real, ora protegida
ora audaz, trabalhando naquela que nunca deveria ter sido uma profissão.
Estas
duas personagens oferecem o prisma negro, mas nem por isso menos sofrido, dos
que tentaram chegar mais longe numa época injusta, uma época em cada um era
definido pelo seu estatuto e pela sua capacidade de chegar mais longe, onde os
escrúpulos, a honra e a dignidade ficavam para segundo plano.
O
terceiro narrador deste texto é Mehuru, um homem respeitado entre o seu povo. Capturado
como escravo, Mahuru tem a sorte ou azar de ser transportado para Inglaterra
onde será ensinado para servir. Conhecê-lo é uma das experiências mais férteis
deste enredo, do seu passado à história do seu povo, passando pelas
dificuldades da travessia a que se vê sujeito, repleta de atrocidades, até ao
seu começo difícil nas terras se sua majestade, é algo tão inebriante quanto
chocante. Este interveniente faz-se acompanhar por vários secundários, com os
quais partilha a cor, que dão profundidade ao seu drama, pelo que é relevante
destacar o papel das mulheres e das crianças perdidas e abusadas, cegas e cativas,
pela prepotência de uma sociedade tão diferente da sua.
Ainda
que remetido para segundo plano, na mesma medida em que é crucial para os
caminhos seguidos pelo texto, encontra-se o romance. Embora eu não lhe tenha
prestado muita atenção, de tão abstraída que me encontrava a absorver todos os
outros pormenores, é estimulante a forma como a relação entre Frances e Mehuru
os transforma, abrindo não só as perspectivas de ambos para os seus mundos
opostos, como pela partilha de sentimentos proibidos, de dilemas secretos que
revolucionaram as suas existências.
Embora
já o tenha referido, penso que não é demais voltar a afirmar a importância do
comércio, pois é a sua influência que domina o livro. A ambição, a sua imposição
nos extractos sociais e o seu verdadeiro preço ganham todo um novo sentido ao tratá-lo
como respeitável, um sinónimo certamente distópico no seu contexto, em que a
ausência de respeito pelo próximo prevalece.
Para terminar, os cenários diversificados são mais um atractivo, de
entre os quais destaco o barco onde Mehuru viaja sujeito às piores visões e condições. Os
tratamentos para com os escravos, ainda que os que conhecemos melhor sejam
privilegiados, é chocante, e mais chocante é descobrir a volatilidade das vidas
que em vez de seguirem para Inglaterra tiveram como destino as plantações de
açúcar, onde a morte era uma constante devido ao trato dos negros como meros
objectos facilmente substituíveis.
Esta
é, portanto, uma leitura que sendo de entretenimento é mais ainda de
aprendizagem, pela certeza de que as suas descrições se aproximam muito da
realidade da época. Uma leitura que sem falar de amor entre os homens, fala do
amor de um povo à sua terra perdida, uma leitura que sem falar de amizade, fala
dos laços criados pela sobrevivência, uma leitura que embora nos mostre os que
ambicionam o belo, mostra o lado mais putrificado dos que deram o exemplo.
Quando
à escrita de Philippa Gregory esta é fluida e simples, mesmo com as trocas de
narradores e a grande carga emocional que transmite ao leitor,
As
descrições, como citei anteriormente, dão a ver a totalidade do ambiente que
rodeia os intervenientes, sendo inclusive bastante sensoriais. Também os
sentimentos, embora pareçam ausentes, estão bem caracterizados, estante latente
a frieza do povo inglês em contraste com aqueles que toda a vida saborearam e
valorizaram o calor do sol nas suas peles queimadas. Sim, e é um livro de
contrastes.
Pessoalmente,
eu não poderia estar mais satisfeita. Comovi-me bastante e compadeci-me de
todos os que já não estão entre nós e um dia conheceram a catástrofe que foi a
escravatura. Muitos traços enraizados nos dias de hoje na cultura africana
passaram a fazer um novo sentido para mim, sobre a qual espero vir a aprender
mais em breve.
Esta
é uma aposta de excelência da Porto Editora que marcou as minhas leituras em
2013 pela sua magnífica qualidade, uma obra que eu recomendo aos interessados e
curiosos pelos temas abordados.
Autora:
Philippa Gregory
Género:
Romance Histórico
Editora:
Porto Editora
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Sinopse:
Gostei
igualmente das imagens que a autora escolheu para ilustrar o livro, muito fiéis
ao tempo em que se desenvolve a história. Era um tempo em que só havia obras
manuscritas e em que as ilustrações eram verdadeiras obras de arte mas, no
entanto, existiam já os primeiros carimbos – técnica denominada de xilografia,
elaborada através de entalhes na madeira – sendo, inclusivamente, a imagem
adoptada para ilustrar a nota final da autora baseada no bloco xilográfico que representa a
primeira autora da História do Livro a viver da escrita, Christine de Pizan.
(Philippa refere C. Pizan e a origem da imagem, o que eu achei fabuloso).
Estamos
em 1453 e todos os sinais apontam para que o fim do mundo esteja iminente.
Acusado de heresia e expulso do seu mosteiro, Luca Vero, um atraente jovem de
17 anos, é recrutado por um misterioso estranho para registar o fim dos tempos
por toda a Europa.
Obedecendo
a ordens seladas, Luca é enviado a cartografar os medos da Cristandade e a
viajar até à fronteira do bem e do mal. Isolde, de 17 anos, abadessa, está
presa num convento para impedir que reclame a sua enorme herança. Quando as
freiras ao seu cuidado enlouquecem com estranhas visões, sonambulismo e
exibindo estigmas, Luca é enviado para investigar e todas as provas incriminam
Isolde.
No
pátio do convento constrói-se uma pira para a queimar por bruxaria. Forçados a
enfrentar os maiores medos do mundo medieval – magia negra, lobisomens, loucura
– Luca e Isolde embarcam numa busca pela verdade, pelo seu próprio destino e
até pelo amor, enquanto percorrem os caminhos desconhecidos até à personagem
histórica real que defende as fronteiras da Cristandade e detém os segredos da
Ordem das Trevas.
Para
quem segue o blogue com relativa regularidade e vai espreitando este e aquele
comentário, já ficou claro o quanto eu gosto de livros e o quanto eu atento a
pormenores porque estes fazem, na minha singela opinião, a verdadeira
diferença. Claro que o enredo é fundamental, é o mais importante, mas as
singularidades e o cuidado na elaboração de uma obra podem, definitivamente,
tornar uma narrativa excepcional mediana e uma narrativa mediana num livro de
grande valor. Em Predestinado estamos perante o segundo caso.
Esta
é uma história de entretenimento perfeita para introduzir o público jovem
adulto em romances históricos, que nem sempre são a primeira opção mas que
quando bem elaborados são sem dúvida uma fonte satisfação plena para o leitor
que aprende enquanto se diverte.
A
série Ordem das Trevas apresenta-nos um enredo de ficção e aventura ainda na época medieval, onde conhecemos a jovem e nobre dama Isolde, que remeterá os
leitores leigos, com eu, para um drama típico de um conto de fadas, e o
inquisidor Luca que, tal e qual cavaleiro, esta destinado a desbravar os males
que apoquentam a Cristandade.
Muito
sucintamente, em relação à história propriamente dita, numa região perto de
Roma, Lucretilo, Isolde é obrigada, após a morte do seu pai, a passar o resto
do seu fado num convento a mando do seu irmão e, consecutivamente, seu dono.
Nesta desgraça faz-se acompanhar pela sua dama de companhia, Ishraq, que não
sendo cristã é encarada por terceiros como sua escrava. Enquanto isto, em Roma,
o jovem Luca que estuda para padre acaba preso pela sua astucia e curiosidade
mas, misteriosa e repentinamente, é destacado como inquisidor, tendo como
missão desmitificar as anormalidades que ameaçam a igreja. Na sua demanda
faz-se acompanhar por um trabalhador do seu convento, Freize, e por um escrivão
encarregue de anotar todos os pormenores da viagem, Peter.
O
destino acabará por juntar estes cinco jovens no início de uma jornada que
levará, prazenteiramente, o leitor conhecer os temores e superstições destes
tempos em que a fé era soberana.
Extraordinariamente
rico em pormenores este é o característico livro sobre o qual eu poderia
escrever sem cessar. Cada uma das suas personagens representa um estereótipo da
época e, como se tal não fosse suficiente, existe ainda um primor excepcional em
retratar todo o ambiente que os envolve.
Luca, a par com Peter, representa a fuga dos pobres, muitos deles órfãos, para uma vida mais cómoda através do clero que lhes
permite ascender socialmente.
Isolde,
embora contradita, permite-nos igualmente antever as possibilidades da vida
eclesiástica para as mulheres, que nada detinham nesta época, através do seu
relacionamento com as freiras com as quais se cruza no convento erguido pela
sua família. É o caso da irmã ecónoma, ambiciosa, que faz carreira neste meio.
Freize
é quase um escravo nestes tempos, espelha a miséria e as opções, quase nulas,
daqueles que não dedicando a vida a Deus nasceram na miséria. Esta é ainda uma
personagem com um forte sentido de humor e com um dom muito especial para com
os animais, o que o torna fundamental para este texto.
Ishraq
é a minha personagem favorita. Ela simboliza todos os estrageiros que
arriscaram entrar e prevalecer no mundo dos cristãos, independente do que os
levou a esse fim. Originária do Médio Oriente, muito inteligente e forte, é a
melhor amiga de Isolde e regularmente encarada como sua escrava. É uma herege
dentro e fora da sociedade.
Embora
haja uma ligação ténue ao maravilhoso, esta obra é uma fantasia sem o ser,
atendendo ao facto da incumbência de Luca ser desmitificar todas as ilusões que
possam surgir das crenças do povo. Os credos entre plebeus iletrados eram
uma arma de dois cumes para a própria igreja que os fomentava para aumentar a
fé numa só salvação.
Fica
claro através dos diversos intervenientes a forma como a sociedade da época
era gerida, bem como o cenário envolvente, descrito eximiamente por uma autora
que, embora aqui nos proporcione algo leve, permite antever os seus estudos
nesta área.
Ao
longo da história são abordados dois fenómenos – heresias, pecados – em
particular, que nos fazem prever como será desenvolvida a restante série e que género de
aventuras, mitos e situações de época poderemos esperar, assim como o quão
interessante pode ser descobrir os pensamentos a respeito de bruxas e feiticeiros
num século, século XV, em que as atitudes era tão drásticas e não havia
justificações para a mais ínfima, estranha, ocorrência devido à ausência de
conhecimentos científicos.
Sem
ser brilhante esta é, isso sim, uma leitura bastante agradável e excelente a
nível de pormenores, que eu recomendo a quem tem curiosidade por este género
literário e, em particular, a leitores mais inexperientes.
Philippa
Gregory tem uma escrita bonita, fluida e simplificada para chegar a qualquer
tipo de público.
Gostei
das suas personagens mas foram as suas descrições que me conquistaram e,
consequentemente, o nível de entrosamento que me permitiram durante a
narrativa. O que, convenhamos, não é nada fácil no que respeita à época
medieval que tende a ser embelezada.
Não
sei se é comum, porque é a primeira vez que leio esta autora,
mas adorei a sua nota final que não só influenciou, como me facilitou bastante a
escrita desta opinião. Desta feita, Philippa
Gregory desenvolve, em poucas páginas, tudo o que aborda na história,
enquadrando-nos com enredo e, como tal, creio que qualquer leitor fica totalmente
esclarecido.
Quanto
a mim gostei bastante da qualidade e empenho que se denota na elaboração do
livro. Dá outro prazer ler uma história assim.
Gostei
igualmente das imagens que a autora escolheu para ilustrar o livro, muito fiéis
ao tempo em que se desenvolve a história. Era um tempo em que só havia obras
manuscritas e em que as ilustrações eram verdadeiras obras de arte mas, no
entanto, existiam já os primeiros carimbos – técnica denominada de xilografia,
elaborada através de entalhes na madeira – sendo, inclusivamente, a imagem
adoptada para ilustrar a nota final da autora baseada no bloco xilográfico que representa a
primeira autora da História do Livro a viver da escrita, Christine de Pizan.
(Philippa refere C. Pizan e a origem da imagem, o que eu achei fabuloso).
Isto
não interessa nada para a opinião mas como eu sei estas pequenas coisas e
gosto de partilhar o pouco que sei, Christine Pizan foi publicada pela primeira
vez em Portugal em 1518, com título adoptado Espelho de Cristine, a mando de
D. Leonor e pelo impressor Hermão de Campos. Foi fundamental para o feminismo
da época e teve um peso social relevante.
Este
livro é uma maravilhosa aposta da Civilização, uma vez mais no formato idêntico
ao paperback e com um preço muito apetecível que, reafirmo, recomendo a quem
se quer iniciar neste género com uma leitura de qualidade histórica que é ao
mesmo tempo uma excelente fonte de entretenimento.
Título:
Predestinado
Autora:
Philippa Gregory
Género:
Fantasia, Romance Histórico
Editora:
Civilização
domingo, 14 de outubro de 2012
Sinopse:
Não
foi a arte do engano que desconcertou Michael Hepburn, mas sim a inocência. A
sua recém-esposa era confiante, bonita e, para seu espanto, absolutamente
fascinante.
Julianne
Sutton sempre soubera que casaria com o marquês de Longhaven, como fora
acordado anos antes pelas famílias. No entanto, assumira que o marido seria
Harry, o afável herdeiro ducal, e não o enigmático irmão. Quando Harry morreu
de forma inesperada e Michael lhe sucedeu como o novo marquês, não foram apenas
os planos de casamento de Julianne que se alteraram.
Michael
combatia um inimigo implacável num jogo de espionagem e engano, mas quando
descobriu que a mulher tinha os seus próprios segredos, depressa descortinou
que o amor se regia por um conjunto de regras completamente diferentes…
Só
quando folhei-o as primeiras páginas de um romance de Emma Wildes é que me
apercebo da verdadeira saudade que sentia da sua escrita.
Com
um carácter envolvente, os enredos desta autora primam pelo misto de inocência
e luxuria que caracterizam as suas personagens femininas, fortes e intensas nas
suas emoções. No que respeita à paixão, sempre ardente, ela começa cadenciada,
repleta de possibilidades, até que o leitor, a par com os intervenientes, se
apercebe que está completamente enredado na outrora ausente palavra amor.
Para
quem já leu alguns títulos anteriormente publicados, como Um Homem Imoral ou Um
Erro Inconfessável, um dos maiores prazeres que irá encontrar nestas páginas é
o reencontro de protagonistas, explorados em obras precedentes, que continuam a ter pequenas intervenções
recordando que a felicidade persiste para lá das últimas páginas. Mas se, por
outro lado, esta leitura for uma estreia então maravilhar-se-á com homens marcados pelos
amargos temperos da guerra e mulheres, ainda jovens, que quebrarão todas barreiras
emocionais florescendo, magnificamente, para os mistérios do corpo e do
coração.
Neste
livro em particular, um dos principais pontos de interesse que exploramos logo
de início é o facto de os protagonistas, Julianne e Michael, só se conheceram
realmente a partir do casamento, algo inovador mas bastante atractivo neste
texto.
Julianne
estava prometida ao Marquês Longhaven, um homem aprazível, de trato fácil, que ela conhecia desde menina mas que, infelizmente, morreu em vésperas do casamento
deixando, inadvertidamente, a sua noiva destinada ao seu irmão mais novo, Michael, irmão
esse que Julianne recorda como uma criança pouco afável na infância.
Marcado pelas batalhas que ainda o perseguem, distante e sob a mira de um
inimigo, o nosso protagonista está longe de ser o marido de sonho para uma
resignada debutante que cumpre à risca as regras do ton. No entanto, é certo, que todos os casamentos são uma história de conhecimento e aprendizagens mútuas
e nada, absolutamente nada, poderia preparar este casal para a chama,
rara, que incendiará os seus encontros de poucas palavras, onde os gestos serão
descodificadores perfeitos para a transparência entre duas pessoas demasiado
observadoras, demasiado astuciosas ao ponto de poderem colocar a vida de ambos muito
perto da linha da morte.
Exímia
no que respeita a retractar emoção, Emma Wildes transforma as linhas desta história
num verdadeiro bálsamo para todas as leitoras que se perdem no erotismo de um
olhar intenso ou na dança que os corpos nasceram ensinados a valsar, não
deixando um único pormenor ao acaso na magia que só o amor consegue concretizar.
Devido à sua versatilidade, acompanhada de método e coerência, traços que tão bem
definem esta autora, também o crime é um factor presente na sua narrativa, a
par com mistérios interessantes e intrigas em elevados círculos sociais onde sobressai um conservadorismo ousado, contraditório, que prendem
que lê até ao desenlace.
Como
já frisei em opiniões anteriores, os pormenores de época são deliciosos. A tradição,
o rigor, a cultura e as próprias movimentações nos cenários encontram-se
primorosamente concebidas pelo
que, facilmente, atentamos ao vestuário, aos gestos e às atitudes das variadas
personagens, algo que marca definitivamente a qualidade desta obra. Sentimo-nos realmente integrados no universo ficcional.
Quanto
à escrita da autora é cuidada e descontraída, como convém a qualquer leitura
lúdica, promovendo o entretenimento.
As
suas descrições são breves mas suficientemente detalhadas para dar a ver o
ambiente em que estamos inseridos, não faltando, em momento algum,
singularidades agradáveis a par com momentos de tensão onde o perigo vai
espreitando entre as cenas eroticamente floreadas. Nada é banalizado.
Quer
seja pelo seu esmero, o enredo ou pelas bonitas personagens, esta é
definitivamente uma autora que eu faço questão de acompanhar e uma referência
no que se refere a romances históricos sensuais.
Quando
a este livro em particular, Michael e Julianne fazem um casal apelativo quer
pelas suas inseguranças, quer pela sua astúcia e inteligência, e, embora estejam
repletos de pequenas lacunas, muito humanas, muito palpáveis, conseguem deslumbrar
e atrair ao longo de toda leitura.
Esta
é, portanto, uma excelente aposta da Planeta Manuscrito que publica em
diversificados géneros literários com uma qualidade já vinculada. Uma leitura
que eu sugiro, sem qualquer tipo de restrição, a todos aqueles que gostam de
romances de época com laivos de mistério e sensualidade.
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| Da Mesma Autora |
Um
Homem Imoral (Opinião)
Um
Erro Inconfessável (Opinião)
Título:
Pecados Escondidos
Autora:
Emma Wildes
Género:
Romance Histórico e Sensual
Editora:
Planeta Manuscrito
Subscrever:
Mensagens
(
Atom
)
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- Alison Bechdel
- Alison Lucy
- Alyson Noel
- Amanda Hocking
- Amy Bratley
- Amy Hatvany
- Ana María Matute
- Andrea Cremer
- Andrea Hirata
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- Andy Weir
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