Pesquisar Histórias:
Sobre mim:
A Elphaba...
Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
Fascinada por outros mundos e uma eterna sonhadora, assim eu sou.
Aviso:
Viciada em literatura fantástica e romântica.
Fascinada por outros mundos e uma eterna sonhadora, assim eu sou.
Aviso:
Este Blogue e todos os textos escritos podem conter Spoilers!
Contacto:
Contacto:
Etiquetas:
- Aquisições ( 94 )
- ArtePlural Edições ( 5 )
- Asa ( 272 )
- Bertrand ( 70 )
- Bizâncio ( 1 )
- Book Trailers ( 125 )
- Booksmile ( 23 )
- Caderno ( 1 )
- Casa das Letras ( 16 )
- Cinema ( 4 )
- Civilização ( 35 )
- Clube do Autor ( 38 )
- Colecção 1001 Mundos ( 78 )
- Contraponto ( 86 )
- Curiosidade ( 132 )
- Divulgação ( 1373 )
- Dom Quixote ( 4 )
- Editora Objectiva ( 3 )
- Editorial Presença ( 362 )
- Encontros ( 4 )
- G. Floy Studio ( 1 )
- Gailivro ( 36 )
- Grupo Leya ( 9 )
- Grupo Penguin Random House ( 62 )
- Livros d' Hoje ( 48 )
- Lua de Papel ( 9 )
- Lápis Azul ( 10 )
- Marcador ( 64 )
- Oficina do Livro ( 32 )
- Opiniões ( 576 )
- Outras Literatices Outras Coisas ( 21 )
- Passatempos ( 478 )
- Pergaminho ( 12 )
- Planeta Manuscrito ( 450 )
- Porto Editora ( 130 )
- Quetzal ( 8 )
- Quinta Essência ( 284 )
- Saída de Emergência ( 257 )
- Suma de Letras ( 50 )
- TOPSELLER ( 174 )
- Vogais ( 11 )
Com tecnologia do Blogger.
O Que Escrevo...
Seguidores
Blogues Com Histórias...
Mostrar mensagens com a etiqueta Ficção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ficção. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Sinopse:
A descoberta dos Açores, e todo o mistério e aventura
que a envolveu, foi o mote para esta obra em dois volumes de Sandra Carvalho. O
Olhar do Açor é uma narrativa que entretece com mestria verdade histórica e
ficção, a realidade da sociedade portuguesa do século XV e a fantasia das
personagens e dos cenários imaginados pela autora. Neste primeiro volume, que
se centra nas histórias de vida dos fidalgos, ganham principal relevância as
figuras de Constance, uma nobre inglesa enviada para Portugal para se casar com
Gonçalves Vaz, senhor da valiosa herdade de Águas Santas; Nuno Garcia, um corsário
implacável; Leonor, fruto ilegítimo da paixão de Constance e de Diogo, o jovem
corajoso, protegido de Nuno Garcia e que Constance conhece durante a viagem,
Guida, a escrava negra que cresceu com Leonor, e Tomás Rebelo, o fidalgo
malévolo que deseja assenhorear-se de Águas Santas.
Embora há alguns anos tenha tido a oportunidade de
ler uma boa parte de A Saga das Pedras Mágicas e estar ciente das qualidades de
Sandra Carvalho, confesso que não sabia o que esperar do primeiro título da sua
obra em duas partes, Crónicas da Terra e do Mar, num registo que tende à ficção
história – não me desiludi.
Como a maré enchente que vai conquistando
cadenciadamente o seu pedaço de areia até atingir a plenitude da maré cheia, O
Olhar do Açor foi uma leitura que me foi cativando progressivamente até ao seu
final, emocionante, através da sua verosimilhança, dos seus momentos de tensão,
com acção constante, plenos de incertezas e pela sua história tão mágica quanto
enternecedora, digna de um verdadeiro conto-de-fadas, que principia a narração.
Decorrendo na primeira metade do século XV, o enredo
começa por nos mostrar uma Constança, jovem, a embalar a sua pequena Leonor com
uma história de amor entre uma dama e um pirata, uma história que a própria
jurou guardar em segredo, esquecer, pela sua honra e salvação. Anos mais tarde,
é possível observar a evolução e amadurecimento desta protagonista, uma mulher
corajosa e forte, apesar de sofrida, uma mulher que estima e acarinha os seus e
temerosa pelo futuro, por tudo o que sabemos do seu passado. É impossível não
admirar Constança quando, mais sapiente, assistimos às relações que desenvolveu
com diversas personagens – há um salto temporal de 13 anos.
Leonor e Guida, senhora e serva, melhores amigas,
depressa conquistam o lugar de heroínas outrora pertencente à mãe da primeira.
Protegidas da crua realidade para lá da herdade de
Gonçalves Vaz, e apesar de saberem defender-se, são as preocupações do coração
que apoquentam estas donzelas, Leonor em particular como futura senhora de
Águas Santas, uma das terras mais cobiçadas pela coroa devido às qualidades
milagrosas da sua água.
Longe de adivinharem o futuro, fidalga e protegida,
partilham a inocência, as paixões e a curiosidade e só posteriormente, quando
os perigos se revelam em catadupa e a desgraça for rainha, partilharão a
coragem dos mais sóbrios, a sagacidade da sobrevivência e as lágrimas da perda,
unidas por um forte laço que as ajudará a ultrapassar todas as dificuldades
numa aventura retirada de um verdadeiro pesadelo.
Os intervenientes secundários, com mais ou menor
influência na acção, dividem-se entre rebeldes, valorosos guerreiros e
fidalgos, entre piratas, bruxos e apaixonados, todos eles com a capacidade de
despertar diferentes emoções no leitor. Dito isto, é um livro rico pela
diversidade de papéis representados, figuras que espelham na perfeição a multiplicidade dos vários trunfos contidos na narrativa de Sandra Carvalho.
Uma das questões mais fascinantes, pelo menos para os
adeptos de literatura fantástica, tem que ver com a aura sombria que se vai
entranhando nos primeiros desenvolvimentos, com uma superstição latente que
vaticina algo maligno que dará lugar ao inexplicável, uma espécie de magia
branca e magia negra, o bem e o mal em doses diferentes e por diferentes
elementos que causam expectativa e aguçam a imaginação.
Lendas, boatos e verdades entrelaçam-se entre
intrigas, num relato plausível que mistura realidade e ficção, ganham vida quer
seja num ambiente pastoril ou na Lisboa dos malfadados, cenários que permitem
visualizar de forma sensitiva os acontecimentos e estabelecem empatia com as personagens.
Em suma, uma ficção histórica de aventura que chega
com igual facilidade a jovens e adultos, onde é oferecida diversidade de acção,
romance e fantasia, através de um enredo cuidado que mitiga a vontade de saber
mais.
A escrita de Sandra Carvalho é primorosa durante todo
o texto, intercalando momentos de maior descrição com diálogos que fluem com
simplicidade.
Gostei das suas singularidades, são disso exemplo as
notas de rodapé, a atenção especial dedicada às emoções e a ausência de
embelezamento neste retrato de tempos difíceis.
Pessoalmente, depois deste título passado em terra,
aguardo ansiosamente a continuação que nos dará uma maior visão da vida no mar
onde, creio, não faltaram corsários e bravos marinheiros. Vingança, amor e
adversidades farão, certamente, as delícias de todos os que se apaixonarem pela
árdua demanda de Leonor e Guida.
Esta é uma boa aposta Editorial Presença numa autora
nacional de talento, que sugiro sem restrições aos fãs deste género.
Título: O Olhar do Açor
Autora: Sandra Carvalho
Género: Ficção história; Romance; Fantasia
Editora: Editorial Presença
Para comprar o livro O Olhar do Açor, clique aqui.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Sinopse:
Inês,
com apenas dez anos contempla o cenário onde terá início o primeiro acto de uma
tragédia que ficará para a história como uma das mais belas histórias de amor
de sempre. A sua ama, pronuncia as palavras que o destino se encarregará de
cumprir - «um príncipe amar-te-á pelo teu colo de garça e pelos teus cabelos
loiros e as tuas fontes virão a ser cingidas por uma coroa real».
No
castelo de Peñafiel, Inês e Constança tornar-se-ão irmãs de alma, unidas pelo
mesmo amor - D. Pedro. E se um dia mais tarde o príncipe português casar-se-á
com Constança respeitando-a pela sua serenidade é a Inês que amará perdidamente
– «Inês era a força da cascata, o rumor do mar enraivecido, o roçar do vento
quando o cavalo se lança a galope». A morte de D. Constança afasta
momentaneamente os dois amantes, mas será então que Pedro e Inês irão viver, na
idílica Quinta das Lágrimas, as horas mais felizes do seu infortunado amor. Mas
o destino lança nos corações de alguma nobreza as facas da ambição que irão
atraiçoar e manchar de sangue o esbelto pescoço de Inês.
A
beleza lendária de Inês de Castro foi captada na perfeição por esta autora,
numa obra que ficará certamente na memória do leitor.
Quando
me foi dada a oportunidade de escolher uma narrativa para apresentar sobre um
mito nacional, para uma cadeira da faculdade, não primei certamente pela
originalidade mas, definitivamente, por um lado meu que vocês já conhecem, um
lado que não resiste a uma bonita história comandada pelo coração.
A
tragédia de Inês de Castro foi o mito escolhido e, acreditem, difícil foi
escolher qual o livro, o tipo de abordagem que desejava fazer ao tema, pois
existem dezenas, talvez centenas de opções, nas mais variadas línguas e com
múltiplas nuances interessantes – mais ou menos distantes da pseudo-realidade.
A
escolha da obra de María Pilar Hierro teve como principal factor o
aconselhamento de uma amiga, mas também o reduzido número de páginas, o facto
de tender mais para a ficção do que para os factos históricos e ainda a
biografia da autora – licenciada em História Moderna e Contemporânea.
O
enredo é conhecido de todos e tem uma intemporalidade afectiva que marca pela diferença na época em que desenvolve a acção, uma
época em que pouco se ousava ou pensava em sentimentos, pois tudo era decidido em prol do que fosse mais benéfico para o reino.
Ao contrário do que esperava, esta história surpreendeu-me por não se
fixar apenas no romance entre D. Inês de Castro e D. Pedro I, o que na minha opinião é uma
característica louvável e que distingue este livro de alguns dos seus homónimos – assim
como a sua divisão capitular, em sete partes distintas, que prodigiosamente
permitem a idealização cadenciada de todo universo trágico.
A
primeira parte da narrativa e o início da segunda situam-se no ano de 1622 e
têm como personagens principais um cavaleiro errante e desconhecido, que se
oferece para contar pormenorizadamente a história de D. Inês a dois dramaturgos espanhóis do Siglo de Oro espanhol, D. Luis Vélez
de Guerava e D. Félix Lope de Vega y Carpio – que mais tarde serão
conhecidos e aclamados, em parte, pelas suas peças dedicadas ao drama nacional,
Reinar Después de Morir e Inés de Castro, respectivamente.
A
essência de todo o livro assenta, portanto, na forma como envolve factos
verídicos com mitológicos, e por consequência ficcionais, com séculos de distância e que têm a capacidade de
perdurar na memória, na mente de quem escuta o mito, até aos dias hoje,
permitindo que o leitor se enleie e conjecture sobre o que realmente poderá ter
acontecido aos amantes e aos dramaturgos.
Para os mais interessados no romance principesco, é mais ou menos a meio
do segundo capítulo que o misterioso cavaleiro, pedindo para não ser
interrompido por Vélez e Lope, nos transporta no tempo para o ano 1320 quando se dá o nascimento da protagonista, passando para 1330 onde narra o começo de uma amizade profunda com o florescer da
juventude e por aí em diante, sempre marcando com fidelidade e
especial atenção os pontos-chave que predestinaram o destino fatídico de A Castro.
Quanto à intriga, muito
sucintamente, D. Constança Manuel é prometida ao príncipe D. Pedro I, filho do Rei de Portugal D. Afonso IV, sendo assim encaminhada para Lisboa e levando
consigo a sua fiel amiga, como que irmã, D. Inês de Castro. A chegada de ambas
ao Castelo de São Jorge, morada dos monarcas em Lisboa, é marcada pelos olhares cruzados entre as donzelas e o príncipe, que fazem com que D. Inês caia de amores pelo futuro marido da sua
amiga bem como este por si.
Dá-se o casamento entre os prometidos e durante os anos de matrimónio há dois ou três
encontros fatais entre D. Inês e D. Pedro I – aos quais se junta uma grande sucessão de
acontecimentos e premonições que vão adensando a trama –, sendo que no fim da sua vida D. Constança já está consciente da "traiçao" e consente o
amor proibido entre os que estima ao contrário do Rei, que não é da mesma opinião. D. Inês é então enviada para o Convento de Santa Clara, e assim afastada da corte, que mais tarde pelos actos fatídicos aí cometidos ficará conhecido por Quinta das Lágrimas – estamos em finais de 1345.
![]() |
| Túmulo de D. Pedro I |
No
que respeita a personagens, todas elas estão trabalhadas por forma produzir
entretenimento durante a leitura, e é aqui que se verifica o quão ficcional é
esta obra e as suas lacunas históricas. Ainda assim, no que respeita ao século
XVII, adorei ter descoberto os dramaturgos espanhóis sobre os quais tive
oportunidade de pesquisar um pouco, bem como a oportunidade de conhecer –
embora fantasiosamente – as infâncias de D. Inês e D. Constança, o que me
permitiu igualmente fazer uma nova interpretação do mito.
Estas duas jovens são, de facto, as personagens principais juntamente
com D. Pedro I e para mim foi impossível não me compadecer de todos os intervenientes
deste triângulo amoroso que, em tempo algum, deixam de pensar nas repercussões
dos seus actos preocupando-se, seriamente, com aqueles que estariam a magoar.
Os laços trabalhados são, portanto, uma construção magnífica ao longo do texto
e a minha eleita é sem dúvida D. Constança, talvez a mais inocente e a mais justa, revelando uma sensatez que eu não alcançaria.
![]() |
| Túmulo de Inês de Castro |
Muitas citações de obras referentes ao
romance publicadas ao longo dos tempos, de Camões a Henry de Montherlant, são também parte integrante do livro
pontuando-o magnificamente, principalmente no que respeita às descrições de D. Inês, conhecida pela sua beleza inebriante, pelo seu «colo de graça». (Colo
é pescoço, contemporaneamente esta expressão é dúbia, eu sei.)
Por
tudo o que já disse, fica claro que a escrita de María Pilar Hierro é bastante
atractiva e esta poderia ter sido uma leituras de poucas horas se não me tivesse sido
exigida uma análise pormenorizada da mesma, ainda assim é inegável o prazer que
retirei das descrições de época, das caracterizações e da carga emotiva
presente em todos os momentos.
Como
nota final, quero citar ainda a capa do livro, extraordinária, que representa o
emblemático túmulo mandado construir por D. Pedro I para D. Inês, existe um
para o próprio de frente para o da sua amada onde foi sepultado após a sua
morte, e que marca a coroação de Inês já depois de morta, com homenagem por parte da
corte – os túmulos podem ser visitados no Mosteiro de Alcobaça, local que fiquei
ansiosa por conhecer em breve, e estão representados pelas imagens acima legendadas.
«– Eu te coroo, Inês, Rainha de Portugal. Para que assim sejas reconhecida pela História.», página 135.
Onde começa e acaba o mito é algo que será sempre discutível, inegável é que esta é, sem dúvida, uma das mais belas histórias de amor que o nosso país conheceu.
«– Eu te coroo, Inês, Rainha de Portugal. Para que assim sejas reconhecida pela História.», página 135.
Onde começa e acaba o mito é algo que será sempre discutível, inegável é que esta é, sem dúvida, uma das mais belas histórias de amor que o nosso país conheceu.
Este
livro é uma aposta de qualidade Editorial Presença que eu recomendo, sem
restrições, aos curiosos que deverão ter sempre em atenção de que esta obra tem tanto de
verdade como de ficção. As mais românticas também poderão gostar.
Título:
Inês de Castro
Autora: María Pilar Queralt del
Hierro
Género: Ficção Histórica
Editora: Editorial Presença
Para
mais informações sobre o livro Inês de Castro, clique aqui.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Sinopse:
Matthew
Dicks inspirou-se no imaginário de uma criança autista que conheceu e criou uma
calorosa história de amor e lealdade, narrada por uma personagem improvável:
Budo, o amigo imaginário de Max, o menino autista.
Budo
é uma voz original e inesquecível, pois é capaz de falar sobre a vida, o amor,
a amizade, a infância, a morte, e a paternidade, como uma personagem poderosa e
inteligente dentro da cabeça de uma criança autista.
Mas
os amigos imaginários só podem existir desde que os seus amigos reais continuem
a acreditar neles. Mas um dia Max deixa de acreditar!
E
quando Max fica em perigo, mesmo tendo a criança deixado de acreditar nele,
Budo arrisca tudo, incluindo a sua existência, para salvá-lo, ou melhor
resgatá-lo do que todos à sua volta querem que Max seja e que nunca poderá ser.
Existem
histórias que são indiscutivelmente especiais, são histórias que, para além de
nos falarem ao coração, nos sussurram os pensamentos e nos fazem reflectir
sobre os outros, sobre a nossa visão do mundo quando comparada com a de
terceiros. Memórias de um Amigo Imaginário é assim, um mesclar de realidade e
fantasia inesquecível devido à sua voz singular, marcante pelo seu teor
pertinente, e as suas personagens desiguais, verdadeiras heroínas.
Nesta
narrativa contada por Budo, o amigo imaginário de Max, uma criança autista, fui
por diversas vezes positivamente surpreendida. O primeiro momento em que
realmente me senti fascinada foi, no entanto, perante a criatividade de Matthew
Dicks para dar vida aos sonhos infantis, concebendo o maravilhoso deste texto
com base na imaginação daqueles para quem o mundo ainda é feito de todas as
possibilidades. Assim, conhecemos o faz de conta de um autista inteligente,
extremamente inteligente, que nos dá uma visão da sua realidade que, sendo
próxima da nossa, é repleta de curvas e contracurvas em que as suas atitudes,
emoções e actos de destacam das pessoas comuns, das pessoas menos especiais,
porque na sua imagem de Ser não há espaço para a subjectividade, para a ironia,
para o duplo sentido das nossas múltiplas identidades.
Obviamente
que o autismo, enquanto doença, é o tema que mais se destaca e a forma como se
encontra explorado, em pleno, é perfeita. Todas as perguntas que eu tinha,
sobre o carácter desta peculiaridade, tiveram resposta porque Budo, existindo
como uma criação de Max, nos oferece a sua perspectiva na totalidade, algo que
nenhum autista conseguiria expressar pois essa é uma das características mais
vincadas da doença. Toda esta realidade é oferecida num ambiente diário,
próprio de uma criança, com a qual os pais nem sempre sabem lidar, aceitar até,
mas está principalmente focada no importante contexto escolar, no qual estas
crianças acabam por estar inseridas a maior parte do seu tempo e onde, nem
sempre, tem a sorte de ter o devido acompanhamento – não é o caso.
Os
amigos imaginários, a realidade paralela onde estes se apresentam devido à
prodigiosa concepção dos seus amigos humanos, é o lado fantástico da nossa
história e não fica, de todo, aquém dos muitos sorrisos que a meninice rouba
aos adultos constantemente. Criaturas gigantes, coloridas, imperfeitas na sua
perfeição são parte do que poderão encontrar, com um toque de sobrenatural que
vos deixará a reflectir. Existe, entre outros, um lado mais triste nesta
narrativa mágica, que é o facto de os amigos imaginários só existirem enquanto
as crianças acreditarem na sua existência, desaparecendo depois disso para
parte incerta. Este tema, a morte, é algo fortemente explorado, pelo medo, pela
incerteza de continuidade – algo que todos já meditamos –, é uma questão que
causa ambiguidade de emoções, no leitor, principalmente em Budo que existe
dividido entre o querer permanecer e o desejo de ver o seu amigo crescer,
evoluir.
Outro
dos pontos de que gostei - neste enredo que leva Max, na sua inocência, a um
perigo real nos nossos dias do qual só o seu amigo invisível, incapaz de
interagir com os humanos, o pode salvar –, foi o espelhar não só da bondade e
ingenuidade das crianças, como também do seu lado mais retorcido devido à sua
pureza, falta de filtro, quanto ao que é mais ou menos correcto. Obviamente que
existem meninos mais cruéis, eu pelo menos penso que sim já tendo trabalhado
com crianças, mas de uma forma geral penso que o autor soube mostrar bem como
são estas existências sem a noção da dimensão do mundo, e esse é sem dúvida um
dos valores deste livro.
Por
fim, esta história simples na sua complexidade, de compreensão fácil para
mentes abertas e leitura viciante para quem não se cansa de aprender com os
mais pequenos, podendo refugiar-se num espaço de recordações, não teria o valor
que tem se não fosse a sua escrita prodigiosa aliada à grande fertilidade da mente de Matthew
Dicks.
O
autor foi além das concepções, conheceu o banal e torno-o extraordinário, com
as noções básicas de bem e mal, de afectos e de amor. A amizade, esse bem raro
e cada vez mais incomum, tem uma dimensão enternecedora, cativante, e está
expressa em cada descrição, através visão clara do universo de Budo. É algo de
incondicional, que será sentido, quase vivido pelo próprio leitor.
Este
foi, para mim, um folhear reconfortante e, acima de tudo, gratificante. Aprendi
e emocionei-me, apesar de ter sido uma leitura morosa – por questões externas
às páginas -, desejei muito o final que o autor concebeu para as suas
personagens. Um livro que, definitivamente, recomendo a todos os adultos, com
ou sem crianças, com a certeza que descobriram em Memórias de um Amigo
Imaginário uma visão diferente da sua, uma visão pueril que na vossa maturidade
vos dará sentido.
Esta
é uma aposta Planeta Manuscrito, uma brilhante aposta desta editora que
diversifica para chegar a um público generalizado e que, com esta história,
chegará a todos vós.
Título:
Memórias de um Amigo Imaginário
Autos:
Matthew Dicks
Género:
Ficção
Editora:
Planeta Manuscrito
sábado, 21 de setembro de 2013
Sinopse:
Junho
de 2026. Adam consegue ver números nos olhos das pessoas, que correspondem à
data da sua morte. Mas não pode revelar a ninguém este segredo. Como se não
bastasse viver com aquele terrível dom, as coisas estão prestes a tornar-se
ainda mais difíceis. Adam apercebe-se de que, subitamente, a data da morte de
todos aqueles com quem se cruza é a mesma: 1 de janeiro de 2027.
Sarah,
uma rapariga reservada mas cheia de personalidade, tem uma complicada história
pessoal que a leva a fugir de casa dos pais. Além disso, tem um pesadelo
recorrente e assustador com Adam, mesmo sem nunca o ter visto. Depois de o
conhecer, porém, desenvolve por ele uma forte atração, que não sabe como gerir.
Ambos partilham de premonições semelhantes: fogo, água, morte, destruição, caos.
Algo
tremendo irá acontecer. Algo terrível. Mas o que será? E o que poderão fazer
para impedi-lo?
Rachel
Ward é, na minha opinião, muito assertiva e bem-sucedida no que faz e prova disso
foi o grande impacto pela positiva que o seu primeiro livro teve em mim – que já
li dezenas de livros juvenis dentro do género fantástico.
Não
se coibindo de mostrar a podridão humana, denunciando o que muitos preferem
ignorar e juntando uma componente emocional disfuncional à narrativa, em Números:
O Caos a autora trabalha todos os pontos positivos revelados anteriormente, tão
bem ou melhor que no primeiro livro da trilogia, Números: Luta Contra o Tempo,
com a mais-valia de que este se passa no futuro, acrescentando, desta feira,
tecnologia e problemáticas ambientais que dizem respeito a todos nós.
Os
capítulos são intercalados entre os protagonistas, Adam e Sarah, e uma das
primeiras evidências com que o leitor se depara são as diferenças na vida de
ambos, principalmente no que respeita à influência dos acontecimentos globais
que se desenvolvem a uma velocidade assustadora. Embora o universo da menina
rica esteja longe de ser um paraíso encantado, facto é que a corda rebenta
sempre primeiro no lado dos mais fracos, ou seja na vida de Adam que conhecemos
durante a sua obrigatória fuga - com pouco mais do que aquilo que tem no corpo
e na companhia da sua avó -, devido à subida do nível da água do mar que lhe
levou o passado e o reencaminhou para a fatídica Londres, uma cidade onde a maior
parte da população tem nos olhos a morte marcada para o primeiro dia do Novo Ano, 112027.
Mudou-se
o tempo e os intervenientes mas há coisas que parecem nunca alterar-se, logo
após as primeiras páginas o leitor dá por si a viver um dos dramas do livro
anterior, uma escola repleta de hormonas, um verdadeiro pesadelo para quem está
destinado a estar eternamente no lugar mais baixo da pirâmide social. Este
cenário é igualmente importante por ser o elo que liga Sarah e Adam, dois
jovens assustados que vivem emoções fortes, ainda que diferentes, logo na
primeira troca de olhares - ele vê uma luz entre morte e confusão, ela tem de esconder uma verdade perigosa e vê em Adam o reflexo do seu pior
pesadelo.
Não
querendo alongar-me mais, digo-vos apenas que a ligação entre as personagens
principais é incomum e contraditória, assim como extremamente intensa, algo que
estimula um folhear viciante, pleno de encontros e desencontros, pleno de
questões e abordagens actuais e interessantes.
Não
me vou dedicar muito mais a falar dos protagonistas, em particular, pois embora
estes sejam o foco de toda a história, muitos são os intervenientes secundários
que perfazem a manta de retalhos desta leitura surrealista que me fascinaram e que são
fundamentais para esta seja uma escolha assertada para boas horas de
entretenimento, são disso exemplo Vinny, a imagem de um toxicodependente muito
credível e preso a um ciclo vicioso que é independente da sua vontade - considerei-o um generoso sobrevivente, mas muitos serão o que o irão
considerar fraco -, ou Val, a única personagem que conhecemos do livro anterior, que
está igual a si mesma e traz para o enredo o seu sexto sentido, a visão de
auras, ela é um reflexo de perfeição maculada, de alguém que vive pelos seus e um
exemplo de generosidade rara - ela acredita quando ninguém o faz e isso marca-a
profundamente.
Muitas
mais problemáticas são dignas de atenção e, não podendo citar todas, creio que
é importante referir a pedofilia, a prostituição e o bullying, mas não desanimem, nem tudo é triste, e existem momentos felizes e emoções que vão aquecendo durante o
texto, como é o caso do amor de mãe, as relações de amizade que se estabelecem
e os exemplos de coragem muitas vezes dados pelos protagonistas que, da mesma forma,
dão vida à vertente fantástica explicita na sinopse, a visão de Sarah com Adam
e o seu dom para o desenho, assim como a previsão da morte que que o personagem
principal herdou da sua mãe – Jem, que se destaca na obra anterior.
Por
tudo o que já vos disse, embora esta seja considerada uma narrativa juvenil
está preenchida de momentos fortes, carregados de violência, física e psicológica,
pelo que não é aconselhada aos mais novos, ainda que por outro lado todos os
alertas descritos sejam necessários e importantes.
Rachel
Ward tem uma escrita bastante atractiva, devido aos impactos constantes com que
vai nos vai confrontando, bem como pela acção vertiginosa, imparável, que
acompanha toda a leitura até ao final expectante.
As
suas descrições por vezes são excessivamente direccionadas para os sentimentos
e pensamentos dos protagonistas, ainda que todo o ambiente seja passado para o
expectador, mas não creio que tal seja um defeito dada a singularidade das
personalidades representadas.
Pessoalmente,
gostei bastante do que li e agora só espero que publicação do próximo titula
seja célere. Até lá, desejo que mais leitores tenham em atenção a trilogia
Números, que receio estar a passar um pouco ao lado dos adeptos nacionais deste
género literário.
![]() |
| Livro 1 - Trilogia Números |
Esta
é uma aposta Topseller muito intensa e incomum que eu sugiro, sem qualquer
restrição, a quem goste de histórias passadas num futuro próximo, intensas e
diferentes dentro do maravilhoso.
Números:
Luta Contra o Tempo (Opinião)
Título:
Números: O Caos
Autora:
Rachel Ward
Género:
Fantástico; Ficção
Editora:
Topseller
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Sinopse:
Raphael,
Gardo e Ratazana vivem em Behala, uma lixeira de proporções inimagináveis num
país do Terceiro Mundo. Todos os dias, a sua vida resume-se a passar a pente
fino os detritos provenientes da cidade na esperança de encontrarem algo que
possa ser vendido. Um dia, descobrem uma pequena mala de cabedal que contém
dinheiro e alguns documentos pessoais. Mas a polícia também está interessada em
ficar com a mala, e os três rapazes dão por si a ser perseguidos à medida que
tentam desvendar um caso de corrupção que envolve as mais altas esferas da
sociedade.
Quando
olhei pela primeira vez para o título Trash - Os Rapazes do Lixo soube, de
imediato, que mais tarde ou mais cedo teria de ler esta história, esta ficção
que denuncia uma realidade que não pode ser escondida, uma realidade que deve
chegar a tantos quantos for possível porque, infelizmente, muitos são os que lhe
estão próximos e preferem não ver.
Abrindo-nos as portas para um retrato social anómalo a muitos de nós,
esta é a história de três rapazes, crianças, que têm como único lar uma lixeira de proporções descumunais. Neste local fétido, eles trabalham tanto
quanto lhes é possível para manterem a única condição que conhecem, a miséria em vez da morte pela fome. Têm uma escola, é verdade, uma escola certamente dará algo como
esperança a algumas daquelas crianças, mas não é o caso dos protagonistas,
órfãos que só se têm a si mesmos.
Um
dia, entre excrementos e podridão humana, dois dos três inocentes que irão amar
neste livro encontram uma mala com dinheiro e documentos, dinheiro que lhes
encherá a barriga por uns dias, documentos que são procurados pela polícia.
Quando as autoridades invadem o seu universo só lhes resta a mentira ou a fome
e os mistérios de uma carta, uma carta sofrida através das palavras de um pai
morto que teme pela sua filha, uma carta que compadece aqueles por quem já o
leitor se comoveu, dando início a algo maior, algo que denuncia a verdade e que
mudará a vida destes meninos para sempre.
Nem
sei por onde começar.
Por
assistir a uma novela que passa num canal generalista, tinha de antemão
conhecimento desta realidade pobre, uma realidade ingrata para aqueles que não
têm quem zele por si e este, leitores, é o primeiro agradecimento que poderão
vir a fazer durante a vossa leitura. Este livro, no entanto, é mais cru - a
palavra escrita toca-me sempre mais -, é mais forte emocionalmente porque
denuncia culpados de peso, culpados que poderiam fazer a diferença em países de
terceiro mundo.
Raphael,
Gardo e Ratazana são exemplos de crianças brilhantes, crianças que seriam um
dia úteis a uma sociedade mas que, por falta de oportunidade, não são nem nunca
serão ninguém. Enquanto personagens eles são encantadores. Espertos como muito
poucos, como os poucos que sem ter nada utilizam tudo como recurso. A sua
meninice, ingenuidade e coragem derrotaram-me, revoltaram-me e fizeram-me
pensar muito na minha própria existência, por isso, embora este seja um livro
da Colecção Noites Claras da Editorial Presença, indicada para um público
juvenil, é a gente graúda que Raphael, Gardo e Ratazana têm que chegar. São
intervenientes que não dão grande margem a desenvolvimento ou divagação sobre o
seu carácter, mas que representam na perfeição um papel anónimo.
A
narrativa, segundo as notas finais do próprio autor, é baseada numa lixeira de
Manila, nas Filipinas, um local que certamente não deverei visitar sob o risco
de me perder lá para todo o meu sempre.
Mais
do que falar de indigência, esta é uma história sobre corrupção, corrupção
daqueles que são a cara do poder, daqueles que se colocam num pedestal e por aí
ficam sem o peso na consciência relativo aos que não têm nada, aos que se
distribuem por valas comuns, aos ninguéns morrem todos os dias sem direito,
sequer, ao espaço garantido a sete palmos debaixo do chão.
É
muito triste, e pela tristeza que sinto custa-me escrever, desculpem-me.
Não
concebo os que se calam, não concebo que os que têm pouco, e podem fazer uma
centelha por vidas, se mantenham com o pouco em troca de nada.
A polícia,
comprada. O governo contaminado. A comunicação social reprimida. E nos pequenos
muitos sorrisos, sorrisos fáceis por estarem unicamente vivos.
A
escrita de Andy Mulligan não é muito simples, mas merece toda a tenção e
dedicação do leitor. Escrito na primeira pessoa, este texto tem como principais
narradores os protagonistas, mas também algumas das almas generosas que,
voluntariamente ou involuntariamente, participaram nas suas aventuras.
As
descrições são o mais realista possíveis, e não é preciso muito para que quem
lê se sinta repudiado pelo cheiro agridoce e enjoativo do podre e do estrume.
É dada a ver a miséria de qualquer país sem saneamento nas zonas mais
carenciadas e a esterilidade que nunca chega a ser bela do lado oposto, do lado
dos que tiram o pão de quem nada tem para comer.
No
fim da vossa leitura, sentirão que no meio do erro está tudo bem, está tudo bem
porque Andy Mulligan pôs sal na ferida.
Quando
a mim acho que deixei, excepcionalmente, de saber escrever uma opinião
literária. Sinto-me apenas frustrada e revoltada, o pior de tudo, impotente
face a um virar de páginas viciante pela incerteza, pelo medo, que senti por
todas as crianças representadas nesta história.
Convido-vos
a visitar o site do autor dedicado a este livro - aqui. E
o vídeo relativo ao livro - aqui.
Uma
história sobre crianças mas que abrirá os olhos a muitos adultos e que eu
recomendo, veemente, a quem procure algo mais do que entretimento.
Uma
publicação Editorial Presença que eu desejei muito ler, que não me arrependo
minimamente de ter lido, porque existem histórias que têm de ser conhecidas por
todos.
Título:
Trash - Os Rapazes do Lixo
Autor:
Andy Mulligan
Género:
Ficção; Juvenil
Editora:
Editorial Presença
Para
comprar o livro Trash - Os Rapazes do Lixo, clique aqui.
domingo, 18 de agosto de 2013
Sinopse:
Jamie
Carpenter tem 16 anos e perdeu o pai há pouco tempo. No mesmo dia em que
descobre que a sua mãe foi raptada por um vampiro, é salvo por uma criatura
gigante que diz chamar-se Frankenstein e que o leva para o Departamento 19, a
agência supersecreta do governo.
Conhecida
também por Luz Negra, esta agência foi fundada há mais de um século por Van
Helsing e outros sobreviventes de Drácula para combater as forças do
sobrenatural. Com a ajuda da agência, de Frankenstein e de uma jovem vampira
por quem se apaixona, Jamie vai fazer tudo para salvar a sua mãe, mesmo sabendo
que terá de enfrentar um exército de vampiros sedentos de violência, sangue e
destruição.
Mas
que grande, grande surpresa se revelou esta história! Eu já sabia que Will Hill
tinha escrito uma narrativa de fantasia onde abundavam vampiros e imensos
clichés - afinal de contas, nomes sonantes como Van Helsing, Frankenstein e Drácula
estão citados na sinopse -, mas fiquei positivamente admirada com o resultado
final, refrescante, que põe de parte todo o embelezamento que ultimamente é
atribuído ao paranormal, trazendo de volta os monstros de sempre para deleite
dos leitores sequiosos de algum horror e sugadores de sangue à séria!
Como acontece em muitos livros para jovens adultos, este texto começa
com um adolescente, Jamie, que viu o seu pai
morrer inesperadamente e, deste então, sofre a repercussões desse facto -
com a temática do bulling a ser brevemente abordada.
Dois
anos mais tarde, e com muita turbulência familiar e emocional à mistura, o
impossível acontece e um dia Jamie é surpreendido por uma miúda estranha que o devia
matar mas não mata e, em vez disso, o alerta que corre perigo. Chegando a casa,
a pensar que o mundo enlouqueceu de vez, o nosso protagonista descobre que a sua mãe está
desaparecida, que um vampiro está rebentar as janelas da sua sala de estar e,
para cúmulo, que o seu único salvador é uma criatura assustadora que diz ser o Frankenstein e o quer resgatar para um ligar seguro. Enfim, depois disto é o Departamento
19 e o caos como devem imaginar - fim de história juvenil e
início de livro para gente graúda.
Com laivos de ficção científica, muitos pormenores fantásticos e sangue
que nunca mais acaba, este texto contemporâneo oferece ao seu leitor uma continuação ao final do clássico Drácula,
onde não poderia faltar o mítico caçador Van Helsing e alguns amigos prontos para o ajudar
a combater o mal recentemente descoberto à face da Terra - isto no passado,
obviamente, que muito bem inserido no presente nos permite compreender o papel
da nova geração de que o protagonista faz parte. Desta feita, as personagens são mais que muitas
e estão longe de se ficar pelo novato e corajoso Jamie, que nos vai relatando o seu pânico crescente
enquanto teme pela vida da mãe. Os vampiros são imensos e, na sua maioria, acabam mortos depois de matarem muitos mais, claro! A estes juntam-se
caçadores experientes e treinados pelo Estado Britânico, que até hoje mantêm em absoluto secretismo o seu Departamento 19 formado há mais de 100 anos.
Claro
que eu enquanto leitora adorei o Frankenstein, não é de hoje que tenho uma
queda por este senhor com parafusos a mais e, creio, que quem leu a história de
Mary Shilley ficará contente com a forma como esta personagem se enquadra neste livro. Larissa
é outro dos intervenientes de que gostei, porque sou uma eterna romântica e adoro
fabulações sentimentalistas e impossíveis e, por fim, gostei de Alexandru
Rusmanov, um vampiro da velha guarda completamente sádico e que preenche na perfeição
outra das minhas adorações ficcionais, violência com fartura - e dito assim
devo ter algum distúrbio, adiante.
Uma das mais-valias de Departamento 19 está na forma como concilia o
clássico com o moderno, rescrevendo e aliando diversas histórias de terror, que
na actualidade se transformam em algo único cheio de acção e brutalidade que
chegará a um público mais alargado. Obviamente que tudo isto é feito de uma
forma breve, sem a psicologia e intensidade das narrativas originais, mas a sua
criatividade compensa e a mim apraz-me a inovação.
A
forma como estão representadas as criaturas já conhecidas do leitor, no século
XIX, é outro factor de que também gostei, particularmente no que respeita aos
vampiros em geral. São brutais, sem qualquer tipo de lirismo e proporcionam
momentos arrepiantes - desmembrações, possessão psicológica violenta e o
fascínio/controlo sobre a raça humana são um pouco do que irão encontrar.
Por
fim, quero citar ainda o Departamento 19 em si, como entidade original e
bastante evoluída cientificamente. A sua base, a sua forma de actuar e o seu
sigilo são interessantes, dando ao impossível uma credibilidade que sustenta o restante enredo.
Em
suma, um livro indicado para quem gosta de ficção fantástica e não se
impressiona facilmente, onde poderá contar com muitas horas de adrenalina,
mistérios interessantes e cenas retiradas de um qualquer pesadelo, sendo que o
romance é praticamente inexistente e a crueldade garantida.
Quanto à escrita de Will Hill esta é
acessível e pouco descritiva, privilegiando a acção e o
acréscimo de informação constantemente.
As
lutas estão particularmente bem desenvolvidas, assim como as emoções da
personagem principal, e são perceptíveis os cenários diversos onde tudo
acontece, pelo que nada tenho a apontar.
Gostava,
no entanto, de reafirmar a singularidade da imaginação do autor que, não
oferecendo nada de novo, é cuidadoso para que esta história seja harmoniosa, quer
se conheça ou não os clássicos em que se baseou para criar este livro.
Quanto
a mim, penso que ficou claro que gostei bastante e espero, em breve, ver publicados os restantes livros da série Departamento 19 que já conta com três
livros publicados e uma short story sobre Larissa.
Convido-vos ainda a visitar o interessante site dedicado à série - AQUI -, e ainda o site do próprio autor onde podem acompanhar as novidades sobre a sua escrita - o link encontra-se na coluna do lado direito do blogue dedicada aos Autores das
Histórias.
Uma
boa aposta Topseller, para um público variado, que vem trazer algo de novo ao universo
vampírico actual com uma história, tão violenta quanto sangrenta, que não
deixará indiferentes os amantes desta espécie.
Título:
Departamento 19
Autor:
Will Hill
Género:
Fantástico; Horror; Ficção
Editora:
Topseller
Subscrever:
Mensagens
(
Atom
)
Autores das Histórias:
- Alexandra Adornetto
- Alison Bechdel
- Alison Lucy
- Alyson Noel
- Amanda Hocking
- Amy Bratley
- Amy Hatvany
- Ana María Matute
- Andrea Cremer
- Andrea Hirata
- Andrew Kaufman
- Andy Mulligan
- Andy Weir
- Anita Shreve
- Ann Brashares
- Anna McPartlin
- Anna Randol
- Anne Bishop
- Anne Fortier
- Aprilynne Pike
- Arthur de Pins
- Barbara Bretton
- Barbara Mutch
- Becca Fitzpatrick
- Bella Andre
- Beth Harbinson
- Bridget Asher
- Bryan Lee O'Malley
- Carlos Ruiz Zafón
- Carolina Aguirre
- Carolyn Turgeon
- Carrie Jones
- Carrie Ryan
- Cassandra Clare
- Cathy Kelly
- Charlaine Harris
- Charles Dubow
- Chris Cleave
- Chris Priestley
- Christian MØrk
- Christina Lauren
- Christine Feehan
- Claire Corbett
- Claudia Gray
- Colleen Hoover
- Colleen Houck
- Cynthia Hand
- Daisy Whitney
- Daniel Glattauer
- Daniel Oliveira
- David Basdacci
- David Soares
- David Whitley
- Dean Koontz
- Deborah Smith
- Diana Peterfreund
- Domenica De Rosa
- E L James
- E. Lockhart
- Eliabeth Adler
- Elisabetta Gnone
- Elizabeth Edmondson
- Elizabeth Hoyt
- Ellen Degeneres
- Eloisa James
- Emma Chase
- Emma Wildes
- Eve Berlin
- Fay Weldon
- Federico Moccia
- Fern Michaels
- Filipe Faria
- Francisco Salgueiro
- Francisco X. Stork
- Gabriel García Márquez
- Gabriele Picco
- Gabriella Pierce
- Gabrielle Lord
- George R. R. Martin
- Gillian Shields
- Glen Duncan
- Graham Joyce
- Holly Black
- Hugh Howey
- Isaac Marion
- J. A. Redmerski
- J. R. Ward
- James Dashner
- James Dashner
- James Frey
- James Patterson
- Jamie McGuire
- Jean Giono
- Jennifer Armintrout
- Jennifer Haymore
- Jennifer L. Armentrout
- Jenny Han
- Jill Mansell
- John Green
- Josephine Angelini
- João Ricardo Pedro
- Jude Deveraux
- Julia Quinn
- Julianna Baggott
- Juliet Marillier
- Juliette Benzoni
- Justin Cornin
- Kami Garcia & Margaret Stohl
- Karen Kingbury
- Karen Moning
- Karen Thompson Walker
- Kasie West
- Kasie West
- Kate Morton
- Kathryn Smith
- Kerstin Gier
- Kiera Cass
- Kiersten White
- Kishwar Desai
- Kresley Cole
- Kristen Painter
- Kristen Painter
- L. J.Smith
- L. Marie Adeline
- Lara Adrian
- Laura Lee Guhrke
- Laurell K. Hamilton
- Lauren DeStefano
- Lauren Kate
- Lauren Oliver
- Laurie Halse Anderson
- Leigh Bardugo
- Lesley Pearse
- Lia Habel
- Libba Bray
- Lisa Kleypas
- Lisa Verge Higgins
- Lissa Price
- Luanne Rice
- Machado de Assis
- Madeleine L' Engle
- Madeline Hunter
- Marc Levy
- Mari Jungstedt
- Marie Lu
- Marion Zimmer Bradley
- Marissa Meyer
- Marjane Satrapi
- Markus Zusak
- Mary Balogh
- María Pilar Hierro
- Mathias Malzieu
- Matt Haig
- Matthew Dicks
- Megan Maxwell
- Melissa Hill
- Melissa Marr
- Menna Van Praag
- Michael Baron
- Michael Grant
- Michelle Holman
- Michelle Jackson
- Nancy Thayer
- Natasha Solomons
- Nicolas Barreau
- Nicole Jordan
- Nils Johnson-Shelton
- Noelia Amarillo
- Nora Roberts
- P. C. Cast
- P. C. Cast e Kristin Cast
- Patricia Briggs
- Patricia Scanlan
- Paulo Fonseca
- Peter Cameron
- Peter V. Brett
- Philippa Gregory
- Pittacus Lore
- R. J. Palacio
- Rachel Hawkins
- Rachel Ward
- Ransom Riggs
- Raphael Draccon
- Ray Bradbury
- Raymond Chandler
- Raymond E. Feist
- Rebecca Johns
- Rhiannon Lassiter
- Richelle Mead
- Ricky Yancey
- Robison Wells
- Rosa Montero
- Rosemary Clement-Moore
- Sally Green
- Sandra Carvalho
- Sara Gruen
- Sarah Addison Allen
- Sarah Dunant
- Sarah Pekkanen
- Sarah Sundin
- Scott Westerfeld
- Sherrilyn Kenyon
- Sherry Thomas
- Sophie Jordan
- Sophie Kinsella
- Sophie McKenzie
- Stephanie Perkins
- Susanna Kearsley
- Susanne Winnacker
- Suzanne Collins
- Sylvia Day
- T. A. Barron
- Tamara Ireland Stone
- Tara Moore
- Taylor Stevens
- Teresa Medeiros
- Tessa Gratton
- Thomas E. Sniegoski
- Tiago Rebelo
- Tom Perrotta
- Tracey Garvis Graves
- Tracy Bloom
- Trisha Ashley
- Vasco Ricardo
- Veronica Henry
- Veronica Rossi
- Veronica Roth
- Will Hill
- Wolfgang Herrndorf























.jpg)






