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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sinopse:
A descoberta dos Açores, e todo o mistério e aventura que a envolveu, foi o mote para esta obra em dois volumes de Sandra Carvalho. O Olhar do Açor é uma narrativa que entretece com mestria verdade histórica e ficção, a realidade da sociedade portuguesa do século XV e a fantasia das personagens e dos cenários imaginados pela autora. Neste primeiro volume, que se centra nas histórias de vida dos fidalgos, ganham principal relevância as figuras de Constance, uma nobre inglesa enviada para Portugal para se casar com Gonçalves Vaz, senhor da valiosa herdade de Águas Santas; Nuno Garcia, um corsário implacável; Leonor, fruto ilegítimo da paixão de Constance e de Diogo, o jovem corajoso, protegido de Nuno Garcia e que Constance conhece durante a viagem, Guida, a escrava negra que cresceu com Leonor, e Tomás Rebelo, o fidalgo malévolo que deseja assenhorear-se de Águas Santas.

Embora há alguns anos tenha tido a oportunidade de ler uma boa parte de A Saga das Pedras Mágicas e estar ciente das qualidades de Sandra Carvalho, confesso que não sabia o que esperar do primeiro título da sua obra em duas partes, Crónicas da Terra e do Mar, num registo que tende à ficção história – não me desiludi.
Como a maré enchente que vai conquistando cadenciadamente o seu pedaço de areia até atingir a plenitude da maré cheia, O Olhar do Açor foi uma leitura que me foi cativando progressivamente até ao seu final, emocionante, através da sua verosimilhança, dos seus momentos de tensão, com acção constante, plenos de incertezas e pela sua história tão mágica quanto enternecedora, digna de um verdadeiro conto-de-fadas, que principia a narração.

Decorrendo na primeira metade do século XV, o enredo começa por nos mostrar uma Constança, jovem, a embalar a sua pequena Leonor com uma história de amor entre uma dama e um pirata, uma história que a própria jurou guardar em segredo, esquecer, pela sua honra e salvação. Anos mais tarde, é possível observar a evolução e amadurecimento desta protagonista, uma mulher corajosa e forte, apesar de sofrida, uma mulher que estima e acarinha os seus e temerosa pelo futuro, por tudo o que sabemos do seu passado. É impossível não admirar Constança quando, mais sapiente, assistimos às relações que desenvolveu com diversas personagens – há um salto temporal de 13 anos.

Leonor e Guida, senhora e serva, melhores amigas, depressa conquistam o lugar de heroínas outrora pertencente à mãe da primeira.
Protegidas da crua realidade para lá da herdade de Gonçalves Vaz, e apesar de saberem defender-se, são as preocupações do coração que apoquentam estas donzelas, Leonor em particular como futura senhora de Águas Santas, uma das terras mais cobiçadas pela coroa devido às qualidades milagrosas da sua água.
Longe de adivinharem o futuro, fidalga e protegida, partilham a inocência, as paixões e a curiosidade e só posteriormente, quando os perigos se revelam em catadupa e a desgraça for rainha, partilharão a coragem dos mais sóbrios, a sagacidade da sobrevivência e as lágrimas da perda, unidas por um forte laço que as ajudará a ultrapassar todas as dificuldades numa aventura retirada de um verdadeiro pesadelo.

Os intervenientes secundários, com mais ou menor influência na acção, dividem-se entre rebeldes, valorosos guerreiros e fidalgos, entre piratas, bruxos e apaixonados, todos eles com a capacidade de despertar diferentes emoções no leitor. Dito isto, é um livro rico pela diversidade de papéis representados, figuras que espelham na perfeição a multiplicidade dos vários trunfos contidos na narrativa de Sandra Carvalho.

Uma das questões mais fascinantes, pelo menos para os adeptos de literatura fantástica, tem que ver com a aura sombria que se vai entranhando nos primeiros desenvolvimentos, com uma superstição latente que vaticina algo maligno que dará lugar ao inexplicável, uma espécie de magia branca e magia negra, o bem e o mal em doses diferentes e por diferentes elementos que causam expectativa e aguçam a imaginação.

Lendas, boatos e verdades entrelaçam-se entre intrigas, num relato plausível que mistura realidade e ficção, ganham vida quer seja num ambiente pastoril ou na Lisboa dos malfadados, cenários que permitem visualizar de forma sensitiva os acontecimentos e estabelecem empatia com as personagens.


Em suma, uma ficção histórica de aventura que chega com igual facilidade a jovens e adultos, onde é oferecida diversidade de acção, romance e fantasia, através de um enredo cuidado que mitiga a vontade de saber mais.

A escrita de Sandra Carvalho é primorosa durante todo o texto, intercalando momentos de maior descrição com diálogos que fluem com simplicidade.
Gostei das suas singularidades, são disso exemplo as notas de rodapé, a atenção especial dedicada às emoções e a ausência de embelezamento neste retrato de tempos difíceis. 

Pessoalmente, depois deste título passado em terra, aguardo ansiosamente a continuação que nos dará uma maior visão da vida no mar onde, creio, não faltaram corsários e bravos marinheiros. Vingança, amor e adversidades farão, certamente, as delícias de todos os que se apaixonarem pela árdua demanda de Leonor e Guida.

Esta é uma boa aposta Editorial Presença numa autora nacional de talento, que sugiro sem restrições aos fãs deste género.


Título: O Olhar do Açor
Autora: Sandra Carvalho
Género: Ficção história; Romance; Fantasia
Editora: Editorial Presença

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Sinopse:
Inês, com apenas dez anos contempla o cenário onde terá início o primeiro acto de uma tragédia que ficará para a história como uma das mais belas histórias de amor de sempre. A sua ama, pronuncia as palavras que o destino se encarregará de cumprir - «um príncipe amar-te-á pelo teu colo de garça e pelos teus cabelos loiros e as tuas fontes virão a ser cingidas por uma coroa real».
No castelo de Peñafiel, Inês e Constança tornar-se-ão irmãs de alma, unidas pelo mesmo amor - D. Pedro. E se um dia mais tarde o príncipe português casar-se-á com Constança respeitando-a pela sua serenidade é a Inês que amará perdidamente – «Inês era a força da cascata, o rumor do mar enraivecido, o roçar do vento quando o cavalo se lança a galope». A morte de D. Constança afasta momentaneamente os dois amantes, mas será então que Pedro e Inês irão viver, na idílica Quinta das Lágrimas, as horas mais felizes do seu infortunado amor. Mas o destino lança nos corações de alguma nobreza as facas da ambição que irão atraiçoar e manchar de sangue o esbelto pescoço de Inês.
A beleza lendária de Inês de Castro foi captada na perfeição por esta autora, numa obra que ficará certamente na memória do leitor.

Quando me foi dada a oportunidade de escolher uma narrativa para apresentar sobre um mito nacional, para uma cadeira da faculdade, não primei certamente pela originalidade mas, definitivamente, por um lado meu que vocês já conhecem, um lado que não resiste a uma bonita história comandada pelo coração.
A tragédia de Inês de Castro foi o mito escolhido e, acreditem, difícil foi escolher qual o livro, o tipo de abordagem que desejava fazer ao tema, pois existem dezenas, talvez centenas de opções, nas mais variadas línguas e com múltiplas nuances interessantes – mais ou menos distantes da pseudo-realidade.
A escolha da obra de María Pilar Hierro teve como principal factor o aconselhamento de uma amiga, mas também o reduzido número de páginas, o facto de tender mais para a ficção do que para os factos históricos e ainda a biografia da autora – licenciada em História Moderna e Contemporânea.

O enredo é conhecido de todos e tem uma intemporalidade afectiva que marca pela diferença na época em que desenvolve a acção, uma época em que pouco se ousava ou pensava em sentimentos, pois tudo era decidido em prol do que fosse mais benéfico para o reino. 
Ao contrário do que esperava, esta história surpreendeu-me por não se fixar apenas no romance entre D. Inês de Castro e D. Pedro I,  o que na minha opinião é uma característica louvável e que distingue este livro de alguns dos seus homónimos – assim como a sua divisão capitular, em sete partes distintas, que prodigiosamente permitem a idealização cadenciada de todo universo trágico.

A primeira parte da narrativa e o início da segunda situam-se no ano de 1622 e têm como personagens principais um cavaleiro errante e desconhecido, que se oferece para contar pormenorizadamente a história de D. Inês a dois dramaturgos espanhóis do Siglo de Oro espanhol, D. Luis Vélez de Guerava e D. Félix Lope de Vega y Carpio – que mais tarde serão conhecidos e aclamados, em parte, pelas suas peças dedicadas ao drama nacional, Reinar Después de Morir e Inés de Castro, respectivamente.
A essência de todo o livro assenta, portanto, na forma como envolve factos verídicos com mitológicos, e por consequência ficcionais, com séculos de distância e que têm a capacidade de perdurar na memória, na mente de quem escuta o mito, até aos dias hoje, permitindo que o leitor se enleie e conjecture sobre o que realmente poderá ter acontecido aos amantes e aos dramaturgos.

Para os mais interessados no romance principesco, é mais ou menos a meio do segundo capítulo que o misterioso cavaleiro, pedindo para não ser interrompido por Vélez e Lope, nos transporta no tempo para o ano 1320 quando se dá o nascimento da protagonista, passando para 1330 onde narra o começo de uma amizade profunda com o florescer da juventude e por aí em diante, sempre marcando com fidelidade e especial atenção os pontos-chave que predestinaram o destino fatídico de A Castro
Quanto à intriga, muito sucintamente, D. Constança Manuel é prometida ao príncipe D. Pedro I, filho do Rei de Portugal D. Afonso IV, sendo assim encaminhada para Lisboa e levando consigo a sua fiel amiga, como que irmã, D. Inês de Castro. A chegada de ambas ao Castelo de São Jorge, morada dos monarcas em Lisboa, é marcada pelos olhares cruzados entre as donzelas e o príncipe, que fazem com que D. Inês caia de amores pelo futuro marido da sua amiga bem como este por si.
Dá-se o casamento entre os prometidos e durante os anos de matrimónio há dois ou três encontros fatais entre D. Inês e D. Pedro I – aos quais se junta uma grande sucessão de acontecimentos e premonições que vão adensando a trama –, sendo que no fim da sua vida D. Constança já está consciente da "traiçao" e consente o amor proibido entre os que estima ao contrário do Rei, que não é da mesma opinião. D. Inês é então enviada para o Convento de Santa Clara, e assim afastada da corte, que mais tarde pelos actos fatídicos aí cometidos ficará conhecido por Quinta das Lágrimas – estamos em finais de 1345.

Túmulo de D. Pedro I
Não sei até que ponto corro o risco de já ter cometido ou vir a cometer spoilers, mas esta história é de cultura geral e penso que todos conhecem como termina – os amantes vivem felizes durante 7 anos, têm três filhos bastardos e no fim D. Inês é degolada a mando do Rei, o que leva a que D. Pedro I se insurja contra o seu pai ficando com o cognome O Justiceiro.

No que respeita a personagens, todas elas estão trabalhadas por forma produzir entretenimento durante a leitura, e é aqui que se verifica o quão ficcional é esta obra e as suas lacunas históricas. Ainda assim, no que respeita ao século XVII, adorei ter descoberto os dramaturgos espanhóis sobre os quais tive oportunidade de pesquisar um pouco, bem como a oportunidade de conhecer – embora fantasiosamente – as infâncias de D. Inês e D. Constança, o que me permitiu igualmente fazer uma nova interpretação do mito.
Estas duas jovens são, de facto, as personagens principais juntamente com D. Pedro I e para mim foi impossível não me compadecer de todos os intervenientes deste triângulo amoroso que, em tempo algum, deixam de pensar nas repercussões dos seus actos preocupando-se, seriamente, com aqueles que estariam a magoar. Os laços trabalhados são, portanto, uma construção magnífica ao longo do texto e a minha eleita é sem dúvida D. Constança, talvez a mais inocente e a mais justa, revelando uma sensatez que eu não alcançaria.

Túmulo de Inês de Castro
Outra das mais-valias desta história é poder ser lida por qualquer leitor sem a preocupação ou morosidade muitas vezes imposta pelos livros históricos, pois exceptuando quem não goste de drama, esta é uma escolha assertiva.

Muitas citações de obras referentes ao romance publicadas ao longo dos tempos, de Camões a Henry de Montherlant, são também parte integrante do livro pontuando-o magnificamente, principalmente no que respeita às descrições de D. Inês, conhecida pela sua beleza inebriante, pelo seu «colo de graça». (Colo é pescoço, contemporaneamente esta expressão é dúbia, eu sei.)

Por tudo o que já disse, fica claro que a escrita de María Pilar Hierro é bastante atractiva e esta poderia ter sido uma leituras de poucas horas se não me tivesse sido exigida uma análise pormenorizada da mesma, ainda assim é inegável o prazer que retirei das descrições de época, das caracterizações e da carga emotiva presente em todos os momentos.

Como nota final, quero citar ainda a capa do livro, extraordinária, que representa o emblemático túmulo mandado construir por D. Pedro I para D. Inês, existe um para o próprio de frente para o da sua amada onde foi sepultado após a sua morte, e que marca a coroação de Inês já depois de morta, com homenagem por parte da corte – os túmulos podem ser visitados no Mosteiro de Alcobaça, local que fiquei ansiosa por conhecer em breve, e estão representados pelas imagens acima legendadas.
«– Eu te coroo, Inês, Rainha de Portugal. Para que assim sejas reconhecida pela História.», página 135.

Onde começa e acaba o mito é algo que será sempre discutível, inegável é que esta é, sem dúvida, uma das mais belas histórias de amor que o nosso país conheceu
Este livro é uma aposta de qualidade Editorial Presença que eu recomendo, sem restrições, aos curiosos que deverão ter sempre em atenção de que esta obra tem tanto de verdade como de ficção. As mais românticas também poderão gostar.

Título: Inês de Castro
Autora: María Pilar Queralt del Hierro
Género: Ficção Histórica

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Sinopse:
Matthew Dicks inspirou-se no imaginário de uma criança autista que conheceu e criou uma calorosa história de amor e lealdade, narrada por uma personagem improvável: Budo, o amigo imaginário de Max, o menino autista.
Budo é uma voz original e inesquecível, pois é capaz de falar sobre a vida, o amor, a amizade, a infância, a morte, e a paternidade, como uma personagem poderosa e inteligente dentro da cabeça de uma criança autista.
Mas os amigos imaginários só podem existir desde que os seus amigos reais continuem a acreditar neles. Mas um dia Max deixa de acreditar!
E quando Max fica em perigo, mesmo tendo a criança deixado de acreditar nele, Budo arrisca tudo, incluindo a sua existência, para salvá-lo, ou melhor resgatá-lo do que todos à sua volta querem que Max seja e que nunca poderá ser.

Existem histórias que são indiscutivelmente especiais, são histórias que, para além de nos falarem ao coração, nos sussurram os pensamentos e nos fazem reflectir sobre os outros, sobre a nossa visão do mundo quando comparada com a de terceiros. Memórias de um Amigo Imaginário é assim, um mesclar de realidade e fantasia inesquecível devido à sua voz singular, marcante pelo seu teor pertinente, e as suas personagens desiguais, verdadeiras heroínas.

Nesta narrativa contada por Budo, o amigo imaginário de Max, uma criança autista, fui por diversas vezes positivamente surpreendida. O primeiro momento em que realmente me senti fascinada foi, no entanto, perante a criatividade de Matthew Dicks para dar vida aos sonhos infantis, concebendo o maravilhoso deste texto com base na imaginação daqueles para quem o mundo ainda é feito de todas as possibilidades. Assim, conhecemos o faz de conta de um autista inteligente, extremamente inteligente, que nos dá uma visão da sua realidade que, sendo próxima da nossa, é repleta de curvas e contracurvas em que as suas atitudes, emoções e actos de destacam das pessoas comuns, das pessoas menos especiais, porque na sua imagem de Ser não há espaço para a subjectividade, para a ironia, para o duplo sentido das nossas múltiplas identidades.

Obviamente que o autismo, enquanto doença, é o tema que mais se destaca e a forma como se encontra explorado, em pleno, é perfeita. Todas as perguntas que eu tinha, sobre o carácter desta peculiaridade, tiveram resposta porque Budo, existindo como uma criação de Max, nos oferece a sua perspectiva na totalidade, algo que nenhum autista conseguiria expressar pois essa é uma das características mais vincadas da doença. Toda esta realidade é oferecida num ambiente diário, próprio de uma criança, com a qual os pais nem sempre sabem lidar, aceitar até, mas está principalmente focada no importante contexto escolar, no qual estas crianças acabam por estar inseridas a maior parte do seu tempo e onde, nem sempre, tem a sorte de ter o devido acompanhamento – não é o caso.

Os amigos imaginários, a realidade paralela onde estes se apresentam devido à prodigiosa concepção dos seus amigos humanos, é o lado fantástico da nossa história e não fica, de todo, aquém dos muitos sorrisos que a meninice rouba aos adultos constantemente. Criaturas gigantes, coloridas, imperfeitas na sua perfeição são parte do que poderão encontrar, com um toque de sobrenatural que vos deixará a reflectir. Existe, entre outros, um lado mais triste nesta narrativa mágica, que é o facto de os amigos imaginários só existirem enquanto as crianças acreditarem na sua existência, desaparecendo depois disso para parte incerta. Este tema, a morte, é algo fortemente explorado, pelo medo, pela incerteza de continuidade – algo que todos já meditamos –, é uma questão que causa ambiguidade de emoções, no leitor, principalmente em Budo que existe dividido entre o querer permanecer e o desejo de ver o seu amigo crescer, evoluir.

Outro dos pontos de que gostei - neste enredo que leva Max, na sua inocência, a um perigo real nos nossos dias do qual só o seu amigo invisível, incapaz de interagir com os humanos, o pode salvar –, foi o espelhar não só da bondade e ingenuidade das crianças, como também do seu lado mais retorcido devido à sua pureza, falta de filtro, quanto ao que é mais ou menos correcto. Obviamente que existem meninos mais cruéis, eu pelo menos penso que sim já tendo trabalhado com crianças, mas de uma forma geral penso que o autor soube mostrar bem como são estas existências sem a noção da dimensão do mundo, e esse é sem dúvida um dos valores deste livro.


Por fim, esta história simples na sua complexidade, de compreensão fácil para mentes abertas e leitura viciante para quem não se cansa de aprender com os mais pequenos, podendo refugiar-se num espaço de recordações, não teria o valor que tem se não fosse a sua escrita prodigiosa aliada à grande fertilidade da mente de Matthew Dicks.
O autor foi além das concepções, conheceu o banal e torno-o extraordinário, com as noções básicas de bem e mal, de afectos e de amor. A amizade, esse bem raro e cada vez mais incomum, tem uma dimensão enternecedora, cativante, e está expressa em cada descrição, através visão clara do universo de Budo. É algo de incondicional, que será sentido, quase vivido pelo próprio leitor.

Este foi, para mim, um folhear reconfortante e, acima de tudo, gratificante. Aprendi e emocionei-me, apesar de ter sido uma leitura morosa – por questões externas às páginas -, desejei muito o final que o autor concebeu para as suas personagens. Um livro que, definitivamente, recomendo a todos os adultos, com ou sem crianças, com a certeza que descobriram em Memórias de um Amigo Imaginário uma visão diferente da sua, uma visão pueril que na vossa maturidade vos dará sentido.

Esta é uma aposta Planeta Manuscrito, uma brilhante aposta desta editora que diversifica para chegar a um público generalizado e que, com esta história, chegará a todos vós.


Título: Memórias de um Amigo Imaginário
Autos: Matthew Dicks
Género: Ficção


sábado, 21 de setembro de 2013

Sinopse:
Junho de 2026. Adam consegue ver números nos olhos das pessoas, que correspondem à data da sua morte. Mas não pode revelar a ninguém este segredo. Como se não bastasse viver com aquele terrível dom, as coisas estão prestes a tornar-se ainda mais difíceis. Adam apercebe-se de que, subitamente, a data da morte de todos aqueles com quem se cruza é a mesma: 1 de janeiro de 2027.
Sarah, uma rapariga reservada mas cheia de personalidade, tem uma complicada história pessoal que a leva a fugir de casa dos pais. Além disso, tem um pesadelo recorrente e assustador com Adam, mesmo sem nunca o ter visto. Depois de o conhecer, porém, desenvolve por ele uma forte atração, que não sabe como gerir. Ambos partilham de premonições semelhantes: fogo, água, morte, destruição, caos.
Algo tremendo irá acontecer. Algo terrível. Mas o que será? E o que poderão fazer para impedi-lo?


Rachel Ward é, na minha opinião, muito assertiva e bem-sucedida no que faz e prova disso foi o grande impacto pela positiva que o seu primeiro livro teve em mim – que já li dezenas de livros juvenis dentro do género fantástico.
Não se coibindo de mostrar a podridão humana, denunciando o que muitos preferem ignorar e juntando uma componente emocional disfuncional à narrativa, em Números: O Caos a autora trabalha todos os pontos positivos revelados anteriormente, tão bem ou melhor que no primeiro livro da trilogia, Números: Luta Contra o Tempo, com a mais-valia de que este se passa no futuro, acrescentando, desta feira, tecnologia e problemáticas ambientais que dizem respeito a todos nós.

Os capítulos são intercalados entre os protagonistas, Adam e Sarah, e uma das primeiras evidências com que o leitor se depara são as diferenças na vida de ambos, principalmente no que respeita à influência dos acontecimentos globais que se desenvolvem a uma velocidade assustadora. Embora o universo da menina rica esteja longe de ser um paraíso encantado, facto é que a corda rebenta sempre primeiro no lado dos mais fracos, ou seja na vida de Adam que conhecemos durante a sua obrigatória fuga - com pouco mais do que aquilo que tem no corpo e na companhia da sua avó -, devido à subida do nível da água do mar que lhe levou o passado e o reencaminhou para a fatídica Londres, uma cidade onde a maior parte da população tem nos olhos a morte marcada para o primeiro dia do Novo Ano, 112027.

Mudou-se o tempo e os intervenientes mas há coisas que parecem nunca alterar-se, logo após as primeiras páginas o leitor dá por si a viver um dos dramas do livro anterior, uma escola repleta de hormonas, um verdadeiro pesadelo para quem está destinado a estar eternamente no lugar mais baixo da pirâmide social. Este cenário é igualmente importante por ser o elo que liga Sarah e Adam, dois jovens assustados que vivem emoções fortes, ainda que diferentes, logo na primeira troca de olhares - ele vê uma luz entre morte e confusão, ela tem de esconder uma verdade perigosa e vê em Adam o reflexo do seu pior pesadelo.
Não querendo alongar-me mais, digo-vos apenas que a ligação entre as personagens principais é incomum e contraditória, assim como extremamente intensa, algo que estimula um folhear viciante, pleno de encontros e desencontros, pleno de questões e abordagens actuais e interessantes.

Não me vou dedicar muito mais a falar dos protagonistas, em particular, pois embora estes sejam o foco de toda a história, muitos são os intervenientes secundários que perfazem a manta de retalhos desta leitura surrealista que me fascinaram e que são fundamentais para esta seja uma escolha assertada para boas horas de entretenimento, são disso exemplo Vinny, a imagem de um toxicodependente muito credível e preso a um ciclo vicioso que é independente da sua vontade - considerei-o um generoso sobrevivente, mas muitos serão o que o irão considerar fraco -, ou Val, a única personagem que conhecemos do livro anterior, que está igual a si mesma e traz para o enredo o seu sexto sentido, a visão de auras, ela é um reflexo de perfeição maculada, de alguém que vive pelos seus e um exemplo de generosidade rara - ela acredita quando ninguém o faz e isso marca-a profundamente.

Muitas mais problemáticas são dignas de atenção e, não podendo citar todas, creio que é importante referir a pedofilia, a prostituição e o bullying, mas não desanimem, nem tudo é triste, e existem momentos felizes e emoções que vão aquecendo durante o texto, como é o caso do amor de mãe, as relações de amizade que se estabelecem e os exemplos de coragem muitas vezes dados pelos protagonistas que, da mesma forma, dão vida à vertente fantástica explicita na sinopse, a visão de Sarah com Adam e o seu dom para o desenho, assim como a previsão da morte que que o personagem principal herdou da sua mãe – Jem, que se destaca na obra anterior.


Por tudo o que já vos disse, embora esta seja considerada uma narrativa juvenil está preenchida de momentos fortes, carregados de violência, física e psicológica, pelo que não é aconselhada aos mais novos, ainda que por outro lado todos os alertas descritos sejam necessários e importantes.

Rachel Ward tem uma escrita bastante atractiva, devido aos impactos constantes com que vai nos vai confrontando, bem como pela acção vertiginosa, imparável, que acompanha toda a leitura até ao final expectante.
As suas descrições por vezes são excessivamente direccionadas para os sentimentos e pensamentos dos protagonistas, ainda que todo o ambiente seja passado para o expectador, mas não creio que tal seja um defeito dada a singularidade das personalidades representadas.

Pessoalmente, gostei bastante do que li e agora só espero que publicação do próximo titula seja célere. Até lá, desejo que mais leitores tenham em atenção a trilogia Números, que receio estar a passar um pouco ao lado dos adeptos nacionais deste género literário.

Livro 1 - Trilogia Números
Esta é uma aposta Topseller muito intensa e incomum que eu sugiro, sem qualquer restrição, a quem goste de histórias passadas num futuro próximo, intensas e diferentes dentro do maravilhoso.




Números: Luta Contra o Tempo (Opinião)

 



Título: Números: O Caos
Autora: Rachel Ward
Género: Fantástico; Ficção
Editora: Topseller


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sinopse:
Raphael, Gardo e Ratazana vivem em Behala, uma lixeira de proporções inimagináveis num país do Terceiro Mundo. Todos os dias, a sua vida resume-se a passar a pente fino os detritos provenientes da cidade na esperança de encontrarem algo que possa ser vendido. Um dia, descobrem uma pequena mala de cabedal que contém dinheiro e alguns documentos pessoais. Mas a polícia também está interessada em ficar com a mala, e os três rapazes dão por si a ser perseguidos à medida que tentam desvendar um caso de corrupção que envolve as mais altas esferas da sociedade.

Quando olhei pela primeira vez para o título Trash - Os Rapazes do Lixo soube, de imediato, que mais tarde ou mais cedo teria de ler esta história, esta ficção que denuncia uma realidade que não pode ser escondida, uma realidade que deve chegar a tantos quantos for possível porque, infelizmente, muitos são os que lhe estão próximos e preferem não ver.

Abrindo-nos as portas para um retrato social anómalo a muitos de nós, esta é a história de três rapazes, crianças, que têm como único lar uma lixeira de proporções descumunais. Neste local fétido, eles trabalham tanto quanto lhes é possível para manterem a única condição que conhecem, a miséria em vez da morte pela fome. Têm uma escola, é verdade, uma escola certamente dará algo como esperança a algumas daquelas crianças, mas não é o caso dos protagonistas, órfãos que só se têm a si mesmos.
Um dia, entre excrementos e podridão humana, dois dos três inocentes que irão amar neste livro encontram uma mala com dinheiro e documentos, dinheiro que lhes encherá a barriga por uns dias, documentos que são procurados pela polícia. Quando as autoridades invadem o seu universo só lhes resta a mentira ou a fome e os mistérios de uma carta, uma carta sofrida através das palavras de um pai morto que teme pela sua filha, uma carta que compadece aqueles por quem já o leitor se comoveu, dando início a algo maior, algo que denuncia a verdade e que mudará a vida destes meninos para sempre.

Nem sei por onde começar.
Por assistir a uma novela que passa num canal generalista, tinha de antemão conhecimento desta realidade pobre, uma realidade ingrata para aqueles que não têm quem zele por si e este, leitores, é o primeiro agradecimento que poderão vir a fazer durante a vossa leitura. Este livro, no entanto, é mais cru - a palavra escrita toca-me sempre mais -, é mais forte emocionalmente porque denuncia culpados de peso, culpados que poderiam fazer a diferença em países de terceiro mundo.

Raphael, Gardo e Ratazana são exemplos de crianças brilhantes, crianças que seriam um dia úteis a uma sociedade mas que, por falta de oportunidade, não são nem nunca serão ninguém. Enquanto personagens eles são encantadores. Espertos como muito poucos, como os poucos que sem ter nada utilizam tudo como recurso. A sua meninice, ingenuidade e coragem derrotaram-me, revoltaram-me e fizeram-me pensar muito na minha própria existência, por isso, embora este seja um livro da Colecção Noites Claras da Editorial Presença, indicada para um público juvenil, é a gente graúda que Raphael, Gardo e Ratazana têm que chegar. São intervenientes que não dão grande margem a desenvolvimento ou divagação sobre o seu carácter, mas que representam na perfeição um papel anónimo.

A narrativa, segundo as notas finais do próprio autor, é baseada numa lixeira de Manila, nas Filipinas, um local que certamente não deverei visitar sob o risco de me perder lá para todo o meu sempre.

Mais do que falar de indigência, esta é uma história sobre corrupção, corrupção daqueles que são a cara do poder, daqueles que se colocam num pedestal e por aí ficam sem o peso na consciência relativo aos que não têm nada, aos que se distribuem por valas comuns, aos ninguéns morrem todos os dias sem direito, sequer, ao espaço garantido a sete palmos debaixo do chão.

É muito triste, e pela tristeza que sinto custa-me escrever, desculpem-me.
Não concebo os que se calam, não concebo que os que têm pouco, e podem fazer uma centelha por vidas, se mantenham com o pouco em troca de nada. 
A polícia, comprada. O governo contaminado. A comunicação social reprimida. E nos pequenos muitos sorrisos, sorrisos fáceis por estarem unicamente vivos.

A escrita de Andy Mulligan não é muito simples, mas merece toda a tenção e dedicação do leitor. Escrito na primeira pessoa, este texto tem como principais narradores os protagonistas, mas também algumas das almas generosas que, voluntariamente ou involuntariamente, participaram nas suas aventuras.
As descrições são o mais realista possíveis, e não é preciso muito para que quem lê se sinta repudiado pelo cheiro agridoce e enjoativo do podre e do estrume. É dada a ver a miséria de qualquer país sem saneamento nas zonas mais carenciadas e a esterilidade que nunca chega a ser bela do lado oposto, do lado dos que tiram o pão de quem nada tem para comer.
No fim da vossa leitura, sentirão que no meio do erro está tudo bem, está tudo bem porque Andy Mulligan pôs sal na ferida.

Quando a mim acho que deixei, excepcionalmente, de saber escrever uma opinião literária. Sinto-me apenas frustrada e revoltada, o pior de tudo, impotente face a um virar de páginas viciante pela incerteza, pelo medo, que senti por todas as crianças representadas nesta história.
Convido-vos a visitar o site do autor dedicado a este livro - aquiE o vídeo relativo ao livro - aqui.
Uma história sobre crianças mas que abrirá os olhos a muitos adultos e que eu recomendo, veemente, a quem procure algo mais do que entretimento.

Uma publicação Editorial Presença que eu desejei muito ler, que não me arrependo minimamente de ter lido, porque existem histórias que têm de ser conhecidas por todos.


Título: Trash - Os Rapazes do Lixo
Autor: Andy Mulligan
Género: Ficção; Juvenil


domingo, 18 de agosto de 2013
Sinopse:
Jamie Carpenter tem 16 anos e perdeu o pai há pouco tempo. No mesmo dia em que descobre que a sua mãe foi raptada por um vampiro, é salvo por uma criatura gigante que diz chamar-se Frankenstein e que o leva para o Departamento 19, a agência supersecreta do governo.
Conhecida também por Luz Negra, esta agência foi fundada há mais de um século por Van Helsing e outros sobreviventes de Drácula para combater as forças do sobrenatural. Com a ajuda da agência, de Frankenstein e de uma jovem vampira por quem se apaixona, Jamie vai fazer tudo para salvar a sua mãe, mesmo sabendo que terá de enfrentar um exército de vampiros sedentos de violência, sangue e destruição.

Mas que grande, grande surpresa se revelou esta história! Eu já sabia que Will Hill tinha escrito uma narrativa de fantasia onde abundavam vampiros e imensos clichés - afinal de contas, nomes sonantes como Van Helsing, Frankenstein e Drácula estão citados na sinopse -, mas fiquei positivamente admirada com o resultado final, refrescante, que põe de parte todo o embelezamento que ultimamente é atribuído ao paranormal, trazendo de volta os monstros de sempre para deleite dos leitores sequiosos de algum horror e sugadores de sangue à séria!

Como acontece em muitos livros para jovens adultos, este texto começa com um adolescente, Jamie, que viu o seu pai morrer inesperadamente e, deste então, sofre a repercussões desse facto - com a temática do bulling a ser brevemente abordada.
Dois anos mais tarde, e com muita turbulência familiar e emocional à mistura, o impossível acontece e um dia Jamie é surpreendido por uma miúda estranha que o devia matar mas não mata e, em vez disso, o alerta que corre perigo. Chegando a casa, a pensar que o mundo enlouqueceu de vez, o nosso protagonista descobre que a sua mãe está desaparecida, que um vampiro está rebentar as janelas da sua sala de estar e, para cúmulo, que o seu único salvador é uma criatura assustadora que diz ser o Frankenstein e o quer resgatar para um ligar seguro. Enfim, depois disto é o Departamento 19 e o caos como devem imaginar - fim de história juvenil e início de livro para gente graúda.

Com laivos de ficção científica, muitos pormenores fantásticos e sangue que nunca mais acaba, este texto contemporâneo oferece ao seu leitor uma continuação ao final do clássico Drácula, onde não poderia faltar o mítico caçador Van Helsing e alguns amigos prontos para o ajudar a combater o mal recentemente descoberto à face da Terra - isto no passado, obviamente, que muito bem inserido no presente nos permite compreender o papel da nova geração de que o protagonista faz parte. Desta feita, as personagens são mais que muitas e estão longe de se ficar pelo novato e corajoso Jamie, que nos vai relatando o seu pânico crescente enquanto teme pela vida da mãeOs vampiros são imensos e, na sua maioria, acabam mortos depois de matarem muitos mais, claro! A estes juntam-se caçadores experientes e treinados pelo Estado Britânico, que até hoje mantêm em absoluto secretismo o seu Departamento 19 formado há mais de 100 anos.
Claro que eu enquanto leitora adorei o Frankenstein, não é de hoje que tenho uma queda por este senhor com parafusos a mais e, creio, que quem leu a história de Mary Shilley ficará contente com a forma como esta personagem se enquadra neste livro. Larissa é outro dos intervenientes de que gostei, porque sou uma eterna romântica e adoro fabulações sentimentalistas e impossíveis e, por fim, gostei de Alexandru Rusmanov, um vampiro da velha guarda completamente sádico e que preenche na perfeição outra das minhas adorações ficcionais, violência com fartura - e dito assim devo ter algum distúrbio, adiante.

Uma das mais-valias de Departamento 19 está na forma como concilia o clássico com o moderno, rescrevendo e aliando diversas histórias de terror, que na actualidade se transformam em algo único cheio de acção e brutalidade que chegará a um público mais alargado. Obviamente que tudo isto é feito de uma forma breve, sem a psicologia e intensidade das narrativas originais, mas a sua criatividade compensa e a mim apraz-me a inovação.

A forma como estão representadas as criaturas já conhecidas do leitor, no século XIX, é outro factor de que também gostei, particularmente no que respeita aos vampiros em geral. São brutais, sem qualquer tipo de lirismo e proporcionam momentos arrepiantes - desmembrações, possessão psicológica violenta e o fascínio/controlo sobre a raça humana são um pouco do que irão encontrar.

Por fim, quero citar ainda o Departamento 19 em si, como entidade original e bastante evoluída cientificamente. A sua base, a sua forma de actuar e o seu sigilo são interessantes, dando ao impossível uma credibilidade que sustenta o restante enredo.

Em suma, um livro indicado para quem gosta de ficção fantástica e não se impressiona facilmente, onde poderá contar com muitas horas de adrenalina, mistérios interessantes e cenas retiradas de um qualquer pesadelo, sendo que o romance é praticamente inexistente e a crueldade garantida.

Quanto à escrita de Will Hill esta é acessível e pouco descritiva, privilegiando a acção e o acréscimo de informação constantemente
As lutas estão particularmente bem desenvolvidas, assim como as emoções da personagem principal, e são perceptíveis os cenários diversos onde tudo acontece, pelo que nada tenho a apontar.
Gostava, no entanto, de reafirmar a singularidade da imaginação do autor que, não oferecendo nada de novo, é cuidadoso para que esta história seja harmoniosa, quer se conheça ou não os clássicos em que se baseou para criar este livro.

Quanto a mim, penso que ficou claro que gostei bastante e espero, em breve, ver publicados os restantes livros da série Departamento 19 que já conta com três livros publicados e uma short story sobre Larissa.
Convido-vos ainda a visitar o interessante site dedicado à série - AQUI -, e ainda o site do próprio autor onde podem acompanhar as novidades sobre a sua escrita - o link encontra-se na coluna do lado direito do blogue dedicada aos Autores das Histórias

Uma boa aposta Topseller, para um público variado, que vem trazer algo de novo ao universo vampírico actual com uma história, tão violenta quanto sangrenta, que não deixará indiferentes os amantes desta espécie.

Título: Departamento 19
Autor: Will Hill
Género: Fantástico; Horror; Ficção
Editora: Topseller


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