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terça-feira, 15 de abril de 2014
Sinopse:
A sociedade de facções em que Tris Prior acreditava
está destruída - dilacerada por actos de violência e lutas de poder, e marcada
para sempre pela perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a
oportunidade de explorar o mundo para além dos limites que conhece, Tris aceita
o desafio. Talvez ela e Tobias possam encontrar, do outro lado da barreira, uma
vida mais simples, livre de mentiras complicadas, lealdades confusas e memórias
dolorosas.
Mas a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora
do que a que deixou para trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de
sentido, e a angústia que geram altera as vontades daqueles que mais ama.
Uma vez mais, Tris tem de lutar para compreender as
complexidades da natureza humana ao mesmo tempo que enfrenta escolhas
impossíveis de coragem, lealdade, sacrifício e amor.
Alternando as perspectivas de Tris e Quatro,
Convergente, encerra de forma poderosa a série que cativou milhões de leitores
em todo o mundo, revelando por fim os segredos do universo Divergente.
Pensei muito neste livro. Antes de o abrir pela
primeira vez – antevendo o seu final –, durante a leitura e mesmo agora, depois
de terminar, em que continuo a pensar no trabalho da Veronica Roth; e quanto
mais penso mais valorizo aquilo que ela criou e mais apreço ganho pela sua obra
enquanto distopia. Dito isto, tenho tanto para vos dizer que esta é uma opinião
difícil de tecer, de tornar coerente e atractiva para o leitor, pois, como
raras vezes acontece, a interpretação desta trilogia, que tem tanto de comercial/moda
como de analisável, vai depender muito de cada leitor individualmente, da
minha, da sua, da nossa divergência.
Desta feita, decidi dividir o meu comentário em seis
tópicos, em seis temas que foram trabalhados e que são, pelo menos para mim, fundamentais no
texto – sociedade, estereótipos, indivíduo, humanidade, identidade e
afectividade –, e mais do que dedicar-me a Convergente, perdoem-me, sou obrigada
a falar desta trilogia como o todo magnífico que ela é.
Quando Divergente foi publicado e me foi permitida a
sua leitura, o primeiro impacto que teve para mim esteve relacionado com a sua
sociedade, fraccionada, dividida em cinco facções distintas que serviam de
característica primordial aos habitantes de uma Chicago distópica futurista –
eles eram Cândidos (sinceros), Abnegados (altruístas), Intrépidos (corajosos),
Cordiais (amigos) e Eruditos (inteligentes).
Numa actualidade ocidental e americanizada em que a
igualdade é apregoada como mandamento estava cimentada a diferença e eu fiquei
realmente interessada. Posteriormente e até este terceiro título, a autora
tratou de desconstruir a base do seu enredo e, se não houvesse mais uma dezenas
de motivos para ler Roth, descobrir o quão bem ela fez esta desintegração,
empurrando as suas personagens para o desconhecido que nos é familiar neste terceiro
livro, confrontando-as e chocando-as culturalmente com um Novo Mundo mesclado
com o que define o Ser, com o que significa existir, esta já seria uma
mais-valia para o leitor.
Os estereótipos, que considero uma peste permanente, um karma e uma maldição, são por tudo isto demasiado evidentes na narrativa,
eles são o antes e o agora no texto tal como são o nosso hoje desde sempre. São
algo que nos toca e aproxima da ficção, que nos metamorfoseia e define.
Em Convergente o preconceito torna-se gritante o que,
até este fim, que desfragmenta a sociedade fraccionada, era algo tão banal que
não era encarado com gravidade pelos intervenientes, era simplesmente uma
escolha cultural. Ser, apenas uma parte, era uma escolha das personagens aos 16
anos, era cerimonial, e, estranhamente, não era pensado na generalidade como errado mas sim inato até principiar, causar, uma chacina no primeiro
livro, discórdia e mais violência no segundo e, eximiamente, ser olhado como é
comum ao leitor neste terceiro livro. Não sei o que é mais assustador, se a
forma como é retratado algo que devasta a nossa realidade ou o espelho da sua não
percepção, sejamos nós humanos ou recriações, dos nossos
pequenos defeitos – pensem no Efeito Borboleta de Edward Lorenz, na sua Teoria
do Caos.
O que disse até ao momento levou-me, por impulso, a
pensar na descaracterização do indivíduo trabalhada pela autora. As
personagens, todas elas e em particular as que se destacam, foram inicialmente programadas para funcionar como um grupo e, embora no interlúdio isso não
seja focado, neste fim cíclico é definitivamente digno de reflexão através da
descoberta de que, ao olhar-se para o geral, o que efectivamente se pretendia
era encontrar uma nota dissonante – há sempre algo por detrás de um rebanho de
ovelhas. Neste tópico em particular Tris é uma verdadeira heroína, ela cresce,
aprende e chega ao seu nirvana sozinha com o seu legado, torna a escolha –
problemática fundamental da história – tão simples e apaziguadora que se eu
soltei uma lágrima foi de felicidade pelo seu happy ending, por finalmente a
ver chegar tão longe quanto lhe foi possível neste seu, nosso, mundo. Pensem
nas grandes individualidades da História e poderá ser que Tris faça tanto
sentido para vós como fez para a minha pessoa.
O tema em que mais concordarão comigo, talvez por ser
um conjunto de todos os outros, diz respeito à forma como a humanidade está
representada. Qualidades e defeitos, bem e mal, são alvos mutáveis com o
decorrer das páginas, desenvolvendo-se das perspectivas que vão sendo
oferecidas aos heróis e que ficam mais definidas com a aproximação do fim. Os indivíduos
revelam-se pouco plenos e maculados, o preço do erro vai tendo um valor
acrescentado e, em determinadas alturas, são pouco claras as suas lutas mas não
a sua vontade de lutar. Vivemos num mundo em que lutamos pelo que acreditamos,
tal como na história, mas aquilo em que acreditamos depende daquilo em que somos
levados a acreditar. Assim somos e assim se equilibrou, na minha óptima,
Veronica Roth – certo é que todos, sem excepção, temos de acreditar.
O que mais me fascinou nesta trilogia foi, no
entanto, a forma como está exposta a temática da identidade – estou realmente
maravilhada. Comecemos por pensar no facto de maioritariamente termos
personagens jovens-adultas, portanto mais moldáveis e influenciáveis às suas
vivências. As posturas dos intervenientes principais alteraram-se tanto e
tantas vezes ao longo dos livros que, em muitos casos, ser obrigada a defini-los
pelo seu fim é algo que me custa. Neste terceiro livro então é aberrante o
quanto uma definição ou a aquisição de uma novo conhecimento transforma o ser.
E eu acredito, piamente, que o saber é poder e este nos transforma. Não vou
cometer spoiler, mas quem leu consegue lembrar-se de como Quatro mudou, de
como Tris se transformou e de como outros, mais fracos, optaram por esquecer. A
nossa identidade é uma caixa de surpresas, é o que somos e o que somos está
longe de ser inerente ou inalterável – adoro.
Por fim, antes de fazer uma opinião pequena e resumida de Convergente, é importante falar exclusivamente também das
afectividades abordadas no texto. Num contexto familiar a autora levou os
protótipos ao extremo, com a árvore genealógica a exercer uma influência
poderosíssima sobre os protagonistas. As contradições emocionais Tris e Quatro, o repúdio de um e a adoração de outro, foram fundamentais para o final
e muito violentas com o amadurecimento da narrativa. Aliás, a
violência psicológica e a forma como esta estreitou laços é lindíssima, embora
eu lamente que não seja algo exclusivo à ficção, lamento mesmo. Assim, o amor,
independentemente do seu alvo ou fonte, é uma benesse sem comparação e uma arma
utilizada no texto, incomparável na sua forma de arrebatar, motivar ou destruir
os elos que aprisiona. Está definitivamente exposto em todo o seu esplendor.
Em suma, é importante afirmar-vos que esta é a minha
visão geral desta história, é a polpa que eu retirei de um fruto delicioso, que
me hipnotizou ao longo de muitas horas repletas de acção, emoções avassaladoras
e momentos fantásticos que, neste último livro, tal como nos seus antecedentes,
não se priva de singularidades, muitos momentos chave e revelações. Adrenalina, medo e descoberta
que nos abrem as portas para um fim inesperado, perturbador e muito
característico das distopias, do seu foco numa ínfima parte de um universo
alterado para dar ver tanto quando conhecemos. Por tudo isto Veronica Roth está
de parabéns e o seu perdão, o que eu considerei o seu perdão pessoal na página 369,
foi recebido por esta leitora sem que houvesse nada a perdoar.
«(…) sabia que, quando conseguimos controlar a
informação ou manipulá-la, não precisamos de força para manter as pessoas sob o
nosso jugo.» - Pensamento de Tris, página 269.
Peço-vos desculpa por esta opinião tão extensa e tão
diferente do habitual. Há quem diga que é mais profunda que o livro e, sinceramente,
eu acho que é a minha forma de olhar a maior parte dos textos mas que receio
transmitir mais vezes no blogue. Enfim, vale tanto como qualquer outra e se a
diferença servir para alguém encontrar algo que procure, eu fico muito
satisfeita.
Esta é uma das minhas apostas favoritas da Porto
Editora que eu recomendo não apenas aos leitores de ficção distópica, mas sim a
todos aqueles que pretenderem-se entregar-se e descobrir algo novo em cada história.
Divergente (Opinião)
Insurgente (Opinião)
Título: Convergente
Autora: Veronica Roth
Género: Romance, Ficção Científica, Distopia
Editora: Porto Editora
segunda-feira, 24 de março de 2014
Eu e o Divergente
Sou completamente maluca por esta trilogia. Nem mais
nem menos. Tendo, inclusive, a perdoar as asneiras de Veronica Roth para que me
seja permitido mergulhar no seu universo de cabeça e usufruir em pleno da sua
história intensa e cheia de emoções, da sua criatividade futurista feita de
personagens tão apaixonantes quanto retorcidas.
Sou tal e qual uma criança de cinco anos com o Toy
Story – mais uma página até ao infinito e mais além!
Pré-antestreia
Quando soube que tinha a possibilidade de ir ver a
adaptação cinematográfica de Divergente duas semanas antes do previsto, tive
algo próximo de uma taquicardia – ai mãezinha! ai mãezinha! ai mãezinha! – fiquei eufórica. E quando um
anjo me pareceu com os bilhetes na mão juro, juro que me apeteceu estar dentro
da adaptação de Tim Burton, em Alice in Wonderland, e fazer a dança do
Chapeleiro – ainda dava cabo de algo mas… que importa!
Contei os minutos, esperei ansiosa e disse ao anjo
que ele ia adorar umas cem vezes – no mínimo!
Desilusão
Imaginem que sonham ir à Walt Disney toda a vossa
santa existência e que quando chegam à terra encantada os figurinos estão doentes
e os divertimentos avariados – ok estou a exagerar, esta imagem dá-me vontade
de chorar e eu não chorei, só quis bater em alguém.
Enfim… estavam na Disney? Estavam! Era a mesma coisa?
Nem por sombras. *Tristeza infinita*
Com isto, e ao contrário do que possa parecer, eu não
quero desanimar ninguém – a minha opinião vale tanto como qualquer outra – mas
que lá que o filme tirou o tempero à obra de Roth, duvido que não concordem comigo.
Não sei, sinceramente, se foi por desejar tanto ver
isto mas fiquei mesmo sem chão. Mas há um ponto positivo, atenção, inteirei-me
ainda mais da complexidade e grandiosidade dos livros desta autora,
emocionalmente envolventes como poucos, e do quão difícil e proibitivo deveria
ser passar certos textos do papel para o ecrã. Faltou-lhe tanto! Tanto
sentimento, tanto pormenor… até mortes faltaram! God!
Vejam por vocês mesmos, a sério.
P.S.: O feedback do anjo que não lê livros: «a
história é gira, mas comparando com Os Jogos da Fome este é pior» - concordei e
eu gosto muito mais dos livros da Roth.
P.S.2: Pessoas não aplaudam nas salas de cinema, não
está lá ninguém para vos ouvir – neste caso um ovo ou tomate teria sido
perdoado, aplausos nunca!
sábado, 15 de março de 2014
Nunca
a data de publicação de um livro motivou tantos leitores contactarem a Porto Editora. Finalmente, é
oficial: Convergente, o último livro da trilogia Divergente, de Veronica Roth,
é publicado em Portugal a 21 de Março.
Este
livro sucede a Divergente e Insurgente, obras que garantiram a uma muito jovem
autora (tinha 23 anos aquando da publicação do primeiro livro) um sucesso à
escala global e muitos fãs em Portugal.
Título:
Convergente
Autor:
Veronica Roth
N.º
Páginas: 416
PVP:
15.50 €
ISBN:
978-972-0-04383-2
Sinopse:
A
sociedade de fações em que Tris Prior acreditava está destruída - dilacerada
por atos de violência e lutas de poder, e marcada para sempre pela perda e pela
traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade de explorar o mundo para
além dos limites que conhece, Tris aceita o desafio. Talvez ela e Tobias possam
encontrar, do outro lado da barreira, uma vida mais simples, livre de mentiras
complicadas, lealdades confusas e memórias dolorosas.
Mas
a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora do que a que deixou para
trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de sentido, e a angústia que
geram altera as vontades daqueles que mais ama.
Uma
vez mais, Tris tem de lutar para compreender as complexidades da natureza
humana ao mesmo tempo que enfrenta escolhas impossíveis de coragem, lealdade,
sacrifício e amor.
Alternando
as perspetivas de Tris e Quatro, Convergente, encerra de forma poderosa a série
que cativou milhões de leitores em todo o mundo, revelando por fim os segredos
do universo Divergente.
Leia
um excerto – AQUI
As
aventuras desta saga desenrolam-se em cenário futurista, verosímil e sem
figuras sobrenaturais. Figuraram em várias listas de melhores do ano – Amazon,
Publishers Weekly, Goodreads, Barnes & Nobles – e chegaram a número um do
top do The New York Times.
Convergente
chega às livrarias poucos dias antes de estrear nos cinemas portugueses, a 3 de
Abril, o filme Divergente, produzido pela Summit Entertainment/Lionsgate,
estúdio conhecido pela saga Crepúsculo.
Divergente (Opinião)
Insurgente (Opinião)
Sobre
a autora:
Veronica
Roth estudou Escrita Criativa na Northwestern University. Nos seus tempos de
faculdade, preferiu dedicar-se a escrever o que viria a ser a sua primeira
obra, Divergente, e deixar de lado os trabalhos de casa – uma escolha que
acabou por transformar totalmente a sua vida.
Veronica
Roth foi considerada a melhor autora pelo GoodReads Choice Awards em 2012.
Divergente foi eleito o melhor livro de 2011 e Insurgente o melhor livro de
fantasia para jovens-adultos em 2012, pela mesma entidade, a única cujas
distinções são atribuídas exclusivamente pelos leitores.
Saiba
mais em: Porto Editora
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Sinopse:
A
tua escolha pode transformar-te - ou destruir-te. Mas qualquer escolha implica
consequências, e à medida que as várias fações começam a insurgir-se, Tris
Prior precisa de continuar a lutar pelos que ama - e por ela própria. O dia da
iniciação de Tris devia ter sido marcado pela celebração com a fação escolhida.
No entanto, o dia termina da pior forma possível. À medida que o conflito entre
as diferentes fações e as ideologias de cada uma se agita, a guerra parece ser
inevitável. Escolher é cada vez mais incontornável... e fatal.
Transformada
pelas próprias decisões mas ainda assombrada pela dor e pela culpa, Tris terá
de aceitar em pleno o seu estatuto de Divergente, mesmo que não compreenda
completamente o que poderá vir a perder. A muito esperada continuação da saga
Divergente volta a impressionar os fãs, com um enredo pleno de reviravoltas,
romance e desilusões amorosas, e uma maravilhosa reflexão sobre a natureza
humana.
Existem
livros que são claramente superiores relativamente aos seus pares - dentro do
mesmo género e época de publicação, se é que me entendem -, e este, na minha
opinião, é certamente um deles, um dos melhores entre dos melhores. O motivo é
simples, quando li o primeiro livro da Trilogia Divergente adorei o maravilhoso
cenário criado, as suas personagens extraordinárias, controversas, e a cuidada
escrita de Veronica Roth, mas agora, tendo em conta que tudo isto é algo com o
qual já estou contextualizada, familiarizada, tive oportunidade de apreciar
para além do óbvio e senti, com a evolução e o adensar do enredo, que a autora
conseguiu levar a história para um novo patamar, um patamar mais intenso e
arrojado que conjugou na perfeição factores imprescindíveis, como reflexão e o
entretenimento, o que me deixou ansiosa pela continuação.
Em
relação ao livro é difícil falar sem cometer spoilers, mas vou recordar e
tentar conjugar Insurgente e o seu antecedente…
Em
Divergente foi-me apresentada uma sociedade peculiarmente fraccionada em cinco
facções relevantes – Cândidos, Abnegados, Intrépidos. Cordiais e Eruditos -, e
cada uma delas dedicada a uma virtude e com leis específicas, sendo que na
maioria das vezes é herdada para geração seguinte de indivíduos, na maioria das
vezes.
Chegada
a altura de escolher uma facção, a nossa protagonista, Tris Prior, deu asas à sua coragem e
optou por uma diferente daquela que fazia parte das suas origens, os
Abnegados, levando assim o leitor a conhecer aprofundadamente a arrojada facção
dos Intrépidos, que testa ao limite a força e os receios dos seus membros,
privilegiando acima de tudo, a lei do mais forte. Nesta demanda e crescimento
pessoal, Tris foi construindo um puzzle deste mundo singular que acabou por
revelar muito para além da aparente simplicidade inicial, abrindo assim as
portas para a realização de Insurgente. Após todas as mudanças e descobertas
através desta personagem no livro anterior, quem lê tem neste segundo livro a
oportunidade de entrar num ambiente ainda mais fantástico, que não só traz
consigo um interesse renovado, como também tem a capacidade de surpreender
constantemente, superando claramente uma história que já antes ultrapassava o
inimaginável. É espectacular, na minha opinião.
Quanto
a personagens, temos novas, temos mais e as que já conhecíamos estão ainda
melhores.
O
casal principal é isso mesmo, o foco principal de um enredo e é extremamente
intenso, romântico até, mas no entanto quem lê não sente que em momento algum
está a folhear apenas para descobrir o que o destino lhes reserva, porque
existe tanto a acontecer e as probabilidades são tão baixas para qualquer
alternativa que, pelo menos para mim, foi impossível focar-me apenas no
romance. Agora, sem dúvida que Tris e Quatro são soberbos, quer na diversidade,
quer no que os une, e se ele é aqui mais controverso e por isso mais
interessante, ela é a exploração pura do ser humano - nos seus defeitos, qualidades,
reacções e emoções, ela dá tudo ao leitor e é das melhores personagens que eu já
tive o prazer descobrir. (Este blogue poderia chamar-se, hoje, As Histórias de
Tris. Estão a ver a ideia?)
Em
relação aos restantes intervenientes sou obrigada a resumir e, desta feita,
merecem destaque os sem-facção, Caleb e Marcos, infelizmente nem sempre por
bons motivos, mas eu não gosto de personagens boazinhas nestes livros.
É
importante citar ainda que a própria intensidade atribuída às personagens, no
geral e protagonistas em particular, dá um novo significado a cada momento de
acção, mesmo que este não seja crucial.
Tendo
que ver também com as personagens, um dos extras desta história é termos a
oportunidade de conhecer melhor outras facções e como funcionam internamente,
sendo proporcionada a oportunidade de conhecer imensas curiosidades e
pormenores das mesmas. Em relação a estas, gostei igualmente da diversidade de
cenários sugerem, porque embora tudo se desenvolva numa área restrita, fica a
noção de delimitação perfeita por cada uma das castas, homogeneizando ainda mais
aquilo que as define.
No entanto, mais importante para lá de toda a história foi, para mim, tudo o que
tem que ver com os comportamentos e emoções protagonizados e é neste ponto que
o brilhantismo de Roth se supera. A dor, física e psicológica, continua
eximiamente exposta e até, arrisco-me a dizer, mais íntima e profunda, ganhando
uma importância extrema. O mesmo se passa com as escolhas, mais uma vez, tudo
tem que ver com o poder de correr riscos e tomar decisões, estando neste caso
em jogo não só sentimentos como vida. A morte tem novamente um papel crucial,
já sabemos que esta senhora não tem problemas em criar afectividades para em
seguida nos submeter aos seus caprichos. E, por último, a ausência de
evidências relativas a atitudes e condutas, que me fez desejar ler o livro
novamente após terminado para absorver uma vez mais tudo o que está representado.
Há
realmente espaço para tudo em Insurgente, até para pequenos sinais de religião e
insanidade que me maravilharam pelo seu simbolismo imenso, e embora esta seja uma
história ficção científica pura, num cenário futurista e distópico, reafirmo que é muito maior aquilo que o
leitor deve ter em conta, pois nas entrelinhas encontrará muito da humanidade
actual, testada e analisada, plena nos seus comportamentos, abnegações e
barbáries, plena nas suas emoções e formas, por vezes incompreensíveis, de
sentir.
Veronica
Roth tem aqui mais uma entre milhares de fãs e não há nada de mal que eu possa apontar
à sua escrita, perfeita, completamente viciante e criativa, fazendo de si uma autora
invulgarmente excepcional.
Para
lá da excelente ficção, é ainda notável o seu imenso trabalho de pesquisa para
a construção da obra - ainda mais atendendo à sua idade -, que com um esmero e
cuidados exemplares é magnífica de comtemplar.
Um
alguém que me conseguiu chocar e divertir, ao idealizar de forma ínfima os
temores do ser humano. Estou siderada.
Ainda
tenho tanto para dizer, repetir, mas fico-me pela constatação de que esta obra
é para mim definitivamente melhor que a anterior pelas muitas peculiaridades
que oferece e pela forma como aborda ainda mais veementemente, violentamente,
tudo o que está associado ao amor e ao medo. Aliás, pergunto-me, será o que
está aqui representado que vai para além do medo? Se sim, tem nome? E terá esse
sentimento a capacidade de aceitação? São muitas as dúvidas para reiterar a
qualidade deste livro o que me faz aguardar ansiosamente Allegiant, título que será
publicado no estrangeiro daqui a 158 dias e que encerrará uma trilogia
inesquecível.
Uma
das melhores apostas de sempre da Porto Editora para o público jovem adulto e
que eu recomendo fervorosamente a todos os leitores.
Divergente
(Opinião)
Título:
Insurgente
Autora:
Veronica Roth
Género:
Ficção Científica, YA, Distopia
Editora:
Porto Editora
sexta-feira, 3 de maio de 2013
A
6 de maio, chega finalmente às livrarias nacionais, com chancela da Porto
Editora, Insurgente, a muito esperada sequela de Divergente, de Veronica Roth.
Este livro, um caso de sucesso mundial, garantiu-lhe, aos 23 anos, a distinção
de melhor autor de 2012 para a Goodreads.
Título:
Insurgente
Autora:
Veronica Roth
N.º
Páginas: 376
PVP:
15,50 €
ISBN:
978-972-0-04382-5
Sinopse:
A
tua escolha pode transformar-te - ou destruir-te. Mas qualquer escolha implica
consequências, e à medida que as várias fações começam a insurgir-se, Tris
Prior precisa de continuar a lutar pelos que ama - e por ela própria. O dia da
iniciação de Tris devia ter sido marcado pela celebração com a fação escolhida.
No entanto, o dia termina da pior forma possível. À medida que o conflito entre
as diferentes fações e as ideologias de cada uma se agita, a guerra parece ser
inevitável. Escolher é cada vez mais incontornável... e fatal.
Transformada
pelas próprias decisões mas ainda assombrada pela dor e pela culpa, Tris terá
de aceitar em pleno o seu estatuto de Divergente, mesmo que não compreenda
completamente o que poderá vir a perder. A muito esperada continuação da saga
Divergente volta a impressionar os fãs, com um enredo pleno de reviravoltas,
romance e desilusões amorosas, e uma maravilhosa reflexão sobre a natureza
humana.
Leia
as primeiras páginas: aqui.
As
aventuras desta saga desenrolam-se em cenário futurista, verosímil e sem
figuras sobrenaturais. Divergente figurou em várias listas de melhores do ano –
Amazon, Publishers Weekly, Goodreads, Barnes & Nobles – e chegou mesmo a
número um do top do The New York Times. Insurgente tem tido êxito semelhante.
Sobre
a autora:
Veronica
Roth estudou Escrita Criativa na Northwestern University. Nos seus tempos de
faculdade, preferiu dedicar-se a escrever o que viria a ser a sua primeira
obra, DIVERGENTE, e deixar de lado os trabalhos de casa – uma escolha que
acabou por transformar totalmente a sua vida.
Veronica
Roth foi recentemente considerada a melhor autor pelos Goodreads Choice Awards
2012, e Insurgente conquistou o prémio de melhor livro de fantasia juvenil pela
mesma entidade.
Saiba
mais em: Porto Editora
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Sinopse:
Na
Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações,
cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a
sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a
amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de
16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas.
Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família e ser quem realmente
é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.
Durante
o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome
para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo
tempo que se apaixona por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e
outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo e que nunca contou a
ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um
conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive,
percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama ou
acabar por destruí-la.
No
dia fatídico... O pressentimento implantou a dúvida. A dúvida implantou o medo.
O medo obrigou a uma escolha. Uma escolha mudou, para sempre, completamente, a sua
vida.
O dia
em que Beatrice teve de escolher o seu futuro foi o dia em que arriscou, pela
primeira vez, o seu último sopro. Foi nesse mesmo dia que despertou, revelou, o
princípio da coragem que desconhecia dentro de si, e que passaria a fazer parte
constante de todos os seus dias.
Divergente
caracteriza-se como sendo absolutamente arrebatador devido sua narrativa
intensa, uma narrativa onde a barreira entre o bem e o mal é quase inexistente,
onde as personagens nos conquistam pelos seus extremos repletos de emoção e
onde a vida, a sociedade, se encontra distorcida aos limites do inimaginável.
Veronica
Roth tem uma escrita simples que, através de um discurso directo, nos permite
saber na primeira pessoa as emoções, transparentes, da sua protagonista. O ritmo
de leitura é avassalador e o seu enredo flui sem momentos mortos de acção
mantendo um suspense, constante, que nos domina até à constatação, reflexão, do
último parágrafo.
Eu
leio muita ficção, mesmo muita, e livro após livro ainda me sinto fascinada com
a capacidade que novos mundos e realidades têm de entrar em mim, de espalhar a sua magia no meu universo lucido e fazer-me explorar locais muito além do meu espaço,
pela capacidade de me envolver para além das palavras… Divergente encaminhou-me
para uma cidade de medo, para uma cidade dividida por um ideal de perfeição,
fez-me chegar a mentes pequenas de grandes vidas repletas de vontades, repletas
da necessidade de serem fiéis a si mesmas e, até, pequenas grandes vidas que
nunca chegaram a ser.
Existe
na morte algo de tão assombroso como fascinante. Existe na morte uma finitude
que por vezes se torna simples pela sua previsibilidade. Existe na capacidade
de Veronica Roth expor a morte algo que me maravilhou por completo.
As
suas personagens são marcantes, tal como todo o meio que nos
envolve, dos protagonistas aos intervenientes secundários cada um marca,
pontua, a leitura de forma diferente e mesmo aqueles que nos retêm apenas por
algumas linhas, acabam por desenvolver cenas tão essenciais que é impossível ficar-lhes
indiferentes. No
entanto, aqueles que se distinguem, como principais, prevalecem após
terminada a leitura, falo-vos claro de Tris e Quatro. Estas duas personagens
formam um par singular, com uma ligação instintiva, quase rebelde, quase
misteriosa, quase apaixonante, que mantém a veia romântica da leitura repleta de
suspense.
Entre
mim e Quatro houve uma espécie de amor à primeira vista. Amei-o e repudie-o,
compadeci-me e agradeci-lhe por tudo aquilo que fez por esta história e por
Tris. Adorei o seu lado frio, rude, que em determinados momentos transborda uma
ternura temerosa, que nos faz ansiar por mais de si e, não tenho dúvidas, que é
dos melhores protagonistas que já li.
Tris
é diferente e é essa mesma diferença, desigualdade, num mundo tão mecânico, previsível,
que a torna tão fascinante. As suas intuições, os seus receios e a sua coragem distinguem-na
de qualquer uma das fações que dominam a sociedade e, embora se venha a tornar
uma intrépida, contrariando possíveis destinos, ela provará ser muito mais do
que qualquer um que a tente refrear.
O cenário
do enredo é quase brutalizado em alguns momentos, passando facilmente de
absolutamente inóspito a uma beleza incompleta que deixa prevalecer a indiferença, a
superficialidade forçada que nunca permitirá a permanência de felicidade, que
nunca permitirá a sensação de se estar completamente vivo ainda que, atenção, a
autora eleve a palavra adrenalina a um novo patamar.
Algo
que eu prezo muito, num livro, são as sensações que a sua leitura me consegue
transmitir e Divergente, como poucos, tocou em algo íntimo dentro de mim.
A sensação
de medo e a desvalorização da morte, chocou-me. A ausência de consciência pelo próximo.
O terror das experiências. A crueldade face à dor. A tensão limite, sempre
presente. O risco, o constante risco na luta pela sobrevivência… num todo, são
um conjunto imenso de factores que reflectem muito mais do que palavras, e que me fizeram reflectir sobre a humanidade ficcional e real.
Pessoalmente,
considerei que o livro foi muito além do que eu ousei imaginar e algum dia
ousaria conceber. Notei a ausência de pessoas com qualquer tipo de deficiência,
fui a única? Ainda assim, enquanto leitora, fui surpreendida de tantas formas e
tão intensamente que a vontade de continuar a ler é sufocante. Espero mesmo que
o segundo título seja publicado em Portugal em breve. Para já fica a lembrança deste
mundo quase perfeito, tão pequeno em valores mas imenso nas suas personagens
avassaladoras que me arrebataram por completo. Afirmo que foi uma das melhores
leituras que tive o prazer de disfrutar até hoje e, embora seja ficção, embora
seja uma distopia, distorcida, com a pureza mais heterogenia que se possa
apreciar, o seu efeito em mim foi extremamente tangível.
Por
tudo o que foi dito, Veronica Roth é magistral na sua criatividade e concebeu
um enredo futurista que ultrapassara todas as expectativas. Do ambiente estéril
à infinidade de possibilidades dos seus intervenientes, tudo se concilia para
formar algo maravilhoso. Descritiva na medida certa, com diálogos assertivos e
dando a ver o que é essencial, são pormenores cruciais que fazem desta autora um marco na ficção científica
para jovens adultos, e, creio eu, ficará na vossa memória com a mesma intensidade
que ficou na minha.
Esta
é uma publicação Porto Editora que sugiro a qualquer leitor pela experiencia
que proporciona e em particular aos adeptos de novas realidades. Adorei.
Espreite
o site do livro: Aqui!
Título:
Divergente
Autora:
Veronica Roth
Género:
Ficção Cientifica, Romance.
Editora:
Porto Editora
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Sucesso
juvenil em todo o mundo!
Título:
Divergente
Autora:
Veronica Roth
N.º
Páginas: 352
Tradução:
Pedro Garcia Rosado
PVP:
15,50 €
ISBN:
978-972-0-04381-8
Sinopse:
Na
Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações,
cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a
sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a
amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de
16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas.
Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família e ser quem realmente
é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.
Durante
o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome
para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo
tempo que se apaixona por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e
outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo e que nunca contou a
ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um
conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive,
percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama ou
acabar por destruí-la.
Primeiras
Páginas: Aqui!
A
obra consta em várias listas de melhores do ano – Amazon, Goodreads, Publishers
Weekly, Barnes & Nobles, entre outras – e chegou mesmo a número um do top
do The New York Times. A Publishers Weekly considerou-a «Uma viagem memorável e
imprevisível que é impossível ignorar».
Merece
destaque, ainda, o facto de os direitos para cinema terem sido vendidos antes
mesmo de o livro ser publicado.
Sobre
a autora:
Veronica
Roth formou-se na Northwestern University, no curso de Escrita Criativa. Nos
seus tempos de estudante, preferiu muitas vezes dedicar-se a escrever a
história que viria a tornar-se a sua primeira obra, DIVERGENTE, deixando de
lado os trabalhos de casa – uma escolha que acabou por transformar totalmente a
sua vida. Dedicando-se à escrita a tempo inteiro, a autora vive em Chicago.
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