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A Elphaba...

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Sinopse:
No derradeiro volume deste clássico, Morgaine vai ao encontro do seu destino que a coloca contra Artur – o seu amante, irmão e agora inimigo. Ao regressar a Camelot durante o Banquete de Pentecostes, Morgaine acusa Artur de comprometer a coroa, e exige que este lhe devolva a espada mágica Excalibur.
Mas Artur recusa e Morgaine tenta de tudo para o travar, nem que para isso tenha que usar as pessoas que ama para o desafiar. Quando Avalon se sente traída por Artur, Morgaine invoca a sua magia para lançar os companheiros de Artur numa demanda pelo cálice sagrado.
Os eventos escapam ao controlo de todos quando Lancelet regressa e sucumbe de novo à sua paixão por Gwenhwyfar. Mas o Rei Veado tem assuntos mais importantes como a guerra decretada por Mordred que pretende usurpar o trono de Camelot.
Conseguirá o mundo de Avalon sobreviver ou será forçado a desaparecer nas brumas do tempo e memória?

Existe uma satisfação muito particular quando se chega ao fim de uma tetralogia que atinge a dimensão, histórica e factual, de As Brumas de Avalon no passado, e ainda hoje, na literatura fantástica. Algo que se reafirma de forma muito especial para os amantes, como eu, deste género literário mas, igualmente, para todos aqueles que têm capacidade de se emocionar com os factos narrados nas entrelinhas e, neste livro em particular, com um fim, um epílogo, derradeiramente perfeito.

Cavaleiros e donzelas, réis e rainhas de variadíssimos tronos, crenças e heranças, deram vida a esta história épica e harmoniosa de batalhas duras, de ódios e amores intensos, bem como de magia pura que se converteu em sangue capaz de regar a vida, de regozijar a morte tão definitiva quanto a força de acreditar.

Esta opinião contém spoilers para quem não leu os volumes anteriores.

Porque ela marca definitivamente, e de todas as formas, esta história….
Quem chega a este volume de As Brumas de Avalon, certamente que recordará, com nostalgia, uma Morgaine que de menina se fez mulher por uma Deusa, recordará, com mágoa, o oferecer da sua flor a seu irmão e recordará, igualmente, com respeito, eterno respeito, a sua coragem para superar duramente, e de forma absolutamente errada, os veios de uma maternidade que poderia oferecer ao seu mundo a esperança em tudo o que ainda estava para vir.
A esperança foi a bênção e a maldição da nossa narradora, Morgaine, que arriscando tudo, com todas as falhas e todos valores que a humanidade pode abraçar, sobrevive para além da imaginação para nos contar como tudo começou e como tudo termina, finalmente, num dos melhores clássicos Arturianos já mais publicado.

A esperança, a fé absoluta, foi um dos temas centrais ao longo deste texto. Entre intrigas, dissabores e paixões, a fé foi a que chegou a mais facilmente todos os povos e a que mais dificilmente recuou, perante as provações, para aqueles que em si depositavam toda a credulidade. A fé manteve-se constante independente da crença, Cristianismo ou Paganismo, e enraizou-se profundamente em todos aqueles que precisaram de acreditar para chegar mais longe. A fé fez cristãos os que eram mais pagãos e, com a mesma intensidade, redobrou as forças de todos aqueles que nasceram para adorar os mistérios de Avalon. Independentemente de se encontrar numa casa na floresta, independentemente de se encontrar numa corte exuberante, a fé foi o princípio e o fim de uma geração de personagens que conquistou muitas gerações de leitores.

Incestos e traições, amizades que ultrapassaram o amor e, principalmente, honras capazes de ultrapassar a verdade, foram apenas alguns dos temas que me foram maravilhando enquanto folheava intervenientes de carácter forte, personalidades retorcidas e anseios diversificados para proveitos próprios ou em nome de um bem maior. Houve direito a tudo nesta história, fosse ele dominado de sagrado ou pecado mas, confesso-vos, que entre o brilhantismo, a beleza e os festins da corte, entre as glórias, a força e a lealdade de uma Távola Redonda e entre o poder, a magia e o misticismo de ver para além dos homens fica, representado por Morgaine e não só, uma ovação lindíssima à mulher com seus defeitos e virtudes.

Quanto a este último livro em particular, porque apesar da retrospectiva é dele que se trata esta opinião, este encontra-se profundamente marcado pela passagem do tempo e pelo seu peso na vida de todos os intervenientes que conhecemos na meninice e agora se deparam com o peso da idade. As personagens femininas, sempre com um destaque especial no tecer das linhas do destino de todos, são agora maduras e sofrem agora com todas as dificuldades que advém com os primeiros sinais do fim. O passado, o presente e a ausência de um futuro ambicionado para Avalon e Camelot espelham esse retrato acabado, desgostoso, de quem julgou conseguir ultrapassar tudo e termina amealhando pedaços de nada, batalhas quase fracassadas e conquistas mornas para sangues temperados e outrora fervidos. Em O Prisioneiro da Árvore, é tempo de arriscar tudo antes do fim mas é, igualmente, o tempo de reflectir sobre todo o que aconteceu e saborear a compensação agridoce de vidas plenas.

Embora já tenha divagado suficiente sobre ela, sobre a fé, é impossível que esta não seja novamente referida devido à convicção com que é explorada ao longo destas páginas, críticas ao seu fanatismo e ao seu poder sobre o homem. Oh sim, a fé move montanhas, reavive almas mas, que fique claro, mata outros tantos à sua passagem. Que fé é esta? 
Para mim, Joana, ateia, a fé está no meu íntimo e nas minhas capacidades e vontades, porém quando vejo centenas de milhares em frente à Basílica de Roma, é impossível não tentar compreender a fé de tantos outros, um pouco da fé descrita por Marion Zimmer Bradley.

Concluindo, porque não vou repetir o que foi dito em opiniões anteriores quanto ao esmero, à magnificência e ao extraordinário talento em todos os sentidos desta autora, ficam os meus sinceros parabéns quanto à beleza desta edição postular levada a cabo pela Saída de Emergência, que conseguiu inovar esteticamente este clássico tornando-o contemporâneo para uma nova geração de leitores, como eu.

Dizer que este livro é indispensável para qualquer amante de fantasia pode ser um exagero mas, definitivamente, sinto-me corajosa o suficiente para dizer que vos marcará e vos levará a encarar este género de ficção com um novo olhar e com um novo nível de satisfação. Recomendo fervorosamente.


As Brumas de Avalon:
Vol. I A Senhora da Magia (Opinião)
Vol. II - A Rainha Suprema (Opinião)
Vol. III - O Rei Veado (Opinião)

Título: As Brumas de Avalon - O Prisioneiro da Árvora, Vol. 4
Autora: Marion Zimmer Bradley
Género: Fantasia Épica
Editora: Saída de Emergência – Colecção Bang!

domingo, 18 de novembro de 2012

Sinopse:
Nos anos que se seguem à coroação do rei Artur, a rainha Gwenhwyfar continua as suas manipulações para assegurar a lealdade do seu marido à igreja cristã, enquanto a sacerdotisa Viviane decide confrontar Artur pelo ato de traição contra Avalon.
Nos bastidores, Morgaine planeia o casamento de Lancelet, que ameaça sucumbir ao desespero pelo triângulo amoroso em que se vê enredado. Quando a rainha Gwenhwyfar descobre esse plano, jura vingança. Morgaine, através do seu próprio casamento, dedica-se a fortalecer a causa de Avalon. As sacerdotisas da Ilha das Brumas tudo farão para competir pela alma da Grã-Bretanha contra a maré insurgente da Cristandade. Mas que efeitos terá a chegada do jovem Gwydion, filho de Morgaine e Artur? Irá correr em auxílio do rei ou libertar o caos?

Ler As Brumas de Avalon tem sido para mim um prazer imenso que se renova de volume para volume e que me deixa, indiscutivelmente, marcada por uma satisfação plena. Exceptuando o primeiro título, A Senhora da Magia, em que senti um pouco de dificuldade em adaptar-me à escrita clássica de Marion Zimmer Bradley, esta história tem realmente conseguido cativar-me e, agora que se aproxima o seu final, posso afirmar que estou completamente rendida a esta lenda arturiana fantástica em que as mulheres são as verdadeiras rainhas.

Neste terceiro volume, O Rei Veado, Artur e a sua rainha encontram-se cada vez mais dedicados à fé cristã, propagando-a aos seus súbditos e cavaleiros que rapidamente parecem esquecer, tal como o trono, a influência que a magia da Avalon tem no actual tempo de glória. Mas Avalon não esquece e, enquanto o apogeu de tranquilidade reina entre os homens, é  silencioso, mas presente, o desespero que se instala entre o círculo de poder e que se torna, de dia para dia, uma arma poderosa capaz de destabilizar o coração da nobreza.
Após a viragem inesperada em A Rainha Suprema, as intrigas continuam a aumentar, as falsas ligações começam a corroer-se, os interesses, por seu lado, vingam e, para bem ou para o mal, aquele que nasceu pela mão da Deusa cresce e aprende entre a magia e a fé do reino para, muito mais tarde, mas mais cedo que se julga, vir revindicar aquilo que Avalon considera seu por direito. 

Proporcionando sempre novos desenvolvimentos, esta trama complexa revela-se cada vez mais emocionante. Se por um lado Avalon se mantém serena enquanto recupera face ao golpe sofrido com a falta consideração por parte do reino, na corte os acontecimentos são inesperados e constantes proporcionando uma análise de temas muito interessantes enquanto desvendamos esta história de gerações.
No que respeita às questões desenvolvidas no reino, por Gwenhwyfar, Arthur e Lancelet, temos a possibilidade de abordar conceitos polémicos independentes do tempo em que são tratados. Falo-vos de traição, mentira e falsidade que nestas páginas imperam lado a lado com os suseranos. A inveja, a cobiça, a vaidade e o ódio, pecados mortais indiscutíveis, são expostos através daquela que aparenta ser a imagem de santidade, a rainha Gwenhwyfar, relevando a hipocrisia muitas vezes associada ao cristianismo. Esta é uma personagem, pecadora e purgatória, que embora principie algum sofrimento não nos permite sentir piedade sendo, acima de tudo, uma interveniente cativante pela dimensão de emoções com que contribui para todo o enredo.
Os homens que vamos conhecendo cada vez melhor, por outro lado, são tão maleáveis que apenas evidenciam a fraqueza, desconsideração até, que a autora tem pela masculinidade e este é factor que acaba sempre referenciado em qualquer personagem, principal ao secundária, durante o decorrer da acção. Sim os homens são belos e fortes, mas a astucia que lhes é atribuída fica muito aquém de qualquer mulher que reside nestas páginas.
E no que respeita às personagens de AvalonMorgaine, Viviane, o Bardo e, agora, Niniane e o filho de Morgaine, Gwydion – estes continuam a representar uma imagem de sabedoria para além da fé, porque a sua crença reside naquilo em que acreditam, independentemente de uma moralidade pré-concebida. Uma lição bonita. A sua contribuição para a narrativa é agora, no entanto, mais corrompida mas não deixa de maravilhar e surpreender devido às teias com que tecem os destino de outros através de uma determinação e vontade avassaladoras, através do seu desejo de verem vingado o poder magia. Nem sempre são justos, muitas vezes chocam com os seus actos, mas é mais difícil julga-los do que deixarmo-nos encantar pela forma singular com que pontuam o texto.

Em suma, e porque é impossível para mim falar desde livro de forma individual sem abranger a totalidade da história As Brumas de Avalon ou contar-vos mais do que o apropriado, posso dizer-vos apenas que a magia e o cristianismo, os homens e as mulheres, o amor e a vingança continuam a ser dicotomias recorrentes neste terceiro livro, um livro em que novas personagens surgem e algumas de destaque desaparecem mas que, no final, deixa claro a importância de todos os pormenores para o futuro desta ficção universal que, em algum, todos deveriam ter oportunidade de folhear.

Quanto a Marion Zimmer Bradley, penso que já lhe dediquei todos os elogios possíveis, que são imensos, nas minhas opiniões anteriores.
O seu talento e mestria são incontestáveis, a enormidade e rigor da sua obra é arrebatadora e, definitivamente, quando mais descubro o seu talento e criatividade mais fascinada me sinto. Mais do que uma história, a autora criou um mundo maravilhoso e incomparável que serviu, serve, de fonte de inspiração para escritores e leitores ao longo das últimas décadas o que, só por si, diz tudo.
As suas descrições são irrepreensíveis e o cuidado que aplica a todas as singularidades, emoções e intervenientes é encantatório conseguindo fazer prevalecer o desejo de descobrir um pouco mais sobre a sua ficção.

Pessoalmente, como é evidente, estou rendida a este universo que mistura dois mundos de crenças diferentes.
Neste terceiro volume, O Rei Veado, gostei particularmente de Morgaine que volta a ter um desempenho excelente. Iludindo até mesmo o leitor, esta protagonista, por vezes narradora, tem um papel no fado de todas as vidas descritas que é impensável e a forma como o faz, nem sempre correcta, não deixa de motivar em mim o instinto de adoração. Está a tornar-se uma das minhas personagens favoritas de sempre.

Esta obra é uma publicação maravilhosa com a assinatura Saída de Emergência, fundamental na sua colecção BANG, bem como na estante de todos os leitores de fantasia. Um clássico intemporal, uma leitura que, uma vez mais, eu volto a sugerir fervorosamente aos leitores de literatura fantástica e não só.



As Brumas de Avalon:
A Senhora da Magia, Volume I (Opinião)
A Rainha Suprema, Volume II (Opinião)


Título: O Rei Veado, Volume III
Autora: Marion Zimmer Bradley
Género: Fantasia
quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O clássico As Brumas de Avalon regressa ao mercado português para dar a conhecer a uma nova geração esta história mágica e intemporal centrada nas mulheres que, por detrás do trono de Camelot, foram as verdadeiras detentoras do poder.

Título: As Brumas de Avalon - O Rei Veado
Autor: Marion Zimmer Bradley
N.º Páginas: 272
PVP: 16,90 €
ISBN: 9789896374440

Sinopse:
Nos anos que se seguem à coroação do rei Artur, a rainha Gwenhwyfar continua as suas manipulações para assegurar a lealdade do seu marido à igreja cristã, enquanto a sacerdotisa Viviene decide confrontar Artur pelo ato de traição contra Avalon.
Nos bastidores, Morgaine planeia o casamento de Lancelet, que ameaça sucumbir ao desespero pelo triângulo amoroso em que se vê enredado. Quando a rainha Gwenhwyfar descobre esse plano, jura vingança. Morgaine, através do seu próprio casamento, dedica-se a fortalecer a causa de Avalon. As sacerdotisas da Ilha das Brumas tudo farão para competir pela alma da Grã-Bretanha contra a maré insurgente da Cristandade. Mas que efeitos terá a chegada do jovem Gwydion, filho de Morgaine e Artur? Irá correr em auxílio do rei ou libertar o caos?

As Brumas de Avalon
Sobre a Autora:
Marion Zimmer Bradley nasceu em Nova Iorque, em 1930. Começou desde cedo a escrever para revistas e antologias, mas foi na década de 60 que iniciou uma carreira de sucesso como romancista. A sua série mais popular iniciou-se com a publicação de As Brumas de Avalon, uma recriação da lenda arturiana que ainda hoje tem conquistado gerações. É também conhecida pela série de ficção científica Darkover, entre muitos outros romances memoráveis. Faleceu em 1999.

Saiba mais em: Saída de Emergência

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sinopse:
Morgaine é ainda uma criança quando testemunha a ascensão de Uther Pendragon ao trono de Camelot. Uther deseja Igraine, a mãe de Morgaine, presa a um casamento infeliz com Gorlois. Mas há forças maiores que estão em curso e que se preparam para mudar as suas vidas para sempre. Através da sua sacerdotisa Viviane, Avalon conspira para unir Uther a Igraine e dessa aliança nascerá Arthur, a criança que salvará as Ilhas. Morgaine, dotada com a Visão, é levada por Viviane para Avalon onde irá receber treino como sacerdotisa da Deusa Mãe. É então que assiste ao despertar das tensões entre o velho mundo pagão e a nova religião cristã. O que Morgaine desconhece é que o destino irá armar-lhe uma cilada e pô-la, de novo, no caminho do meio-irmão Arthur da forma que menos espera…
O clássico As Brumas de Avalon regressa ao mercado português para dar a conhecer a uma nova geração esta história mágica e intemporal centrada nas mulheres que, por detrás do trono de Camelot, foram as verdadeiras detentoras do poder.

Em tempos longínquos, em terras governadas por homens fortes e suseranos acima de todas as outras vidas a guerra era constante e as mulheres, esposas, ficavam abandonadas nos seus lares por tempo indefinido e com uma instabilidade precária.
Eram tempos de mudança, tempos em que a magia tinha um estreito laço com as mulheres, tempos em que a feitiçaria ia sendo derrotada de dia para dia pela fé cristã mas, enquanto Avalon persistisse, nada estava irremediavelmente perdido.

A Senhora da Magia é o primeiro livro da série As Brumas de Avalon e introduz-nos numa época maravilhosa onde o cristianismo começou a dar os seus primeiros passos. Tendo como alicerces principais a mulher e a sua ligação à magia, esta é obra é considerada um clássico e apresenta-nos uma mistura perfeita os géneros histórico e fantástico conduzindo-nos, como se de um espectro nos tratássemos, para um universo paralelo.
A falecida autora Marion Zimmer Bradley tem uma escrita apropriada para o tempo em que é narrada a acção, bem como, para com momento em que a escreveu o seu livro (1982) e embora, esse facto, acabe por se traduzir numa leitura um pouco morosa a verdade é que a grandiosidade do seu enredo nos abstrai totalmente oferecendo uma motivação crescente conforme nos vamos ambientando na história.

Eu fazia parte do leque de leitores que adora fantasia e que ansiava por mergulhar nas famosas Brumas e a verdade é que me questiono como é que aguardei tanto tempo.
As personagens deste livro encontram-se, regra geral, trabalhadas ao pormenor sem que percam uma parte do mistério e da incerteza que as torna tão atractivas para o leitor. Morgaine, como protagonista, é quem comanda a maior parte da história narrando-a, diversas vezes, na primeira pessoa por forma a introduzir-nos em momentos específicos ou alterações temporais. Importa frisar que esta mesma personagem evolui com a narrativa que decorre num período extenso  (mais de uma década).
Algo que me agradou em particular, e que abrange grande parte dos intervenientes, é o factor surpresa que proporcionam devido a variações de posição e carácter que estão, por sua vez, dependentes do destino e das premonições efectuadas em Avalon deixando-nos constantemente expectantes.


O cenário dominante Arturiano é prodigiosamente descrito pelo que o leitor não sente qualquer dificuldade em enquadrar-se nas maneiras e costumes utilizados na época. Outro pormenor, interessantíssimo, recai sobre as estratégias e conselhos de guerra e, juntamente com estes, a forma como ardilosamente o cristianismo se foi introduzindo nas cortes e no povo colocando de parte a magia e as curas que até então faziam parte da nobreza.

Em jeito de nota pessoal atrevo-me a dizer que a autora tinha uma tendência para defender um conceito bastante feminista para o período em que estava inserida o que é visível pela forma como apresenta as personagens Morgaine e Viviane que embora muito sacerdotais e dedicadas à magia e força da mulher, adorando a Deusa Mãe, não deixam de ter por detrás dos seus feitos uma meta que visa a influência política que se vem a revelar indispensável para concluir a predestinada ascensão de Arthur a senhor suserano dos povos da Bretanha.

Pessoalmente, embora me tenha custado um pouco o inicio do livro devido à escrita e à complexidade do enredo, retirei desta leitura um prazer imenso. As intrigas, a mística e as descrições de cenários deixaram-me maravilhada e, mais para o final, senti-me completamente presa à trama e ansiosa por saber os próximos passos de Morgaine e o que estará predestinado para o futuro de tantas outras personagens. Saliento apenas que é importante não esquecer que este é o primeiro livro, existe toda uma introdução necessária para que consigamos abarcar a totalidade do que está a ser desenvolvido.

Quanto a Marion Zimmer Bradley o seu mérito é incontestável e já está mais do que demarcado não me contenho, no entanto, de alertar que todos os leitores habituados a escritas mais comerciais e enredos leves poderão vir a sentir um pouco de dificuldade até encontrarem o seu ritmo de leitura e envolvência com as personagens que, no final, não vos irão desiludir.

Uma grande, grande aposta Saída de Emergência que mais uma vez surpreende os fãs da Colecção Bang! com um autor titânico que merece especial destaque em qualquer estante. Recomendo a todos os curiosos que arrisquem que não se irão arrepender. Gostei!

Título: As Brumas de Avalon – Volume 1: A Senhora da Magia
Autora: Marion Zimmer Bradley
Género: Fantasia
Editora: Saída de Emergência – Colecção Bang!

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