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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sinopse:
Retrato de uma Iniciante» de Lissa Price transporta-nos para o mundo de Callie, explicando porque se tornou uma Iniciante. Um breve relato de introdução ao universo distópico da série Destinos Interrompidos. Uma leitura obrigatória para todos os que já leram o livro.

“Embora eu não tenha o costume de ler shorts stories, aceitei o desafio de ler este género de literatura para uma maratona de leitura de Verão e o resultado, felizmente, foi bastante positivo.”

Os leitores mais assíduos do blog já ouviram certamente falar de Lissa Price, autora que visitou Portugal, graças à Planeta Manuscrito, para nos apresentar o universo de Starters.
Ficção científica ligeira e o romance são os aperitivos desta narrativa pós-apocalíptica, Retrato de uma iniciante, uma introdução que aguçará a curiosidade dos fãs deste tipo literatura Young Adult.  

Ainda que estas páginas pouco revelem do potencial da série, quem lê encontrará uma noção base do cenário e de uma das personagens secundárias mais relevantes no enredo, Michael, podendo assim começar a compreender os seus afectos e as dificuldades existentes para se sobreviver num mundo verdadeiramente disfuncional e cruel.

Para além de ser a forma perfeita para atrair leitores para a história de Price, este texto chama igualmente a atenção para a seu protagonista, Callie, e, certamente, cativará todos os que se sentem fascinados por ambientes em que o universo está destruído pela ambição humana e que explorem questões intemporais, neste caso a reversão da mortalidade.

Em suma, esta é uma pequena amostra de um bom enredo que está disponível gratuitamente para todos os curiosos – contactem-me para o email do blog se não souberem como adquirir o texto.

Quanto a mim, esta leitura serviu para me recordar da escrita de Lissa Price, simples e fluida, antes de iniciar a leitura do segundo livro da série, A Revelação. Serviu, igualmente, para ficar a saber da existência de outros contos associados à mesma – Portrait of a Marshal: The 2nd Unhidden Story (Starters, #1.25), Portrait of a Spore: The 3rd Unhidden Story (Starters, #1.5), Portrait of a Donor (Starters, #1.75) – que desejo ler em breve.
Enfim, acho que devo mesmo começar a ler mais mimos destes, mimos proporcionados por autores que procuram dar a conhecer mais pormenores dos seus trabalhos, ou pelo menos deverei fazê-lo relativamente a histórias que eu esteja a seguir.

O meu muito obrigado à Planeta Manuscrito por proporcionar aos leitores o acesso a este conto na sua língua materna, algo verdadeiramente raro e aprazível.

Destinos Interrompidos, Starters, #1 (Opinião)


Título: Retrato de uma iniciante
Autora: Lissa Price
Género: Romance; Young Adult; Short Story; Distopia
Editora: Planeta Manuscrito





quinta-feira, 17 de julho de 2014

Sinopse:
Um ladrão entra por um banco dentro armado com uma pistola pronta a disparar, mas não pede dinheiro. Em vez disso, exige a cada cliente o objeto que tenha para si maior significado. O ladrão parte e todas as vítimas do assalto sobrevivem, mas coisas estranhas começam a suceder-lhes pouco depois: a tatuagem de uma sobrevivente salta-lhe do tornozelo e persegue-a; outra acorda e descobre que é feita de rebuçado; e Stacey Hinterland descobre que encolhe, gradualmente, um pouco a cada dia que passa, e nada que o marido ou o filho possam fazer conseguirá inverter o processo. A Esposa Minúscula é uma fábula sobre como podemos perder-nos nas circunstâncias e encontrar-nos no amor de outra pessoa.

Contrariando-me, não há muito tempo afirmei algures não ser grande adepta de contos mas agora, que a minha lista de leituras neste género aumentou consideravelmente e com uma qualidade gritante, tenho de admitir ter descoberto nestes pequenos tesouros o contento das muitas possibilidades contidas no que eu considerava uma ínfima parte do potencial de uma história – estava redondamente enganada.
Justificações à parte, a escolha de A Esposa Minúscula – porque as reticências ainda estão presentes e a escolha de cada nova viagem é ponderada – veio de páginas que percorri anteriormente de autores que são para mim referências e, sinceramente, ainda bem que o fiz, adorei esta história.

Intrigante, profunda e com a dose certa de suspense, esta fábula oferece uma atractiva análise do ser humano tendo por base o fantástico, tendo por base as escolhas de toda uma vida ou um simples sopro que poderá mudar realidades para sempre.
Por oposição ao conto A Menor Mulher do Mundo de Clarice Lispector, em que os humanos se vão afastando das qualidades da sua humanidade quando confrontados com o peculiar, Andrew Kaufman procura na diferença despertar a empatia sobre dos seus intervenientes, outrora escravos de rotinas e distanciados do valor da sua individualidade.
O leitor, inicialmente hesitante do que simboliza para o autor a palavra significado, é então atraído pelo acaso e circunstância, um raro assalto a um banco, os primeiros sinais de viragem neste texto rumo ao extraordinário, à mudança que destruirá as amarras e seguranças garantidas e que irá mostrar o quão efémero é o conceito de tempo e de memória.

Ultrapassado este primeiro momento a escrita liberta-se, o finito e o infinito confrontam-se neste conto pleno de hipóteses, com tatuagens a ganhar vida e corações a pulsarem sem sangue nem veias. Tudo é possível e eu, previsivelmente, deixei-me fascinar pelo cliché das múltiplas metamorfoses evidentes em várias das figuras que foram vítimas do assalto. Gostei de um doce e de como gula venceu o amor, gostei de alguém que viu dividida a sua origem até permitir que esta se desvanecesse, gostei do peso literal das histórias e das heranças e gostei, particularmente, das personagens que são o motivo desta obra – uma mulher que calcula o quanto mingua e quando desaparecerá, enquanto encontra sem procurar afectos incalculáveis.

O ritmo, a cadência das palavras é encantatória e não raras vezes procura iludir quem lê. O autor conseguiu, desta feita, elaborar algo simples que tanto pode levar à reflexão como oferecer um pouco de entretenimento ou, efectivamente, ambas. A imaginação funciona ao longo deste pequeno livro em vários sentidos, com as descrições incompletas, personagens que podem despertar diferentes reacções ou com um simples chapéu que marca a mudança ou o princípio ou a repetição.

Enfim, sei que não vos contei muito sobre a história mas receio que, por se tratar de um conto, poderia estragar o mimo que qualquer um irá receber desta leitura, de uma hora perfeita entre a complexidade e a assertividade do poder de encantar, com a leveza do comum enleada no sombrio e na janela aberta, sempre ilimitada, que concilia a realidade com a fantasia.

Esta é uma aposta típica da colecção Bang!, da editora Saída de Emergência, que mais uma vez desafia os seus leitores com ficções desiguais.


Título: A Esposa Minúscula
Autor: Andrew Kaufman
Género: Conto; Contemporâneo; Fantástico



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sinopse:
Muito já se publicou sobre o casamento. Mas pouco, ou quase nada, sobre os momentos íntimos no segredo das alcovas depois das cerimónias oficiais. Juliette Benzoni, historiadora e romancista, soube encontrar o fio condutor dos escritos e memórias de várias personagens da História, desde noites de núpcias de deuses, de reis a príncipes. Noites grandiosas de Alexandre, o Grande, noites resignadas de Luís XVI, noites reticentes, noites de lágrimas, estranhas, entusiastas e desesperadas. Noites dramáticas, da tenda de Átila, o Huno ao quarto de Mayerling, terminam em amor ou ódio instilados no sangue.
Este livro conduz-nos por estas noites secretas e nunca reveladas e que, por vezes, mudaram o curso da História.
Noites dos Grandes. Mas talvez também as nossas. Todos podemos reencontrar as nossas experiências e confrontar as nossas decepções e sonhos.

Se dúvidas houvesse quanto ao talento de Juliette Benzoni - afinal de contas só li os seus dois livros relativos à Época dos Venenos, passados na famosa corte de Luís XIV -, estas foram dissipadas quando, após mergulhar num género literário ao qual sou absolutamente adversa, emergi das suas páginas plenamente satisfeita.

Um cocktail incomum, Na Cama dos Reis: Noite de Nupcias reúne um extenso e diversificado conjunto de histórias, umas mais fundamentadas, credíveis, que outras, sobre um momento que se idealiza íntimo e de partilha mas que, porque assim ditavam as regras ou por insistência dos mais perseverantes interessados, muitas vezes ao longo dos tempos foi digno de escrutínio e avaliação. Falo-vos, claro está, de um momento de consumação, consumação de um casamento, de um tratado ou contracto, da consumação de um jogo de poder, quiçá perverso, quiçá de sedução, ou até, excepcionalmente, da consumação de algo que era ausente, de algo a que hoje designamos de amor.

Este não é, de todo, um livro romântico e, afirmo desde já, que embora de passe maioritariamente em leitos matrimoniais, está longe de ser um livro sensual. Este é, isso sim, um livro histórico, uma compilação perfeita e divertida onde o leitor encontrará momentos que, eventualmente, ditaram o rumo de antepassados sonantes e que hoje são a base de estudo de muitos mas, ainda assim, é um livro irresistível, absolutamente irresistível, concebido por aquela que é mestra no seu ofício.

Iniciando a nossa viagem Babilónia, passando para o mais libertino dos deuses, Zeus, a semideuses e outros tantos que assim se consideravam, como os faraós, esta narrativa torna-se sublime com aquele que seria, definitivamente, o lar perfeito da autora. É ao analisar reis, rainhas e reinados que se verifica que a autora pesquisou profundamente para nos oferecer algo verosímil e fundamentado, oferece-nos noites resignadas, noites reticentes, noites inglesas e… estranhas, noites entusiastas e, ainda, noites dramáticas, temáticas em que se dividem os diversos textos ao longo do livro.
Neste ponto, a partir de A noite de Catarina de Médicis, o livro ganha um novo folgo e interesse, que se mantém até ao final, com um ritmo e envolvência deliciosos, raros, atendendo ao tipo de leitura que trata a obra.

Bem ao jeito da autora, quem lê encontrará uma crítica latente à opulência, à arrogância máscula de outros tempos e que permanece, muitas vezes, até aos dias de hoje - algo que, segundo a mesma, só poderá descender dos próprios deuses. Acredito.
Tudo, absolutamente tudo o que li está exposto com elegância e coerência extremas, pois estas são linhas que nos falam de soberanos, de pormenores curiosos de soberanos que se encontram sustentados numa bibliografia final de cortar o folgo, onde consta, até - espantem-se -, tratados e obras portuguesas. Sim, nós temos uma História maravilhosa!


Em relação à escrita de Juliette Benzoni, eu sonho um dia escrever como ela, com uma beleza capaz de hipnotizar quem quer que goste de ler.
Com um humor fabuloso, o seu dom permite-nos aprender sem que exista a noção do quão enriquecedoras são as suas palavras, palavras que nos brindam com ironia, palavras que jogam com os seus intervenientes, graciosamente. São características brilhantes que tornam Juliette singular e destacável entre muitas outras autoras.

Pessoalmente, de cada vez que leio esta autora sinto uma gratificação que raramente encontro noutra histórias, pelas lições valorosas que recebo enquanto usufruo de entretenimento puro. É das que mais prazer me dá folhear, não minto, pois para mim é clara a sua qualidade para anexar o contemporâneo ao clássico, encanta-me.
Em relação às pequenas narrativas que li, uma das minhas favoritas é A noite da gata-borralheira polaca, por ser das poucas em que foi desnecessária a graça e o talento da autora para que seja espelhada a felicidade - coisa rara antigamente.

Embora não seja uma opção comum, eu recomendo esta aposta da Planeta Manuscrito a todos os que gostem de ler, a todos curiosos que desejem variar as suas páginas e experimentar algo com imenso valor, já para não falar de que se trata de uma aquisição obrigatória para quem gosta de obras históricas.

Livro 1 e 2
A Época dos Venenos


Mataram a Rainha! (Opinião)
O Quarto do Rei (Opinião)



Título: Na Cama Dos Reis: Noites de Nupcias
Autora: Juliette Benzoni
Género: Histórico, Contos


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