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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sinopse:
Num deserto gelado mergulhado na escuridão, as linhas entre o bem e o mal, amante e inimigo, nunca são pretas ou brancas, mas desenhadas em tons de meia-noite.
Algo inumano surgiu nos confins gelados do Alasca, deixando uma carnificina indizível na sua esteira. Para a piloto Alexandra Maguire, os assassínios trazem recordações de um evento horrível que ela testemunhou em criança e evocam uma inexplicável sensação de alteridade que há muito tempo sentia dentro de si mesma, mas nunca compreendera totalmente… até que um desconhecido sedutor e sombrio com os seus próprios segredos entra no seu mundo.
Enviado de Boston para investigar os selvagens ataques e parar a matança, o vampiro guerreiro Kade tem os seus próprios motivos para regressar ao frio e proibitivo local do seu nascimento. Assombrado por uma vergonha secreta, Kade logo percebe a verdade surpreendente da ameaça que enfrenta, uma ameaça que porá em perigo a frágil união que formou com a corajosa e determinada jovem que desperta em si as paixões mais profundas e os anseios mais primários. Porém, ao trazer Alex para o seu mundo de sangue e trevas, Kade deverá enfrentar os seus demónios pessoais e o mal ainda maior que pode destruir tudo o que ele mais ama.

Há muito tempo, demasiado, que não me perdia nas palavras de Lara Adrian durante os meus momentos de lazer e o resultado, dada a saudade, foi uma leitura sôfrega e com o à vontade de um regresso a casa, um regresso ardente, perigoso e poderoso na companhia da fascinante Raça.
Sombras da Meia-Noite, o sétimo livro da série Raça da Meia-Noite, faz jus aos seus antecedentes com novas pistas face ao inimigo comum da história, com um casal atractivo e que combina na perfeição e com um cenário diferente e que permite uma interessante abordagem a esta espécie peculiar.

Alexandra, ainda considerada uma forasteira na terra onde procurou abrigo para fugir ao seu passado, é piloto de uma aeronave que distribui alimentos por regiões isoladas até que, certa madrugada, se depara com uma família de seis elementos que lhe é querida brutalmente estropiada, assassinada. Previsivelmente, esta notícia corre pela Internet e acaba por chegar aos elementos da Ordem, no complexo de Boston, que depressa se apercebem da anormalidade da atrocidade cometida, se apercebem que um crime tão horrendo não poderia ter origem num homem ou animal. Desta feita, o guerreiro que melhor conhece o local, Kade, é enviado para o terreno para investigar e, sem que a Ordem desconfie, para combater os seus piores pesadelos.
Escusado será dizer que o par se vai cruzar e, obviamente, entre o cheiro a morte, as incertezas e a desconfiança, crescerá uma atracção soberba entre ambos, o principiar da única emoção que será capaz de derreter o gelo que estes alimentaram em torno os seus corações.

Por factores diversos, confesso que este foi um dos meus livros preferidos da série até ao momento. O primeiro ponto positivo passa por, sem esquecer o romance, apresentar logo nos primeiros capítulos o lado mais negro, violento e sangrento desta espécie vampírica, enquanto fomenta mistérios que acabam por ir sendo revelados, cadenciadamente, nos momentos certos.

Gostei muito do casal principal e das singularidades com que é apresentado. Alexandra e Kade têm imenso em comum, uma sintonia perfeita que se revela nas suas história, nas suas personalidades e nas suas contrariedades, vendo-se à distância a faísca e magnetismo entre eles.
Num contexto mais directo e afectivo, ambos são bastante carentes sem que isso seja evidente através dos seus actos ou postura e, da mesma forma, tanto um como outro são forasteiros, mesmo com um lar, guardando segredos do seu passado que não conseguem admitir e que os fizeram fugir dos seus pesadelos em direcções opostas – ela refugiou-se do Alasca e ele fugiu de lá –, o que não deixa de ser, por si só, uma jogada bastante inteligente por parte da autora. Igualmente interessante, para mim, é o facto de este não ser o livro em que temos de ver aprendizagem ou crescimento por parte protagonistas, já de si maduros e conscientes das suas qualidades e defeitos, para os valorizarmos, mas sim um livro em que assistimos à admissão medos e à criação de um laço que os encoraja e fortalece para enfrentarem os seus traumas.

Quanto a intervenientes secundários, os vilões marcam pontos de uma forma geral, em particular aqueles que não estão directamente ligados ao inimigo comum a todos os livros da série. Achei Jenna, amiga de Alexandra, uma personagem também ela muito interessante e com imenso potencial que, como se verifica pela sinopse do próximo livro, será trabalhado em breve – estou muito curiosa.

Quanto à comunidade vampírica do Alasca, é um pouco diferente de todas as outras apresentadas até ao momento, possivelmente devido ao isolamento a que estão sujeitos. Mas, de um modo geral, apresenta os mesmo atributos de união e estreito laço familiar com as Companheiras de Raça – marcadas por um sinal de nascença em forma de lua crescente com uma lágrima no centro – a serem adoradas pelos machos e com estes, claro está, a mostrarem uma explosão de testosterona que os leva a ter uma personalidade bastante forte e de emoções inconstantes, que os faz ir da ternura extrema à crueldade muito rapidamente.

Para finalizar, embora este livro se passe numa região pequena, com os contornos sociais que tal implica, todos os predicados estão presentes, pelo que o leitor saberá algo mais sobre Dragos, encontrará uma vez mais Esbirros e Renegados e continuará a ter presente a problemática do tráfico humano. O tráfico, em particular de drogas, é outro dos temas presentes, assim como a corrupção.

Em suma, esta é, na minha opinião, uma séria perfeita para os amantes de fantasia urbana, que podem contar com muitos pormenores extraordinários, momentos plenos de tensão e muito sangue, sangue este que pode ser tão sedutor quando repudiante.

Lara Adrian tem talento e isso é irrefutável. As suas narrativas têm uma formula muito própria, com capítulos curtos e uma base que tanto tende ao mistério como ao romance, ambos prendendo o leitor com o mesmo nível de entusiasmo.
A sua escrita é fluida e atractiva, com diálogos pertinentes e descrições breves que não deixam de ser sensoriais e de dar a ver todo o cenário que a autora pretende representar.

Pessoalmente gosto bastante destes livros que, para além me proporcionam um bom entretenimento, com o seu carácter leve, já me aprisionaram à sua história principal deixando-me sempre desejosa de um novo folhear, de conhecer o próximo casal escolhido rumo a um desfecho pelo qual estou cada vez mais expectante. Felizmente o oitavo livro, Portas da Meia-Noite, já está publicado e à minha espera na estante.

Esta é mais uma deliciosa aposta Quinta Essência, para os adeptos de romance, em particular deste género de fantasia sensual que envolve seres de outro mundo.

Da mesma série, no blog
O Beijo da Meia-Noite (Opinião)
O Beijo Carmesim (Opinião)
O Despertar da Meia-Noite (Opinião)
Ascensão À Meia-Noite (Opinião)
O Véu da Meia-Noite (Opinião)
Cinzas da Meia-Noite (Opinião)


Título: Sombras da Meia-Noite
Autora: Lara Adrian
Género: Romance Paranormal; Sensual; Contemporâneo


domingo, 1 de setembro de 2013

Sinopse:
Cansada de encontros com egocêntricos, a designer de interiores Pamela Gray está quase a desistir dos homens. Quer ser tratada como uma deusa - preferencialmente por um deus. Quando exprime o seu desejo, invoca inconscientemente a deusa Ártemis, que possui alguns truques na sua manga celestial... Os gémeos Ártemis e Apolo foram enviados para o Reino de Las Vegas para testar as suas habilidades. A sua primeira missão é realizar o desejo de Pamela. Então Ártemis faz do irmão o voluntário. Afinal, quem seria melhor do que o lindo Deus da Luz para levar amor àquela mulher solitária? Deveria ser uma experiência, mas na Cidade do Pecado, onde a vida é um risco, tanto o deus como a mortal estão prestes a apostar um valor alto no jogo do amor.

Quando um livro reúne um bom romance e elementos sobrenaturais interessantes eu sou uma leitora feliz, e quando a estes dois géneros se junta uma pitada de sensualidade com a capacidade de despertar a atenção do Olimpo o meu sorriso alonga-se, a minha atenção é invocada na totalidade e horas de entretenimento puro, definitivamente, acontecem.

P. C. Cast está garantidamente de parabéns com o feminino sortilégio conseguido com a sua série Chamamento da Deusa, livros fantásticos que privilegiam histórias de amores impossíveis, ou não fossem estas obras as suas favoritas com uma avaliação acima da média além-fronteiras.

Tendo personagens bem construídas e fundamentadas, uma ligação ao maravilhoso atractiva e encontrando-se repleto de diálogos pertinentes e divertidos, o texto de Iluminada tem elementos chave irresistíveis que se complementam, de uma forma particular, com uma ovação à mulher ao longo de muitas páginas, em que os deuses são retirados do seu estimado pedestal.

Quanto ao enredo, este conta-nos a história de Palmela, a protagonista humana, que é atormentada por um passado emocional atribulado que tenta colmatar dedicando-se de corpo e alma ao trabalho, onde é bem-sucedida. Ao longo de toda a narrativa, estes são os pontos fortes que são trabalhados nesta personagem, que tenta superar-se em ambos, enquanto se vê encurralada numa partida divina de extremo mau gosto.
Em relação a Deuses, entre os Doze principais do Olimpo, conhecemos de forma muito particular Apolo e a sua irmã gémea Diana, bem como o meio-irmão de ambos, Baco, que será o responsável pelos impensáveis acontecimentos que tomarão conta da existência de todos os intervenientes. No entanto, resumindo, o mais importante de reter é que os gémeos, corajosos, belos e adorados, aprenderão uma lição e tornar-se-ão seres mais dignos do seu estatuto, enquanto Baco, invejoso, traiçoeiro e sempre ligado ao pecado, se vem a revelar um excelente vilão.

Embora existam algumas passagens na casa dos Doze, em particular no templo do Deus do Sol, Apolo, grande parte do texto decorre na mítica cidade de Las Vegas - ou será melhor dizer Reino de Las Vegas -, afinal de contas, este é o pedaço da Terra que Zeus ofereceu a Baco e esconde mais dos olhos humanos do que Palmela poderia imaginar, ao aceitar um peculiar trabalho de decoradora para o igualmente peculiar e extravagante escritor E. D. Faust, ao aceitar juntamente com este trabalho a oportunidade de, em muitos anos, se vir a desinibir e apaixonar pela primeira vez nesta cidade de perdição. O Caesar’s Palace é, desta feita, um dos pontos que nos oferece diversas descrições, assim como o ambiente que o rodeia.

No que respeita a temáticas abordadas, no lado humano temos violência psicológica e varias alusões questões relacionadas com vícios e pecados, mas é na exploração de índoles que a história tem realmente interesse, e aqui tanto deuses como humanos são escrutinados, algo que se encontra, em parte, interligado com as relações afectivas passadas e presentes.

Digno de nota, e de que gostei bastante, é o romance paralelo ao de Palmela e Apolo - mas não vos vou adiantar mais do que isto, têm de ler para descobrir quem serão os contemplados -, a alusão e interacção de de casais anteriores da série e, ainda, de toda a informação relacionada com a mitologia, que acaba por fornecer bastantes curiosidades para quem, como eu, percebe pouco de história e de mitologia grega.


Em suma, este é um livro extremamente giro e com muitas pontuações de humor que farão as delícias dos leitores de romance paranormal, e para além de ser uma fonte de entretenimento imensa, ainda ensina um pouco de história.

Quando à escrita de P. C. Cast, esta não será novidade para quem leu os seus livro anteriores série e, certamente, agradará a quem procure um livro com muita acção a decorrer, interacções simples mas sempre atractivas e criatividade por excelência, para aliar na perfeição ficção fantástica com uma base consistente.
As suas descrições espaciais estão bem conseguidas e dão a ver todos os cenários em que as personagens estão inseridas, assim como é possível sentir a envolvência que o ambiente produz nos intervenientes, que estão particularmente pormenorizados nos que respeita a personalidade.
Eu gosto de P. C. Cast a solo e uma vez mais gostei de uma história sua, pelo que é uma autora que merece um espaço nas minhas estantes e que continuarei a seguir avidamente.

Pessoalmente tenho de confessar que, embora este seja o meu livro favorito até ao momento, não fiquei fã, por aí além, do final escolhido pela autora, mas compreendo a credibilidade que ela tem vindo a conferir a todas as histórias que li de Chamamento da Deusa, pelo que está inteiramente perdoada e aguardo com ansiedade o próximo livro, no original Goddess of the Rose.

Esta é uma bem-vinda aposta da 1001 Mundos na fantasia direccionada para um público adulto, em particular feminino, uma chancela da ASA que me deixa feliz por dar continuidade a mais uma série que certamente conquistará os que arriscarem a sua leitura.




Deusa do Mar/Renascida (Opinião)
Desejada (Opinião)


Título: Iluminada
Autora: P. C. Cast
Género: Romance Paranormal; Sensual
Editora: ASA – 1001 Mundos
Adquirir – Aqui


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Sinopse:
Na pacata cidade de Hawkins Hollow, três amigos que partilham a mesma data de aniversário fogem para os bosques para uma noite de divertimento. Mas o que era apenas uma brincadeira rapidamente se transforma num pesadelo quando o juramento de irmãos de sangue que fazem liberta uma maldição de trezentos anos. Vinte e um anos depois, Cal Hawkins e os seus amigos assistem a uma semana de tragédias inexplicáveis que assombram a sua cidade, e que se repete a cada sete anos. Quinn, uma famosa jornalista, está decidida a descobrir a maldição que paria sobre Hollow e, apesar dos protestos de Cal, fará tudo para desvendar esse mistério. Mas quando os primeiros sinais malévolos voltam a surgir, não é apenas a sua terra que Cal tem que proteger, mas também o seu coração.

Após me ter sido dada a agradável oportunidade de conhecer Nora Roberts, através da Trilogia do Círculo, foi com expectativas que me debrucei sobre o título Irmãos de Sangue e, confesso-vos, que estas foram totalmente satisfeitas.
Mistério acompanhado de romance, com uma boa dose de diálogos pertinentes e uma essência encantadora de paranormal, fazem deste primeiro livro da Trilogia Signo dos Sete a leitura perfeita para os fãs destes múltiplos géneros literários que, aqui, se encontram cuidadosamente conjugados pelas palavras daquela que é uma autora altamente consagrada e recomendada.

Para lá de uma capa bastante apelativa, a premissa deste enredo é sem dúvida alguma bastante interessante. Três jovens, com a mesma idade e nascidos no mesmo dia, resolvem festejar o seu aniversário num local amaldiçoado e, como se não bastasse as aventuras da viagem até ao local no centro da floresta, entre os primeiros cigarros e cervejas da meninice resolvem selar a data com um pacto de sangue que, de imediato, começa a revelar consequências bastante perturbadoras.
Na actualidade, 21 anos passados, o poder libertado no passado, que se manifesta durante uma semana de sete em sete anos, parece agora intensificar-se e, entre horrores, loucuras e mortes, a chegada de uma jornalista que investiga mitos, Quinn, vem enfurecer ainda mais o que de malévolo assombra Hallow e que só por seis poderá vir a ser travado.

Gostei imenso do casal principal trabalhado pela autora nesta primeira obra, Cal e Quinn. Ele porque sendo um local e, em parte, a origem da desgraça da sua terra natal, em momento algum perde a coragem para enfrentar os problemas, algo que faz com um forte sentido de honra e preocupação com os seus, bem como com bastante charme após a chegada de Quinn. Esta mulher, por seu lado, agradou-me devido ao seu sentido de humor maravilhoso e a sua profissão de sonho, jornalista e investigadora do oculto. É certo que não lhe falta coragem, algo que vai equilibrando na perfeição com o medo que em muitas páginas se faz sentir.
Quanto às restantes personagens, também elas com uma certa dose de protagonismo, não me vou alargar porque serão desenvolvidas pormenorizadamente nos próximos volumes, ainda assim deixo-vos os seus nomes: pelo lado dos homens temos Fox e Gage, que juntamente com Cal completam o trio do pacto de sangue, e pelo lado das mulheres conhecemos Layla e Cybil, que são muito diferentes entre si e se unem ao grupo através de Quinn.
Concluindo, no que respeita ao núcleo de seis que para o bem ou para o mal se junta para resolver este problema com séculos de existência, posso defini-los, em geral, como bastante atractivos e sensoriais, como a própria narrativa sugere, e, principalmente, muito espirituosos e divertidos, principalmente em momentos de grande tensão e perigo. Acreditem-me, é hilariante ver o medo a tomar conta de todos eles enquanto, literalmente, se refugiam em piadas descompensadas e sangue ardente com um toque delicioso de paixão.

Um dos pontos fortes desta narrativa, para lá dos intervenientes de que definitivamente gostei, é o cenário, Hallow. Todo o ambiente e misticismo em torno da cidade são atractivos e a sua relação com o Mal é conjugada de forma plena. O mesmo acontece com os seus habitantes, figurinos da própria vila, que não se apercebendo, na sua maioria, da estranheza que os possuiu durante a fatídica semana, tornam tudo ainda mais intimidativo

Um factor que não posso deixar de referir é a marca temporal, aqui evidenciadas pelas personagens – Cal e Quinn ligados ao passado, Fox e Layla ao presente e Gage e Cybil ao futuro –, e, igualmente, pelo simbolismo do número 7, são pormenores que cativam durante a leitura. 

Fantasmas e ilusões, demónios e deuses, bem como a dicotomia bem e mal são, desta feita, alguns dos muitos fenómenos paranormais que fazem as delícias deste texto que, sendo abordados no momento certo e aliados ao romance com boa disposição, fazem com que este livro seja uma leitura realmente agradável.

No que respeita a Nora Roberts pouco há que ainda não tenha sido referido. A sua escrita é fluida, coerente e criativa, o que com inteligência se traduz numa leitura interessante que se desenvolve com naturalidade.
As suas descrições são breves mas suficientemente compostas para que o leitor sinta na pele os dramas dos intervenientes e, neste livro em particular, gostei da forma como o oculto se conjugou na perfeição com um ambiente de aparente normalidade.
Uma nota ainda para os mistérios, o suspense e os sustos bem conseguidos, assim como para os diálogos estimulantes que motivam o folhear.

Se na primeira vez que experimentei Nora tive algumas reticências (por motivos que não interessam nomear de momento), estas já estão absolutamente esquecidas, com a certeza de que, se me for possível, continuarei a procurar o prazer da leitura nas suas páginas.
Resta-me dizer-vos que este enredo conseguiu prender totalmente a atenção logo de início e assim me manteve até ao final entusiástico, que me deixou a desejar muito a sua continuação, já publicada, Ritual de Amor.

Mais uma excelente aposta Chá das Cinco, uma editora do Grupo Saída de Emergência, que consecutivamente me surpreende de forma positiva aumentando, de forma assustadora, o leque de autoras que me vejo impulsionada a seguir.  

Título: Irmãos de Sangue
Autora: Nora Roberts
Género: Romance Paranormal
Editora: Chá das Cinco – Grupo Saída de Emergência
domingo, 27 de maio de 2012
Sinopse:
Para Sookie Stackhouse, empregada de bar que consegue ler pensamentos, a Primavera será rica em segredos revelados, segredos que trarão grandes mudanças à sua vida. Com o seu talento para se meter em sarilhos, Sookie testemunha um ataque bombista ao Merlotte's, o bar onde trabalha. Sam Merlotte assumiu a sua natureza de metamorfo, por isso, as suspeitas apontam imediatamente para os anti-metamorfos locais. Mas Sookie tem outra opinião e alia-se a ele para descobrir o culpado.
Entretanto vê-se forçada a dividir a sua atenção. Apesar de não conseguir ler a mente dos vampiros, Sookie conhece bem o seu namorado, Eric Northman, e Pam, a vampira que este criou, e percebe que conspiram para assassinar o vampiro que se tornou mestre deles. Gradualmente, vê-se arrastada para a conspiração, que se revela cada vez mais complicada. Novamente embrenhada nas intrigas políticas do mundo dos vampiros, Sookie descobre que é apenas um peão, como qualquer outro humano... e que há uma nova rainha no tabuleiro...

** Esta opinião contém spoilers para quem não acompanha a série. **

No imenso e bizarro mundo paranormal, do qual Sookie faz parte, existem verdades simples e irrefutáveis. A morte é uma constante e esta protagonista já ceifou a sua cota parte de vidas. As mentes, em geral, são para si um livro aberto, o que tem tanto de assustador como de interessante. E a paixão, um factor importantíssimo, encontra-se nos braços de um viking com mais de mil anos, mas convenhamos, muito, mas muito, bem conservado. Sim, isto é a sua simples realidade, viver e sobreviver nestas condições é a parte complicada.

Sangue Ardente é o XI livro da série Sangue Fresco que após, aproximadamente, 3000 páginas continua a cativar-me através de Sookie, Pam, Eric, entre muitos outros que já fazem parte do meu imaginário. Acção, aventura, suspense, amor e muitas surpresas regadas a sangue são o cardápio habitual desta divertida história que, na minha opinião, veio dar uma nova vida ao universo literário onde os vampiros são reis mas quem domina é a (ex.)ingénua Stackhouse.
Charlaine Harris foi a minha primeira escritora no munto do romance sobrenatural. Da minha parte, já lhe teci todos os elogios possíveis relativamente à sua criatividade, humor e escrita inteligente, o que se comprova pelo facto da sua história já ter voado das páginas para o formato televisivo, alcançando um número ainda mais elevado de fãs, comprovando, simplesmente, que a sua capacidade de entretenimento não tem limites.

Se houvesse dúvidas do inestimável valor desta série, o número de volumes já publicados, e os que ainda estão por publicar, seriam prova mais do que suficiente para as despistar. Não vos minto, a cada novo livro, chega-nos a prova do seu valor, revelando-nos novos riscos, novos medos e novas perguntas, e respostas, que nos mantém em suspense e ansiosos pelo próximo lançamento. Na minha perspectiva, penso que a chave para o sucesso se encontra na inovação dos crimes e mistérios, com um toque do género policial criminal, que a autora aufere sempre a cada nova publicação, o que resulta na perfeição.

Este é um livro especialmente dedicado à clarificação de respostas que até agora estavam pendentes. Aqueles que, na sua maioria, interagem com a personagem principal são os vampiros Pam e Eric, e as fadas Claude e Dermot. A Pam, em particular, tem momentos muito relevantes onde nos mostra que, apesar de sanguinária, e sem pulsação, algo da sua antiga natureza humana ainda persiste mantendo-se, efectivamente, bela, assustadora e com uma graça digna da morte.
No que respeita a nossa Sookie os apuros e os riscos estão efectivamente presentes, embora nada de tão assombroso como vimos anteriormente. Esta rapariga já aprendeu, definitivamente, a fazer os trabalhos de casa. Efectuando um bom trabalho como detective e eficiente nos pensamentos, esta já não é a tolinha crédula que encontramos de início, tendo agora uma maior bagagem e sangue frio (expressão curiosa) para contornar os seus inimigos. As reviravoltas continuam a ser um dos pontos fortes e, parece-me que, muito em breve vamos ter novas surpresas nas diversas áreas da vida desta personagem. Uma coisa é certa, as peripécias estarão sempre garantidas.

Como em todos os outros livros, este não foi excepção, e existem diversos momentos chave nas mais variadas áreas e dilemas da vida de Sookie, Da minha parte, gostei de ver, finalmente, e definitivamente, o caso Pelt resolvido que já se arrastava à demasiado tempo. Outro dos pontos que merece especial destaque, e por o qual acredito todos aguardam com especial ansiedade, é a descoberta do porquê de a nossa protagonista possuir um dom tão peculiar

No que respeita ao lado paranormal, tanto as fadas como os vampiros continuam a manter os seus segredos e, embora Sookie esteja o mais próximo possível de qualquer um destes seres, a verdade é que se comprova que certezas não existem porque até o seu coração a poderá trair, o que nos trará novos desfechos no futuro que, uma vez mais, nos deixam aprisionados ao enredo.

Pessoalmente, não considerei que este fosse o melhor livro da série mas não é, de todo, inferior ao nível a que a autora nos tem vindo a habituar, podendo ser considerado satisfatório e deixando a vontade de ler mais. Sinceramente, após terminada a leitura, fiquei com dois desejos peculiares, o primeiro é ver a Sookie com uma maior quantidade de sangue de fada que lhe permita uma vida perlongada – sim, eu acredito em finais felizes e a autora já disse que a Sookie nunca se irá tornar vampira – e segundo, gostaria de ver o Bill morto. Penso que está, definitivamente, na altura da autora começar a cortar nas personagens principais pois, embora continue a permitir uma grande permuta de intervenientes, a verdade é que, na sua maioria, entram e morrem ou então desaparecem e, com a aproximação do final da saga, eu começo a ambicionar por estabilidade.

Charlaine Harris apresenta-nos os conceitos de sempre que passam por um ritmo de leitura sôfrego, sem momentos mortos, onde conjuga perigos e humor que só são possíveis graças às características da sua protagonista que é o ponto alto de qualquer livro, cada vez mais, com a sua fantástica evolução.

Esta é uma publicação Saída de Emergênciainserida na colecção Bang, em que eu aposto sempre e que sugiro a todos aqueles leitores que gostam de fantasia ou mesmo aos que, tal como eu na altura, nunca experimentaram este tipo de literatura e se encontram reticentes quando a criaturas sugadoras de sangue. Gostei.


Opiniões anteriores:

Título: Sangue Ardente
Autora: Charlaine Harris
Género: Romance Paranormal
Editora: Saída de Emergência

domingo, 20 de maio de 2012

Sinopse:
UM LAIRD FASCINANTE
Ele era conhecido por todo o reino como Açor, lendário predador de campos de batalha e alcovas. Não havia mulher capaz de recusar o seu toque, mas mulher alguma lhe fizera jamais estremecer o coração — até uma vingativa fada trazer Adrienne de Simone, aos trambolhões, da Seattle dos tempos atuais para a Escócia medieval. Cativa num século que não era o seu, ousada até mais não, sem papas na língua, ela era um desafio irresistível para o conquistador do século XVI. Coagida a casar-se com Açor, Adrienne jurou mantê-lo à distância — mas a sua doce sedução devastou tal resolução.
UMA PRISIONEIRA NO TEMPO
Ela tinha um perfeito “não” nos seus perfeitos lábios para o famigerado laird, mas Açor jurou que ela haveria de sussurrar o seu nome com desejo, implorando a paixão que ele ansiava por inflamar dentro dela. Nem mesmo as barreiras do tempo e do espaço o deteriam na conquista do seu amor. Apesar da sua incerteza quanto a seguir os impulsos do seu coração apaixonado, as reservas de Adrienne não igualavam a determinação de Açor em mantê-la ao seu lado…

Quando tudo o que ela sempre conheceu desaparece, como se de um sonho mau se tratasse, as surpresas não se fazem esperar. Do pesadelo ao desejo poderá ser apenas um batimento do seu coração mas, para isso, terá de se render a uma nova realidade e, mais importante ainda, à sensualidade de um poderoso e inexplicável Laird.

Highlander para além das brumas é aquilo que caracterizo por romance paranormal leve, envolvente e, indubitavelmente, uma inesgotável fonte de entretenimento. Com personagens repletas de personalidade, cenários de sonho e uma história extramente bem conseguida, tenho a certeza que este é um livro que facilmente vos fará render aos desígnios da paixão e do amor.

Esta é a segunda vez que tenho o prazer encontrar a escrita de Karen Marie Moning e, dentro do género, estou plenamente convencida aos seus atributos. Para além de conceber uma narrativa dotada de humor, algum suspense e bastante fantasia, a autora consegue também transportar-nos para uma Escócia concebida na parte mais fértil e bonita do nosso imaginário.

Algo que me apraz, ao ser adepta leituras muito diversificadas, é o facto de conseguir, regra geral, abstrair-me das histórias anteriormente percorridas e envolver-me, com igual entusiasmo, no contexto particular de cada enredo – seja ele mais ou menos marcante –  enquanto usufruo apenas do momento em questão.

Ao mergulhar em Highlander para além das brumas deixei para trás a complexidade da belíssima língua que me é inata e perfurei o submundo luxurioso que poucas autoras americanas conferem à literatura sensual e embelezada de guerreiros divinos que asseguram o acelerar da minha pulsação, acto aqui caracterizado Açor.
Como protagonista, Açor, é rude nos actos mas dotado de uma generosidade capaz de mudar o mundo. Ele é um Laird do século XVI que foi obrigado a abrir mão dos melhores anos da sua juventude por uma promessa de seu pai. Agora, já na casa dos trinta, a nossa personagem vê o seu restante futuro submetido. novamente, aos caprichos de um matrimónio imposto por um rei mas, felizmente para Açor, o destino e os deuses têm caprichos voluptuosos, até mesmo quanto comparados a um homem que reencarna a palavra tentação, e que tentação!
Adrienne há muito que perdeu a fé na beleza conferida aos homens que deseja. Ultrapassando ainda um desgosto de amor retocado de artimanha e de dor, continua a lamentar o seu medo e a sua mágoa no entanto, certo dia, é escutada por uma fada que vê em si o objecto perfeito para os intentos do seu ciumento rei feérico, e a sua vida, assim como a forma de ver o mundo, nunca mais voltarão a ser iguais.
Assim começa uma história com viagens no tempo, homens de sonho e uma mulher moderna, muito bela por sinal, num país já de si idílico onde tudo pode acontecer e onde tanto o bem como o mal se podem perder no fogo da paixão.

Esta foi uma história que me prendeu logo a partir das primeiras páginas através da ligeireza do seu enredo, que se conexa perfeitamente com os segredos dos intervenientes principais, e do amadurecimento bem trabalhado das personagens que vamos constatando durante o desenvolvimento.
Grande parte da narrativa é centrada nos seus intervenientes que, para mim, são o ponto forte do livro pois quer sejam eles principais ou secundários – como é o caso da mãe de Açor que me conquistou – a forma como estão caracterizados e vincados pelas suas personalidades é tão proeminente que se tornam requisito suficiente para o entretenimento. Os vilões, aos quais admito ter ficado especialmente rendida, são o espelho da cobiça e luxúria, nas suas vertentes menos belas mas bem por isso menos interessantes, muito pelo contrário.

No que respeita aos pormenores estes encontram-se latentes e também eles nos cativam, são disso exemplo o cenário, rural com nuances medievais e características de época, e a vertente do fantástico que nos oferece ousadas fadas com deliciosos requintes de malvadez.

O âmago do texto é evidente, girando em torno das complexidades do desejo e do medo de entrega que se encontram, neste caso em particular, recalcados pelo passado e que agora se extravasam nas vivências dos actuais protagonistas, conferindo, desta forma, algo de magnífico ás cenas de sedução a que muitas leitoras não ficarão indiferentes.

Pessoalmente, talvez por não ter expectativas, terminei a leitura com um gosto especial de satisfação, pois como um todo, e para o género em questão, penso que o livro tem uma qualidade acima da média.  

Karen Marie Moning convence não só pelo ambiente que cria como pelo divertimento que nos concede e que interligalindamente, com momentos de maior tensão. Quando à escrita não é particularmente descritiva e, na minha opinião, onde mais se revelou foi através dos diálogos mordazes que, não raras vezes, me fizeram rir com gosto. 

Este livro é uma aposta Saída de Emergência uma editora que aposta fortemente no fantástico, em todas as suas vertentes e para todos os gostos, e de que vos confesso ser fã. Gostei.




Opinião anterior:


Título: Highlander para além das brumas
Autora: Karen Marie Moning
Género: Romance Paranormal
Editora: Saída de Emergência
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sinopse:
Num mundo de sombras e escuridão, o desejo é a arma mais mortífera…
Impelido pela dor e pela raiva por causa de uma enorme traição, o guerreiro Rio dedicou a sua vida à guerra contra os Renegados. Não deixará nada interpor-se no seu caminho – muito menos uma mortal com poderes para expor toda a raça vampírica. Mas agora um mal antigo foi despertado e aproximam-se tempos sombrios…
Para a jornalista Dylan Alexander, o que começou como a descoberta de um túmulo secular oculto acabou por se converter numa espiral de violência e segredos. Porém, nada é mais perigoso que o homem marcado e letalmente sedutor que surge das sombras para a puxar para o seu mundo de desejos sombrios e noite eterna. Ali ela não consegue resistir ao toque de Rio, mesmo enquanto revela uma ligação surpreendente ao seu próprio passado. Dylan tem então de escolher: deixar o reino nocturno de Rio, ou arriscar tudo pelo homem que lhe mostrou a verdadeira paixão e os prazeres infinitos do coração.

Algo está a mudar, no ar espalha-se o odor de mortes por explicar e, desta vez, nem os olhares mais astutos conseguiram antever o que está para vir… enquanto isso, em algum lugar distante do mundo, um guerreiro sofre em solidão e anseia pela luz que sucederá depois da sua última pulsação.

Ascensão À Meia-Noite revela-nos tudo o que ficou por explicar após o acidente de Rio e, com a entrada em cena de uma protagonista feminina arrojada, esta é uma magnifica narrativa que não só apela ao romance como desenvolve, de forma surpreendente, questões que desde o início perturbam os guerreiros da Raça.
Lara Adrian mantém, neste quarto livro, a sua escrita simples e actual proporcionando um enredo que, além de sensual, é repleto de mistério e fantástico. Por estes e outros motivos, bem como muitos outros pormenores deliciosos, esta é uma série que conquista cada vez mais fãs oferecendo-lhes a garantia de satisfação no final de cada leitura.

Da minha parte foi com alguma ansiedade que aguardei o livro que seria dedicado a Rio que, após uma primeira aparição trágica, merecia um desenvolvimento aprimorado.
Em permanente luta interior, este personagem mostrará um lado emocional enternecedor que, entre a revolta e a abdicação afectiva, o deixará completamente dividido quando chegada a hora de fazer uma escolha definitiva em que terá de optar entre a rendição e a redescoberta de si mesmo.
Dylan, a protagonista que partilha a ribalta com este guerreiro, é em tudo o oposto ao que se poderia esperar para saturar um coração sedento e carente mas, como ela própria descobrirá, a sua personalidade inconveniente e a sua astucia em investigação irão leva-la para um universo que apenas imaginou tangível nas paginas do seu jornal sensacionalista e, quando finalmente vir revelados os segredos sobre si que desconhecia terá, também ela, de tomar uma decisão que mudará a sua vida.
Juntos eles formam um casal irresistível sobre o qual a autora foi perversamente minuciosa sabendo levar-me, como leitora, ao limite da curiosidade e desejo surpreendendo-me muito positiva.

Uma das vantagens desta série, Raça da Meia-Noite, ser contínua passa pelo feliz reencontro de personagens já nossas conhecidas e, tenho a certeza, que muitos serão os leitores que ficaram rendidos à forma como estes se interligam com o presente pontuando a trama com agradáveis surpresas.
Desta feita, para lá do lado romântico, o enredo que sem mantém desde o início joga agora de forma muito perspicaz com as circunstâncias proporcionadas e fiquei realmente rendida às mortes e aos inimigos da Raça, sendo as suas atitudes e movimentações um dos pontos altos do livro, na minha opinião.
Pessoalmente este foi o meu livro preferido devido á forma como diversos desenvolvimentos foram abordados o que me fez adquirir um ritmo de leitura voraz que aprisionou a minha atenção do princípio ao fim.

Lara Adrian foi bastante inteligente e, neste quarto livro, conseguiu surpreender-me com um final, em parte, totalmente inesperado. Embora nada tenha a acrescentar no que respeita à sua escrita, em relação a volumes anteriores, a verdade é que a normalidade neste caso é uma questão de prazer garantido.

Para todos aqueles, que como eu, desejam rapidamente voltar a ler a autora, resta-nos apenas aguardar a publicação para breve de O Véu da Meia-Noite que promete ser muito interessante com o frio e indiferente Nikolai. Uma deliciosa aposta Quinta Essência que as fãs do romance paranormal não vão querer perder. Gostei muito.


Opiniões anteriores: 

Título: Ascensão À Meia-Noite
Autora: Lara Adrian
Género: Romance Paranormal
Editora: Quinta Essência

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