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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
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sábado, 19 de setembro de 2015

Sinopse:
Katie’s got it pretty good. She’s a talented young chef, she runs a successful restaurant, and she has big plans to open an even better one. Then, all at once, progress on the new location bogs down, her charming ex-boyfriend pops up, her fling with another chef goes sour, and her best waitress gets badly hurt. And just like that, Katie‘s life goes from pretty good to not so much. What she needs is a second chance. Everybody deserves one, after all but they don t come easy. Luckily for Katie, a mysterious girl appears in the middle of the night with simple instructions for a do-it-yourself do-over:
1. "Write your mistake"
2. "Ingest one mushroom"
3. "Go to sleep"
4. "Wake anew"
And just like that, all the bad stuff never happened, and Katie is given another chance to get things right. She’s also got a dresser drawer full of magical mushrooms and an irresistible urge to make her life not just good, but perfect. Too bad it’s against the rules. But Katie doesn’t care about the rules and she’s about to discover the unintended consequences of the best intentions.

Estou completamente encantada, confesso-vos. Eu já conhecia a arte de Bryan Lee O’Malley mas apreciá-la a cores, numa belíssima edição de capa dura e sob a forma de novela gráfica foi uma experiência maravilhosa. Acreditem, fiquei ainda mais rendida ao seu trabalho e tentarei adquirir os seus restantes títulos.


Mistério, fantasia e romance são os pilares desta narrativa visualmente complexa e cativante que nos prende da primeira a última página do seu enredo, ansiosos pelo desfecho e ao mesmo tempo tentado arrastando e namorando virar de cada página – situação típica de que quer usufruir um pouco mais de cada imagem.

Seconds conta-nos a história de Katie, uma mulher que viu os planos da sua juventude, no amor e na vida profissional, morosos e logrados na sua concretização. Até que, certa noite, se vê perante a possibilidade de alterar o passado, literalmente, rescrevendo-o, comendo um cogumelo e adormecendo para acordar na realidade alternativa que escreveu antes de sucumbir ao reino dos sonhos. No entanto, nem tudo corre como o esperado e Katie dá por si a ter que ingerir demasiados cogumelos, a rescrever demasiadas vezes o seu passado e ter sonos e despertares cada vez mais perturbadores até que a verdade e aqueles que a rodeiam fugiram em absoluto a tudo o julgava controlar e, a determinada altura, o seu futuro corre o risco de nunca vir a existir.


Seguindo uma linha à qual já me havia habituado com a série Scott Pilgrim, existe um humor muito singular em O’Malley que me fascina mesmo nos momentos em que as suas personagens me apertam o coração e, neste livro em particular, uma vez mais, a sua personagem principal conquistou-me de imediato. Sim ela comete imensos erros e sim a Katie tem uma grande lição de vida para aprender, mas a empatia e desejo de a ver feliz, mesmo quando não o merece, é constante, cativando até ao final.
Os intervenientes secundários são igualmente deliciosos e aqueles que merecem maior destaque ficam, efectivamente, vincados na mente de leitor. Proporcionando reviravoltas cruciais ou oferecendo um toque verdadeiramente especial à narrativa, Lis uma “fantasminha” maravilhosa e Hazel são sem dúvida figuras fundamentais e traçadas com uma beleza encantatória, que tiveram a capacidade de me fazer sorrir e apreciá-las infinitamente.


Sem querer adiantar-vos muito mais sobre este livro, para que possam vocês mesmo saboreá-lo, resta-me dizer-vos que as suas principais temáticas giram em segundas oportunidades, da coerência do destino e do preço de cada escolha, decisão ou julgamento têm na nossa vida. E embora se trate de um romance, onde tantas vezes o amor de Katie por Max parece ser o verdadeiro impulsionador do enredo, é muito mais do que isso, esta é uma narrativa sobre a amizade, sobre o crescimento individual e a capacidade de cada em olharem seu redor.

Por fim, já vos disse que a arte representada é linda mas acreditem que nenhum adjectivo que eu possa utilizar a irá superar. Ricos em pormenores e com a capacidade de complementar o texto de forma extraordinária, os traços deste autor superaram tudo o que eu poderia esperar, prendendo-me longamente aos seus desenhos e fazendo-me desejar uma releitura logo após virar a última página. Seconds é maravilhoso, simplesmente maravilhoso.

Infelizmente, este livro ainda não pode ser adquirido em português mas não temam, o inglês acessível e se tiveram oportunidade acreditem que estarão a adquirir 336 páginas de puro deleite.


Título: Seconds
Autor: Bryan Lee O’Malley
Género: Novela Gráfica

Editora: Ballantine Books

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Sinopse:
Quando dois soldados de lados opostos de um imenso conflito galáctico sem fim se apaixonam, terão de arriscar tudo para proteger uma nova vida num universo terrível e perigoso. Um universo sem limites, povoado de possibilidades infinitas. E um planeta, Fenda, onde nascerá a ideia que irá expandir-se e crescer para conquistar todo um cosmos, símbolo de esperança para dois povos desavindos. SAGA é a história de dois jovens soldados de lados opostos de um vasto conflito inter-galáctico sem fim, que se apaixonam e arriscam tudo para protegerem a vida que criaram e que terá de crescer num universo hostil e perigoso. Alana e Marko querem apenas poder viver a sua vida em paz com a sua jovem filha Hazel – considerada uma abominação por todas as potências envolvidas na guerra – e, entre serem perseguidos por um príncipe robot com cabeça de TV, assassinos profissionais dos mais diversos planetas e serem assombrados pelos fantasmas de vítimas de batalhas passadas, a sua história irá mudar a galáxia. Fantasia e ficção-científica juntam-se como nunca antes no primeiro volume deste épico subversivo e provocante, obra de dois dos mais aclamados nomes da banda desenhada actual: o escritor Brian K. Vaughan e a artista Fiona Staples.

Momento sinceridade: esta vossa leitora não percebe nada de arte, mais concretamente da arte desenvolvida em novelas gráficas ou BD. Felizmente, isso não invalida o facto de eu começar a apreciar imenso este tipo de literatura que, doravante, acabará por ser mais comentada no blogue – tenho andado a comprar imensas coisas e estou, à primeira vista, apaixonada pela maioria das minhas aquisições.

Deveria ser pecado eu comentar Saga porque, por todos os prémios que conquistou e pela crítica que tem recebido, está mais que comprovado o seu valor, algo que até uma leiga como eu, que certamente não o aprecia na totalidade, consegue compreender.
Dividida, até à data, em cinco volumes, esta novela gráfica extraordinária conquistou-me pela sua edição e, posteriormente, pelos seus conteúdos fortes e impactantes que, articulados com originalidade do texto e os muitos paralelismo sociais e afectivos reais, me transportaram para o espaço. Eu não conhecia o autor ou a artista mas acreditem que depois desta experiência vou querer voltar encontrar-me com mais trabalhos de ambos.

Muito sucintamente, um casal de soldados pertencentes a facções opostas em guerra, Alana de Terravista e Marko do seu satélite Coroa, fugiram das suas origens para poderem ficar juntos e é no momento em que a filha de ambos vem ao mundo, Hazel, que tomamos conhecimentos das duas histórias e deste universo cruel, sedutor e que de forma bem conseguida representa uma espécie de humanidade (que nada tem a ver com seres humanos, que fique claro). Assim, nesta obra vamos assistir de perto ao início da fuga deste par com a sua filha, enquanto nos vão sendo oferecidas nuances do passado, mas principalmente sobre o presente de ambos, numa jornada épica em busca de um futuro melhor.   

Gostei imenso da forma como o texto, o criativo argumento de Brian K. Vaughan é apresentado, ora através dos balões de fala das figuras ficcionais, ora através da voz de Hazel, que narra de como tudo começou, de como assistiu às lutas, aos medos e às pequenas conquistas dos seus pais para que sobrevivesse.
Sinceramente, sendo a história aquilo que melhor posso analisar, adorei a voz desta pequena. Com um olhar tão contemplativo quanto crítico, ela complementa na perfeição todos os excessos (não tão excessivos assim), apresentados com humor e todos os apêndices que um título para adultos pode incluir.


Gostava de poder divagar sobre os desenhos de Fiona Staples mas, como disse anteriormente, pouco entendo desta arte, assim posso apenas dizer-vos que são belos, coloridos e fortes, capazes de chocar e comover pela riqueza de pormenores, quer relativamente aos cenários ou às emoções transmitidas pelas personagens. Conclusão, não é preciso ser uma expert para me conseguir deixar transbordar por um trabalho magnífico.

No que diz respeito a problemáticas, o livro tem de tudo um pouco e as analogias são evidentes da primeira à última página. Num enredo que usa e abusa da ficção científica e da fantasia, questões militares e políticas ganham destaque, bem como temas mais sensíveis como escravidão, abusos vários e muita violência envolvidos naquela que eu, e perdoem-me se vos estou a enganar, vejo como uma linda história de amor intergaláctico.

Em suma, foi com um cocktail excêntrico mas muito completo e fiquei a conhecer a dinamarquesa editora G. Floy Studio que, a um preço muito acessível, oferece uma edição de luxo em português com aquilo que, creio, será do melhor que poderei experienciar dentro deste género literário, narrativas escritas e visuais que tocam em todas as feridas, entretêm e aquecem o coração.
Sim, já comprei Saga Vol. 2 e mal saiba a data do próximo lançamento começo a lê-lo. Estou siderada!




Titulo: Saga – Volume Um
Autor: Brian K. Vaughan & Fiona Staples
Género: BD; Novela Gráfica; FC

Editora: G. Floy Studio
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Sinopse:
Estamos em 1979 e, no Irão, sopram os ventos de mudança. O Xá foi deposto, mas a Revolução foi desviada do seu objetivo secular pelo Ayatollah e os seus mercenários fundamentalistas. Marjane Satrapi é uma criança de dez anos irreverente e rebelde, filha de um casal de classe alta e convicções marxistas. Vive em Teerão e, apesar de conhecer bem o materialismo dialético, ter um fetiche por Che Guevara e acreditar que consegue falar diretamente com Deus, é uma criança como qualquer outra, mergulhada em circunstâncias extraordinárias.
Nesta autobiografia gráfica, narrada com ilustrações monocromáticas simples mas muito eloquentes, Satrapi conta a história de uma adolescência durante a qual familiares e amigos “desaparecem”, mulheres e raparigas são obrigadas a usar véu, os bombardeamentos iraquianos fazem parte do quotidiano e a música rock é ilegal. Contudo, a sua família resiste, tentando viver uma vida com um sentido de normalidade. Um livro inteligente, muito relevante e profundamente humano.


Pessoalmente, este é um daqueles livros que me faz sentir não haver elogios suficientes para demonstrar o seu valor.
Como leitura foi absolutamente soberba, com alguns momentos em que me fez rir pela sua linguagem pueril, mas muitos mais momentos em que, através dos retractos simples, os meus olhos se inundaram de lágrimas devido à crueza de uma realidade repleta de injustiças. No entanto, para mim, é indiscutível que todos os momentos, sem excepção, me levaram a uma reflexão profunda sobre a guerra, a religião, os homens e, mais importante que tudo o resto, sobre os inocentes. Os milhares de inocentes que deram o corpo numa luta desigual pelos seus direitos.

Presépolis é o reflexo de milhares de vidas que nunca tiveram oportunidade, ou a coragem necessária, para nos contar a sua história num país que, desde que se lembra, sempre viveu em guerra e onde a paz é como um raio de sol no Inverno, que não é suficiente para transmitir calor. O Irão apresentado por Marje é um universo paranormal para nós, ocidentais, que nunca provamos o verdeiro sabor amargo do fanatismo, ou mesmo da ditadura extrema, que é capaz de apavorar o mais bravo dos corações.
É explícita a cegueira que move os extremistas, assim como o medo que domina a restante sociedade a quem chegam sussurros diários de mortes clandestinas, a mesma sociedade que se esconde nas ruas e que, a determinada altura, morre nos seus lares devido ao terror constante com a noção que cada segundo pode ser último numa guerra com muitas faces, com muitos culpados que nunca se poderão comparar aos rostos dos martirizados. Ainda assim, existe espaço para a alegria e essa é sorvida até ao último segundo, tendo capacidade de reforçar a alma para as muitas batalhas que nunca encontrarão o seu fim. (Os humanos…)
Outro dos temas abordados, que considerei bastante curioso, foi a dificuldade dos emigrantes em adaptarem-se a às nossas culturas liberais, assim como no seu regresso ao país de origem, afinal esta é a história de uma infância e a história de um regresso.

«(…) Quando temos medo, perdemos todo o sentido de análise e de reflexão. Somos paralisados pelo medo. Além disso, o medo sempre foi a força motriz da repressão de todas as ditaduras.» - Página 312


Marjane Satrapi conquista-nos, em primeiro lugar, por sabermos que se trata da sua autobiografia mas, principalmente, pela sua voz, escrita, sincera, sarcástica, simples e dotada de conhecimento de causa que reflecte a sua meninice perdida, seguida de constatações maduras sobre um mundo muito particular.
O traço que a autora aplica à sua narrativa gráfica confere à sua obra uma beleza indescritível que contrasta, evidência, uma cultura que exclui o que é belo aos olhos comuns.
Muitos dos temas explorados são revoltantes, mas sobra espaço para apreciarmos o crescimento de Marje que, tenho a certeza, despertará muitos sorrisos durante as suas conversas com Deus, o seu desejo de ser profeta, ou mesmo o seu gosto ingénuo por música punk. Resumindo, um pouco de luz nas sombras da sua vida.

Eu amei este livro e não tenho a menor dúvida que ficará para sempre gravado na minha memória assim, como sei, convictamente, que irei regressar às suas páginas vezes sem conta. Esta é uma aposta Contraponto que, como não me canso de reafirmar, marca pela diferença em cada obra e que já me proporcionou excelentes momentos de leitura. Sugiro este livro a todo e qualquer tipo de leitor e, até mesmo, a quem não lê.

Espreitem o site da autora: Aqui. É lindo!

Título: Persépolis
Autora: Marjane Satrapi
Género: Novela Gráfica
Editora: Contraponto

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