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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Quando éramos pirosos mas achávamos que tínhamos pinta.

Título: Portugal Kitsch
Autor: Francisco Salgueiro
N.º Páginas: 208
PVP: 14.90 €
ISBN: 9789897412769
Disponível para compra – AQUI
Disponível em eBook – AQUI

Sinopse:
Este não é um livro qualquer de crónicas. Se fosse, não recomendava que o lessem. Mas devem ler... e várias vezes.
No final dos anos 1990 éramos pirosos. Entre outras coisas. Eu devia ter pouco com que me entreter porque fui escrevendo sobre o que via à minha volta: os secadores dos quartos de hotel que não secavam, a impossibilidade de levar para casa os restos dos doces dos casamentos num tupperware, ou as pessoas dizerem clichés como «quando se fecha uma porta, abre-se uma janela».
Os artigos foram publicados no Diário de Notícias - «Notícias Magazine» e tiveram êxito em todo o mundo. Ok, não ao nível dos Transformers, mas mesmo assim correram mundo.
Depois de milhares de pedidos para juntá-los num livro, aqui estão eles.
Todos juntinhos. Garanto que vão rir. E muito. Se no final não tiverem dado, pelo menos, cinco gargalhadas, provavelmente foi porque injectaram botox nos maxilares.

Leia um excertoAQUI

Da mesmo autoa, no blogue:
O Anjo Que Queria Pecar Opinião
O Fim da Inocência II – Opinião
Estou Nua, E AgoraOpinião

Sobre o autor:
Francisco Salgueiro é sócio da primeira empresa portuguesa de assessoria mediática e digital de celebridades, Naughty Boys. Fotógrafo premiado internacionalmente.



terça-feira, 22 de julho de 2014

Sinopse:
Alex, uma nova-iorquina, vive uma vida perfeita: acabou o curso e tem um emprego garantido. Está prestes a cumprir os sonhos que desenharam para ela. Mas um desgosto de amor leva-a a viajar pelo mundo. Precisa de se conhecer melhor e ultrapassar os seus medos. Da Tailândia ao Brasil, da Austrália a Marrocos, faz Couchsurfing dormindo em colchões, beliches, camas limpas, camas sujas, parques públicos – até em minha casa, em Lisboa. Nudismo, algum sexo, ilhas paradisíacas, jantares românticos, protestos de rua, festivais no deserto, um encontro com Nelson Mandela, mulheres que disparam bolas de ping pong das suas zonas íntimas – tudo isto faz parte desta história real passada nos sete continentes, ao longo de um ano, que representa tudo aquilo que gostaríamos de fazer.
Há pessoas que cometem erros por se acomodarem e outras que cometem erros por tentarem. A Alex preferiu errar tentando. E vocês?

Após ter terminado a minha terceira leitura pelas palavras de Francisco Salgueiro estou convencida, este autor não me desilude. Cada novo título tem-se revelado uma surpresa positiva através de histórias refrescantes e credíveis que, de tão singulares, me fazem questionar até que ponto a realidade não se cruza com a ficção.

Como elucida a sinopse, Estou Nua, E Agora? conta-nos uma aventura que atravessa continentes expondo, com um discurso repleto de vida, culturas, experiências e indivíduos desiguais que espelham na perfeição a multiplicidade que enriquece o nosso mundo e que nós, reclusos de rotinas, muitas vezes nos esquecemos de aproveitar.
Todo o texto é narrado por Alex, uma recém-licenciada americana que se vê inesperadamente no evento anual Burning Man (aqui), no deserto de Nevada, experiência essa que altera os seus horizontes pelo ambiente e situações surreais em que se vê envolvida. Com vontade de conhecer e experienciar mais, Tailândia é o destino que se segue e da desventura nascem infinitas possibilidades que fascinaram Alex e que certamente conquistarão o leitor.

Relativamente a personagens, é maravilhoso assistir à evolução natural da protagonista perante a diferença e a adversidade, ver como o seu caminho, jornada, a aproxima e afasta dos vários intervenientes e da vida que sempre conheceu. Entre todos os que conhece, destacam-se Jen e Bobby, em particular o segundo que foi o rastilho para que muitas das descobertas de Alex de realizassem.

Numa primeira análise, este livro é particularmente interessante pela abordagem inicial que proporciona ao Couchsurfing (aqui) e, apesar de deixar claros alguns dos alertas necessários para este modo de viajar, afirma as muitas vantagens associadas a este método que, para lá de económico, privilegia o contacto e interacção entre praticantes, oferecendo um olhar genuíno sobre os locais visitados – confesso que fiquei com vontade de experimentar.

Um ano em viagem, a descoberta de sete continentes, oferece sem dúvida muito que abraçar e assimilar e, como tal, o leitor encontrará um folhear rico em sensações e emoções pelos que tocaram Alex de alguma forma. Igualmente, é possível ver no destino de Alex o sonho de muitos de nós que, devido à inércia e passividade, acabamos por envelhecer sem verdadeiras aprendizagens singulares, sem a busca de um propósito e, especialmente, sem a coragem de partir à aventura do novo e do desigual que aguarda por cada um de nós – como é o meu caso!


Gostei muito da simplicidade da escrita deste livro que, com naturalidade, expõe medos e preconceitos comuns da mesma forma que nos cativa com loucuras hilariantes e rompe tabus. Dito isto, esta narrativa é uma verdadeira montanha russa em que tudo pode acontecer, desde que exista predisposição para tal, onde todo o tipo de índoles estão presentes e onde a novidade se apresenta constante capítulo após capítulo.

Pessoalmente gostei especialmente do humor de Alex, da sua abertura, e revi-me em muitas das suas atitudes e afectos para com o que foi vivendo. Adorei as fotos, os relatos e a sua partilha com o autor, permitindo que esta chegue a um número ilimitado de leitores que, possivelmente, se sentiram tão tentados, como eu, a ver o mundo com um novo olhar.

Esta é uma aposta da Oficina do Livro que eu recomendo, especialmente, a todos os que ainda não definiram as suas férias e, também, a todos os que gostam de romances e aventuras. 

O Anjo Que Queria Pecar (Opinião)
O Fim da Inocência II (Opinião)

Título: Estou Nua, E Agora?
Autor: Francisco Salgueiro
Género: Romance; Road Trip
Editora: Oficina do Livro


quarta-feira, 9 de julho de 2014

1 ano, 7 continentes, uma aventura inesquecível

Título: Estou Nua, e Agora?
Autor: Francisco Salgueiro
N.º Páginas: 328
PVP: 15.90 €
ISBN: 9789897411595
Disponível para compra – AQUI
Disponível em eBook – AQUI

Sinopse:
Alex, uma nova-iorquina, vive uma vida perfeita: acabou o curso e tem um emprego garantido. Está prestes a cumprir os sonhos que desenharam para ela. Mas um desgosto de amor leva-a a viajar pelo mundo. Precisa de se conhecer melhor e ultrapassar os seus medos. Da Tailândia ao Brasil, da Austrália a Marrocos, faz Couchsurfing dormindo em colchões, beliches, camas limpas, camas sujas, parques públicos – até em minha casa, em Lisboa. Nudismo, algum sexo, ilhas paradisíacas, jantares românticos, protestos de rua, festivais no deserto, um encontro com Nelson Mandela, mulheres que disparam bolas de ping pong das suas zonas íntimas – tudo isto faz parte desta história real passada nos sete continentes, ao longo de um ano, que representa tudo aquilo que gostaríamos de fazer.
Há pessoas que cometem erros por se acomodarem e outras que cometem erros por tentarem. A Alex preferiu errar tentando. E vocês?

Leia um excertoAQUI


Do mesmo autor, no blogue:
O Anjo que Queria Pecar (Opinião)
O Fim da Inocência II (Opinião)


Sobre o autor:
Francisco Salgueiro é sócio da primeira empresa portuguesa de assessoria mediática e digital de celebridades, Naughty Boys. Fotógrafo premiado internacionalmente.
 
Saiba mais em: Oficina do Livro


terça-feira, 2 de julho de 2013
Sinopse:
Com boas notas, e a estudar num dos melhores colégios de Lisboa, Gonçalo é o filho que todos os pais gostariam de ter. Desde cedo, ele e o grupo de amigos são bombardeados com imagens sexuais em filmes, séries, videoclips, anúncios e celebridades levando a uma erotização precoce. A ausência de educação sexual por parte dos pais e colégio leva-os a investigar o extenso mundo da pornografia na Internet. Em simultâneo, a sua impreparação para lidarem com as redes sociais leva-os a serem participantes e vítimas na busca vertiginosa de likes para ultrapassarem a mítica marca dos 1000 amigos. Eles apenas pensam nos desafios e nunca nas consequências. As drogas legais, o sexting, a masturbação online com estranhos, serem paparazzi da vida uns dos outros e a prostituição com mulheres mais velhas fazem parte do seu estilo de vida, onde o futuro não existe, apenas o logo à noite. Depois do best-seller que abalou a sociedade portuguesa, Francisco Salgueiro regressa com uma nova história sobre os adolescentes portugueses do século 21.

Se esta tivesse sido a minha estreia com o autor Francisco Salgueiro teria, muito provavelmente, ficado fã, mas como não foi e eu já era sua admiradora, posso simplesmente afirmar que todas as minhas expectativas foram totalmente superadas.
Leitura de um único dia, O Fim da Inocência II prima pelas questões controversas que vai explorando ao longo de um folhear onde, logo nas primeiras páginas, nos é oferecida uma sentença que pressagia as muitas problemáticas que vamos encontrando ao longo da leitura, uma sentença assustadora devido aos muitos lugares comuns que os leitores poderão encontrar.

Sendo um livro de adolescentes, mas de extremo interesse para o público em geral - pais e educadores, em particular -, esta é, portanto, uma história de risos e angústias fáceis, típicas de uma idade repleta de extremos e "fins do mundo" onde os copos transbordam em emoções velozes, emoções capazes de levar as suas personagens da euforia à depressão num curto espaço de tempo, algo que é em parte conhecido por todos e palpável através virar de cada página.

A narrativa, o relato que Gonçalo decidiu partilhar com o autor desta obra, é triste, é deprimente tendo em conta que o seu foco individual visa alertar a cegueira alheia de todos os que se recusam a reflectir sobre os riscos de se viver à velocidade de um clique, à velocidade de uma realidade que não acompanha a evolução e amadurecimento humano e que está acessível a qualquer individuo, de qualquer idade, sendo especialmente perigosa para os que partilham a retorcida inocência de Gonçalos.
Aquele que acompanhamos aprendeu da pior forma possível que por vezes as possibilidades não devem passar disso mesmo, possibilidades, porque a essência de viver está nas nossas escolhas e que essas, para o bem ou para mal, é que definem o nosso caminho e aquilo em que nos transformamos.

Uma brincadeira, um convívio banal em casa entre um grupo de amigos privilegiados e com pais ausentes, é o primeiro passo para que um grupo de jovens curiosos e sedentos de actualização, modas e aceitação social dê o primeiro passo maior que as pernas na conhecida pornografia.
Uma festa particular, que poderia ser tão pueril como qualquer café para confraternização, é o acesso mais rápido para as primeiras experiências entre o álcool e as drogas leves, acessíveis em qualquer círculo menos controlado.
A Internet, ferramenta crucial para os estudos e pesquisas didácticas no percurso académico, é agora fundamental para a afirmação social de cada um nas redes que ligam milhares de desconhecidos, redes sociais que vieram alterar completamente os comportamentos das massas acabando, felizmente ou infelizmente, por ter um peso emocional extremo para os que procuram conviver. Falo-vos de uma convivência que para muitos ultrapassa aquilo a que muitos adultos definem de relação saudável. Falo-vos da fascinante e fatídica invenção do clique.
E, existe ainda, o telemóvel. Um pequeno objecto fundamental para a comunicação dos nossos dias mas que evoluiu para algo mais, evoluiu para uma moda, para um laço que nos liga a todos quantos conhecemos, ou não, e que nos permite, tal como a Internet, uma interacção profunda através de imagens e vídeos com os quais se pode fornecer, literalmente, a nossa intimidade.
Tudo isto, os momentos e os acessos que nos permitem crescer e chegar mais longe nos dias de hoje são, da mesma forma, armas capazes de destruir um individuo que não está emocionalmente preparado para a complexidade do lugar em que existimos, são armas disponíveis e capazes de destruir Gonçalos com pais e educadores menos atentos que precocemente, tão precocemente como a capacidade de fazer um clique, devem estar atentos para prover uma educação que deve acompanhar as inovações e ambições que rodeiam as nossas crianças. Uma tarefa impossível, certamente. Factos assustadores, sem dúvida alguma.

O texto viciante que li, um texto que vos dará certamente prazer em descobrir, não vos contará nada que já não tenham imaginado ou reflectido, pelo menos durante alguns segundos, mas não deixa de ser arrepiante sermos confrontados com a facilidade, disponibilidade, com que este se apresenta e se compõe através das palavras de Francisco Salgueiro. O enredo, propriamente dito, pode ser resumido como a descrição do crescimento precoce de um jovem igual a tantos outros, e do seu grupo de amigos, que se encaixa da pior maneira no mundo que o rodeia, mas creio que poucos irão encará-lo com tal leviandade.


Em suma, esta é uma não-ficção que levanta muitas perguntas e nos confronta com diversos tabus e problemáticas actuais, enquanto nos choca e nos emociona com as vidas espelhadas nas suas páginas, vidas pelas quais torcemos mas que sabemos condenadas por si próprias e por todos os que as partilham desde o início. E, no fim, no fim da inocência destes pares, fica o medo do leitor pela permissividade da roda que faz girar este universo no qual estamos inseridos, onde nos sentimos completamente incapazes ao ver destruídas existências que poderiam ter sido brilhantes. Fico destroçada.

Quanto à escrita de Francisco Salgueiro, é muito agradável e fluida, trabalhando a nossa língua materna de forma simples e coerente, o que proporciona uma leitura voraz e aprazível.
Gosto de crer na credibilidade que este autor impõe aos seus textos que, a não serem reais, possuem uma verosimilhança tão forte que é impossível ficar-lhes indiferente.
Um escritor que vou continuar adquirir e a acompanhar com maior prazer e que sugiro veemente aos leitores deste blogue.

Como nota pessoal, devo-vos um pedido de desculpa porque já li este livro há bastante tempo e se tivesse feito a opinião na altura creio que esta teria sido diferente, mais apelativa para uma história que merece avaliação máxima.
E termino com um apontamento sincero e muito pessoal, a ser verdade tudo o que li - como acredito ser -, por cada capítulo que percorri perdi um pouco mais de fé na geração que me precede, o que só faz com que esta leitura seja tão obrigatória quanto triste. Tremendamente triste. Estejam atentos.

Esta é uma publicação da Oficina do Livro que merece a minha total recomendação a todos quantos tenham oportunidade de ler.
Do Mesmo Autor



O Anjo Que Queria Pecar (Opinião)


Título: O Fim da Inocência II
Autor: Francisco Salgueiro
Género: Não-ficção
Editora: Oficina do Livro




Imperdível… Obrigatório!

quinta-feira, 13 de junho de 2013
Título: O Fim da Inocência II
Autor: Francisco Salgueiro
N.º Páginas: 292
PVP: 15,90 €
ISBN: 9789897410529
Adquirir – AQUI
Disponível em eBookAQUI

Sinopse:
Com boas notas, e a estudar num dos melhores colégios de Lisboa, Gonçalo é o filho que todos os pais gostariam de ter.  Desde cedo, ele e o grupo de amigos são bombardeados com imagens sexuais em filmes, séries, videoclips, anúncios e celebridades levando a uma erotização precoce. A ausência de educação sexual por parte dos pais e colégio leva-os a investigar o extenso mundo da pornografia na internet.   Em simultâneo, a sua impreparação para lidarem com as redes sociais leva-os a serem participantes e vítimas na busca vertiginosa de likes para ultrapassarem a mítica marca dos 1000 amigos. Eles apenas pensam nos desafios e nunca nas consequências. As drogas legais, o sexting, a masturbação online com estranhos, serem paparazzi da vida uns dos outros e a prostituição com mulheres mais velhas fazem parte do seu estilo de vida, onde o futuro não existe, apenas o logo à noite.  Depois do best-seller que abalou a sociedade portuguesa, Francisco Salgueiro regressa com uma nova história sobre os adolescentes portugueses do século 21.

Do Mesmo Autor


Sobre o autor:
Francisco Salgueiro nasceu em Lisboa a 29 de Junho de 1972.
Depois de ter tirado o Curso de Comunicação Empresarial, participou na criação da Direcção de Comunicação da TV Cabo, dedicou-se à autoria e escrita de programas de televisão, na SIC, e à escrita de artigos de opinião para as revistas Notícias Magazine, Máxima, Telecabo e o jornal O Independente.
É um dos fundadores da primeira empresa em Portugal a dedicar-se à produção de conteúdos escritos para TV, Internet e Televisão Interactiva.
Já lançou dez livros, sendo de referir o grande sucesso de estreia chamado Homens Há Muitos e O Fim da Inocência.

http://www.franciscosalgueiro.com/

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sinopse:
O «Mistério da Boca do Inferno» assombrou gerações durante décadas. O inexplicável desaparecimento do célebre mestre do oculto e da magia negra Aleister Crowley, com a conivência do escritor Fernando Pessoa, colocou Portugal e a Europa em sobressalto nos anos 30.
Mas, factos só agora revelados demonstram que a conspiração se prolongou muito para lá do seu tempo, chegando aos dias de hoje e envolvendo uma perversa teia de sexo e manipulação orquestrada por uma criatura demoníaca, da qual foi vítima o Anjo que Queria Pecar.

O Anjo Que Queria Pecar é uma narrativa de ritmo veloz, repleta de mistérios e que parte de um princípio verídico revelando-nos pormenores interessantíssimos sobre um dos maiores poetas nacionais de todos os tempos, Fernando Pessoa.

Principiamos a história na actualidade com duas mortes suspeitas, sendo que um dos corpos é encontrado em Cascais, Na Boca do Inferno, onde nos anos trinta desapareceu A Besta, um mestre do oculto, um homem que ainda nos dias de hoje será capaz de povoar pesadelos… Quando o nosso protagonista regressa a Portugal para fazer luto, nada o poderia ter preparado para desenterrar um segredo repleto de significados além-fronteiras, um segredo que tomou conta da sua família e que, logo a partir das primeiras páginas, tomará conta da vida do leitor.
Estamos em 1930, após um primeiro contacto por escrito com o carismático e assustador Aleister Crowley, Fernando Pessoa recebe-o e a sua acompanhante, Hanni Jaeger, para uma visita a Lisboa. Crowley é um homem temido, conhecido pela sua perversidade e dedicação às artes negras, mas, no entanto, vem apenas estabelecer contacto com Pessoa, agradecer uma pequena correcção à sua recente obra feita por este poeta por reconhecer, um poeta melancólico, um poeta que após os primeiros contactos com este casal misterioso nunca mais será o mesmo.

Mensagens sublimares, factos históricos e momentos intensos de acção complementam esta trama arrojada que se desenvolve a partir do «Mistério da Boca do Inferno», um acontecimento que abalou os anos trinta e que influenciou fortemente um dos maiores nomes da literatura nacional.

Francisco Salgueiro tem neste livro uma escrita muito intensa, muito credível, capaz de nos fazer recuar no tempo e voltar a actualidade com uma simples mudança de parágrafo, devido à forma muito própria como desenvolve o enredo.
Ao virar de cada página encontra-se latente o imenso trabalho de pesquisa e cuidado do autor para consolidar e dar credibilidade, em todos os sentidos, aos acontecimentos narrados.
Acredito que para os curiosos Pessoanos esta será sem dúvida uma obra de eleição que lhes permitirá encontrar diversos factores de interesse, retidos nos muitos pormenores que são expostos, fazendo coincidir o lado ficcional e real da narrativa, que os deixará em suspenso entre um demónio e um anjo, que, deduzo eu, seja o poeta casto que quis pecar.
Em suma, o autor proporciona a possibilidade do próprio leitor confirmar por si os factos narrados e conhecer um pouco mais dos segredos Pessoa, enquanto folheia uma narrativa repleta de suspense, segredos macabros e romance que põem em causa a vida e a morte dos seus protagonistas.

Pessoalmente gostei mesmo muito deste livro, o que se deve, possivelmente, ao facto de eu ser uma grande fã, embora ingénua, da biografia e obra de Fernando Pessoa. Ainda assim, não posso deixar de considerar todo o lado ficcional que comanda o enredo central, do qual faz parte um casal apelativo e, também ele, com uma história sólida e interessante.
Pormenores como os títulos dos capítulos, que são frases do próprio poeta e heterónimos, fizeram as minhas delícias enquanto leitora. E toda a documentação e poesia exposta, que sustenta a teoria explorada pelo autor, satisfizeram a minha curiosidade levando-me a acreditar, plenamente, nos factos narrados.
Ao longo de todo o livro gostei de encontrar pequenas surpresas e devo confessar que o final é simplesmente brilhante, conferindo um toque ainda mais especial a este enigma que prendeu totalmente a minha atenção. Fiquei, claro, com uma vontade imensa de ler outros títulos do autor, em particular O Fim da Inocência.

Este livro muito peculiar é uma aposta Oficina do Livro que sugiro a quem gosta de policiais, autores lusófonos e, em particular, aos curiosos sobre Fernando Pessoa, vão adorar.


Título: Anjo Que Queria Pecar
Autor: Francisco Salgueiro
Género: Ficção, Romance
Editora: Oficina do Livro

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