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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
Fascinada por outros mundos e uma eterna sonhadora, assim eu sou.

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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sinopse:
Redenção não é uma palavra que Jim Heron conheça muito bem. A sua especialidade é a vingança e, para ele, o pecado é relativo. Mas tudo muda quando se torna um anjo caído e é incumbido da tarefa de salvar sete pessoas dos sete pecados mortais... e o fracasso não é permitido.
Mels Carmichael, jornalista do Caldwell Courier Journal, apanha o maior choque da sua vida quando um homem se atravessa à frente do seu carro junto ao cemitério local. Depois do acidente, a amnésia dele é o tipo de mistério que ela gosta de solucionar, mas em breve descobre que o passado é demasiado misterioso... e que está a apaixonar-se pelo estranho. Enquanto as sombras oscilam entre a realidade e o outro mundo, e a memória do seu amante começa a voltar, os dois aprendem que nada está realmente morto e enterrado. Em especial quando se está preso numa guerra entre anjos e demónios. Com a alma em jogo, e o coração de Mels em risco, o que irá ser preciso para salvar ambos?

Apostar em J. R. Ward para algumas horas de entretenimento é, para mim, sinal de satisfação garantida entre géneros que adoro, romance sensual e fantasia urbana – uma vez mais as expectativas foram superadas.
Violento, excitante e com uma boa dose de paixão, o quarto livro da série Anjos Caídos é o rastilho que faltava para tornar a luta entre o bem e o mal ainda mais intensa, graças a fortes momentos de tensão e reviravoltas que prenderão facilmente a atenção do leitor até à última página.

Os ingredientes de Êxtase são aqueles a que a autora já habitou os seus fãs mas o tempero desta narrativa está ainda mais audaz que nos volumes antecedentes, deixando inúmeras possibilidades em aberto e permitindo o julgamento de quem lê relativamente aos protagonistas permanentes no universo recriado.

O par romântico, Mels e Matthias, é particularmente peculiar devido ao papel já representado por este homem, perturbado e com um árduo passado que carrega na sua alma e consciência, já ela, por outro lado, é uma refrescante novidade que cria rapidamente empatia com o leitor, graças ao seu entusiasmo e dedicação de corpo e alma às causas em que acredita. São apostos que se atraem até que o inacreditável acontece, até que a paixão partilhada e as suas próprias existências ficam viradas do avesso. São, no fundo, duas almas humanas sequiosas de algo que desconhecem, duas almas que se encontram num momento infeliz. São personalidades plenas nas suas essências, que representam na perfeição a chama dramática do amor, expostas a incontornáveis caminhos sombrios que tenderão a afastá-los do que mais anseiam, a felicidade.

Como é habitual, apesar de o casal principal deter uma boa parte da atenção do leitor, o destino da humanidade e a sua salvação são o foco principal da acção contínua, bem como a porta de entrada para o irreverente, sensual e brutal Jim Heron. Agora e sempre este protagonista é marcante, com o seu estilo singular, a intensidade das suas emoções e a sua natureza crua, dúbia, que expõe o melhor e o pior de todos nós 7 pecados mortais e a redenção dos mesmos numa única identidade.
Adrian e Devina, anjo e demónio, continuam as mesmas criaturas aladas com uma barreira maleável a conservá-los na facção a que pertencem e são, juntamente com Jim, os seres que têm mais destaque relativamente ao fantástico. Os três caracterizam-se pelos seus impulsos fortes, indomáveis, exemplificando o quão longe as suas divindades se encontram da perfeição e quão perto estão da tentação.

No que respeita a problemáticas abordadas, Mels acaba por ser a personagem que mais se destaca ao trazer algo de novo para o texto, permitindo uma reflexão sobre perda e superação, sobre dilemas familiares e laborais que, por sua vez, introduzem intervenientes secundários interessantes.

Relativamente a avanços e recuos nesta singular batalha alada que envolve os 7 pecados mortais, a narrativa desenvolve-se recorrendo, novamente, ao passado de Jim nas Forças Especiais e ao seu trauma obsessivo com Sissy, que continua a ser uma peça fundamental para a história enquanto a sua alma e recordação existirem.

Por fim, J. R. Ward é veterana e sabe como colocar todos os seus atributos numa história, com a sua escrita apelativa, descrições sensitivas e diálogos pertinentes que nos fazem desejar não parar de ler. Definitivamente, ela sabe cativar e manter viva a curiosidade do seu leitor com pormenores deliciosos, como por exemplo o Cão ou mesmo a ausência de Ed., de quem ficamos sempre a desejar mais informação.

Esta é uma aposta assertiva da Quinta Essência, que veio enriquecer ainda mais o seu catálogo. Livros que eu sugiro a todos os que apreciem mistério, romance e fantasia de qualidade, conjugados na perfeição e com forte teor de entretenimento.

Série Anjos Caídos
Cobiça – Livro 1 (Opinião)
Desejo – Livro 2 (Opinião)
Inveja – Livro 3 (Opinião)

Título: Êxtase
Autora: J. R. Ward
Género: Romance Sensual; Fantasia Urbana


sexta-feira, 5 de abril de 2013
Sinopse:
Chrysabelle esconde no corpo as marcas douradas e os segredos das comarré - uma raça especial de humanos criada para alimentar a elite de vampiros nobres com o seu sangue rico e poderoso. O destino dela está traçado desde sempre: servir incondicionalmente o seu patrono. Mas quando este é assassinado, a vida de Chrysabelle muda por completo. Finalmente pode ser livre, um sonho que nunca se permitira ter e que depressa se transforma num pesadelo. Ela é a principal suspeita do crime e do roubo de um anel mágico. O anel que a ambiciosa Tatiana está decidida a recuperar, custe o que custar. Chrysabelle atravessa o Atlântico para provar a sua inocência, e nesta demanda o seu caminho cruza-se com o de Malkolm, um poderoso e irresistível vampiro que foi renegado e alvo de uma maldição. Ambos tentam combater a inegável atração que os une. Mas o tempo urge. Ambos têm de unir esforços para travar os planos de Tatiana, que pretende acabar com o mundo tal como eles o conhecem e fundar um reino de trevas. Direitos de Sangue é o primeiro volume da série Casa das Comarré e um best-seller internacional.

Não há volta a dar, quando mergulho num bom enredo fantástico é difícil eu não ficar fã e quanto à série Casa das Comarré, por tudo o que vou lendo, esta até pode vir a desiludir-me mas, para já, valeu sem dúvida alguma cada minuto da minha leitura. Gostei mesmo.
Com uma sociedade hierarquicamente interessante, um conjunto diversificado de criaturas extraordinárias e uma protagonista que se revela uma verdadeira caixinha de surpresas, esta é uma história sem momentos mortos que me deixou a desejar ter nas mãos o livro seguinte.

Em Direitos de Sangue conhecemos a nossa protagonista, Chrysabelle, quando esta se encontra em fuga pela sua liberdade, que é, simultaneamente, a sua única hipótese de sobrevivência. Vida de comarré não é fácil e, principalmente no seu caso, pode muito bem não vir a ser longa…
Com uma beleza rara e criada para servir, esta personagem destaca-se por ser a de sangue mais puro e, em segredo, a mais forte entre os que pertencem à sua maravilhosa raça o que, infelizmente, poderá não ser suficiente agora tem de arriscar tudo, combatendo os seus impulsos inatos, para escapar à perseguição, à vingança, de vampiros poderosíssimos que desejam o seu sangue e cobiçam o anel do seu patrono assassinado.

Personagens intensas que vão sempre ofertando novas revelações e um enredo simples de início mas com uma complexidade crescente são, definitivamente, dois dos pontos que me mantiveram presa a esta leitura. No que respeita ao primeiro aspecto, para lá de Chrysabelle - que não sendo extraordinária, cumpre o seu papel como uma heroína que ainda tem muito por revelar -, gostei muito de Malkolm. Como vampiro, podemos considera-lo diferente dos restantes por muitos motivos mas, principalmente, por, ainda que contrariado, se disponibilizar para fazer parte da demanda  da protagonista. Cuidadosamente construída, esta personagem revela um carácter contraditório, uma maldição horrivelmente adorável e um poder irresistível que, juntamente com a sua arrogância, sede de sangue e o núcleo de trevas o rodeia, o tornam fascinante. Igualmente interessantes são os intervenientes secundários, que são muitos e muito bons. Como amigos de Malk temos Fi, que é a típica alma-penada, irritante e divertida, que numa primeira articulação do texto nada mais faz do que atormentar Malkolm – já de si à beira da loucura -, e Doc, um ser meio homem e meio animal com uma força de meter inveja. Também com algum protagonismo temos a tia de Chrysabelle, uma libertas, e a sua ajudante/companheira de casa, uma fátua bastante arrepiante. Estes quatro são apenas alguns entre muitos, muitos outros que espelham um retrato que varia do aterrador ao atractivo.

Claro que, de entre todas as criaturas que habitam esta narrativa, gostei particularmente dos vampiros e dos comarré, os primeiros bastante perversos, como convém à esta espécie, e com uma hierarquia, intrigas e jogos de poder muito interessantes. E por falar em sugadores de sangue, é impossível não frisar Tatiana – um grande “viva” para ela –, esta personagem integra o núcleo dos vilões, que por sinal nem sempre conseguimos identificar, e caracteriza-se pela sua loucura, ambição e maldade excepcionais – vão adorar descobrir a sua relação peculiar com cobras –, não sabia se me havia de rir ou arrepiar com as suas acções, ela é excelente. No que respeita aos comarré, que podem ser de ambos os sexos, têm mesmo de ler para descobrir as suas singularidades, digo-vos apenas que a começar pelos signum e terminando na sua cultura me fascinaram totalmente.
De um modo geral, adorei toda a sociedade, aqui denominada de alternatural, e todos os que a integram que, embora não sejam estranhos aos leitores habituados a estas andanças, certamente que surpreenderão pelos cuidados originais. 

Em suma, uma narrativa onde reina a emoção e a loucura que, de uma forma ou de outra, atingem todas as personagens, em constante modo de alerta, a par com o sentimento de predominante desconfiança, até para com aqueles lhes são familiares. Do mesmo modo, os requintes aplicados à violência são, também, extras muito bem-vindos que se complementam em batalhas ou combates breves, mas bem conseguidos.

Um último alerta para o facto de que embora a sensualidade seja latente, devido às características inatas da raça que dá nome à série, este é um livro sem erotismos sendo, isso sim, uma fantasia urbana pura e intemporal que encantará os inexperientes e satisfará os adeptos do género.

Podemos acusar Kristen Painter de muita coisa mas não de lhe faltar, com toda a certeza, criatividade, algo que quando complementado com a sua escrita faz com que a leitura das suas palavras flua entre acção constante, o que torna o seu livro viciante.
O ambiente criado, noctívago, é uma mais-valia para transmissão de sensações ao leitor e apesar de não ser particularmente intenso em descrições é possível fazer um bom acompanhamento dos movimentos das personagens. De qualquer forma, não restam dúvidas, o esmero e um particular cuidado foram direccionado para os que dão vida à história que estão sempre, mas sempre, a revelar novas informações e acrescentar momentos pertinentes à narrativa.

Quanto a mim, senti uma imensa dificuldade em falar deste livro porque gostei mesmo muito e existe imensa informação que gostaria de partilhar convosco deixando-me, constantemente, a um passo de não dizer tudo o que queria ou de cometer spoilers. (Se acharem que cometi algum digam-me.)
Como já dei a entender, adorei os pormenores associados ao maravilhoso e as personagens desenvolvidas, especialmente Malkolm pela ironia do papel que representa neste texto - ele é sinónimo de esperança, uma esperança perturbadora e negra, para uma Chrysabelle que aluz entre a escuridão. Da mesma forma, gostei da sensação permanente de que tudo aquilo que acontece ao longo história é tão importante como o que fica por acontecer, confuso?
Fica, claro está, o desejo imenso de por as mãos em Sacrifício de Sangue, o próximo título da série Casa das Comarré anunciado para breve. (Não percebo o “das” uma vez que existem comarré unissexo… mas isto é tão bom que não interessa nada.) *.*


Uma excelente e surpreendente aposta da ASA no fantástico que, creio, conquistará os fãs deste género literário e, quem sabe, até novos admiradores. Recomendo.

Título. Direitos de Sangue
Autora: Kristen Painter
Género: Fantasia Urbana, Romance
Editora: ASA - Adquirir aqui
quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sinopse:
A mecânica Mercy Thompson sempre soube que havia algo de diferente em si, e não era apenas a sua paixão por carros. Mercy é uma metamorfa, um talento que herdou do seu falecido pai. Mas a jovem também consegue ver fantasmas, tornando-a parte de uma espécie ainda mais rara, os caminhantes. E se nunca antes recebera a visita do fantasma do seu pai, tudo vai mudar na sua lua-de-mel com Adam, um lobo Alfa.
Entretanto, algo terrível esconde-se nas profundezas do rio Columbia, causando vítimas inocentes. Quando Mercy conhece finalmente outros caminhantes, terá que aceitar a sua herança paterna e exorcizar o mundo da lenda conhecida como o Diabo do Rio… Qual será o preço a pagar? A sua vida? A de Adam? Ou o seu casamento?

Com um novo cenário, algum romantismo e despertando o leitor para uma realidade que até agora ainda não tinha sido explorada na série Mercy Thompson, O Diabo do Rio apresenta-nos uma trama bem trabalhada onde a adrenalina continua presente e se faz acompanhar de muitos segredos por explorar, enquanto folheamos as aventuras de uma grande protagonista agora casada com o Alfa do bando local de lobisomens.

Nada parece simples na vida de Mercy, a já conhecida mecânica de VW de Tri-Cidades. Dos pormenores stressantes do seu casamento à sobrevivência dos seus poucos mas bons amigos, a existência de problemas parece constante e, para o provar, são muitas as mazelas que a relembram do quão difícil é o seu dia-a-dia. Mas, afinal, o que é um braço partido, uma nódoa negra ou uma cicatriz permanente quando a probabilidade de se estar vivo é extremamente reduzida?
Vampiros, lobisomens, seres feéricos, espíritos e caminhantes, como a própria, são figuras presentes no mundo de Mercedes e, a tendência, é de que quanto maior é a descoberta maior é o risco que se corre. Este livro é, sem dúvida, especial e trás consigo ventos de mudança agora que o coração da nossa protagonista não bate apenas por si própria mas também por Adam com quem, finalmente, casou. No entanto, para quem julga que o casamento pode trazer algum sinal de submissão, Mercy continua como sempre - curiosa, audaz e capaz de dar a vida pelo que considera justo e correcto -  algo que se verifica ainda mais intensamente com a paixão e o amor que se encontram mais acesos que nunca dentro de si.

Embora esta seja uma narrativa particularmente dedicada à personagem principal, e às suas singularidades, várias são as curiosidades exploradas que há muito os leitores desejavam ver a descoberto. A origem de Mercy e daqueles que, tal como ela, partilham um pouco da sua essência são, definitivamente, um factor muito apelativo abordando, desta feita, criaturas magníficas e com um misticismo bastante atraente. O método que a autora escolheu para encarar o casamento, expondo as suas benesses e complicações, é também ele um ponto de interesse permitindo encarar com um novo olhar os sentimentos das personagens que, com o folhear, vão criando laços cada vez mais fortes e, por isso mesmo, mais frágeis mostrando um equilíbrio cativante.
Outra questão que achei extremamente apelativa é o ambiente em torno das origens indígenas da personagem, bem como o local onde se encontra durante grande parte da narrativa que, embora nos retire o leitor da zona de conforto a que se tinha habituado, permite percepcionar outras fronteiras do submundo fantástico oferecendo a oportunidade de apreciar novas caracterizações.

Em suma, considerei que este livro é um interlúdio rico em singularidades que nos permite conhecer, ainda melhor, a adorada Mercy, sem que verdadeiros vilões sejam postos de parte, assim como as novas emoções que lhe serão despertadas, tão importantes para quem sempre se sentiu deslocada. Antevê-se, efectivamente, alguma estabilidade mas a possibilidade de ocorrerem novos perigos continua presente agora que a existência de novos seres do fantástico é conhecida e se encontra tão próxima daquela que já conquistou uma legião de fãs.

Patricia Briggs é uma das minhas autoras favoritas dentro do género fantasia urbana e isso verifica-se não só devido à sua prodigiosa escrita, sempre fluida, munida de particularidades e extremamente envolvente, mas também pela sua soberba imaginação quando se trata de atribuir características centenárias, na actualidade, às criaturas do maravilhoso.
Nesta história as descrições continuam perto da perfeição, quer se trate do novo cenário que rapidamente nos faz sentir ambientados ou das emoções despertadas por novos intervenientes, também eles cuidados, com a capacidade de surpreender e cativar muitos admiradores.
Este livro é, portanto, uma mais-valia para esta série que certamente fará as delícias dos amantes de fantasia que procuram bastante acção e alguns mistérios, sem esquecer uma pitada de romance para tornar o enredo ainda mais interessante.

Quando a mim, é evidente que não poupo nos elogios quando se trata de Briggs pois as suas qualidades estão patentes desde o primeiro, dos seus seis livros, já publicados em terras lusas.
Na minha perspectiva esta heroína continua no seu melhor e quanto mais sei sobre si maior é o meu interesse em acompanhar as suas aventuras.
Como romântica e apaixonada por fantasia que sou, esta é uma obra que preencheu as minhas medidas e que me absorveu totalmente deixando-me arrebatada pelos caminhantes e em suspenso com um vilão que não poderia estar mais bem conseguido. Estou, portanto, desejosa de pegar no próximo volume.

Este livro é a continuação de uma excelente aposta Saída de Emergência, pertencente à colecção BANG!, que se iniciou com o título O Apelo da Lua e, desde então, está imparável. Uma obra imperdível para todos os adeptos desde género literário que, de dia para dia, continua a conquistar novos e fiéis admiradores.


O Apelo da Lua (Opinião)
Vínculo de Sangue (Opinião)
Beijo de Ferro (Opinião)
Cruz de Ossos (Opinião)
Segredo de Prata (Opinião)

Título: O Diabo do Rio
Autora: Patricia Briggs
Género: Fantasia, Romance
Editora: Saída de Emergência – Colecção BANG!

domingo, 26 de agosto de 2012

Sinopse:
Jacob Marlowe é um lobisomem solitário, o último da sua espécie. Há duzentos anos que vagueia pelo mundo, escravo dos seus apetites ferinos, que o condenam a devorar um humano a cada nova lua cheia. Mesmo sabendo que irá pôr fim a uma lenda com milhares de anos, Jacob pensa no suicídio. No entanto, em breve Jacob descobre uma razão muito mais forte para querer continuar a viver, quando se apaixona por Tallulah, a última lobisomem.

Há livros que são extremamente duros e este é, certamente, um deles. Duro, rude, erótico, psicologicamente forte e, por isso mesmo, fascinante.
O Último Lobisomem é um cocktail perfeito entre a realidade e a ficção para uma camada de leitores adultos que, rapidamente, se deixarão levar por uma personagem transcendente que absorve todas as páginas para si. Através de uma linguagem magistral, contínua, ligeiramente psicótica, mas completamente credível, conhecemos um lobisomem que põe em causa todos os preceitos de humanidade dentro da perspectiva que conhecemos nos dias de hoje.

Quando se vê o mundo através de um monstro, quando se é o único sobrevivente da nossa espécie e quando se perdeu a capacidade de amar há cento e setenta anos, o universo, o Deus e as palavras como compaixão, generosidade, clemência e Homem tornam-se redundantes.
Dizer que se considera o fim como o mais aguardado momento de glória é um exagero, é de facto amplificar uma emoção, mas o que é o fim se não o alívio pleno, o nirvana, para alguém que na sua total existência repleta de exuberância, e com tudo ao seu alcance, nunca encontrou mais do que insatisfação na sua vida de lobisomem, na sua vida de Jake, de Jacob, de homem.

Este livro é uma narrativa repleta de suspense e horror que está longe de ser aconselhada por mim a todo o tipo de leitores mas creio que, seguramente, se embrenhará na mente dos mais ousados, sedentos de boa ficção e com uma ligeira inclinação para a literatura fantástica.
A sua vertente romântica não é sensual nem divertida mas é, definidamente, arrebatadora, lasciva, crua e profundamente extasiante. A sua vertente policial não contém grandes enigmas mas é cruel, fria, sangrenta e criada para conceber impacto, retirando quaisquer lirismos aos velhos heróis. E a sua história, o enredo, não é encantador mas marcante, queimando e rasgando quaisquer fabulas sonhadas para licantropos e, por tudo isto, a personagem que relata em jeito de confissão a sua vil existência é perturbadora, envolvente, apaixonante e, algumas vezes, repugnantemente maravilhosa mas com o dom de transportar o leitor para um submundo alucinante.

Uma leitura que, sem dúvida, será surpreendentemente inesperada e que pasmará diversos leitores pela sua carga emocional forte e psicologicamente distorcida que se evidência pelas inúmeras pontuações reais que dão sentido e credibilidade a este livro imenso que, acredito, vos conquistará.

Glen Duncan é um autor prodigioso que se expressa através de uma escrita cinematograficamente descritiva abordando a acção de forma concisa para que quem lê visualize a totalidade dos acontecimentos, atendendo a pormenores e cuidando reter a máxima atenção nos momentos chave.
É notável o quanto o autor deu de si próprio ao protagonista que, por sua vez, ofereceu a sua alma à história que traduz a sua vida.
Na linguagem adoptada não existe espaço para romanticismos ou dramas mas a verdade é que estes encontram-se predominantemente expostos de forma frígida e desumana singularizando O Último Lobisomem.
Creio que, muitos dos que lerem este livro, encontrarão aqui algo de brilhante e conseguirão confirmar por si próprios uma criatividade magistral que não passará despercebida, destacando-se facilmente, entre as restantes obras literárias deste género.

Quanto a mim adorei este livro que me surpreendeu até ao final pelas muitas reviravoltas repletas de acção que dominam o destino da personagem principal.
Não vou dizer-vos que é uma leitura fácil, não é, e muito menos é uma leitura comercial pois a escrita de Glen rompe todos os parâmetros de banalidade a que estou acostumada na literatura fantástica. Este é, no entanto, um livro que me conseguiu absorver a partir do momento em que me conciliei com linguagem adoptada que visa tornar palpáveis todos os acontecimentos.
Ideal para quem, como eu, também gosta de ver a fantasia enquadrar-se em factos reais e plausíveis e, a partir daí, ver desenvolvida uma história urbana repleta de criaturas fantásticas.  
Fiquei ansiosa para ver o filme que irá estrear em 2014 embora saiba que este não será, nem de perto, nem de longe, tão bom como esta narrativa que me deu imenso prazer folhear.

Esta é uma aposta Editorial Presença, pertencente à colecção Via Láctea, para maiores de 16 anos, definitivamente, pois na minha perspectiva é crucial que este livro não seja dado a leitores imaturos que, de qualquer forma, não conseguirão atingir a sua essência. Também não é um livro que eu sugira a leitores susceptíveis pois aqui a violência e o sexo são tão usuais como o acender de um cigarro, um trago de whisky e uma M14 a roubar uma vida.

Autor: Glen Duncan
Género: Fantasia
Editora: Editorial Presença
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Sinopse:
Em Hollows os vampiros são apenas o início...
As coisas maléficas que assombram as noites de Cincinnati desprezam a bruxa e caçadora de recompensas Rachel Morgan. A sua reputação de praticante de magia negra começa a fazer virar as cabeças de humanos e mortos-vivos, determinados a possuí-la, dormir com ela e matá-la... não necessariamente por essa ordem. E como se tudo isso não bastasse, um amante mortal que abandonara Rachel regressou, assombrado pelo seu passado secreto. E há quem queira deitar as mãos a algo que se encontra na posse dele: animais selvagens dispostos a destruir Hollows e todos os seus habitantes, se necessário. Obrigada a manter-se escondida ou a sofrer para sempre a ira de um demónio vingativo, Rachel deve, ainda assim, agir rapidamente. Pois pela primeira vez, em vários milénios, matilhas de estranhas criaturas estão a unir-se, preparadas para destruir e dominar. De súbito, há algo mais em jogo do que a alma de Rachel.

Bruxa de Elite é o quarto volume da série Rachel Morgan à qual eu já me rendi totalmente. Com personagens bem trabalhadas e com um ritmo de leitura de cortar o folgo, esta narrativa melhora de livro para livro trazendo sempre novas surpresas, assim como descobertas constantes e mistérios cada vez mais intensos expostos de uma forma singular e exímia.

Os animalomens, criaturas do submundo e aparentemente pacíficas, quase que desligadas do mundo aparte, são aqueles que encontram maior destaque neste livro. Mas desengane-se quem gosta do cheiro a cão pois, embora estes seres proporcionem múltiplas surpresas, para Rachel eles serão um karma com o qual não contava, colocando-lhe inúmeros problemas e descendo, consideravelmente, na sua consideração.
As emoções encontram-se, uma vez mais, ao rubro e do passado chegará alguém que retirará a nossa protagonista da sua zona de conforto que, convenhamos, tem sempre uma curta durabilidade e, se existem paixões que se incendeiam, as desilusões outrora esquecidas tomam proporções avassaladoras que marcarão Rachel profundamente.  
Jenks, o pixie que já conquistou em livros anteriores, é A Personagem desta história que, após uma evidente ausência, regressa de forma imprevista e atractiva encantando com a sua perspicácia aguçada tão brilhante quanto assustadora. No entanto, por muitas qualidades que outros intervenientes possam conter, como Ivy ou Kisten, nada retira o estrelato a Rachel que continua forte, audaz, sensual e com um coração imenso que nem sempre lhe trás sorte mas que faz de si uma protagonista rara. A verdade é que quando melhor a conhecemos mais desejamos saber e a sua evolução como bruxa ganha contornos cada vez mais obscuros devido à magia negra mas, nem por isso, menos cativantes e interessantes. Eu já sou sua fã.

Esta é, como não podia deixar de ser, uma história repleta de adrenalina, crime e muita, muita fantasia urbana feita para fãs de todas as idades e que gostam de um leque variado de criaturas do maravilhoso. Em cada livro é, regra geral, aprofundado o conhecimento sobre uma determinada espécie e as revelações vão sempre surgindo. Quando se pensa que já se sabe tudo algo de novo aparece, surpreendendo, e deixando o leitor, uma vez mais, agarrado a estas páginas deliciosas.
Em suma, esta é uma fonte de entretenimento maravilhosa que, sem grandes complicações a nível emocional para com quem lê, cativa e prende à acção que se desenvolve proporcionando o escape perfeito para outros mundos.

Kim Harrison tem uma imaginação prodigiosa que trespassa na perfeição para a escrita.
Muito inteligente no que se refere a jogos de palavras a autora recria, para lá da fantasia, situações credíveis que conferem às suas personagens personalidades interessantes.
As descrições são, na minha opinião, um dos pontos fortes de Kim. A visualização plena de cada quadro, acção ou movimento é perfeita sendo que cada cena é seguida ao segundo pelo leitor que não perde um única batalha ou emoção. Desta feita, claro está, também as sensações são muito bem conseguidas provocando voracidade e intensidade constantes ao folhear.
                     
Quanto a mim fui completamente conquistada por esta história e os motivos são muito variados, mas admito que as descrições e a criatividade fazem a diferença.
Para Harrison nada é simples e isso confere uma força à narrativa muito singular. Um beijo nunca é apenas um beijo e as questões mais simples tornam-se dilemas de vida ou morte repletos de tensão.
Sei que houve quem experienciou a série e se ficou com o primeiro livro mas, neste caso em particular, isso foi um erro imenso pois Rachel Morgan merece, definitivamente, uma nova oportunidade. Os livros têm tido uma evolução extraordinária que se verifica a cada nova leitura, sendo Bruxa de Elite o meu favorito até há data.
Atrevo-me assim a dizer-vos que esta é a minha série de fantasia urbana preferida do momento rivalizando com as séries Mercy Thompson e Sangue Fresco que são, na minha opinião, do melhor que se tem traduzido neste campo do fantástico para adultos.
Estou, claro está, ansiosa por ler Bruxa Endiabrada o próximo título com desta protagonista editado no presente mês de Julho.

Este livro é uma aposta do grupo Saída de Emergência, mais especificamente, das Edições Chá das Cinco. Livros que eu sugiro a todos os que se deixam facilmente levar para o submundo sensual, misterioso e perigoso da fantasia.

Da Mesma Série - Rachel Morgan





Título: Bruxa de Elite
Autora: Kim Harrison
Género: Fantasia Urbana
Editora: Grupo Saída de Emergência – Chá das Cinco

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sinopse:
Sendo metade humana e metade fada, Ani deixa-se levar pelos seus apetites…
Esses mesmos apetites também atraem inimigos poderosos e aliados incertos, incluindo Devlin. Este foi criado para ser um assassino e é irmão da fria e lógica Rainha Suprema das fadas, e da sua gémea caótica, a encarnação da Guerra. Devlin sabe que é o único que pode manter Ani a salvo das suas irmãs. E se falhar, será o único responsável pela sua morte. Mas Ani não é de se deixar proteger enquanto os outros lutam as suas batalhas por si. Tem a coragem de se defender e a capacidade de alterar os planos de Devlin – bem como a sua vida. Ambos se atraem. Ambos se temem. E temem também pela segurança um do outro. Mas, à medida que se tornam mais íntimos, uma ameaça maior coloca em perigo todo o Mundo das Fadas. Será que ao salvarem o reino feérico vão perder-se um ao outro?

Numa realidade em que o sentimento é ténue e a dor alimenta o corpo, as palavras usam luvas de veludo e a emoção é sugada até à última gota... O medo é permanente e, quando surge a maior das ameaças, até mesmo a filha de um Rei verá o seu inconstante mundo ruir encaminhando-a para o despertar e para a mutação há muito tempo predestinados.

Sombras Radiantes é, sem contestação, o meu livro favorito da série Wicked Lovely publicado até ao momento. Com o desenvolvimento de personagens já conhecidas e uma reviravolta no Mundo das Fadas, foi com imenso prazer que desfrutei de um romance cuidado repleto emoções sombrias e intervenientes que se tornam cada vez mais arrepiantes.
Melissa Mar mantém o mesmo estilo dos livros anteriores no que respeita à escrita que, tal como o enredo, evoluem de forma coesa e admirável atraindo-me cada vez para o seu universo, tremendamente assustador e belo, e do qual fiquei irremediavelmente fã.

Existem incontáveis razões para os apreciadores de fantasia urbana, e não apenas uma geração mais jovem, ficarem enredados em Wicked Lovely mas, na minha opinião, O Mundo das Fadas criado por Melissa é a mais hipnotizante.
Cada ser, cada cenário reproduzido e cada diálogo ou pensamento são descritos com um brilhantismo que acaba por conquistar até os menos crédulos atingindo, este último livro, um patamar surpreendente.

Ani e Devlin formam um par simplesmente magnetizante. Ela é uma guerreira nata que vive no limite emocional, no entanto, contém em si uma sensibilidade muito própria que transparece totalmente para o leitor os seus sentimentos, ora revoltantes, ora enternecedores, criando facilmente uma forte proximidade. Devlin embora mais cru e mais duro, não só consigo mesmo, mas também com todos os que o rodeiam, sofre durante a narrativa um florescimento arrebatador sem no entanto perder os traços que o caracterizam e pelos quais se rege, o dever e a honra.
Rae, uma nova personagem, é na minha perspectiva um ponto de luz na escuridão constante que nos envolve. Esta interveniente tem um papel fulcral contribuindo, ainda que por vezes discretamente, para o destino de uma raça a que não pertence estando-lhe reservado um final admirável.

Outras personagens como Seth, Sorcha, Bananach ou Iri continuam assiduamente envolvidos em todos os desenvolvimentos do enredo e, estando entre os meus eleitos, foi com enorme prazer que os acompanhei e que, no final, me deixaram uma terrível expectativa para saber o que lhes reserva o futuro incerto.

Algo que constatei neste quarto livro da série é que grande parte das mensagens, as mais interessantes julgo eu, se focam maioritariamente nos seus intervenientes pelo que é impossível não me focar nos seus nomes para expressar aquilo que a leitura me transmitiu.
Sendo uma série muito focada em contrariedades, tendo como exemplos mais óbvios a Corte de Verão e a Corte de Inverno, a Irmã da Guerra e a Irmã da Razão, Devlin acaba por surgir como um doseador da ordem e discórdia extremamente interessante, assim como a sua evolução que passa de estabilizador a personagem que necessita de ser estabilizada.

Pormenores como a criação de cenários constante ou caminhantes de sonhos são pontos-chave com especial interesse e é aí que Rae e Sorcha acabam por continuar a conquistar-nos oferecendo expectativa e incerteza a tudo o que de certa forma consideramos como certo pelo que, neste campo, só posso ter uma opinião bastante positiva.

visão emocional da história fica a cargo de Ani e é ela que, na minha perspectiva, nos possibilita a oportunidade de explorar este lado tão intenso destes seres deveras curiosos reproduzidos pela autora, as fadas. Elas são cruéis e, até mesmo as mais luminosas, encontram-se embrenhadas por um negrume opressivo que domina a leitura. No entanto, a forma como nos é infiltrado o sentimentalismo é feito com tamanha naturalidade que o leitor, ou pelo menos eu, sente que para surgir uma forma de amor esta não poderia ser mais veemente, mais perfeita.

Pessoalmente, recordo-me que no início sentia algumas reticências em relação a esta história mas com o seu progresso tenho de confessar a estima que criei por diversas personagens. Quer seja pela criatividade, ou mesmo pelas características exclusivas, é impossível ir ficando indiferente ao horror, que se transforma em beleza, e à obsessão que tantas vezes caracteriza a paixão que a mim atrai de forma inevitável.

Melissa Mar tem uma imaginação invejável, já provou o seu valor enquanto criadora de enredos e prova, uma vez mais, a sua assertividade para atrair o público. Entranha as suas personagens, seduz com o seu quadro mutável e apela às emoções extremas que invocam em nós extravasamento o que conquistará facilmente um leque de leitores fiel ao seu universo fantástico.

Sombras Radiantes vem iniciar um novo ciclo e trazer uma renovada energia à série Wicked Lovely que se encontra já com quatro títulos publicados em Portugal pela editora Saída de Emergência pertencentes à colecção Bang!, esta é uma aposta que recomendo a todos os amantes do paranormal e aos leitores do género Young Adult com uma natureza mais obscura. Gostei muito.

Livros Anteriores
Da mesma série:

Título: Sombras Radiantes, Wicked Lovely
Autora: Melissa Mar
Género: Fantasia Urbana
Editora: Saída de Emergência
terça-feira, 24 de abril de 2012

Sinopse:
A Guerra Mortal acabou e Clary Fray está de regresso a casa, em Nova Iorque, entusiasmada com o que o futuro lhe reserva. Está em treino para se tornar numa Caçadora de Sombras e saber usar o seu poder único e a mãe vai casar-se com o amor da sua vida.
Os Habitantes-do-Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras estão, finalmente, em paz. E, acima de tudo, Clary já pode chamar «namorado» a Jace.
Mas tudo tem um preço.
Anda alguém a assassinar os Caçadores de Sombras que pertenciam ao círculo de Valentine, provocando tensões entre os Habitantes-do-Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras, o que pode levar a uma segunda guerra sangrenta.
O melhor amigo de Clary, Simon, não pode ajudá-la (descubra o porquê).


Após o rescaldo e depois de várias mortes sentidas na mais dura das batalhas, que uniu os Habitantes-do-Mundo-à-Parte, renasce a esperança nos mais jovens corações.
Um poder único está a criar uma nova guerreira, uma nova Caçadora de Sombras que pode revolucionar e criar novas runas, e, com ela cresce um laço de amor à muito prometido mas no entanto, a calma, parece antever o caus e quando tudo parecia perfeito heis que a morte volta a perturbar os guerreiros adivinhando-se um pesadelo ainda maior que o anterior.

A Cidade dos Anjos Caídos é o quarto livro da série Caçadores de Sombras e oferece-nos um novo começo depois da queda de Valentine. No que respeita a personagens, as secundárias são as que mais se destacam e, em relação ao enredo, é com uma nova, e apreciada, reviravolta que nos deparamos com novos acontecimentos, novamente, na cidade de Nova Iorque.
Cassandra Clare é uma magnífica contadora de histórias, a forma como expõe o seu texto e o intercala com diálogos constantes continua a proporcionar uma leitura fluida que permite manter o interesse constante até ao final do seu livro.

Eu sou fã desta série desde que a Planeta lançou o primeiro livro A Cidade dos Ossos em 2009 e, embora exista um ou outro desenvolvimento que em minha consideração pudesse ter sido mais explorado, ou já estar ultrapassado, a verdade é que a facilidade com que folheio estes livros, e como estes me entretêm, continua a surpreender-me.

Clary, que conhecemos menina, é agora uma jovem madura que tem sofrido uma evolução muito atractiva. Ela desenvolveu-se, fugiu à regra e, mais importante, nunca perdeu os traços que a caracterizaram desde o início. Com um poder extremamente original, entre os protagonistas, ela continua a merecer o devido destaque o que, face à facha etária que o livro pretende alcançar, é para mim digno de nota.
Jace, por seu lado, é um personagem que me desilude com as suas incoerências o que contrasta largamente com Simon, um interveniente secundário que passou rapidamente a protagonista com a sua metamorfose encontrando-se, permanentemente, presente nas situações dignas de relevo e, presenteando-nos, com momentos muito particulares no que respeita à sua condição vampiro.

Embora, a nível do enredo, este não seja o melhor livro da série até à data, porque não o é, na minha perspectiva ultrapassou todos os outros com o desenvolvimento que ofereceu às personagens secundárias e é nestes pormenores que me foco quando louvo o mérito desta autora. Muito cuidada nos laços que cria e nas relações que vai desenvolvendo ela pasma-me com personagens como Magnus, Izz ou Maia que pormenorizam e beneficiam em muito a leitura.

Outro ponto que para mim foi de especial interesse foi rever os Irmãos Silenciosos, desde que se revelaram pela primeira vez que estas criaturas assustadoras continuam a captar-me a atenção e, a par destas, outras criações paranormais e seus horrores que não deixam de me cativar.

Pessoalmente, não vos posso revelar muito mais sem vos expor demasiado na história, ainda assim, em retrospectiva à narrativa, ressalvo como aspectos menos positivos a relação de Jace e Clary, deixando todos os louros para restante pormenores de que são exemplo os restantes intervenientes e os seus dramas paralelos ao desenvolvimento central que vamos acompanhando entusiasticamente.

Cassandra Clare não surpreendeu mas continuou a dar provas da sua imaginação e só por isso deixa uma imensa vontade de continuar a acompanhar as suas obras. O final, ao contrário do livro anterior, volta a deixar nos ar a promessa de que muito está para acontecer e que não existe ainda finitude e paz para o Mundo-á-Parte e os seus curiosos habitantes. Se for mantido o estilo de escrita tenho a certeza que esta continuará a ser uma excelente aposta o que se traduz, novamente, numa óptima fonte de entretenimento.

Este é um livro que aconselho a todos os leitores de fantasia urbana, em particular a uma camada mais jovem que certamente retirará bastante emoção ao longo da obra, assim como, todos os curiosos deste género que, atendendo à forte criatividade e às suas singularidades, também encontrará prazer em Caçadores de Sombras. Esta é uma aposta Planeta Manuscrito, para acompanhar atentamente e que conta, para Maio, com um novo lançamento além-fronteiras.

Da Mesma Série


Títulos anteriores:

Titulo: A Cidade dos Anjos Caídos
Autora Cassandra Clare
Género: Fantasia Urbana
Editora: Planeta Manuscrito

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