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domingo, 22 de janeiro de 2012
Sinopse:
No ano 2195, em Nova Vitória (uma nação altamente tecnológica baseada nas maneiras, na moral e na moda da antiga era), uma jovem da alta sociedade, Nora Dearly, está mais interessada na história militar e nos conflitos políticos do país do que nos chás e bailes de debutantes. Contudo, após a morte dos pais, Nora fica à mercê da autoritária tia, uma mulher interesseira e esbanjadora que desperdiçou a fortuna familiar e agora pretende casar a sobrinha por dinheiro. Para Nora, nenhum destino poderia ser pior – até que sofre uma tentativa de sequestro por parte de um grupo de mortos-vivos.
Isto é apenas o início. Arrancada do mundo civilizado, vê-se subitamente numa nova realidade que partilha com zombies devoradores, misteriosas tropas vestidas de preto e «O Lázaro», um vírus fatal que ressuscita os mortos tornando o mundo num inferno.

*** Peço desculpa aos meus leitores pela extensão desta opinião. ***

Uma fascinante viagem ao futuro onde o passado e a tecnologia se encontram, onde a beleza e o horror se unificam e onde o mais agridoce dos sentimentos despertará entre o começo do caus e o fim da humanidade.
Eterna Saudade transporta o leitor muito para além da sua imaginação, misturando homogeneamente os conceitos da cultura vitoriana, zombies de qualquer clássico de terror e tecnologia que ainda não ousámos inventar. Esta é uma narrativa que pretende ser acima de tudo um romance, mas que nos privilegia com momentos de tensão constantes, sendo evidente a mensagem que a autora pretende passar relativamente a estigmas morais que, no final, acabam por elevar esta leitura a um patamar de reflexão.
Lia Habel surpreende pelo seu enredo inovador que se apresenta através de uma escrita simples mas perfeitamente adaptada ao cenário em que estamos inseridos, com um ritmo imparável e cativante este é um livro impossível de largar até estar terminado.

Quando começamos a folhear um livro e logo na primeira página lemos «… todos eles dentes e fome …» o nosso entusiasmo só pode elevar-se, ainda para mais quando a sinopse e a capa, por si só, já nos conquistaram. Mas nem só de aparências se faz um livro e este têm muito por onde nos prender a começar pelos suas personagens que, não sendo particularmente marcantes, sem dúvida que nos transmitem algo de especial.

Nora Dearly é uma jovem da classe alta graças aos feitos científicos do seu pai no passado. Precocemente perdeu todos os que lhe eram próximos e as proporções do seu drama tendem a adquirir um nível de gravidade catastrófico ao sofrer um sequestro capaz de a levar á loucura. Sim eles, os raptores, estão mortos, gostam de sangue e querem ser seus amigos! O seu contacto com a civilização passa a ser nulo, os seus medos e agustias aumentam a cada hora que passa, mas ela aprendeu a disparar uma arma e não tem medo de a usar!
Sensível e forte, persistente e teimosa, fazem de Nora uma personagem elegante e guerreira ao mesmo tempo, conseguindo através da sua personalidade criar algo laço com o leitor. Ela é os nossos olhos no desconhecido e irá apaixonar-se pelos nossos pesadelos.

Bram é O Personagem. Desde cedo apercebemo-nos que este Ser bélico tem muito para dar e a sua caracterização foi delineada com vista a demonstrar o que de melhor existe em todos aqueles que foram contaminados pelo «Lázaro». Batalhador, vencedor entre a sua espécie, este jovem tinha 16 anos quando foi infectado e, ao ver Nora pela primeira vez, sabe que ela é aquela por quem sempre esperou, pelo menos enquanto respirava. Com a noção perfeita de que o seu valor é irrelevante entre os vivos, tem em mãos uma vida para encontrar, outra para salvar e apenas espera manter-se intacto até ao fim de mais esta missão. Gostei muito desta personagem, é a minha favorita.

Relativamente a este casal principal, apesar da sua juventude, existe uma maturidade latente, nos vivos pela cultura social que se rege por regras antiquadas e nos mortos pelas experiencias ultrapassadas. Ainda assim, tudo se encontra a um nível que tem de ser lido para que haja compreensão da perfeita harmonia que a autora ousou criar.

Palmela, a melhor amiga de Nora, não pode ficar esquecida e a verdade é que acaba por ter um enorme destaque e relevo durante a segunda metade da história, é através desta personagem que encontramos o nosso elo de ligação à propagação da “doença”, proporcionando-nos a visualização do seu impacto social. Palmela oferece-nos ainda bons momentos de tensão e entusiasmo de que desfrutei emotivamente.

O cenário adoptado é o modelo vitoriano seguido estritamente, como lei, para os habitantes de Nova Vitória («civilização, ordem e prosperidade»), que por sua vez contrasta com o submundo onde residem os portadores do «Lázaro». Juntamente com o cenário e enredo fascinantes, foi curioso verificar a investigação tecnológica que se encontra por detrás da história e, acima de tudo, confirmar a inteligência da autora ao conjugar o seu trabalho de pesquisa com o tempo histórico passado, presente e futuro em personagens tão tangíveis como qualquer um de nós.

Quando à escrita de Lia Habel nada tenho a apontar, é cuidada e acessível, e os capítulos encontram-se divididos entre os personagens principais, Palmela, Nora, Bram, Vilões e o  Dr. Dearly .
Esta é uma narrativa que agradará a um público diversificado pelo seu conceito inovador e se o leitor optar por uma leitura atenta, confirmará que as entrelinhas reflectem uma crítica a diversos actos do ser humano, relevando o conceito de humanidade mentalmente e o oposto, através de uma concepção mais estética sobre a beleza que se espelha através de humor negro muito particular onde a autora brinca com a morte e a putrefacção.

Pessoalmente, eu adoro a época vitoriana, adoro zombies e dei por mim a ler até me doer a vista perdendo-me completamente neste livro de ficção, história e tecnologia envolvidos numa ilusão que é descrita através de cenários díspares num tempo de narração curto. Disponível desde o 18 de Janeiro, esta narrativa deixa tudo em aberto para uma continuação que aguardo ansiosamente. Uma  fantástica aposta Contraponto que começa o ano em grande e, como sempre, a marcar pela diferença.

Título: Eterna Saudade
Autora: Lia Habel
Género: Romance
Editora: Contraponto
terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Título: Eterna Saudade
Autor: Lia Habel
N.º de páginas: 408
PVP: 16,90€
Data de lançamento: 20 de janeiro

Sinopse:
No ano 2195, em Nova Vitória (uma nação altamente tecnológica baseada nas maneiras, na moral e na moda da antiga era), uma jovem da alta sociedade, Nora Dearly, está mais interessada na história militar e nos conflitos políticos do país do que nos chás e bailes de debutantes. Contudo, após a morte dos pais, Nora fica à mercê da autoritária tia, uma mulher interesseira e esbanjadora que desperdiçou a fortuna familiar e agora pretende casar a sobrinha por dinheiro. Para Nora, nenhum destino poderia ser pior – até que sofre uma tentativa de sequestro por parte de um grupo de mortos-vivos.
Arrancada do mundo civilizado, vê-se subitamente numa nova realidade que partilha com zombies devoradores, misteriosas tropas vestidas de preto e «O Lázaro», um vírus fatal que ressuscita os mortos tornando o mundo num inferno.
O amor faz palpitar todos os corações, mas será capaz de fazer bater até o coração dos mortos-vivos? Poderá uma jovem vitoriana encontrar o verdadeiro amor nos braços de um corajoso zombie?

Eterna Saudade já vendeu mais de oito milhões de exemplares em todo o mundo e está publicado em mais de 20 idiomas.

Sobre a autora:
Lia Habel é uma jovem escritora que mora em Nova Iorque. Fascinada por filmes de zombies e pela era vitoriana, e colecionadora de livros vitorianos e eduardianos, aliou os conhecimentos ao curso de Literatura Inglesa e criou um surpreendente romance de mortos-vivos repleto de suspense e aventuras, loucamente criativo e com bastante comédia macabra à mistura, que irá redefinir para sempre o conceito de amor eterno. Atualmente encontra-se a trabalhar no segundo livro desta série. http://liahabel.com/

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