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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Após um primeiro dia preenchido e feliz, acordar e ver a beleza de Penafiel solarenga, com o seu cenário verde tão dissonante dos meus dias, foi revitalizante. Na ordem do dia, expectativas elevadas que viriam a cumpridas com a promessa de conhecimento e partilha literária. 


O almoço ficará na memória como um dos melhores bacalhaus que já comi – eu que nem sou apreciadora estava capaz de fazer uma rasteira a alguém para conseguir a receita –, regado, claro está, com boa companhia, conversas e histórias. Seguimos para a Feira do Livro da Escritaria, no Largo Padre Américo, para ver e ouvir os mais pequeninos falar da obra O Segredo do Rio. Eles deram o seu melhor com a comunidade em peso a assistir à representação. Será que vi Miguel Sousa Tavares sorrir várias vezes? 

Seguiram-se os seniores e o ambiente transmitido em o Equador saltou das páginas para a tarde amena, preenchida de sons, cheiros e sorrisos. Da herança africana à fragrância da lúcia lima, o burburinho foi aumentando de volume na representação da vida nas roças. Fomos transportados para uma África que também é nossa pela partilha de cultura e tradição, infelizmente nem sempre pelos melhores motivos (escravatura), através da sonoridade de São Tomé e Príncipe de outros tempos. 


A tarde foi-se desenrolando ao ritmo dos entusiastas, com muitos a querem ver de perto o homenageado da cidade, no entanto houve tempo para um minuto de silêncio pelos incêndios que nos têm desolado a todos, antes de terminar com uma longa sessão de autógrafos, apresentada pelo jornalista Pedro Cruz. Este partilhou com todos nós o dia em que conheceu o autor e a admiração que sente pelo homem, referindo a sua frontalidade e valorizando a sua coragem de ser livre. 

Ainda antes de dar a tarde por encerrada, tive oportunidade de ir visitar mais calmamente as exposições Pela Janela do Olhar e Rostos da Democracia, de Mafalda Rocha, no Museu Municipal de Penafiel. Muito interessantes, em particular a segunda, com uma abordagem muito diferente aos rostos proeminentes na luta contra a censura. 

Após mais um jantar agradável, chegou o momento mais ansiado por mim desta 10.ª edição do Escritaria, a entrevista ao homenageado pelo jornalista Júlio Magalhães mas, antes disso, uma introdução musical pela Escola de Artes, Movimentos e Variações a permitir, uma vez mais, a convergência artística através do jazz. 


Não vou transcrever-vos a entrevista completa; mais de uma hora de conversa em tom descontraído onde Miguel Sousa Tavares se revelou e aproximou dos leitores, mostrando-se verdadeiramente lisonjeado em “Penamiguel”. No essencial, foi curioso saber que o título Não se encontra o que se procura nasceu de um “assalto” do editor ao seu computador, que Miguel ainda espera escrever o livro da sua vida (mesmo que o Equador o tenha marcado muito), descobrir a sua paixão por um Brasil que já visitou mais de cinquenta vezes ou, ainda, os receios que sentiu ao deixar A Grande Reportagem para se dedicar à escrita do romance. 
Miguel Sousa Tavares escreve compulsivamente e admite a influência do ambiente literário familiar na sua profissão, considerando o papel do autor fundamental para fazer chegar literatura de qualidade aos leitores e auxiliar professores – no que diz respeito aos títulos infantis – para auxiliar o ato de ler. Sim, ele procura ter uma escrita cinematográfica, tem cuidado na criação das suas personagens e acha essencial o diálogo para chegar aos leitores, algo que complemente com um rigoroso trabalho de campo, investigação e documentação para que verossimilhança esteja presente. 

Paralelamente ao que nos contou enquanto autor, que não gosta de crítica literária e vive para os seus leitores, manteve presente o seu lado opinativo, oferecendo diversas curiosidades sobre si mesmo e o seu percurso, que vão ao encontro da liberdade que tanto presa para dizer o que pensa, como alguém que não gosta de injustiças. 
Foi uma conversa cativante. Não se contou o tempo e o mesmo passou a valer cada momento. Fiquei com aquele desejo de ler cada página de Miguel Sousa Tavares, fascinada pela pessoa, pelo seu pensar que embora seja tão dissonante do meu consegue ser extremamente interessante, pelo conhecimento, pela experiência de vida e pelo verdadeiro trabalho e dedicação que coloca em cada obra. 


O último momento que me estava reservado no Escritaria foi verdadeiramente especial. Não voltei a ver o homenageado mas dei um salto temporal através de uma última refeição, num cenário idílico em que o almoço foi, no íntimo da sua experiência, uma história contada ao palato. Apresento-vos A Casa de Quessus. Foram vários os sentidos despertados para dar sabor a este momento encantatório que, entre o travo do fumeiro e o que de mais tradicional se pode degustar no nossa país, me fez recuar no tempo e apaixonar-me um pouco mais por este fim de semana. 

Em última análise, o festival Escritaria em Penafiel é, pela segunda vez, uma experiência única na minha vida que me deixa plena em recordações e bons momentos entre aquilo que mais me encanta, a literatura. Repito-me, sempre, se tiverem oportunidade não deixem de viver este evento anual que é produzido com dedicação e carinho singulares por todos os que dele fazem parte. É maravilhoso, estão todos de parabéns uma vez mais. Obrigada.
Obrigada



Boas leituras*

segunda-feira, 16 de outubro de 2017



Uma vez mais, a Obra e Vida de um autor vai contaminar a cidade!
Miguel Sousa Tavares, autor do romance português mais vendido no século XXI, vai estar em destaque na Escritaria, em Penafiel.

A 10ª Edição da Escritaria vai recordar todos os autores que passaram por Penafiel.
Depois de Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho, Lídia Jorge, Mário Cláudio e Alice Vieira é agora a vez de destacar a vida e a obra do jornalista português, escritor e autor Miguel Sousa Tavares.

A 10ª edição da Escritaria vai decorrer de 20 a 22 de Outubro, sendo que a partir de dia 16 de Outubro decorre em Penafiel uma grande feira do livro com diversas apresentações de livros e uma forte aposta na memória de edições passadas, onde marcaram presença grandes nomes da Literatura Portuguesa contemporânea. 

Exposições, teatro de rua, música, momentos de leitura, lançamento de livros e objetos que contaminam uma cidade inteira e que prometem interagir com leitores e transeuntes que vão nesta edição ser confrontados com novas experiências.


Miguel Sousa Tavares, filho da poetisa Sophia de Mello Breyner e do advogado e jornalista Francisco de Sousa Tavares, exerceu advocacia antes de se dedicar exclusivamente ao jornalismo.
Estreou-se na ficção com Não te deixarei morrer, David Crockett (2001) um conjunto de contos e textos dispersos. Em 2003, publicou o seu primeiro romance, Equador, que vendeu mais de 400.000 exemplares em Portugal, foi traduzido em 12 línguas e editado em cerca de 30 países, e adaptado para televisão em Portugal e no Brasil.
Ao longo de 20 anos, Miguel Sousa Tavares tem 16 livros editados com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Dez anos. Dez edições da Escritaria. Dez grandes nomes da literatura, num festival que mantém a tónica em homenagear um escritor de língua portuguesa, vivo, e de transformar durante vários dias a cidade de Penafiel na cidade do Escritor(a) a homenagear.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

É com uma gosto imenso que, pela segunda vez, sou convidada para aquela que é, a meu ver, uma das mais bonitas homenagens à literatura nacional. Penafiel, a cidade que sabe como ninguém eternizar e incorporar um autor, volta a abrir as suas portas a todos os amantes da arte escrita de dia 6 a 9 de Outubro – um evento imperdível. 

ESCRITARIA COM ALICE VIEIRA 

«Obras de Alice Vieira vão ganhar novas vidas em Penafiel, autora será homenageada por várias gerações para quem escreveu.» 
Algo me diz que voltarei a despertar parte da inocência que a passagem do tempo me roubou. 

«Depois de Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho, Lídia Jorge e Mário Cláudio é agora a vez de destacar a vida e a obra de Alice Vieira, uma escritora que alcançou já vários prémios literários e que é autora de inúmeros livros para o público infanto-juvenil.
Exposições diversas, teatro de rua, conferências, música, momentos de leitura e lançamento de livros são algumas das diversas iniciativas que vão marcar a Escritaria deste ano, sem esquecer os objetos que contaminam uma cidade inteira, prometendo interagir com leitores e transeuntes.»

Parece que, uma vez mais, Penafiel voltará a ser uma espécie de País das Maravilhas onde palavras imortalizas e sonhos se mesclam para tocar memórias, explorar emoções, com presentes em forma de recordações. Só lá tive uma vez, é verdade, mas foi inesquecível. Este ano, no entanto, parece que tratarei também algumas lembranças físicas. 

«Feira do livro especial – quando entre 2008 e 2016 passam pela Escritaria alguns dos mais consagrados escritores de língua Portuguesa, isso só poderia resultar numa feira do livro especial que será novidade e onde podem ser encontradas as obras dos autores homenageados, ao longo das várias edições, bem como, os livros que contam a história de cada evento. 
A Escritaria vai decorrer de 6 a 9 de Outubro em Penafiel com um programa recheado de novidades que brevemente serão conhecidas mas, de onde se destaca o envolvimento das pessoas e a contaminação das ruas com literatura em homenagem e promoção à língua portuguesa. 

Para o Presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Antonino de Sousa "A Escritaria é um festival literário de referência que procura que as pessoas possam fruir da literatura de uma forma diferente e descontraída em cada canto e recanto da cidade. Nesta edição acreditamos que vamos viver momentos especiais com muitas pessoas a reverem-se no que já leram em criança e que partilharam, depois, com os seus filhos, tal é grandeza da obra da autora ao nível da literatura infantil e juvenil, sem esquecer também que se destacou com obras de outros géneros literários. É esse universo que queremos descobrir com ainda mais cuidado na Escritaria"

Nas conferências participarão figuras nacionais cujas intervenções serão em torno da vida e da obra da autora. Haverá ainda duas exposições dedicadas à escritora, uma na Biblioteca Municipal de Penafiel, intitulada “ALICE VIEIRA: Ler = Interpretar + Escrever + Desenhar = Criar” , e outra de cariz antológica/digital em parceria com a Hemeroteca de Lisboa, criando as condições de excelência para se aprofundar o conhecimento sobre a obra de Alice Vieira

Promete, não promete? Se tiverem oportunidade, tirem um fim-de-semana prolongado e usufruam desta experiência. Não se arrependeram, creiam em mim. 


Programa provisório:

Dia 6 out. – Quinta feira 
10h00/19h30 Teatro de Rua A ARCA DO TESOURO 
10h00 Praça da Igreja da Misericórdia
. Abertura da Feira do livro ESCRITARIA 2016 (patente de 6 a 9 Outubro entre as 10h00 e as 23h00)
11h00 Inauguração da Rotunda Escritaria
14h30 Biblioteca Municipal de Penafiel 
. Inauguração da exposição ALICE VIEIRA: Ler = Interpretar + Escrever + Desenhar = Criar 
. Hora do Conto com Alice Vieira 
21h00 Praça da Igreja da Misericórdia
 .Recepção académica a Alice Vieira pela Tuna Académica da CESPU
. Visita à exposição “O ciclo da vida e a vida aos ciclos” patente na CESPU de 6 a 9 de outubro

Dia 7 out. – Sexta feira 
10h00/23h00 Praça da Igreja da Misericórdia
. Feira do Livro ESCRITARIA
14h30/19h00 Teatro de Rua A ARCA DO TESOURO
15h00 Praça da Escritaria/ Rua Alfredo Pereira/Largo da Ajuda/Rua do Paço/ Rua Joaquim Cotta/Avenida Pedro Guedes
. Inauguração Arte Pública/Mural e Descerramento da frase de Alice Vieira ESCRITARIA 2016/Montras e instalações várias de arte pública
21h00  Museu Municipal de Penafiel 
 . Visita à exposição OLHAR ALICE VIEIRA (exposição em parceria com a Hemeroteca de Lisboa)  . Visita à exposição PELA JANELA DO OLHAR da artista plástica Mafalda Rocha
21h30 Museu Municipal de Penafiel
. Lançamento de novo livro de Alice Vieira.

Dia 8 out – Sábado 
10h00/23h00 Praça da Igreja da Misericórdia
. Feira do Livro ESCRITARIA
14h30 Teatro de Rua A ARCA DO TESOURO
15h00 Museu Municipal de Penafiel 
. Conferência Alice Vieira Vida e Obra
17h30 Museu Municipal de Penafiel
. atribuição do Prémio Comunicação ESCRITARIA
21h30 Museu Municipal de Penafiel
. Lançamento do livro infantil projecto ESCRITARIA ALICE VIEIRA do Centro Escolar Agrup. D. António Ferreira Gomes

Dia 9 out - Domingo
10h00/23h00 Praça da Igreja da Misericórdia
. Feira do Livro ESCRITARIA
15h30 Museu Municipal de Penafiel
. Entrevista com ALICE VIEIRA por Luís Osório
 16h30  - Praça da Igreja da Misericórdia
 .  Feira do Livro escritaria  - lançamento do livro ESCRITARIA 2015 "Mário Cláudio Vida e obra"
18h00 - Encerramento ESCRITARIA 2016
. Sessão de autógrafos por ALICE VIEIRA



domingo, 5 de outubro de 2014

Foram cinco os dias que marcaram a cidade, a Mulher, os presentes e os estrangeiros, foram poucos os dias para quem se inebria de momentos marcados pela eternidade das palavras.


Com um galope veloz que mescla sons, imagens e inspiração, o meu segundo dia em Penafiel foi faminto em emoções e sôfrego na necessidade de sentir todo o potencial que as Letras têm de me desmoderar a alma. E tocaram. E transcenderam. E sopram já a minha mente com uma saudade tão tipicamente lusitana.

Escritaria em Penafiel 2014, homenagem à Vida e Obra de Lídia Jorge - 1 a 5 Outubro


Despertei envolta em sussurros, remetida para os diálogos da noite anterior que me falavam de uma criança entrando no nevoeiro junto de sua mãe, uma recordação de afecto marcada pelo silêncio. Despertei para um dia tímido que, tão depressa como me arrepiava o espírito, era já uma promessa de oportunidades que se adivinhavam capazes de superar o expectável.


Uma pequena caminhada para libertar o corpo e um primeiro café numa pequena esplanada para admirar frases soltas e intensas que contagiavam o espaço foram quase, quase suplantadas pelo singular. Surpreendi-me. O grupo O ANDAIME estava na praça e ao meu lado Eunice Muñoz, delicada e esplendorosa, revelou-se o mais belo retrato de todas as emoções que naquele momento preencheram aquela manhã em que se representou Os Memoráveis; a Revolução de Abril invadiu o espaço juntamente com representações de anteriores homenageados. Os sinos tocaram, a realidade tornou-se expectante, suspensa, num momento indescritível por palavras. 
A custo, entorpecida, prossegui. O dia estava apenas a começar.


Nas ruas cruzei-me com Lídia Jorge que estava a dar uma entrevista, acolheu-me no seu abraço com simpatia, e com um sorriso imenso dirigi-me para Venda da Escritaria, um restaurante proibitivo para todos os que não resistem a uma iguaria. O meu palato maravilhou-se e a minha visão perdeu-se na imensidão de frases que cobriam as paredes daquele espaço acolhedor e, no final, muitos foram os que quiseram deixar a sua impressão onde o branco se sentia excluído pela ausência de significados. Esta vossa leitora escreveu: “Alguém que sonha mudar o mundo com a mudança da mente.”; Lídia Jorge disse “que lindo” e eu juro-vos que nunca me vou esquecer daqueles segundos em que sorri, senti a minha e a sua verdade, senti uma vontade de começar realmente a trabalhar os meus sonhos.


Seguiu-se uma conferência, uma mesa repleta de figuras cujas existências foram tocadas pela Autora e que, com sinceridade, declararam gestos, afectos e confidências, palavras, sensibilidades e o orgulho imenso por de alguma forma Lídia Jorge estar presente nas suas vidas. A sala do Museu Municipal de Penafiel esteve cheia de carinho por esta Mulher única, esteve transbordante da “herança literária” que a Escritora semeia em todos nós.


Houve ainda a Entrega do Prémio Jornalístico Escritaria 2014 e mais uma refeição em Venda da Escritaria, em que não consegui estar presente, a que se seguiu um dos momentos mais marcantes de todo este encontro feliz.
21h30, Lançamento do Livro O Organista de Lídia Jorge apresentado por Padre Anselmo Broges
A mesma sala que de tarde se encheu nessa noite foi pequena para a fusão intensa entre a Autora e os seus sequiosos leitores, uma sala que conta muitas histórias e que durante horas se expandiu à dimensão do universo para dar voz a uma fábula sobre o Homem e o Criador, sobre música e o vazio. Soube, depois, que a autora ficou a dar autógrafos até à madrugada do dia que precedeu a magia da apresentação e se saí de lá sem a sua assinatura foi porque tenho a certeza que farei por reencontrá-la em breve.


Penafiel foi nestes dias maravilhosos, como a própria Lídia Jorge referiu em algum momento, uma auto-estrada onde a literatura foi dar, onde a literatura possuiu todos os que dela desejaram fazer parte e isso, leitores, é algo que todos vós deveríeis experienciar num momento das vossas vidas. Sou, agora, alguém imensamente feliz por ter vivido aquele espaço, por ter conhecido uma cidade que ficará gravada de forma muito, muito especial na minha mente.



3 e 4 de Outubro de 2014 mudaram algo em mim.
O meu muito sincero obrigado a todos os que me possibilitaram esta oportunidade, este sonho tornado realidade, uma overdose de experiências felizesSofia Teixeira e Alberto Santos.

Fotos por Sofia Teixeira, autora do blog Bran Morrighan.


sábado, 4 de outubro de 2014

Com uma beleza singular que se destaca, Penafiel é por estes dias um local perfeito para os amantes de literatura lusitana. Palavras, frases, textos, são pedaços fundamentais na imagem de uma cidade transformada em prosa pura, numa teia envolvente que acolhe naturalmente todos os que desejam rodear-se de arte.



Bem-vindos ao maior Festival Literário Nacional que homenageia autores portugueses – Escritaria.

3 de Outubro; o meu primeiro despertar para uma lírica palpitante ansiosa por contaminação. Nas ruas, jovens comuns tornam-se inspiradores e, de onde menos se espera, representam aqueles que sempre nos receberam entre as suas páginas. Figuraram-se enquanto nos embalam, enquanto recitam, cantam e florescem – foi Teatro de Rua, pelo grupo O Andaime – disponível para todos, para o todo em que se misturam e que passa a pertencer a um cenário único.
Em todas as ruas, em todos os lugares, Roteiros de Escrita em Dia captam a atenção do transeunte que, por momento, sente pertencer à “Vida e Obra” da admirável, sente que faz parte dos caminhos que palmilha, caminhos enriquecidos pela linguagem de uma escritora singularmente marcante.


Almoço. Expectativa crescente e na mesa a homenageada Lídia Jorge; as possibilidades adivinham-se infinitas. Para quem assim o desejou, a obra escrita metamorfoseou-se em imagem e Auditório Museu de Penafiel recebeu O Dia dos Prodígios – filme adaptado e encenado por Cucha Carvalheiro –, retrato vivo da mãe literatura a abrir as asas das suas crias, da literatura como alimento para as muitas variantes da sua espécie, da arte.
Multiplicação. Imagens, poesia, artistas, mesclaram-se no espaço e é fácil sentirmo-nos rodeados pela Arte Pública, por mágicos inspirados que transformaram a tela vazia em cor e em vida, pelas peugadas cravadas de palavras eternas, por cabides que sustentam letras e emoções prontas a vestir o espírito de quem redescobre Penafiel – está tudo por toda a parte, são parte do todo, da cidade.


A tarde foi longa com tempo a escoar demasiado depressa. Houve o Descerramento da Frase Escritaria 2014 (na Biblioteca Municipal de Penafiel) e confirmou-se, a partir do chão brotou cultura, abriu-se uma janela para a Inauguração da Exposição Viagem pela Escritaria, ao Encontro de Lídia Jorge, um aperitivo para mais uma refeição no Vai de Roda, restaurante que nos alimentou o corpo, que equilibrou a carapaça que carregava uma alma cheia e ansiosa pelo último capítulo do dia.  

Os Sinais Memoráveis, uma conversa informal, um ambiente íntimo, o murmúrio mudo de uma plateia que não se cansa de escutar alguém que inunda com a sua simpatia imensa. Fernando Alves dirigiu a conversa, questionou “Vida e Obra” de Lídia Jorge e ela presenteou a todos com retalhos que o leitor apenas poderia conjecturar. A primeira recordação da infância, as fragilidades da solidão e a procura do que é diferente foram peculiaridades que conduziram à “arte mais lenta”, ao “consumidor de leitura” e, por fim, à reflexão que esta experiência deixará em Lídia Jorge, que não deixou de recordar a sua homónima Agustina Bessa-Luís, homenageada no Escritaria 2010.

Foi um dia pleno, um dia a recordar pelas inacreditáveis experiências sensitivas que envolveram todos os presentes, como inacreditáveis são os contos de Lígia Jorge provenientes de um encontro do seu dia-a-dia e com a capacidade de perdurar para sempre na memória de quem os folheou.


Fotos por Sofia Teixeira, autora do blog Bran Morrighan.
sábado, 27 de setembro de 2014

Penafiel, transforma-se de 1 a 5 de Outubro na cidade Lídia Jorge, a homenageada deste ano no Escritaria, o maior festival literário em torno de um escritor de língua portuguesa vivo.

Durante 5 dias, Penafiel será uma cidade “contaminada” com literatura. Serão dezenas os itens espalhados por Penafiel que têm um único objetivo, o de levar qualquer cidadão a descobrir num qualquer local improvável, numa esquina, rua ou viela, nos cafés, fachadas de edifícios e até na estrada, algo que remeta para o universo da Escritora homenageada e da literatura, convidando ainda o transeunte a passear pelas palavra e até a apropriar-se delas e levá-las consigo.



A “contaminação” da Escritaria deste ano faz duas apostas fortes que passam pela arte de rua e pelas artes plásticas, sendo que haverá uma janela aberta para as novas tecnologias, uma vez que existirão itens espalhados pela rua que funcionam tecnologicamente, ou seja remetem, por QR Code ,o visitante para espaço virtual com mais informação.

Já a pensar na próxima edição, a Escritaria pretende ainda brevemente lançar um concurso junto da comunidade escolar, de arte de rua, para envolver os mais jovens na preparação do festival literário e potenciar o aparecimento de novos itens para contaminar as ruas da cidade em edições futuras e colocar simultaneamente os jovens em contacto com as obras do autor escolhido.

Artes plásticas
Em 2014, não é apenas o público a ser convocado para a interacção, todos são desafiados para interagir de perto com o público - artistas, escritores e, académicos. Itens como streetartaria, entre outros, colocam os participantes a menos de um metro do público e fazem da interacção a palavra chave.
Ao nível das artes plásticas foi reservado um lugar de destaque convidando para esta edição um conjunto de artistas plásticos jovens, que são desafiados a trabalhar ao vivo nas ruas de Penafiel, interagindo com o público, enquanto criam as suas obras em painéis fixos existentes na cidade, com uma forte componente performativa.
Ainda ao nível das artes plásticas, entre as fachadas dos prédios do centro, vão surgir retratos de Lídia Jorge em grandes dimensões, manipulados pelo artista plástico Rui Martins. São retratos que nos fazem companhia, reforçando com a sua presença física a ideia de que, por estes dias, Penafiel é a cidade da literatura.

Arte de rua
A arte de rua composta por itens que decoram as ruas, que se lêem e que se podem levar para casa, fazem já parte da Escritaria. Este ano voltamos a surpreender.

Escritaria no caminho
Um “tapete de boas vindas” em cada estrada de entrada em Penafiel. Letras pintadas em stencil reproduzirão frases do escritor, por um lado lembrando os passantes que é tempo de Escritaria, por outro partilhando frases marcantes e memorizáveis trazendo a literatura, literalmente, para a rua. A persistência das inscrições no chão por largos meses é um extra que liga cada edição à seguinte.

esQRitaria
Espalhados pela cidade, por entre as indispensáveis Caixas de Literatura, encontraremos prismas com uma ilustração sobre Lídia Jorge e um grande Qr Code. Este é um item que pisca um olho à tecnologia e à contemporaneidade, obrigando o visitante a usar o seu smartphone ou tablet para aceder ao conteúdo mistério.

Guarda-factos
Grande disseminação de cabides, suspensos por toda a cidade, leva aos visitantes o universo da escritora. Mais um item prêt-a-porter, característica tão identitária da Escritaria.

Pé-de-letra (pegadas com excertos de texto)
No livro O Vale da Paixão, Lídia Jorge brinda-nos com um exercício literário carismático que expande as fronteiras da literatura: dá-nos a conhecer pessoas e espaços através da descrição das nuances dos passos.
Pé-de-letra é um item que parte daqui e oferece ao público mais uma variante, ao disseminar pelo chão de alguns locais de Penafiel pegadas com os excertos do texto.

Conversa de Janela
Nesta edição é o espaço urbano que assume a responsabilidade do discurso sobre a literatura de Lídia Jorge. São, literalmente, as janelas que tomam a palavra e, num animado diálogo ensinam ao visitante conceitos, ideias e tomadas de posição relevantes no universo da escritora.

Caixas de literatura
O item identitário da Escritaria. Mais uma vez, centenas de caixas contaminarão o centro com literatura e o tradicional “leve-me consigo”.

Livro dos pássaros
Walter Dias é um personagem de O Vale da Paixão, conhecido por trotamundos e ao longo de toda a vida envia para casa da família desenhos que irão construir o Livro dos Pássaros. Um pedaço de espaço público será, ao longo da Escritaria, povoado por aves imaginárias, suspensas dos edifícios.

Post-its gigantes nos edifícios
Post-its gigantes, serão afixados em edifícios da cidade contendo pequenos textos, pedidos a um conjunto de personalidades relevantes do meio cultural.

Novos Livro de Lídia Jorge e conversas por entre sinais memoráveis também marcam o Escritaria
No sábado dia 4 de Outubro, pelas 21h30 no Museu Municipal de Penafiel, será apresentado pelo Padre Anselmo Borges o novo livro de Lídia Jorge. O Organista é um conto sobre a criação do mundo, uma fábula sobre a relação entre Deus e o Homem e o Universo. Uma espécie de cosmogonia.


A Escritaria promete ainda algumas surpresas, a revelar brevemente, relacionadas com todas edições e autores anteriores, com iniciativas que vão permitir continuadamente celebrar e descobrir o festival literário, Escritaria, em Penafiel, todos os dias do ano a marcar o tempo e os espaços da cidade. Lídia Jorge junta-se assim a outros nomes grandes da língua e da literatura portuguesa, que já marcaram a Escritaria, como Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa - Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes e Mário de Carvalho.

Programa:
DIA 1 DE OUTUBRO - Quarta-feira
• Roteiros “Escrita em Dia” - Percurso “Escritaria, Vida e Obra 2008-2013"

DIA 2 DE OUTUBRO - Quinta-feira
• Teatro de Rua
• Roteiros “Escrita em Dia” - Percurso “Escritaria, Vida e Obra 2008-2013"
17h30 • Inauguração das Esculturas - Prémio Arte Pública (Praça Escritaria)
21h30 • exibição do filme A COSTA DOS MURMÚRIOS, da autoria de Lídia Jorge, Cinemax Penafiel

DIA 3 DE OUTUBRO - Sexta-feira
• Teatro de Rua
• Roteiros “Escrita em Dia” - Percurso “Escritaria, Vida e Obra 2008-2013"
17h30 • Inauguração de Arte Pública (Contaminação)
18h15 • Descerramento da Frase Escritaria 2014 – Biblioteca Municipal de Penafiel
18h30 • Inauguração da Exposição Viagem pela Escritaria, ao Encontro de Lídia Jorge – Biblioteca Municipal de Penafiel
21h30 • Os Sinais Memoráveis - Conversa entre Lídia Jorge e Fernando Alves – Museu Municipal de Penafiel

DIA 4 DE OUTUBRO – Sábado
• Teatro de Rua
15h30 • Conferência Parte 1 – Museu Municipal de Penafiel
17h30 • Entrega do Prémio Jornalístico “Escritaria 2014” – Museu Municipal de Penafiel
21h30 • Lançamento do Livro “O Organista”, de Lídia Jorge, apresentado por Padre Anselmo Borges – Museu Municipal de Penafiel

DIA 5 DE OUTUBRO – Domingo
• Teatro de Rua
15h30 • Conferência Parte 2 – Museu Municipal de Penafiel
17h30 • Lançamento do Livro “Mário de Carvalho - Vida e Obra”, apresentado por Luís Ricardo Duarte
18h30 • Encerramento Escritaria 2014


"Não há livro de instruções para salvar a vida. Só a liberdade se aproxima desse imenso livro", Lídia Jorge.

domingo, 21 de setembro de 2014

ESCRITARIA COM LÍDIA JORGE - ESCRITORA APRESENTA NOVO LIVRO EM PENAFIEL

Penafiel transforma-se de 1 a 5 de Outubro na cidade Lídia Jorge, que será homenageada este ano na Escritaria, o maior festival literário em torno de um escritor de língua portuguesa vivo.

Durante 5 dias, Penafiel será uma cidade “contaminada” com arte de rua e arte pública, sem esquecer o teatro, o cinema, as conferências ou as exposições. Uma vez mais e com maior intensidade as pessoas serão levadas a descobrir, num qualquer local improvável, numa esquina, rua ou viela, algo que as remete para o universo da escritora, convidando o transeunte a passear pelas palavra e apropriar-se delas, levando-as consigo.

No sábado dia 4 de Outubro, pelas 21h30 no Museu Municipal de Penafiel, será apresentado pelo Padre Anselmo Borges o novo livro de Lídia Jorge. “O Organista” é um conto sobre a criação do mundo, uma fábula sobre a relação entre Deus e o Homem e o Universo. Uma espécie de cosmogonia.



Pela Escritaria em Penafiel vão passar diversas individualidades, para celebrar a vida e a obra de Lídia Jorge, de onde se destacam alguns nomes como Eunice Munoz, José Fanha, Padre Anselmo Borges, Pilar Del Río, Mónica Baldaque, Mário de Carvalho (Escritor homenageado em 2013), António Carlos Cortez, Inês Pedrosa, Fernando Pinto do Amaral, Carlos Reis, Cucha Carvalheiro, José Carlos Vasconcelos, João Céu e Silva, Karin von Schweder-Schreiner, Luís Ricardo Duarte, Maria Manuel Viana, Patrícia Reis e Pierre Léglise-Costa, Conceição Brandão, nomes que em comum têm uma ligação à vida e obra da escritora.

A Escritaria vai nesta edição estrear um novo modelo de conversa, informal e descomprometido que permitirá conhecer um pouco mais sobre a autora homenageada. Em 2014 apresentamos “Os Sinais Memoráveis - Conversa entre Lídia Jorge e Fernando Alves”.

A Escritaria promete ainda algumas surpresas, a revelar brevemente, relacionadas com todas edições e autores anteriores, com iniciativas que vão permitir continuadamente celebrar e descobrir o festival literário, Escritaria, em Penafiel, todos os dias do ano a marcar o tempo e os espaços da cidade. Lídia Jorge junta-se assim a outros nomes grandes da língua e da literatura portuguesa, que já marcaram a Escritaria, como Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa - Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes e Mário de Carvalho.

Programa:
 DIA 1 DE OUTUBRO - Quarta-feira
• Roteiros “Escrita em Dia” - Percurso “Escritaria, Vida e Obra 2008-2013"

DIA 2 DE OUTUBRO - Quinta-feira
• Teatro de Rua
• Roteiros “Escrita em Dia” - Percurso “Escritaria, Vida e Obra 2008-2013"
17h30 • Inauguração das Esculturas - Prémio Arte Pública (Praça Escritaria)
21h30 • exibição do filme A COSTA DOS MURMÚRIOS, da autoria de Lídia Jorge, Cinemax Penafiel

DIA 3 DE OUTUBRO - Sexta-feira
• Teatro de Rua
• Roteiros “Escrita em Dia” - Percurso “Escritaria, Vida e Obra 2008-2013"
17h30 • Inauguração de Arte Pública (Contaminação)
18h15 • Descerramento da Frase Escritaria 2014 – Biblioteca Municipal de Penafiel
18h30 • Inauguração da Exposição Viagem pela Escritaria, ao Encontro de Lídia Jorge – Biblioteca Municipal de Penafiel
21h30 • Os Sinais Memoráveis - Conversa entre Lídia Jorge e Fernando Alves – Museu Municipal de Penafiel

DIA 4 DE OUTUBRO – Sábado
• Teatro de Rua
15h30 • Conferência Parte 1 – Museu Municipal de Penafiel
17h30 • Entrega do Prémio Jornalístico “Escritaria 2014” – Museu Municipal de Penafiel
21h30 • Lançamento do Livro “O Organista”, de Lídia Jorge, apresentado por Padre Anselmo Borges – Museu Municipal de Penafiel

DIA 5 DE OUTUBRO – Domingo
• Teatro de Rua
15h30 • Conferência Parte 2 – Museu Municipal de Penafiel
17h30 • Lançamento do Livro “Mário de Carvalho - Vida e Obra”, apresentado por Luís Ricardo Duarte
18h30 • Encerramento Escritaria 2014



"Não há livro de instruções para salvar a vida. Só a liberdade se aproxima desse imenso livro", Lídia Jorge.


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