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A Elphaba...

Adoradora de literatura em geral.
Viciada em literatura fantástica e romântica.
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terça-feira, 28 de abril de 2015

Sinopse:
Numa escola de Londres um misterioso e viciante jogo de computador circula entre os estudantes, mas ninguém fala disso abertamente.
As regras do jogo são extremamente rígidas. Cada jogador tem apenas uma oportunidade e se perder nunca mais pode entrar no jogo; deve estar sempre sozinho e não pode falar a ninguém sobre o seu jogo. Quem violar estas instruções é também eliminado. O jogo é inteligente e interage com o jogador como se o vigiasse constantemente. As missões atribuídas devem ser concretizadas no mundo real.
Quando Nick Dunmore começa a jogar, sente-se de imediato absorvido, aprende as regras e avança rapidamente; contudo, vê-se forçado a questionar as implicações deste jogo perigoso. Qual o verdadeiro objetivo? E que segredo esconde? Um livro que os apreciadores de fantasia, jogos de computador, lendas urbanas, distopias, não devem perder.
Erebos é um jogo. Ele observa-te...

Ora aqui está uma surpresa agradável. Confesso-vos que não sabia bem o que esperar desta história, com um género pouco definido na minha mente e direccionada para um público mais jovem mas, felizmente, esta acabou por se revelar algo viciante e original, num universo actual e que teve a capacidade de me pôr a reflectir sobre dilemas contemporâneos.

Através de um enredo que flui com naturalidade, Ursula Poznanski apresenta uma história inteligente e cativante que prende a atenção de quem lê. Apesar de utilizar diálogos mais coloquiais e descrições concisas, a sua narrativa é cuidada e nota-se a sua preocupação em dar a ver tudo o que está a acontecer, da mesma forma que trabalha, inclusive com momentos de humor entre o suspense, as relações entre personagens e a importância que os pares têm na adolescência comum.

Todo o texto gira em torno de Erebos, um jogo que, tal como é descrito na sinopse, ultrapassa e até domina a realidade. Estratégia, acção e aventura são os atractivos deste universo virtual paralelo que escoa para a realidade, acabando por viciar, manipular e subjugar centenas de miúdos que vivem em Londres. Para lá de fascinar por todas as singularidades que o próprio jogo apresenta e mostrar a forma como este altera as personagens do enredo, esta história acaba por se tornar numa perigosa caça à verdade, ao verdadeiro intuito do jogo, e sobre quem está por detrás do da ficção. Uma coisa é certa, a vida social de todos os jovens está a mudar e coisas realmente estranhas e graves começaram a acontecer, pois como explicita o título, Erebos é um jogo. Ele observa-te... e tudo pode acontecer!

Não há nenhum interveniente que me tenha desagradado apesar das tenras idades e Nick, o protagonista, acabou por se revelar um jovem bastante interessante mesmo, ou quiçá principalmente, nos momentos em que não o é – passo a explicar. Nick é um miúdo bastante esperto e maduro, com um bom fundo, no entanto transforma-se completamente quando entra em contacto com o Erebos, tendo atitudes e acções extremamente reprováveis. Assim, nem sempre ele é agradável mas compreendi a necessidade de mostrar os dois lados deste rosto para que o mesmo possa escolher e evoluir, aprender, com as suas escolhas.
As personagens secundárias são muito diversificadas e, muitas delas, só a partir da segunda metade do enredo é que se dão a conhecer. A ter de citar alguns, adorei o Victor com as suas peculiaridades extravagantes, bem como o Jamie com o seu humor e tranquilidade e a Emily pela sua doçura.


Quanto ao jogo, Erebos, tenho de acrescentar que o achei bastante atractivo – acho que se fosse uma personagem teria cedido à tentação inicial pois, creiam-me, gosto bastante de jogos de simulação, aventura e enigmas. Um dos pormenores mais interessantes terá, provavelmente, com o facto deste simulador se tornar uma narrativa singular dentro da própria história, que desperta tanto ou mais o interesse de quem lê.
Igualmente, este serve para revelar uma das problemáticas mais gritantes do texto, os perigos associados à Internet, à facilidade com que os seus conteúdos são acessíveis e, também muito grave, o vício do jogo e os efeitos que este tem no indivíduo – principalmente nos mais novos, mais moldáveis.
Tudo isto, dá ainda que reflectir relativamente aos avanços que são feitos na criação de inteligência artificial, mas isto era tema para uma segunda opinião cheia se spoilers.

Enfim, esta é uma história de carácter inovador e muito pertinente nos dias de hoje que, com uma forte componente de entretenimento, alerta para muitos perigos a que miúdos e graúdos estão sujeitos.

Uma boa aposta Editorial Presença que sugiro, sem restrições, aos leitores que tenham interesse por esta temática, mas também aos jovens e aos adultos que pretendam algo leve que os recorde destas questões através do prazer da leitura.


Título: Erebos – É um jogo. Ele observa-te.
Autor: Ursula Poznanski
Género: Ficção Científica; Young Adult; Aventura
Editora: Editorial Presença

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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sinopse:
En un turbulento siglo XII, Leola, campesina adolescente, desnuda a un guerrero muerto en un campo de batalla y se viste con sus ropas de hierro, para protegerse bajo un disfraz viril. Así comienza el vertiginoso y emocionante relato de su vida, una peripecia existencial que no es sólo la de Leola sino también la nuestra, porque esta novela de aventuras con ingredientes fantásticos nos está hablando en realidad del mundo actual y de lo que todos somos.
Historia del Rey Transparente es un insólito viaje a una Edad Media desconocida que se huele y se siente sobre la piel, es una fábula que conmueve por su grandeza épica, es uno de esos libros que no se leen, sino que se viven. Original y poderosa, la novela de Rosa Montero tiene esa fuerza desbordante de los libros llamados a convertirse en clásicos.

Não vos vou mentir, se fosse eu escolher uma leitura em espanhol provavelmente teria escolhido um autor não publicado em português – podem encontrar este título publicado pela ASA em 2008 – mas tendo em conta que foi uma leitura obrigatória, para a faculdade, estou extremamente satisfeita por ter conseguido aliar prazer ao fim didáctico.
Mesclando de forma subtil o género fantástico a um forte ambiente medieval, Rosa Montero construiu uma narrativa de aventura épica dedicada à mulher, à religião mas, principalmente, à essência da humanidade, revelando o seu melhor e o seu pior intemporalmente com contornos históricos verídicos.

Tal como relata a sinopse, a história é centrada em Leola, uma jovem camponesa que durante um período de guerra vê ser-lhe levada a família e o seu noivo, restando-lhe, para sobreviver, roubar a armadura a um cavaleiro morto em batalha e fazer-se passar por um homem. A partir deste ponto inicial as peripécias sucedem-se, com várias personagens a passarem a integrar o universo da protagonista, por um maior ou menor período de tempo, com algumas delas permanecendo quase desde o começo e tão ou mais marcantes que Leola – são elas Nyneve e Dhouda, duas mulheres estranhas, distintas e envolvidas em misticismo –, e permanecendo até ao final da leitura.

Enquanto personagem, à parte de todas as outras, Leola acaba por ter uma vida que vai muito além do que sonhou mas que jamais se atreveria a desejar. Dos combates ao amor, passando por damas peculiares e reis loucos, ela escreve, narra na primeira pessoa todos os episódios com uma carga emocional forte, algo que é predestinado logo no início da história e repetido no final. «Soy mujer y escribo. Soy plebeya y sé leer. Nací sierva y soy libre.» - páginas 11 e 689
Embora não tenha sido o meu interveniente favorito, devido aos altos e baixos do seu carácter e personalidade, consegui compreender Leola na medida em que esta foi obrigada a modificar-se intimamente durante a sua jornada, muitas vezes guiada por sentimentos em detrimento da razão. No entanto, o seu crescimento constante e evolução soberba – graças a outras personagens – levaram-na a um rumo impossível de criticar alcançando a desejável empatia por qualquer protagonista.

Porque sou adoradora de fantasia, gostei particularmente de Nyneve e da nebula misteriosa que a envolve até ao seu último momento entre páginas. Quiçá uma bruxa, quiçá uma fada ou apenas uma mulher como tantas outras, ela é plena de força e sabedoria, bondade e intelecto, transmitindo um nirvana só alcançável por quem já viu tudo o que havia para ver e se cansou de olhar num mundo de cegos. Ela é igualmente a guia da protagonista, que supostamente a salva na floresta durante o princípio da sua fuga e por quem posteriormente se sente responsável. Mãe, amiga, companheira, é difícil definir o seu papel, sendo unicamente clara a sua relevância no enredo e a ponte que estabelece com o fantástico.

Igualmente importante é a duquesa Dhouda, Dama Branca ou Dama Negra dependendo do ponto do texto em que nos encontramos. Estranha nos gestos e atitudes, com probabilidade de tender tanto para o bem como para o mal e com acesso a uma realidade que vai além da aventura épica, esta personagem pode ser considerada a vilã mas não creio que seja possível odiá-la completamente. Na minha perspectiva está associada às cenas mais hediondas da narrativa – estamos no século XII, existem vários momentos chocantes –, mas também aos cenários de maior ostentação, como a corte.

As três mulheres que citei anteriormente, são a cara do livro e o passe para uma reflexão mais profundada em relação à sua condição, mas não estão sós. Acompanhadas de diversas personagens secundárias, creio que merecem destaque o Frei Angélico, Gastón, um estudioso das Ciências e filósofo, e León – embora sejam muitos mais aqueles que marcam e pontuam a narrativa de momentos brilhantes. No entanto, os homens referidos, criam o laço forte com a religião, com a alquimia e com amor, três questões debatidas e fortemente exploradas.

Uma das temáticas abordadas que mais me agradou tem que ver com a alusão às lendas arturianas e à própria Avalon, aqui encarada como uma terra prometida e benigna, provavelmente irreal, que traria a paz e o refúgio aos momentos difíceis que o mundo descrito ultrapassava. Embora este local mítico apareça de forma ligeira, com citações e comentários disperços, sua relevância no destino das personagens é extraordinária e se, como eu, leram As Brumas de Avalon, será algo que irá prender a vossa atenção – Rei Artur, Camelot e o próprio Merlin são destacados.

O contexto histórico é também atractivo devido à forma como é exposta a sociedade medieval, ficando claras as discrepâncias entre a nobreza e os camponeses. Os segundos fortemente influenciados por um fanatismo religioso e superstições impensáveis nos nossos dias. Também interessante é a passagem de Leola pela corte da Rainha Leonor e a análise da autora desta corte em particular, bem como ao monarca Ricardo Coração de Leão. Ainda no respeita à religião, Rosa Montero introduz temas tão pertinentes como Os Cátaros e a Cruzada dos Inocentes, assim como todas as outras questões relacionadas com este momento importante na tomada de posição da inquisição.  


Enfim, o livro é realmente bastante abrangente, minucioso até, na forma como envolve o leitor nestes tempos distantes e em relação a problemáticas tão desiguais, proporcionando uma verdadeira viagem que só peca, na minha opinião, por alguns momentos demasiado descritivos, algo que por outro lado se torna irrelevante dadas as imensas curiosidades que poderão encontrar – como por exemplo, homossexualidade.

Quanto à escrita de Rosa Montero, não fiquei propriamente fã mas também não desgostei. Fluidez e simplicidade não são, definitivamente, sinónimos das suas palavras, no entanto as descrições são maravilhosas e todo o ambiente é dado a ver na perfeição – tudo depende se o leitor procura algo leve ou mais complexo.
O ponto menos positivo do livro é, possivelmente, a carga introspectiva da protagonista, algo que eu associei à sua procura interna por elevação de espírito, de conhecimento.

Voltarei certamente a ler Rosa Montero mas, possivelmente, num outro registo, pois tenho o seu livro Lágrimas da Chuva, editado pela Porto Editora, para ler. Para finalizar, esta é uma história que recomendo a quem gosta de aventuras épicas, romance e fantasia, pois são estes os três géneros que se misturam ao longo do texto. 


Título: Historia del Rey Transparente
Autora: Rosa Montero
Género: Ficção Histórica; Romance; Aventura

Editora: Punto de Lectura
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Sinopse:
Maik Klingenberg ficou sozinho em casa naquelas férias e, sem nada para fazer, sente-se absolutamente entediado. É então que Tschick aparece num velho jipe roubado. Estudam ambos na mesma escola e na mesma turma mas, por razões diversas, são ambos postos de parte pelos colegas. É então que decidem partir completamente à aventura para a Valáquia, no Sul da Alemanha. Ambos têm 14 anos e a sua busca é determinada pelo desejo de experimentarem uma liberdade absoluta. A viagem, bastante atribulada, vai tecer entre ambos uma indestrutível amizade. Este romance tão divertido quanto comovente já foi comparado a obras como As Aventuras de Huckelberry Finn, de Mark Twain e Uma Agulha no Palheiro, de J. D. Salinger.

Embora este seja considerado por muitos um livro de culto e esteja enquadrado numa colecção juvenil da Editorial Presença, Noites Claras, esta história de dois adolescentes que resolveram rebelar-se através de uma viagem única tem, na minha perspectiva, muito mais para oferecer. Esta história complexa e de texto descritivo é, isso sim, uma narrativa que fará os graúdos reflectirem sobre a sua essência, é uma história que vai muito além dos infindáveis mistérios da terrífica fase hormonal que marcou tantos de nós, levando-nos a pensar sobre o que originou as emoções e os comportamentos dos invulgarmente comuns Maik e Tschick.

Anti-sociais, excluídos e inadaptados, são três bons adjectivos para definir os dois protagonistas deste livro. Na escola são um número onde, por detrás de um rosto igual a tantos outros, se escondem sonhos, paixões, anseios da adolescência. Um mais resignado que outro. Um mais apaixonado que outro.
Quando Maik julga ser o único rapaz da sua turma a não ser convidado para o aniversário de uma rapariga, rapariga para quem passou os últimos dois meses a fazer uma prenda, deprime primeiro e acaba por ser resgatado depois. Tschick, o russo pé descalço que aparece alcoolizado nas aulas é o mesmo russo que acabará por o convidar - convencer e forçar são provavelmente termos mais indicados -, para fazer uma viagem que o marcará para sempre, dando início a uma jornada reflexiva sobre temas variados e situações incomuns.

Tudo nesta obra poderia girar em torno das suas personagens, em particular do narrador Maik que, através de uma exposição lenta, pontuada de recordações passadas e muitas observações, nos vai contando as peripécias de uma aventura invulgar que começou pelo roubo de um automóvel e uma ligação directa. Mas isso ficaria muito aquém destas páginas, páginas onde vidas, umas verdes e outras tantas maduras, acabam por nos relatar o sentido da existência humana, ou parte desta.

Talvez eu, enquanto leitora, ande oferecer demasiada profundidade ao que leio, mas a verdade é que neste livro encontrei retratos de famílias disfuncionais, almas perdidas que se encontraram e peculiaridades raras em personagens estranhas, mas credíveis, e tudo isto apenas na infinidade que alguns quilómetros deste planeta azul podem espelhar.

Álcool, abandono, depressão e mágoa, a par com a traição, seriam questões que usualmente abordaria neste meu texto - elas estão presentes -, mas surpreendo-me a mim própria ao recordar antes a meninice, os sorrisos desconfiados e o valor da amizade marcada pela diferença. Jóias raras que escolheram ficar nas minhas recordações após digerir aquela que não foi uma leitura assim tão fácil, uma leitura que me fez pensar até na mais caricata das situações aqui representadas. Porque é que estas duas crianças, Maik e Tschick, sentiram a necessidade de viajar sozinhas? Puro desejo e sonho infantil? Desilusão? Falta de atenção? A resposta não está, a meu ver, na solução mais simples, tentem recordá-lo quando efectuarem a vossa própria leitura.


Resumindo, este é um suposto livro de adolescentes onde um leitor adulto encontrará questões comuns ou reflexões mais profundas e, não sendo de entendimento fácil, creio que acaba por alcançar o tal espaço na memória, aquele espaço apenas reservado para obras desiguais.

Wolfgang Herrndorf tem uma escrita diferente da que eu esperava encontrar e que não é, de todo, simples ou fluida, proporcionando a que no final de quase todos os capítulos eu procurasse a reflexão e entendimento sobre o que tinha acabado de ler.
As suas descrições são emocionalmente bem trabalhadas embora sejam breves, equiparadas por mim a uma extensa manta de retalhos soltos que quando unidos nos aquecem por dentro. E, por fim, nem sempre considerei que as suas palavras fossem coerentes, mas gostei do resultado final, pelo que, embora tenha sido uma leitura difícil, não seria correcto da minha parte considera-la uma má leitura.

Pessoalmente creio que gostei deste livro quando o compreendi, mas não foi simples conectar-me com a história e encontrar a sua essência. Penso que o facto de se tratar de um autor alemão teve alguma influência, principalmente na estrutura e sequência adoptada para o enredo e, sinceramente, não consigo dizer que não fui tocada pela sua sensibilidade, por vezes curiosa, escolhida para falar de temas pertinentes e muito importantes na adolescência e muito para além desta.


Esta história é uma aposta Editorial Presença que, embora seja considerada Young Adult, prevejo ser aceite por um público bastante mais alargado.

Título: Adeus, Berlim
Autor: Wolfgang Herrndorf
Género: Juvenil
Editora: Editorial Presença
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