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sábado, 18 de março de 2017
Sinopse:
O inimigo já não é o mesmo. O inimigo somos nós.
Eles estão entre nós, eles estão sobre nós, eles não estão em lado nenhum. Querem a Terra, mas querem que seja nossa. Vieram para nos dizimar, mas querem salvar-nos.
Porém, sob estes enigmas esconde-se uma verdade: Cassie foi traída. E também o foram Ringer. Zombie. Nugget. E todos os sete mil milhões e meio de pessoas que viviam no nosso planeta. Primeiro traídos pelos Outros e depois por nós próprios.
Nestes últimos dias, os sobreviventes terão de decidir o que é mais importante: salvar-se… ou salvar o que nos torna humanos.
Se vos disser que não tinha qualquer expectativa em relação a este título estou a mentir, afinal eu fui uma fervorosa apoiante dos dois livros anteriores desta trilogia e a sua premissa foi algo que me prendeu desde as primeiras páginas de A 5.ª Vaga. Aliás, acho que é correcto afirmar que eu estava extremamente curiosa para saber como o autor ia dar a volta aos desenvolvimentos mais recentes e encerrar esta narrativa que tantas vezes me deixou sem folgo. Rick Yancey, estou sem palavras.
Sucintamente, após conhecermos uma protagonista insana, que entrou automaticamente para o meu top de eleitos de mão dada com o Urso, e nos ter sido apresentado um cenário pós-apocalíptico que fez a invasão extraterrestre de A 5.ª Vaga destacar-se entre os seus pares – mesmo com imensos clichés que acabaram por lhe dar um toque especial –, fiquei desejosa de meter as mãos na continuação, O Mar Infinito.
Como um verdadeiro murro no estômago, o segundo título da trilogia teve mais reviravoltas que uma máquina em programa de centrifugação, deixando o leitor, ora confuso ora desesperado, temeroso por todas as personagens a quem se afeiçoou. Acima de tudo surpreendi-me e fui sem dúvida conquistada por novos intervenientes que se tornaram cruciais, neste puzzle de incerteza em que se transformou cada dia da minha muito querida Cassie e que ia muito além da invasão alienista. Desta feita, A Última Estrela era uma promessa das grandes e, na minha modesta opinião, pode cumprir se for lida logo após se ter terminado o antecedente.
Começando logo após os mais recentes acontecimentos, o término desta história divide-se pelas várias figuras que foram ganhando destaque, todas elas em situações limite e a terem de tomar opções em que a morte é uma possibilidade latente. A verdade ainda está confusa, não há certeza absoluta quanto ao que está a acontecer e a única esperança é, dê por onde der, destruir os planos dos que tanto fizeram para destruir a Terra como a conhecemos.
Quanto a personagens, Ringer e Cassiopeia estão equivalentes no protagonismo, ambas bastante alteradas no que respeita à imagem inicial e seguindo uma linha que acaba por fazer muito sentido no final. É a humanidade que as une, mesmo que uma seja louca e a outra ultrapasse em muito o que nos caracteriza. Paralelamente, Evan e Zombie acabam por ser remetidos para segundo plano, são os pares das heroínas deste enredo e, como tal, acabam por brilhar nos pequenos incentivos ao desfecho.
Não sei se vos posso dizer muito sobre as temáticas deste título em particular sem recorrer a spoiler, ou mesmo sem me repetir em relação às opiniões anteriores, mas aqui vai. O enredo tem dois pontos fortes de princípio e que continuam a destacar-se neste último livro, uma abordagem à ficção científica bastante acima da média para literatura young adult e a exploração de afectos e medos primários do Ser humano. Quando se chega ao ponto de relativizar a própria vida, são as emoções e sentimentos que dominam os impulsos e isso é evidente com o decorrer da acção. É agir ou morrer, é morrer a tentar fazer algo ou esperar que a morte chegue e isto altera as perspectivas, certo?
Tive muitas dificuldades durante esta leitura, em acompanhar tudo o que estava a acontecer e em dar-lhe algum sentido de continuidade mas o final, o final é muito bom! Segue todos os preceitos que eu espero encontrar numa boa distopia e, nesse sentido, a história foi salva. Esperava mais mas a verdade é que Rick Yancey manteve a fasquia alta, com uma escrita e um nível de acção que se superavam constantemente, e não me parece justo crucificar a história pela qual me apaixonei por 150 páginas. Ou seja, leiam, leiam mesmo porque vão gostar de saber como termina esta aventura que, de uma forma ou de outra, os destruiu a todos.
Esta é uma aposta Editorial Presença para os leitores de young adult mas que certamente agradará a qualquer fã de ficção científica.
Opiniões anteriores, no blogue:
A 5.ª Vaga – Opinião
O Mar Infinito – Opinião
Título: A Última Estrela
Autor: Rick Yancey
Género: FC; YA
Editora: Editorial Presença
Para comprar o livro A Última Estrela, clique aqui.
domingo, 17 de julho de 2016
Sinopse:
Em 2044 o mundo tornou-se um lugar triste, devastado por conflitos, escassez de recursos, fome, pobreza e doenças. Wade Watts só se sente feliz na realidade virtual conhecida como OASIS, onde pode viver, jogar e apaixonar-se sem constrangimentos. Quando o criador do OASIS morre, deixa a sua imensa fortuna e o controlo da realidade virtual a quem conseguir resolver os enigmas que aí escondeu. Os utilizadores têm apenas como pistas a cultura pop dos anos 1980. Começa assim uma frenética e perigosa caça ao tesouro. Nos primeiros anos, milhares de jogadores tentam solucionar o enigma inicial sem sucesso. Até que Wade por acaso desvenda a primeira chave. De um momento para o outro, vê-se numa corrida desesperada para vencer o prémio, uma corrida que rapidamente continua no mundo real e que põe em risco a sua vida.
Pela primeira vez em 6 anos, desde que criei o blogue, deixei-me levar pela loucura! Li e reli um livro de imediato por não conseguir abandonar uma história, por sentir que ainda havia tanto para receber de um folhear. E isto, estimados leitores, creio que dirá mesmo muito sobre o quanto gostei de Ready Player One - Jogador 1.
Das temáticas à intensidade da acção, passando por um enredo cativante e personagens que nos fazem ansiar pelos seus futuros, esta narrativa explora um universo pouco publicado em terras lusas, promete remeter graúdos para sua juventude e ao mesmo tempo acredito que levará os miúdos para aquela que é, para mim, a época de ouro da sociedade contemporânea no que respeita ao entretenimento.
Com uma criatividade extraordinária, Ernest Cline oferece-nos uma aventura que se desenvolve, paralelamente, onde ainda batem corações acelerados e no espaço virtual.
Com a realidade retratada como um lugar distópico e destruído pelos abusos constantes da humanidade, onde a miséria, a fome e a desvalorização da vida como a conhecemos são levadas ao limite, assistimos às personagens do texto perdidas numa fantasia que ultrapassa tudo o que a Terra tem para lhes oferecer, personagens perdidas numa realidade virtual que domina todas as existências e define toda e qualquer noção de liderança e poder.
Os grandes protagonistas, Wade/Parzival, Aech e Art3mis, competem num espaço infinito por um prémio que poderá mudar os seus futuros de perspectivas miseráveis e as provas que terão de enfrentar são apenas uma pequena parte indescritivelmente divertida e original do grande enredo que o autor preparou. Basta imaginarem e, muito possivelmente, o jogo OASIS irá ultrapassar as vossas conjecturas e fazer acontecer – isto é o máximo e que o digam os intervenientes!
Sem me querer alargar muito sobre as vidas ficcionais, dizer que algum destes jovens é infantil para além do que a ilusão (realidade virtual) lhes vai permitindo parece-me um exagero, no entanto é bonito ver como todos eles crescem de forma permanente na interacção possível com o outro, existindo assim uma evolução do jovem adulto representado.
Além destes e dos seus dramas, das várias singularidades que tão bem os caracterizam através de personalidades poderosas ampliadas pelos seus avatares, o leitor pode igualmente preparar-se para um bom vilão há moda antiga e um herói mitificado que promove muitos dos desenvolvimentos da trama, dois pilares entre tantos piões que facilmente captam a atenção do leitor.
Outro aspecto a destacar é a forma como apesar dos muitos clichés existentes estes vão sendo trabalhados com esmero e contornados, nas lutas, nas perdas e nas vitórias. Ou seja, este livro constrói-se a partir de uma sequência padrão inicialmente anunciada em relação ao seu desenvolvimento e, principalmente, das articulações inteligentes que o valorizam constantemente – é realmente bom.
Quanto a temáticas, estas são tantas que enumerá-las seria suficiente para encher uma folha de texto, assim sendo deixo-vos apenas a reflectir sobre as múltiplas questões que podem ser trabalhadas sobre inteligência artificial e realidade virtual.
Fechem os olhos e imaginem um mundo onde não existem impossíveis de realizar, um mundo onde o complexo de Deus é desenvolvido em lugares comuns e os Monty Python são a alegria maior para estômagos famintos. Acreditem, esta história vai surpreender-vos.
Quase a terminar, deixo-vos umas sugestões para acompanhar esta leitura: ponham a tocar a playlist que o autor criou para esta obra disponível no site da mesma; sempre que acharem que algo na enorme injecção da cultura pop dos anos 80 vos ultrapassa façam uma breve pesquisa e deixem-se envolver; façam pausas entre os muitos momentos de maior emoção para uma “perninha” de tetris ou pac-man. Aposto com vocês que cada um destes pormenores vai valer cada segundo.
E é isto meus queridos, um dos meus livros favoritos de sempre é um romance YA num universo de ficção científica que muitos poderão meramente considerar como apenas mais distopia, mas se for essa a vossa impressão pré-leitura convido-vos a falar comigo durante alguns minutos e creio que vos farei mudar de opinião – sim, sinto-me entusiasmada e confiante.
A Editorial Presença esteve em grande uma vez mais com esta aposta maravilhosa e, se ainda duvidam, perguntem ao tio Spielberg que prometeu o filme para 2018 – já estou ansiosa!
Recomendadíssimo!
Título: Ready Player One - Jogador 1
Autor: Ernest Cline
Género: Ficção Científica; Young Adult
Editora: Editorial Presença
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quinta-feira, 10 de março de 2016
Sinopse:
Nascido Vermelho, Darrow trabalhava nas minas de Marte, suportando a dureza do trabalho enquanto sonhava com um mundo mais justo, uma sociedade livre da intriga e dos jogos de poder.
Os Dourados, que escravizam e oprimem os restantes, só podem ser derrotados por uma rebelião das castas. Mas para que tal aconteça foi necessário que Darrow se tornasse num Dourado e, uma vez infiltrado, promovesse a revolta.
Neste tão esperado segundo volume da trilogia Alvorada Vermelha, Darrow, agora um Dourado, vê-se confrontado com novos desafios.
O seu sucesso atrai inimigos terríveis que usam a intriga e a política como arma. Porém, Darrow está determinado a defender o amor e a justiça, ideais seguidos por Eo, apesar de se saber rodeado por adversários sem escrúpulos que pretendem eliminá-lo.
Depois de tudo o que vi, assisti, no primeiro título da série Red Rising, eu deveria estar minimamente preparada para ler este livro. Deveria conseguir controlar a ansiedade e o medo, deveria conseguir desapaixonar-me destas criações ficcionais e deveria impedir o meu envolvimento emocional com a história. Deveria… mas tal é impossível. Pierce Brown é genial em todos os sentidos e superou toda e qualquer expectativa desta, já anteriormente, sua grande fã.
*Leitores, eu estou histérica com esta história e não me comprometo com irá sair desta opinião.*
Em primeiro lugar, deixem-me avisar-vos que creio ser impossível dizer muita coisa sobre O Filho Dourado sem fazer spoiler ao seu antecedente, Alvorada Vermelha. Assim, convido-vos a ler a minha opinião anterior (clicar aqui) e a prosseguirem por vossa conta e risco, naquele que definitivamente será um devaneio alucinado sobre uma série que, no seu todos e até à data, promete ser uma das minhas favoritas de sempre.
Neste livro o enredo começa dois anos após o término do anterior, o que poderia ser confuso. No entanto, nas primeiras páginas é-nos dado um quadro que mostra na perfeição a distribuição social por Castas, informação relevante relativa às personagens de maior destaque e, ainda, um pequeno comentário do protagonista que nos introduz no que o levou ao momento exacto em que se inicia a narração, o que, desde logo, nos reaviva um pouco a memória. Continuamente, com o decorrer do texto, o leitor tem igualmente acesso a flashbacks da enorme bagagem que as personagens carregam, bem como muitos pensamentos e emoções de Darrow o que, acreditem, oferece uma ou outra abençoada golfada de ar nesta leitura em que acção é literalmente continua e parece querer dar cabo do nosso coração.
Resumindo, depois de tudo o que leram no livro antecedente, preparem-se para ser literalmente mandados para o Espaço sem qualquer mecanismo de emergência, para verem o Homem como carne para canhão naquela que é, indiscutivelmente, uma história que descreve sem filtros uma luta de poderes por poder, chocante, agressiva e ostensiva em todas as suas acepções.
Para não fugir muito à ordem habitual das minhas opiniões: personagens. E que personagens, queridos leitores! Elas são perfeitas na sua imperfeição e se já anteriormente me tinham conquistado agora arrebataram-me completamente – vou alongar-me…
O Darrow continua muito complexo, pelas suas metamorfoses agora exclusivamente emocionais, pelos seus receios, esperanças e ambições. Ele mudou muito, este novo universo mudou-o e acho que dentro dos possíveis se adaptou, no entanto é pelas fragilidades e coragem que nos surpreende, pela sua capacidade de se superar sempre, mesmo quando descobre que o poço é ainda mais fundo do que aparentava. Ele é os nossos olhos e a sua visão da Galáxia não poderia ser mais diversificada.
E porque todos os outros são muitos e bastante proeminentes, começamos pelas meninas. Adorei a Victra porque nunca perde o carisma e as características que lhe são intrínsecas. O novo papel que lhe cabe no enredo torna-a muito especial e gostava de ter tido mais de si. Quanto à Mustang, é uma personagem que nem sempre me cativa, falta-lhe algo para aquilo que tem de desempenhar e espero muito de si; em relação à Soberana, perdoem-me este spoiler, mas eu adoro uma boa vilã e esta senhora desempenha o seu papel de forma brutal e está muito bem acompanhada por Aja – consigo compreender a frieza, crueldade, de ambas e isso basta-me para bater palmas enquanto assisto aos seus requintes de malvadez.
Os meninos: Sevro e Ragnar, tenho um fraquinho pelos dois e acho que dão corpo aos muitos que acompanham Darrow, de certa forma dão-lhe sentido e são cruciais para que se mantenha firme, merecendo todo o destaque que têm e fazendo com que não me canse de os ver brilhar – como quem diz, esquartejar e ensandecer, respectivamente. Augustos, Roque e Chacal, são três criaturas que odeio mas que cumprem aquilo para que foram criados, por isso só posso aplaudi-los.
Vale a pena citar ainda a importância de todas as personagens, mesmo as mais secundárias, mesmo as que morreram anteriormente, acho que num livro com um corpo denso como este não é fácil que tantos se conciliem tão bem e de forma tão pertinente, por isso o Brown está novamente de parabéns.
Em relação aos cenários, algo que já antes era tão prodigioso, a narrativa continua a revelar diversidade, oferecendo o máximo de ambientes em cada uma das quatro partes me que se divide o enredo – Humilhação, Cisão, Conquista e Derrocada. Assim, dos bairros mais pobres, às minas, passando pelo luxo extremo festivo a castelos que lembram contos-de-fadas há muito perdidos do imaginário destes intervenientes, o que provavelmente mais vos tocará será o grosso do texto, passado no Espaço e, consecutivamente, o ambiente em naves espaciais. Aqui, creio que há o cuidado de mostrar o lado mais cru deste género literário que se sobrepõe a todos os outros, a ficção científica.
Existem batalhas espaciais fenomenais, repletas de estratégia, com frotas de naves a invadir outras num ambiente surrealmente digital e armado a até aos dentes, o que proporciona valentes e agradáveis banhos de sangue. Além disto, o factor estratégia é encantatório e para lá de físico continua fortemente presente na política que rege estas Boascriaturas, são verdadeiros jogos de xadrez mortíferos que atingem tudo e todos em nome da honra, da imagem e da sede, que jamais será saciada, de poder.
No meio de tudo isto, existem ainda afectos. E digo-vos ainda porque este jogo é tão duro, tão cru, que será fácil imaginar cada uma das personagens como uma máquina, como um robot utilizado para um fim, só que não. Para lá do amor de Darrow pela falecida Eo e das suas esperanças de futuro com Mustang, o autor juntou e fortificou laços familiares e principalmente de amizade, com a segunda a ter um papel extremo e fundamental no desenlace de variados momentos cruciais e a impulsionar aquele que seguimos para fins que, doutra forma, já o teriam destruído completamente.
Por fim, no meio de tanta morte e destruição, no meio de tanto caos, cinismo, intriga e brutalidade, acho que não deixa de ser belo apreciar a força do Homem, o seu impacto e capacidade de manipular tudo o resto, a própria sociedade e a sua estrutura aparentemente tão fidedigna que se revela frágil perante a ousadia de tão poucos.
Sim, leitores, estou apaixonada por esta história.
Esta é, sem dúvida alguma, uma das minhas apostas favoritas de sempre da Editorial Presença. É mais que bom este livro, muito mais que bom. Agora, só me resta aguardar ansiosamente e com uma boa dose de medo a continuação, Morning Star, pois tenho a certeza que vou amar este desfecho, mas confesso ter todos os receios por aquilo que se irá perder e, quem sabe, ganhar.
Da mesma trilogia:
Livro 1: Alvorada Vermelha - Opinião
Título: O Filho Dourado
Autor: Pierce Brown
Género: Ficção Científica
Editora: Editorial Presença
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domingo, 14 de fevereiro de 2016
Sinopse:
É uma noite igual às outras a bordo da Ícaro, os passageiros divertem-se. Tarver convida Lilac para ver as estrelas.
Então, a catástrofe abate-se sobre a enorme nave de luxo: de súbito é puxada para fora do hiperespaço e despenha-se no planeta mais próximo. Lilac Laroux e Tarver Merendsen sobrevivem. E estão sozinhos.
Lilac é a filha do homem mais rico do universo. Tarver é de origens humildes, um jovem herói de guerra que aprendeu há muito tempo que as jovens como Lilac só dão grandes problemas.
Mas sozinhos têm de confiar um no outro e trabalhar juntos, encetando uma jornada tortuosa pelo misterioso e lúgubre planeta para procurar ajuda.
Enquanto lutam para salvar as vidas no meio do enigmático planeta descobrem que, apesar das diferenças, as estrelas começam a iluminar os seus corações com a luz do amor.
No dia que comercialmente aparenta ser o mais romântico do ano não resisto a voltar às opiniões com aquela que, certamente, foi uma das histórias de amor mais bonitas que li nos últimos tempos.
Quando as Estrelas Caem é, como promete, uma narrativa que brilha nas suas singularidades e na sua fonte de inspiração, uma narrativa que se constrói com base nas duas existências que lhe dão vida e que, desde o primeiro olhar, contra todas as probabilidades, só podem estar destinadas a ficar juntas para sempre.
Tendo como pilar a intemporal tragédia do Titanic, Lilac e Tarver conhecem-se a bordo da gigante Ícaro, uma nave espacial cruzeiro que leva os seus passageiros através do hiperespaço tridimensional numa viagem que promete ser de sonho. No entanto, as diferenças sociais entre ambos depressa destroem a ilusão que as estrelas pareciam criar em torno destes jovens que, dramaticamente, terão de unir-se no momento em que salvar as suas vidas passa a ser a única prioridade.
Isolados, num planeta desconhecido e sem saber como contactar a civilização, este enredo leva-nos a conhecer profundamente este casal receoso que, enquanto combate a atracção entre si, vai explorando os limites da própria sobrevivência e aprendendo a lidar com o outro lado de uma realidade de que foi ensinado a afastar-se.
Previsivelmente, no que respeita a personagens, está presente o cliché obrigatório de uma obra que se anuncia como “o Titanic distópico” – menina rica e rapaz pobre –, ainda assim, a forma como posteriormente ao desastre épico os intervenientes se desenvolvem é, na minha opinião, bastante mais agradável que o trágico romance cinematográfico.
Lilac Laroux, a Menina Laroux, tem um início irritante pela sua postura formatada, mimada e demasiado inocente, mas a sua quebra, choque, face a situação em que se encontra está bem construída e permite que esta se revele de forma bastante atractiva, cativando pelo seu espírito temerário. Tarver Merendsen, herói de guerra e com alguns traumas relacionados com afectos, é o tipo de protagonista por quem a empatia é imediata desde o primeiro momento da trama, algo que se prolonga enquanto este se desafia, não apenas junto desta jovem difícil, mas também num ambiente mais hostil do que poderia imaginar e com situações que ultrapassarão a realidade.
Em suma, a relação de ambos vai evoluindo e o romance é um dado adquirido, mas os seus contornos e amadurecimento são verdadeiramente bonitos e conseguiram conquistar-me.
Embora esta seja uma história muito centrada nos seus protagonistas e no romance entre eles, vocês sabem que eu aprecio um enredo rico em pormenores e a construção de cenários peculiares, o que nesta obra me surpreendeu positivamente.
Apesar de o livro começar numa nave-espacial, o que desde logo faz os meus olhos brilhar, é no planeta desconhecido onde Lilac e Tarver aterram de emergência que tudo se adensa e esse planeta, misterioso, tem qualquer coisa de entusiasmante. É como se tivesse vida própria, como se tudo o que o aproxima de algo habitável fosse posto em causa por uma faceta selvagem e irracional que, mais tarde, contribui sumariamente para as reviravoltas e enigmas que vão surgindo na jornada destes jovens – creio que as autoras fizeram um excelente trabalho de suspense nesta área.
Igualmente, ainda que Titanic não me diga muito, consigo compreender a mística em torno do seu desastre e, também aqui, existiu o cuidado de criar um ambiente permanente quase fantasmagórico (pós-desastre). com a Ícaro, com a consciência e impacto da catástrofe em torno de si a permanecerem até ao final – mesmo quando o texto se afasta do acontecimento e se encaminhar para algo maior. Depois, as implicações de tudo isto na relação dos intervenientes e na sua sanidade é algo que me fascinou ( não posso dizer-vos muito por causa de spoilers), mas creiam que a loucura e desespero andam de mãos dadas com as emoções à flor-da-pele que o par irá sentir o que, para lá de inesperado, foi algo a que gostei verdadeiramente de assistir e que me prendeu até à última página.
Para lá de tudo o que citei, esperem também algum surrealismo, quase extraordinário mas transformado em ficção científica, assim como uma boa apresentação da história, com as autoras Amie Kaufman e Megan Spooner a intercalar os capítulos na visão de ambos os protagonistas e a fazer introduções capitulares pertinentes e curiosas que nos levam a desejar ler sempre um pouco mais – se tivesse tempo, tinha lido este livro em dois dias, aliás, eu li-o praticamente nesse tempo e deixei apenas as últimas páginas para ontem para escrever esta opinião. Boas descrições em geral, um bom desenvolvimento psicológico dos intervenientes e uma componente misteriosa que permite entretenimento de alto nível são, desta feita, pontos fortes de um livro que não deve ser avaliado pela sua capa e que, quase que aposto, conquistará a maioria dos que experimentarem as suas páginas.
Se gostei? Muito mesmo! Uma aposta Planeta Manuscrito que me marcou de alguma forma e que não me canso de recomendar a quem gosta de romances e ficção científica, pois consegue aliar o melhor dos dois géneros e, ainda, chegar a um publico mais diversificado.
Título: Quando as Estrelas Caem
Autoras: Amie Kaufman & Megan Spooner
Género: Ficção Científica
Editora: Planeta Manuscrito
domingo, 13 de dezembro de 2015
Sinopse:
Estação Onze conta-nos a cativante história de um grupo de pessoas que arriscam tudo em nome da arte e da sociedade humana após um acontecimento que abalou o mundo. Kirsten Raymonde nunca esqueceu a noite em que teve início uma pandemia de gripe que veio a destruir, quase por completo, a humanidade. Vinte anos depois, Kirsten é uma atriz de uma pequena trupe que se desloca por entre as comunidades dispersas de sobreviventes. No entanto, tudo irá mudar quando a trupe chega a St. Deborah by the Water. Um romance repleto de suspense e emoção que nos confronta com os estranhos acasos do destino que ligam os seus personagens.
Do meu ponto de vista, é curioso que um livro se faça anunciar pela melancolia, por um sentimento íntimo que serve de ponto de partida para tantos outros capazes de nos transportar no tempo. No entanto, a nostalgia é certamente a emoção que personifica o decorrer desta obra e que permanece com o leitor quando virada a última página, quando é tomada a consciência de tudo o que poderíamos ter sido, somos ou algum dia chegaremos a ser, com o pretérito a reafirmar-se sempre.
Para lá de um enredo inteligente, Emily Mandel cativou-me pelo seu dom da palavra, pela cadência com que a anuncia e pela sua capacidade de me envolver nos contextos dissonantes em que o seu ensaio se fortalece, encerrando o texto em paralelismo com o seu princípio e deixando-me feliz por ter tido a oportunidade de experienciar a sua história. O livro de que vos falo hoje não é para todos os leitores mas é, certamente, um livro que muitos deveriam ler.
O cenário pós-apocalíptico serve de mote introspectivo a um texto que se desenvolve em diferentes ambientes e que dá vida a diversificadas personagens que, por sua vez, se ligam entre si com intensidades diferentes entre um passado que vamos descobrindo em flashbacks e um presente que se vai construindo a um ritmo certamente muito distante daquele em que hoje existimos.
Gritante na expressão cultural e sufocante a representar a sobrevivência, Estação Onze é, definitivamente, um dos livros mais singulares li sobre a perspectiva que apresenta, ora aprofundando temáticas, ora relevando interesses e quase se desconectando com o leitor.
As suas personagens, com maior ou menor destaque, evidenciam as lacunas de hoje e as prioridades desse futuro tão diferente da nossa realidade. Igualmente, levam-nos a reflexões profundas e internas numa viagem atraente sobre os seus pensamentos e memórias – algo descrito de forma realmente interessante.
Kirsten, considerada uma das protagonistas, por exemplo, revela a capacidade que o nosso cérebro tem de, por vezes, apagar memórias indesejáveis, oferecendo-nos uma visão mais pormenorizada do presente descrito e revelando uma aguçada curiosidade sobre o mundo pré-catástrofe. Arthur, por outro lado, nem sequer conheceu este momento distorcido mas, ainda assim, marcou-o não só pela sua identidade cultural que perdurou, como também pela capacidade de revelar tantos traços e fragilidades do Homem que hoje conhecemos. Enfim, com maior ou menor relação e/ou evidência, a forma como todos os intervenientes se articulam é um dos factores de destaque nesta narrativa que tão depressa os dispersa como os une.
Como tantas vezes é passível de ser examinado nestes textos, a análise introspectiva da humanidade, seja ela singular ou social, é um dos pontos favoráveis ao longo do livro que mostra não apenas o rastilho da loucura, mas a forma como esta afecta todas as emoções e relações precedentes – tolo do homem que não acreditar mudar com a mudança do mundo, mudança essa que lhe afecta irremediavelmente a mente. O universo descrito é, por sua vez, quase anárquico, dando lugar a seitas, medos e uma adrenalina extrema em pequenos ou grandes agregados, onde a linha que os equilibra é tão frágil como qualquer vida que se inicia.
O rastilho da loucura, a ausência de normalidade e as estruturas divergentes são, assim, pontos-chave desta narrativa única que, muito mais do que revelar um acontecimento, pretende vincar as alterações fundamentais efectivas na humanidade como a conhecemos, usando para tal ferramentas actualmente desvalorizadas e anulando, quase por completo, as necessidades agora nos parecem imprescindíveis. Sim, Estação Onze tem morais ramificadas que vão muito além de uma primeira ponderação.
Esta é uma aposta Editorial Presença que sugiro sem restrições a quem procura ler algo diferente daquilo que, comercialmente, lhe é oferecido dentro deste género literário.
Título: Estação Onze
Autora: Emily Mandel
Género: Ficção Científica; Pós-apocalíptico
Para mais informações sobre o livro Estação Onze, clique aqui.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Sinopse:
Wayward Pines não é apenas uma cidade.
E o que está do outro lado da vedação é um
pesadelo. Aninhada entre montanhas perfeitas, a idílica cidade de Wayward Pines
é um paraíso... Se esquecermos a vedação electrificada e o arame farpado, os
franco-atiradores que vigiam tudo permanentemente e a vigilância atenta que
detecta cada palavra e cada gesto. Nenhum dos residentes sabe como chegou aqui.
É-lhes dito onde trabalhar, como viver e com quem casar. Alguns acreditam que
estão mortos, que isto é a vida depois da morte. Outros acreditam que estão presos
numa comunidade experimental. Em segredo, todos sonham com a fuga, mas os
poucos que se atrevem a tentar têm uma surpresa aterradora. Ethan Burke viu o
mundo do outro lado. Ele é o xerife da comunidade e um dos poucos que conhecem
a verdade.
Talvez seja um pouco pretensioso da
minha parte afirmar que já li muito e de géneros bastante diversificados, mas
acredito que o fiz com a mesma certeza de que sei ter lido pouco e ainda ter
tanto para descobrir. No entanto, por tudo o que já encontrei entre
páginas sinto que é cada vez mais difícil surpreender-me facilmente, mas a trilogia
Wayward Pines conseguiu destacar-se para mim, conseguiu envolver-me e
prender-me a uma história que prima pela multiplicidade e acção, mesclando thriller,
ficção científica e até romance, em linhas plenas de tensão, em capítulos
curtos que me fizeram desejar sempre mais.
Para aqueles que acreditavam ter ficado
a conhecer esta cidade idílica, perdida no tempo, em Wayward
Pines – Paraíso, Blake Crouch mostra-nos agora que
apenas havia revelado uma camada muito superficial deste lugar feito dos
sonhos e dos pesadelos de cada um, levando-nos ao centro da sua criação e
deixando-nos repletos de incertezas quanto ao próximo passo a tomar num futuro
imperfeito.
Com o mesmo estilo de escrita, o autor
aprofunda as temáticas e proporciona mais informação não só sobre este lugar
como das figuras que nele habitam, alcançando ainda mais impacto sobre a
verdade escondida por detrás deste teatro vivo.
Será sempre a verdade a melhor opção? Numa
resposta instintiva eu diria que sim mas na perspectiva de uma condenação da
humanidade, por exemplo, eu confesso-vos que reflicto, assim como penso se será
melhor viver pela metade ou não viver de todo. Porque sim, há dias em que a
ignorância é uma efectiva bênção e como sempre tive uma vida cheia é difícil
julgá-la pela metade.
Wayward Pines –
Revolta é, desta feita, o segundo título de
uma trilogia que, para lá ficção, conseguirá fazer o leitor questionar-se, é um
segundo título que mostra o despertar díspar de muitos dos ocupantes desta
localidade para uma realidade que, até há data, estava escondida por detrás de um cenário
onde a maioria acordou louca, perdida, e assim permanece, em perigo extremo,
enquanto o leitor desespera pelos momentos chocantes, cruciais, em que o rumo
da história muda e tudo pode acontecer.
Uma das coisas que mais gostei neste
livro está relacionada com as suas personagens que, independentemente de serem
ou não protagonistas, contribuem de alguma forma para criar o cenário em que
desenvolve o enredo. Além disso, este é o título onde todos os que
anteriormente me chamaram a atenção revelam a essência do seu carácter e
mostram o quão o dúbia uma entidade pode ser. Este não é um universo de heróis.
Para lá de um Ethan Burke,
agora xerife, que tenta investigar e fazer o que considera mais correcto e da
sua esposa que se torna mais misteriosa com o adensar da trama, foram os
supostos vilões que me conquistaram pela sua perversidade, pela sua consciência
retorcida e que raramente chegamos a compreender na totalidade. Um bem-haja a Pam e a Pilcher,
pelos passados e presentes fenomenais que enriquecem esta série tanto como
aqueles que vos possam enternecer o coração.
Igualmente, gostei dos rebeldes em geral,
secundários que mostram uma interessante forma de existir, de sobreviver, e da
ironia que representam dando um novo sentido à palavra comunidade.
Intervenientes à parte, e tentando não
cometer (mais) spoilers, mais sangrento e violento o texto
encontra-se agora em mais um momento crucial, depois de nos fornecer uma imagem
vivida de como Wayward Pines foi criada de raiz e dos pilares
sob os quais foi levantada. O preço não poderia ser mais elevado e o resultado
é, para esta vossa leitora, demasiado complexo para ser sentenciado.
A palavra, as mentiras e os segredos
guardados com a própria vida, ganham uma nova dimensão e transversalidade de
determinadas problemáticas, entre o passado e a actualidade, são um bónus que
me tornou mais próxima de determinadas personagens. Creio que, numa visão
geral, as temáticas universais são aquelas que mais dão que pensar, ainda assim
índoles e conceitos comuns afectivos são abordados ao longo de toda a história.
Em suma, este é um livro que ultrapassa
as suas bases, o thriller e a ficção científica, através de
uma narrativa bem construída em torno da humanidade representada por uma
amostra singular e plena nos seus pormenores que nos mantêm em suspenso até um
final impróprio para cardíacos. Uma coisa vos digo, sou uma privilegiada por
ter Wayward Pines – Caos na mesa-de-cabeceira.
Esta é uma aposta Suma de Letras,
do Grupo Penguin Random House, que eu sugiro sem restrições aos
amantes de ambos os géneros literários, bem como aos que procurem uma história
diferente e com a capacidade de atrair a atenção do leitor da primeira à última
página – literalmente.
Título: Wayward Pines – Revolta
Autor: Blake Crouch
Género: Thriller; Ficção Científica
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Sinopse:
Quando dois soldados de lados opostos de um imenso
conflito galáctico sem fim se apaixonam, terão de arriscar tudo para proteger
uma nova vida num universo terrível e perigoso. Um universo sem limites,
povoado de possibilidades infinitas. E um planeta, Fenda, onde nascerá a ideia
que irá expandir-se e crescer para conquistar todo um cosmos, símbolo de
esperança para dois povos desavindos. SAGA é a história de dois jovens soldados
de lados opostos de um vasto conflito inter-galáctico sem fim, que se apaixonam
e arriscam tudo para protegerem a vida que criaram e que terá de crescer num
universo hostil e perigoso. Alana e Marko querem apenas poder viver a sua vida
em paz com a sua jovem filha Hazel – considerada uma abominação por todas as
potências envolvidas na guerra – e, entre serem perseguidos por um príncipe
robot com cabeça de TV, assassinos profissionais dos mais diversos planetas e
serem assombrados pelos fantasmas de vítimas de batalhas passadas, a sua
história irá mudar a galáxia. Fantasia e ficção-científica juntam-se como nunca
antes no primeiro volume deste épico subversivo e provocante, obra de dois dos
mais aclamados nomes da banda desenhada actual: o escritor Brian K. Vaughan e a
artista Fiona Staples.
Momento sinceridade: esta vossa leitora não percebe
nada de arte, mais concretamente da arte desenvolvida em novelas gráficas ou
BD. Felizmente, isso não invalida o facto de eu começar a apreciar imenso este
tipo de literatura que, doravante, acabará por ser mais comentada no blogue –
tenho andado a comprar imensas coisas e estou, à primeira vista, apaixonada
pela maioria das minhas aquisições.
Deveria ser pecado eu comentar Saga porque, por todos
os prémios que conquistou e pela crítica que tem recebido, está mais que
comprovado o seu valor, algo que até uma leiga como eu, que certamente não o aprecia na totalidade, consegue compreender.
Dividida, até à data, em cinco volumes, esta novela gráfica
extraordinária conquistou-me pela sua edição e, posteriormente, pelos seus
conteúdos fortes e impactantes que, articulados com originalidade do texto e
os muitos paralelismo sociais e afectivos reais, me transportaram para o
espaço. Eu não conhecia o autor ou a artista mas acreditem que depois desta
experiência vou querer voltar encontrar-me com mais trabalhos de ambos.
Muito sucintamente, um casal de soldados pertencentes
a facções opostas em guerra, Alana de Terravista e Marko do seu satélite Coroa,
fugiram das suas origens para poderem ficar juntos e é no momento em que a filha de ambos vem ao
mundo, Hazel, que tomamos conhecimentos das duas histórias e deste universo
cruel, sedutor e que de forma bem conseguida representa uma espécie de humanidade (que nada tem a ver com seres humanos, que fique claro). Assim, nesta
obra vamos assistir de perto ao início da fuga deste par com a sua filha,
enquanto nos vão sendo oferecidas nuances do passado, mas principalmente sobre o presente de ambos, numa jornada épica em busca de um futuro melhor.
Gostei imenso da forma como o texto, o criativo argumento de Brian K. Vaughan é apresentado, ora através dos balões de fala das figuras ficcionais, ora através da voz de Hazel, que narra de como tudo começou, de como assistiu às
lutas, aos medos e às pequenas conquistas dos seus pais para que sobrevivesse.
Sinceramente, sendo a história aquilo que melhor
posso analisar, adorei a voz desta pequena. Com um olhar tão contemplativo
quanto crítico, ela complementa na perfeição todos os excessos (não tão
excessivos assim), apresentados com humor e todos os apêndices que um título
para adultos pode incluir.
Gostava de poder divagar sobre os desenhos de Fiona
Staples mas, como disse anteriormente, pouco entendo desta arte, assim posso
apenas dizer-vos que são belos, coloridos e fortes, capazes de chocar e comover
pela riqueza de pormenores, quer relativamente aos cenários ou às emoções
transmitidas pelas personagens. Conclusão, não é preciso ser uma expert para me
conseguir deixar transbordar por um trabalho magnífico.
No que diz respeito a problemáticas, o livro tem de
tudo um pouco e as analogias são evidentes da primeira à última página. Num enredo
que usa e abusa da ficção científica e da fantasia, questões militares e
políticas ganham destaque, bem como temas mais sensíveis como escravidão,
abusos vários e muita violência envolvidos naquela que eu, e perdoem-me se vos
estou a enganar, vejo como uma linda história de amor intergaláctico.
Em suma, foi com um cocktail excêntrico mas muito
completo e fiquei a conhecer a dinamarquesa editora G. Floy Studio que, a um preço muito
acessível, oferece uma edição de luxo em português com aquilo que, creio, será do melhor que
poderei experienciar dentro deste género literário, narrativas escritas e
visuais que tocam em todas as feridas, entretêm e aquecem o coração.
Sim, já comprei Saga Vol. 2 e mal saiba a data do
próximo lançamento começo a lê-lo. Estou siderada!
Titulo: Saga – Volume Um
Autor: Brian
K. Vaughan & Fiona Staples
Género: BD; Novela Gráfica; FC
Editora: G. Floy Studio
terça-feira, 28 de julho de 2015
Sinopse:
A Terra foi invadida por extraterrestres - os Outros
-, que têm como único objetivo o extermínio de toda a população do planeta. Sem
aviso, lançaram quatro vagas de destruição que devastaram parte da humanidade.
Cassie Sullivan e os seus companheiros contam-se entre os poucos que
sobreviveram.
Agora, com a espécie humana quase extinta e com uma
quinta vaga em marcha, os jovens têm de tomar uma decisão crucial: enfrentar o
duro inverno e ficar à espera que Evan Walter regresse, ou partir à procura de
mais sobreviventes antes que o inimigo se aproxime demasiado - porque o próximo
ataque é mais do que possível, é inevitável. Ninguém é capaz de prever até onde
os Outros podem descer, nem estes sabem o quanto a humanidade se pode erguer.
Embora eu não seja muito influenciada quanto a
feedbacks positivos ou negativos, pois interessa-me muito mais ler uma opinião
que me dê uma imagem sobre aquilo que posso encontrar numa história, confesso
que fui para esta narrativa de pé ligeiramente atrás. Uma menina em quem
confio, muito, esperava mais da mesma e eu confesso-vos que só o seu tamanho
reduzido, em comparação com o livro anterior, me apertou o coração. Mas
adivinhem? Adorei e a conclusão é a que mantenho desde sempre. Apesar de ser
excelente trocar opiniões sobre livros, o acto de ler é íntimo e solitário (a
não ser que seja feito como no seu início, em voz alta), e isso é visível na
sua avaliação e interpretação. É no facto de sermos tão singulares entre pares
que reside parte da magia, do poder, de uma história e eu duvido, sinceramente,
que duas pessoas pensem exactamente o mesmo sobre o todo de uma história.
Agora que sabem como me sentia antes de começar a
ler, passemos ao que realmente importa.
Mais que tudo, este livro foi uma grande surpresa e
tal deveu-se ao facto de eu não estar completamente recordada de alguns
pormenores da A 5.ª Vaga e de como e onde havia terminado, com todos os
pormenores e toda a bagagem das suas personagens, sempre intensas, que isso
implica. Ainda assim, graças à escrita lindíssima de Rick Yancey, a sua prosa é
maravilhosa mesmo, senti-me motivada a continuar e, decidida a ir juntando as
pontas soltas deste universo pós-apocalíptico durante a leitura, o resultado
foi muito além do expectável.
Ao iniciarmos O Mar Infinito todos os seus
intervenientes estão completamente destruídos, física e psicologicamente. Eles
já estavam quando os conhecemos pela primeira vez, é verdade, mas as coisas foram piorando com a
adensar da trama e agora, num foge e esconde arrepiante e com toda a informação
que foram conseguindo sobre o que está a acontecer, estão piores que nunca. Já
não é apenas Cassie que está no limiar da lucidez, Zombie, Teacup ou Sam são
também eles resultados disfuncionais desta realidade futurista que, segundo
após segundo, corrompe o que resta da humanidade e ameaça destruir a Terra tal
como a conhecemos.
Resumindo muito sucintamente o enredo sem spoilers,
vão acima de tudo assistir a um colapso emocional de muitas personagens e a uma
consequente metamorfose das mesmas, quando confrontadas com mais situações
limite. Igualmente, vão receber muito mais informação sobre estes
intervenientes, sobre os seus passados, bem como a respeito desta invasão dos
Outros o que, por sua vez, principia uma reviravolta que nos prepara para o
próximo título, o último desta trilogia.
Sinceramente, continuo a gostar imenso da Sullivan e
mesmo que tantas vezes pareça que lhe está a dar a Dorothy eu tenho-a em
grande estima. Aquela jovem acreditou, piamente, ser o único ser vivo do
planeta, perseguida e vigiada constantemente por existências invisíveis e,
depois disso, ressuscitou literalmente de uma depressão profunda para voltar a
tentar ser uma identidade social num núcleo que lhe é estranho. Ela tem todos
os motivos para agir anormalmente, sem falar daquilo porque todos passaram,
assistindo à morte e ao enlouquecimento dos seus entes queridos, vendo-se
transformados em carne para canhão e o tudo resumido a nada.
No entanto, apesar de adorar a Cassiopeia, estou
perfeitamente consciente que agora há outros protagonistas que se destacam e
merecem também eles elevada atenção. Evan, de quem não falei na opinião
anterior para não dizer o que não devia, melhora consideravelmente porque
finalmente descobrimos o que representa – já nem tudo é incerteza e desconhecido,
há revelações e mais revelações – e ele é sem dúvida uma das imagens do herói,
juntamente com o Zombie. E a grande estrela é, efectivamente, Ringer, outrora
já interventiva mas que neste momento acompanhamos como narradora,
oferecendo-nos a oportunidade de a conhecermos profundamente. O seu passado e o
seu presente revelam-se perturbadores e a forma como acabam por influenciá-la
na actualidade, como o autor joga com isso e aquilo traçou para si é brutal.
Ela é imensa, acreditem.
Enfim, grande parte da história e a forma como ela
chega ao leitor está extremamente influenciada pelo psicológico dos
intervenientes, pela sua capacidade de sobrevivência e, acima de tudo, pela
maneira como são manipulados. Até à data, só Dumbo permanece coerente neste jogo
de atrocidades que estão mais apuradas que sempre.
No que respeita a temáticas, não creio poder
aprofundar muito a questão, para não contar demasiado, mas em linhas gerais
continua tudo a girar em torno do fim do mundo como o conhecemos, o que leva a
retrospectivas e valorizações respeitantes ao que a Terra nos oferece hoje e a
forma exaustiva como exploramos os seus recursos sem a preocupação com o dia de
amanhã.
Um ponto muito positivo vai para a forte abordagem ao
género da obra, ficção científica, aqui trabalhado com esmero e apoiado numa
base credível. A manipulação cerebral é foco de maior atenção, assim como
nanotecnologia.
Aproveito para salientar ainda que, no seguimento do que aconteceu anteriormente, a violência continua a ser levada ao limite, principalmente a nível
visual – os miúdos e graúdos sofrem para caramba.
Antes de terminar, uma ovação imensa para a estrutura
do texto – e não estou a falar dos capítulos intercalados entre personagens,
embora estejam bons, oferecendo vários prismas dos mesmos acontecimentos – mas
sim da forma como as promessas se transformam em carmas e os eventos em ciclos
repetitivos, viciantes, em que uma e outra vez assistimos a algo acontecer e ficamos
pasmados com o paralelismo entre cenas anteriores. É um trabalho magnífico, na
minha opinião.
Portanto, muitos fios se tecem e muitas vidas se
perdem neste enredo, tão centrado nas figuras principais, marionetas, como na
maquinação que está por detrás de tudo aquilo que me cativou inicialmente.
Estou, obviamente, a roer as unhas pela continuação.
Esta é uma aposta muito feliz por parte da Editorial
Presença para todos os fã de ficção científica, em particular YA, bem como para
os adeptos de distopia que, em boa hora, começam a expandir os seus horizontes
para novas literaturas.
Da mesma trilogia, no blogue:
Título: O Mar Infinito
Autor: Rick Yancey
Género: FC; YA
Para comprar o livro O Mar Infinito, clique aqui.
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